• Aucun résultat trouvé

802.11 Framing in Detail

2.3 802.11 Network Operations

Chapter 4. 802.11 Framing in Detail

A revisão da literatura (CSIKSZENTMIHALYI, 1996; LUBART, 2007; JOHNSON, 2011; CRUZ, 2014) caracterizou o macro ambiente criativo a partir de aspectos que podem ser compreendidos em quatro esferas: da cultura da época (oriental e ocidental); dos centros das atividades (cidades, campos de estudo, corporações e mídias); dos setores criativos (patrimônio, expressões, artes do espetáculo, audiovisual/literatura e criações culturais); e padrões de fertilização de ideias (exaptação, serendipidade, redes líquidas e plataformas).

Pelo tempo passado na mesma cidade e universidade pode-se aferir que todos os estudantes que participaram da pesquisa se mantiveram influenciados pelos princípios da cultura ocidental (individualidade, enfoque no produto, progresso e novas interações ou deslocamentos e tendência de ruptura com a tradicionalidade) e pelas virtudes do ambiente de código aberto (não dependência do mercado, sistema conectado em rede,

interdisciplinaridade e liberdade para pesquisa, divulgação e discussão de ideias). Portanto, não tinham controle sobre esses estímulos, mas conservavam a possibilidade de questioná- los, desviar-se ou adaptar-se a eles, de acordo com suas concepções pessoais.

Quando responderam ao questionário, relatando sobre suas experiências acadêmicas e profissionais durante a graduação, foi possível perceber que os participantes se adaptaram a essas influências e ainda tiraram vantagens dos investimentos do meio que se encontravam. Com isso, apresentaram uma diversidade de vivências e interações (Gráfico 10) a partir das oportunidades oferecidas pela universidade e pelo curso de Arquitetura e Urbanismo (AU).

Gráfico 10: Experiências acadêmicas e profissionais dos participantes

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

A prática de estágio é um requerimento do Projeto Político Pedagógico (PPP) do currículo (DARQ/UFRN, 2006), portanto uma atividade indispensável a todos, que deve ter duração mínima de seis meses. A maioria (14) estagiou em um ou mais escritórios privados de arquitetura/interiores, quatro deles em instituições públicas (secretarias da Prefeitura Municipal e superintendência da UFRN) e dois em ambos.

As bolsas de pesquisa e extensão não são obrigatórias, mas em geral são procuradas pelos discentes para contato com linhas de estudos em AU ou atividades que conectam a universidade com a sociedade, atuando como “plataformas de ideias”. O tempo de permanência e os temas das bolsas eram variados. Quatro participantes realizaram apenas modalidades de pesquisa e outros quatro de extensão, sendo que três fizeram ambas, por isso o somatório geral tem sete para cada.

A Empresa Junior foi uma “rede líquida” promovida pelos próprios estudantes de AU e esses cinco respondentes participaram da primeira equipe, ajudando na sua fundação e consolidação. O modelo, integrado com o curso de Engenharia Civil, presta serviços de projeto

7 7 3 5 9 20 Bolsa de Pesquisa (BP) Bolsa de Extensão (BE) Representação Estudantil (RE) Empresa Junior (JR)

Intercâmbio (IN) Estágio (ES)

e consultoria para a sociedade e ainda possibilita que os membros lidem com questões de gestão e empreendedorismo. Com relação a representação estudantil, apenas três discentes se envolveram nas atividades sociopolíticas do curso e instituição.

Enquanto estavam cursando a graduação, a UFRN recebia investimentos do Governo Federal para programas de intercâmbio. Os estudantes de AU podiam ser inscrever em dois editais para estudar fora: o Ciências sem Fronteiras (CsF), indo para continentes com países desenvolvidos (América do Norte, Europa e Oceania); e o Programa de Mobilidade Acadêmica Regional em Cursos Acreditados (MARCA), em países membros do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) e associados (Bolívia e Chile).

Os participantes selecionados para estudar fora passaram de seis a dezoito meses em universidades do Canada (1), Itália (1), EUA (1), Bolívia (1) e Argentina (4). Além deles, um respondente veio do Senegal para o Brasil cursar a graduação completa, através do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que recebe estrangeiros dos continentes com países em desenvolvimento (África, América Central e Ásia).

