Chapitre II : Résistivité électrique et méthodes d’investigations magnétotellurique et électrique 20
II.3 Les méthodes de prospection
II.3.2 La méthode de prospection électrique
II.3.2.5 Formulation du problème de valeurs aux bords
As bases pré-linguísticas da linguagem emergem naturalmente no desenvolvimento sensório-motor e cognitivo da criança. Os dois primeiros anos são decisivos para a maturação dos dispositivos implicados na linguagem, como a percepção auditiva e visual, a coordenação sensório-motora, as motricidades global e fina, as capacidades de memorização a curto e a longo prazo. Estes fenómenos de maturação sofrem um atraso de vários meses nas crianças com S.D.,
Capítulo II Enquadramento teórico
revelando estas, uma escassa orientação auditiva para ruídos familiares e vozes do meio, o que não significa que estejam desinteressadas por esses estímulos, reflectindo, por sua vez, a sua imaturidade neurológica e sensorial.
No campo sensorial, estima-se que entre 65 a 80% das crianças com Síndrome de Down padece de perda auditiva (hipoacusia) de tipo condutivo (Kumin, 1999). Estas crianças são particularmente sensíveis aos agentes infecciosos por razões imunitárias, caracterizando-se na frequência de infecções do ouvido médio e consequente perda da capacidade auditiva. Segundo o mesmo autor a causa mais comum de perda auditiva de tipo condutiva, nestas crianças, deve-se à frequência de otites médias, em parte devido à estrutura estreita e pequena dos canais auditivos, afectando também a qualidade da consciência fonológica.
Embora exista um incremento entre leve e moderado da perda auditiva, o seu impacto nas crianças com Síndrome de Down parece estar mais relacionado com o processo fonológico e na produção da fala, do que no conhecimento linguístico de palavras e frases (Kumin, 1997).
Grande parte da aprendizagem em termos de linguagem baseia-se na capacidade que a criança tem em processar e organizar em simultâneo as sensações que chegam de diferentes fontes sensoriais. Também o sistema visual na criança com Trissomia 21 pode estar afectado no sentido receptivo e motor. No primeiro caso, a agudeza visual vai-se especializando durante o primeiro ano e em menor grau até aos seis anos, momento em que alcança o nível adulto. Na criança com Síndrome de Down ocorre a mesma evolução, mas com atraso.
Relativamente ao aspecto motor, a criança com S.D. apresenta um atraso significativo neste domínio. Todas as etapas relacionadas com o desenvolvimento motor (sentar, ficar em pé, andar) manifestam-se mais tarde, quando comparadas com uma criança que apresenta um desenvolvimento normal. Este atraso deve-se, segundo Schwartzman (1999) à hipotonicidade muscular que esta população apresenta, afectando por seu turno, o desenvolvimento de outros domínios, já que é através da exploração do seu ambiente que a criança constrói o seu conhecimento do mundo. A hipotonia muscular é uma característica presente durante os primeiros anos e que entorpece igualmente a coordenação dos movimentos oculares. Daí a importância da estimulação nos primeiros anos para que a percepção de formas e a discriminação de contrastes cromáticos seja mais efectiva.
Ainda no domínio do desenvolvimento pré-linguístico, Rio (1997) faz alusão ao choro da criança com Síndrome de Down, reportando-se a uma menor frequência e menor produção, logo sujeitando uma menor atenção por parte do adulto. Este facto atribui-se à fragilidade nos músculos dos lábios e das bochechas que os recém nascidos com Síndrome de Down podem apresentar, comprometendo por outro lado os seus sorrisos que podem não ser tão activos, abertos e evidentes como os das outras crianças. Berger & Cunningham (1986) observaram que o sorriso do bebé com S.D. possuí características próprias, sendo mais curto e menos intenso, reflectindo-se numa reacção afectiva mais ténue. Algumas crianças com esta patologia são muito lentas na reacção aos estímulos, devendo pais e profissionais estar preparados para a contingência de o tempo de reacção ser diferente para cada bebé, nas diferentes situações. Segundo Berger (1995)
o contacto ocular e a capacidade precoce de imitar também aparecem mais tarde. Por sua vez, o balbuceio apresenta as mesmas características que para uma criança com um desenvolvimento normal. Qualquer produção da criança com S.D. exige uma resposta por parte do adulto que deve actuar como interlocutor atento e condescendente, funcionando como mediador no sentido de integrar as produções da criança no contexto interpessoal e de as canalizar gradualmente até à comunicação linguística.
Outro estudo, realizado por Mundy, Kasari e colaboradores, (1995) aponta outro factor implicado nas aquisições pré-linguísticas das crianças com Síndrome de Down, fazendo referência às dificuldades que estas apresentam em modificar o foco de atenção, sobretudo quando a alteração é produzida do rosto de um interlocutor a um objecto. Isto significa que estas crianças têm menos oportunidades de relacionar as palavras com os objectos que denominam, o que explicaria em parte o seu atraso na aquisição do vocabulário.
Ainda a este propósito, Harris, Kasari e Sigman (1996) observaram que as crianças com Síndrome de Down não melhoram na compreensão da linguagem devido à sobrecarga que deve suportar o seu sistema cognitivo (escutar, monitorizar o olhar do adulto para encontrar o novo foco de atenção e mudar de foco de atenção).
No seguimento desta linha contextual torna-se fundamental exercitar a criança para que fixe o olhar no objecto ou na pessoa, para que analise visualmente os objectos e, especialmente, para que siga com o seu olhar o do adulto. A capacidade de atenção conjunta é indispensável, caso contrário a criança é abandonada na exploração visual, vendo-se privada duma fonte essencial de informação.
Como acabamos de expôr, a comunicação na criança com T21 encontra-se alterada desde a sua fase pré-verbal. As crianças tendem a ser mais passivas e mostram menos iniciativa nas suas interacções do que as crianças que se desenvolvem normalmente, comprometendo todo o processo ulterior a uma etapa pré-linguística, já que a linguagem das crianças com Síndrome de Down, se manifesta de um modo próprio e particular em todas as suas componentes. Depois de esboçarmos algumas ideias que comprometem a fase pré-linguística da criança com trissomia 21, iremos apresentar de seguida a progressão que a criança faz no domínio linguístico, ou seja, ao nível da forma, do conteúdo e do uso que faz da linguagem.