Two Words of Caution
2.3 Graphing Functions, Expressions, and EquationsEquations
2.3.1 Functions of a Single Variable
No tratamento da informação recolhida através do trabalho empírico utilizámos a técnica da análise de conteúdo. Segundo Bardin (1977), a análise de conteúdo passa por “um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens” (Bardin, 2007:37). Através da análise de conteúdo é possível fazerem-se inferências, com base numa lógica explicitada, sobre as mensagens cujas características são inventariadas e sistematizadas (Vala, 2005).
Assim, numa primeira fase da análise de conteúdo procedemos à organização da informação recolhida, com o objectivo de operacionalizar e sistematizar as ideias iniciais relativamente aos objectivos e às questões da investigação, de maneira a desenvolvermos o plano da análise.
Nesta perspectiva, iniciámos o processo de análise com a leitura integral de todo o material conseguido, nomeadamente, as notas de campo relativas à observação das reuniões, as transcrições integrais das sessões de grupo focal (focus group), e as transcrições das entrevistas individuais efectuadas aos professores. Esta “leitura flutuante”(Bardin, 1977) permitiu-nos captar uma primeira imagem global dos dados recolhidos.
De seguida, atendendo aos objectivos e ás questões de investigação definidas, bem como, ao quadro teórico de referência, procedemos à constituição do “corpus de análise” (Vala, 1986), ou seja seleccionámos de entre os dados disponíveis, o material
que viria a constituir a fonte de informação a tratar, tendo em conta as regras da exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência (Bardin, 1977).
Em simultâneo a este processo, e à medida que fomos lendo os dados procurámos as regularidades e padrões, bem como, os tópicos presentes nos dados, de modo a desenvolvermos uma lista preliminar de categorias de codificação. Para Valla (2005) uma categoria é composta habitualmente por um termo-chave que indica o significado central do conceito que se quer apreender, e de outros indicadores que descrevem o campo semântico do conceito.
No caso especifico deste estudo, a formulação do sistema de categorias resultou de categorias definidas à priori, partindo do quadro teórico de referência e das questões de investigação, e de outras definidas à posteriori, resultantes do trabalho exploratório sobre o corpus, o que nos permitiu estabelecer assim um sistema misto de categorias, as quais relevam simultaneamente do quadro teórico de análise e das características concretas dos materiais em análise. Ao construirmos as categorias, procurámos seguir o conselho de Bardin (2007: 113), no que se refere às qualidades das boas categorias, nomeadamente: a homogeneidade; a pertinência; a objectividade e a fidelidade; a produtividade.
Numa segunda fase, após a definição do corpus da análise e das categorias procedemos à exploração do material seleccionado, através da sua codificação. Segundo Holsti, “a codificação é o processo pelo qual os dados brutos são transformados sistematicamente e agregados em unidades, as quais permitem uma descrição exacta das características pertinentes do conteúdo”( citado por Bardin, 2007:97).
No processo de codificação todo o material empírico foi codificado, ou seja, foi segmentado em unidade de sentido, sendo que cada uma das quais foi referenciada a uma das categorias definidas. Na prática, procedemos à escolha e identificação das unidades de análise: unidade de registo, unidade de contexto e unidades de enumeração. Na codificação do material analisado, e seguindo Bardin (2007) e Vala (2005), a unidade de registo (unidade de conteúdo mínima pertencente a uma dada categoria) considerada foi o tema, uma vez que as categorias são do tipo semântico, e a unidade de contexto (segmento de conteúdo mínimo que dá sentido) foi normalmente o parágrafo ou a resposta dada a cada questão.
Por último, o processo de codificação deu origem à produção de um corpus de informação trabalhada e organizada em função dos objectivos e das questões de
propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objectivos e das questões de investigação.
Segue-se uma explanação do processo de análise utilizado em cada um dos instrumentos de investigação:
Grupo Focal
Em relação à informação recolhida através das sessões de grupo focal (focus group), o corpus da análise é constituído pelos respectivos protocolos (Grupo Focal- Anexo 2). O sistema de categorias identificado teve em conta os objectivos específicos das sessões, sendo que algumas categorias não previstas foram incluídas posteriormente tendo em conta o trabalho efectuado sobre o corpus da análise.
A análise de conteúdo das sessões de grupo focal baseou-se nas seguintes etapas: (1) Leitura dos protocolos e realização de inferências; (2) recorte do texto em unidade de análise; (3) inclusão das unidades de registo nas respectivas categorias e subcategorias; (4) transformação das unidades de análise nos respectivos indicadores; (5) quantificação do número de unidades de registo por indicador.
Da análise de conteúdo realizada surgiram as seguintes categorias e subcategorias(Grupo Focal-Anexo3):
Categoria 1: Percepções e representações dos professores face ao PEE
Esta categoria por sua vez foi dividida nas seguintes subcategorias: a) Percepções do PEE
b) Importância do PEE
c) Aspectos relevantes na fase de concepção, implementação e avaliação do PEE
d) Bloqueios e problemas do PEE
Categoria 2: As formas de interacção entre os professores e o seu impacto no
PEE
a) Formas de interacção entre os professores
b) Elementos facilitadores à cultura de colaboração c) Dificuldades à cultura colaborativa
d) Vantagens do trabalho colaborativo
a) Tipologia de prática reflexiva
b) Elementos facilitadores à prática reflexiva c) Dificuldades à prática reflexiva
d) Vantagens da prática reflexiva
A definição dos indicadores e o seu agrupamento em subcategorias tiveram como objectivo fazer transparecer ao máximo a mensagem dos entrevistados e permitir adiantar interpretações a propósito dos objectivos e das questões de investigação.