A expansão para campos fora do setor criativo da arquitetura também aconteceu no nível de instrução. Quinze participantes cursaram no mínimo uma disciplina em outros programas da UFRN enquanto estavam na graduação em AU (Gráfico 11). Elas estão ligadas a diferentes departamentos: ciências sociais (gestão de políticas públicas); ciências humanas (comportamento e antropologia); idiomas (linguagem de sinais); administração (empreendedorismo); engenharia têxtil (moda); e artes e design (ergonomia, iluminação cênica e fotografia).

Gráfico 11: Disciplinas cursadas em outros departamentos durante a graduação

Legenda: ciências sociais ciências humanas idiomas enegnharia têxtil administração artes e design

Fonte: Dados da pesquisa (2020). Fotografia Iluminação Cênica Ergonomia Empreendedorismo Moda Linguagem de Sinais Antropologia Comportamento Gestão de políticas públicas

Alguns respondentes explicaram como a diversidade de experiências e contato com outras áreas de conhecimento auxiliam na criatividade: “Através de disciplinas, colegas de curso e experiências no exterior meu repertório criativo foi ampliado, lidando diretamente com meu humor e as vezes destravando alguns bloqueios criativos” (E04_fP14.BP, BE, ES, IN); “Elas são fundamentais para a concepção de um projeto, visto que o curso (de AU) proporciona apenas a técnica de projetar, o que torna o projeto convidativo e inovador são as experiências externas” (E19_mP14. BP, ES, IN).

A maioria dessas vivências permaneceram temas de interesse desses discentes, como foi possível notar a partir da pergunta do questionário em que cada um tinha a opção de citar cinco áreas que mantêm constante contato. As atividades mais citadas formam o Gráfico 12 e foram coloridas de acordo com os setores criativos identificados pela literatura (MEC, 2011; FIRJAN, 2019): artes do espetáculo (música e dança); expressões artísticas/culturais (gastronomia, artes em geral e desenho); audiovisual e literatura (cinema, literatura, séries de TV e vídeo games); criações culturais de consumo (moda). Em laranja estão as atividades fora desses grupos (idiomas, esportes, administração, viagens, nutrição e religião).

Gráfico 12: Atividade foras de AU que os estudantes mantêm constante contato

Legenda: artes do espetáculo epressões artísticas/culturais audiovisual e literatura

criações culturais de consumo outros

Fonte: Dados da pesquisa (2020). Desenho Religião Nutrição Moda Video Games Viagens Administração Dança Artes em geral Gastronomia Séries de TV Esportes Literatura Idiomas Cinema Música 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

A maioria afirmou que os contatos mais regulares são com a música (15) e o cinema (11). A primeira atividade “está mais relacionada à concentração nos momentos de criação” (E12_fP13. ES, JR), mas também “como distração, favorecendo momentos de descanso para o surgimento de novas ideias” (E16_fP04. ES). Já o cinema, como as outras atividades do setor audiovisual e literário (literatura, séries de TV e vídeo games), “ajuda a ter conhecimento de diferentes culturas, linguagens e formas de expressão, servindo também como referência” (E12_fP13. ES, JR).

As expressões artísticas de produção manual (desenho, artes em geral e gastronomia) assim como a moda, “contribuem com um olhar mais atento a estética, trabalhando melhor com colorimetria e texturas” (E11_fP11. ES, JR), bem como “para que explore diferentes sensações, abrindo a mente para coisas que fogem ao padrão” (E13_fP03. BP, BE, ES).

As outras atividades não relacionadas a algum setor criativo contribuem para construção de repertório e incentivo aos padrões de florescimento das ideias. Para uma estudante, a prática de outros idiomas, por exemplo, “faz explorar profundamente aspectos de diferentes culturas, lidar com pessoas de todas as faixas etárias e ter acesso a diferentes tipos de conhecimento” (E13_fP03. BP, BE, ES). Esportes, viagens e religião também “permitem relaxar para focar em momentos de produção e conhecer novas formas de pensamento” (E18_fP10. BE, ES, JR).

Como conclusões para esse subitem, a análise dos dados permitiu observar que as experiências relatadas pelos participantes ressaltam como tiraram proveito e se adaptaram às influências do contexto da cultura da época no macro ambiente criativo. Os intercâmbios, aproveitamento de disciplina de outros campos e o constante contato com atividades artísticas foram as práticas citadas com maiores chances de possibilitaram a interação com outros setores criativos e florescimento dos padrões de fertilização das ideias (exaptação, serendipidade, redes líquidas e plataformas).