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Four-Operand Instructions

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Detecting III Condition and Instability

Chapter 4 Benchmarks

C. l. Instruction Syntax

C.6. Four-Operand Instructions

Dentre as diferentes perspectivas abordadas sobre a origem das relações de gênero, salienta-se o patriarcado como pano de fundo e principal fator determinante na condição social inferiorizada da mulher. Sua abordagem merece destaque por estar presente na cultura e valores

da família de forma geral e, especialmente por ser manifestada na sociedade brasileira15. E

também por possibilitar a reflexão sobre a consolidação de formas de pensar e agir que, social e historicamente, vêm repercutindo negativamente na mulher.

De acordo com o Dicionário Aurélio Junior da Língua Portuguesa, o patriarcado é: “substantivo masculino. Ordem social em que o pai é a autoridade máxima” (FERREIRA, 2011, p. 664). Já, por patriarcal, entende-se: “adjetivo nos dois gêneros. 1. Relativo a, ou próprio de patriarca, ou de patriarcado. 2. Por extensão, respeitável, venerável” (FERREIRA, 2011, p. 664).

Para além da linguística, o Dicionário Crítico de Gênero descreve: “A palavra patriarcado se origina da combinação das palavras gregas pater (pai) e arkhe (origem, comando). A expressão refere-se a uma forma de organização familiar e social em que um homem, o patriarca, submete os outros membros da família ao seu poder” (LIMA; SOUZA, 2019, p. 578).

Para Delphy (2009, p. 175) “[...] o patriarcado designa uma formação social em que os homens detêm o poder, ou ainda, mais simplesmente, o poder é dos homens. Ele é, assim, quase sinônimo de ‘dominação masculina’ ou de ‘opressão das mulheres”.

De forma geral, a sua definição comporta a noção de autoridade exercida sobre a mulher e não se limita à noção de filiação biológica e, assim como é possível identificar várias definições e interpretações para as relações de gênero, da mesma forma ocorre com o patriarcado. Contudo, eles têm

[...] em comum o fato de pretenderem descrever não atitudes individuais ou de setores precisos da vida social, mas um sistema total que impregna e comanda o conjunto das atividades humanas, coletivas e individuais. Assim, os termos têm a mesma pretensão à generalidade e a mesma denotação de organização, que não é absolutamente casual (DELPHY, 2009, p. 180).

Conforme já mencionado, a origem do patriarcado pode ser associada à transição das sociedades primitivas para o sistema agrícola – condição que afetou e alterou significativamente os papéis socialmente desempenhados pelos homens e pelas mulheres: enquanto essas acabaram por se fixar num espaço da terra para promover os cuidados dos filhos, aos homens coube a função da exploração da terra, do plantio e da colheita, cujos frutos eram levados aos demais membros da família para a promoção de sua subsistência. Dessa forma de organização é que emergiu a concepção da propriedade privada que, para Beauvoir (2016a, p. 117):

15 A cultura patriarcal, especialmente no Brasil, remete ao processo de colonização, tal como será demonstrado no item 2.3 que tratará da condição da mulher nas famílias brasileiras. Em suma, tem-se os padrões familiares da família real – nuclear (composta pelo rei, rainha, filhos e serviçais com papéis estreitamente definidos) transpostos para a cultura do povo brasileiro como modelo correto e ideal.

[...] é a ela que o destino da mulher permanece ligado durante séculos: em grande parte, sua história confunde-se com a história da herança. Compreenderemos a importância fundamental dessa instituição se lembrarmos o fato de que o proprietário aliena sua existência na propriedade; a esta se apega mais do que a própria vida; ela ultrapassa os estreitos limites da vida temporal, subsiste além da destruição do corpo, encarnação terrestre e sensível da alma mortal. Mas essa sobrevivência só se realiza se a propriedade continua nas mãos do proprietário: ela só pode ser sua além da morte se pertencer a indivíduos em quem se prolongue e se reconheça, que são seus. Para a autora, é na lógica da propriedade que emerge o sentimento de posse que, historicamente, se apresenta na postura do homem quanto à mulher com quem se relaciona. E nessa forma de se relacionar é que se legitima a subordinação da mulher, uma vez que, “quando a família e o patrimônio privado se apresentam sem contestação como bases da sociedade, a mulher permanece também totalmente alienada” (BEAUVOIR, 2016a, p. 119).