Entrevistas
Em relação à informação recolhida das entrevistas, o corpus da análise é constituído pelos protocolos das entrevistas (Entrevistas-Anexo2). O sistema de categorias identificado teve em conta o guião das entrevistas, e os seus blocos, sendo que algumas categorias não previstas foram incluídas posteriormente tendo em conta o trabalho efectuado sobre o corpus da análise.
A análise de conteúdo baseou-se nas seguintes etapas: (1) Leitura dos protocolos das entrevistas e realização de inferências; (2) recorte do texto em unidade de análise; (3) inclusão das unidades de registo nas respectivas categorias e subcategorias; (4) transformação das unidades de análise nos respectivos indicadores; (5) quantificação do número de unidades de registo por indicador.
Da análise de conteúdo realizada a cada uma das questões que constam do protocolo das entrevistas surgiram as seguintes categorias e subcategorias:
Categoria 1: Opinião dos professores face ao modo como o departamento deve actuar
no processo de concepção e implementação do PEE
Esta categoria por sua vez foi dividida nas seguintes subcategorias: a) Modos de intervenção no processo de concepção
b) Modos de intervenção na implementação
c) Bloqueios e problemas à concepção e implementação do PEE d) Modos mais adequados de intervenção
Categoria 2: Opinião dos professores face ao trabalho colaborativo e reflexivo
efectuado pelo departamento no processo de concepção e implementação do PEE a) Formas de interacção entre os professores
c) Aspectos facilitadores à cultura de colaboração
d) Dificuldades/ constrangimentos à colaboração e à reflexão e) Tipologia de reflexão mais adequada
f) Aspectos da liderança no potenciar da prática colaborativa e reflexiva g) Mudanças face à prática reflexiva e colaborativa
A definição dos indicadores e o seu agrupamento em subcategorias tiveram como objectivo fazer transparecer ao máximo a mensagem dos entrevistados e permitir adiantar interpretações a propósito dos objectivos e das questões de investigação.
Notas de Campo
Quanto às notas de campo resultantes da observação participante, estas foram objecto de uma análise de conteúdo informal à medida que iam sendo produzidas, o que permitiu, de certo modo, orientar a estratégia de investigação.
Na fase de tratamento da informação, as notas de campo foram de novo objecto de tratamento, com o objectivo de a partir do corpus da análise definirmos indicadores que nos permitissem interpretar as formas de interacção e as tipologias de reflexão que se estabelecem, entre os professores, nos departamentos.
Da análise de conteúdo realizada surgiram as seguintes categorias:
Categoria 1 : Modo de organização da reunião
Categoria 2 : Momentos e formas de interacção entre os professores Categoria 3 : Tipologia de reflexão
Categoria 4: Tomadas de decisão
Categoria 5 : Discussão de estratégias de acção Categoria 6: Relações interpessoais
Categoria 7: Posição das lideranças
Os resultados obtidos foram importantes para triangulação da informação obtida através dos outros instrumentos.
Devido a algumas limitações colocadas pelo órgão de gestão da escola à observação das reuniões por parte da investigadora, e tendo em os princípios éticos inerentes a qualquer trabalho de investigação, achámos prudente não divulgar em anexo o tratamento das notas de campo.
III PARTE – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O objectivo desta terceira parte do nosso estudo passa por apresentar e discutir os resultados da análise dos dados procurando responder às questões de investigação expostas anteriormente. Na análise interpretativa procurámos ter em conta a teoria exposta no primeiro capítulo e o contexto em que se inserem os resultados.
Partindo dos objectivos da investigação, optámos por separar os campos de análise, no sentido de procedermos a uma análise mais cuidada. Deste modo, considerámos as seguintes dimensões de análise:
1. O conceito de projecto educativo de escola, onde são consideradas as
percepções e representações que os professores têm do projecto educativo da escola, os bloqueios e problemas inerentes ao mesmo, bem como, os aspectos considerados mais relevantes de modo a potenciar a criação de um identidade de projecto na escola;
2. O trabalho desenvolvido nos departamentos curriculares ao nível do processo de concepção e implementação do projecto educativo da escola,
onde é apresentado e discutido o modo como os professores nos departamentos intervêm no processo de concepção e de implementação do projecto, os bloqueios e os constrangimentos ao processo, assim como, os modos mais adequados de intervenção no processo pelos departamentos. Focando, em concreto, a dinâmica de trabalho nos departamentos curriculares, nomeadamente as formas de interacção entre os professores no quadro do projecto educativo de escola.
3. O trabalho colaborativo e reflexivo nos departamentos, onde são
consideradas as representações que os docentes têm relativamente às formas de interacção e tipologias de reflexão entre os professores, no quadro do projecto educativo da escola,
4. Condições facilitadores e constrangimentos ao trabalho colaborativo e reflexivo nos departamentos, onde são consideradas as percepções dos
professores relativamente às condições facilitadores e aos constrangimentos ao trabalho colaborativo e reflexivo entre os professores nos departamentos curriculares, no quadro do projecto educativo da escola.
A concretização desta análise desenvolve-se, na generalidade, em função dos pressupostos metodológicos da investigação qualitativa e, especificamente, tendo em conta os resultados provenientes dos procedimentos técnicos utilizados na recolha e tratamento dos dados.
Desta forma, na apresentação e discussão dos diferentes campos de análise faremos uso da informação obtida nas sessões de grupo focal (focus group), nas entrevistas individuais, e ainda das notas de campo resultantes das observações efectuadas às reuniões dos departamentos.