Embora questões que envolvem a família como a transmissão do patrimônio, o dote e a monogamia tenham se alterado na história, permaneceu o fato de que a mulher sempre esteve, de alguma forma, subordinada ao homem, seja ele o pai, irmão ou marido. Também emerge do conceito de patriarcado, a definição de patriarcalismo já apresentada, especialmente com a consolidação do sistema capitalista.

Ainda que patriarcado e capitalismo sejam considerados sistemas diferentes, se apresentam em constante interação. Porém, nessa interação, o patriarcado se desenvolve e se altera em função das relações de produção, se apresentando de forma subordinada ao sistema capitalista. Nessa lógica é que surge o patriarcalismo: enquanto o patriarcado impõe a subordinação da mulher como condição no espaço privado que é a família, no patriarcalismo, por sua vez, essa mesma subordinação transcende para o espaço público, trazendo implicações na esfera social, nos diversos espaços de convivência da mulher, inclusive no trabalho, tal como aponta Touraine (2010, p. 63):

A ordem social que reina na vida pública é complementada e reforçada pela ordem que as mulheres consolidam na vida privada: reprodutoras, elas são principalmente educadoras das crianças, ao mesmo tempo em que elas dão segurança ao homem ao reconhecerem nele o poder de pai. Tais imagens, aquela da ordem dominante dos homens e aquela da mulher dominando o lar, vão reforçar constantemente a separação da vida privada da vida pública (TOURAINE, 2010, p. 63).

Embora não venha a conceituar o patriarcalismo, Castells (2008) pontua que ele se refere às manifestações de domínio do homem sobre a mulher na sociedade, resultantes das reflexões de um movimento feminista pragmático composto por donas de casa, mulheres exploradas e agredidas que, em busca pela sobrevivência e condições dignas de vida, questionam o sistema capitalista patriarcal, ou seja, os valores patriarcais manifestados nas outras instâncias sociais para além da família. Assim,

As feministas socialistas veem a luta contra o patriarcalismo como necessariamente ligada à substituição do capitalismo, enquanto o feminismo liberal aborda a transformação socioeconômica com mais ceticismo, concentrando seus esforços na promoção da causa feminina separadamente de outros objetivos (CASTELLS, 2008, p. 231).

Isso porque, no patriarcalismo, estão presentes questões como a misoginia – condição de misógino, que se refere àquele que tem aversão a mulheres ou evita contato com elas (FERREIRA, 2011), e o sexismo – atitudes discriminatórias em relação ao sexo oposto (FERREIRA, 2011), neste caso, contra as mulheres. Nessas situações,

[...] o portador do preconceito está, pois, investido de poder, ou seja, habilitado pela sociedade a tratar legitimamente as pessoas sobre quem recai o preconceito de maneira como este as retrata. Em outras palavras, os preconceituosos – e este fenômeno não é individual, mas social, estão autorizados a discriminar categorias sociais, marginalizando-as do convício social comum, só lhes permitindo uma integração subordinada, seja em certos grupos, seja na sociedade como um todo (SAFFIOTI, 2015, p. 131).

O machismo enquanto “atitude ou comportamento de quem acredita que homem é superior à mulher” (FERREIRA, 2011, p. 565) também se mostra como forma de propagação do patriarcado/patriarcalismo. E, embora possa ser reproduzido por ambos os sexos, predominam em nossa sociedade as iniciativas masculinas de inferiorização da mulher.

Trata-se, o patriarcado, de conceito intrínseco às relações de gênero, que repercute na misoginia, sexismo e machismo e na normatização e naturalização da subordinação da mulher ao homem. Contudo, “a atualidade do conceito está vinculada à existência de um discurso que ainda se vale dele como modelo ideológico para o estabelecimento das relações familiares e sociais entre homens e mulheres, modelo que naturaliza e legitima a dominação masculina, particularmente sobre a esposa e as filhas” (LIMA; SOUZA, 2019, p. 582).

Apropriar-se da sua definição e reconhecer o seu discurso é de extrema relevância, pois possibilitará a reflexão e compreensão acerca de questões mais complexas e resultantes de tudo o que lhe é inerente, tais como as recorrentes manifestações de violência contra a mulher, oriundas das prerrogativas de mando e de controle permitidas ao homem.

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