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R´ eduction d’une forme quadratique en « somme de carr´ es »

1. Formes bilin´ eaires sym´ etriques et formes quadratiques

1.3. R´ eduction d’une forme quadratique en « somme de carr´ es »

A importância da mídia na sociedade é indiscutível, é ela a responsável pela transmissão dos acontecimentos, pela educação da população e, principalmente, pelas maiores denúncias de irregularidades e ilegalidades já ocorridas neste país. Por depender de concessão para funcionamento, a mídia deve obedecer à sua função social de informar com qualidade e ética.

O jornalismo, principal responsável por aquilo que circula na mídia, é o ator maior deste espetáculo midiático e a principal função do jornalista é investigar, atividade esta que é a mais digna desta profissão. Pode parecer óbvio que todo jornalismo seja investigativo, mas alguns assuntos exigem mais estudo e pesquisa do que outros e normalmente quando há muito o que pesquisar, há ainda mais coisas para se falar. As melhores reportagens publicadas no Brasil ajudaram a destituir o governo militar ditatorial. Ainda hoje os grandes políticos têm medo dos jornalistas que se prestam a fazer este tipo de “investigação”. Porém, se não fosse por eles, estaríamos todos condenados a conviver com as mentiras dos grandes poderosos.

A mídia age corretamente quando investiga situações comprometedoras, pois atua no caminho certo de denúncia para a sociedade, que é a maior interessada em querer fazer funcionar o organismo social e político de uma nação. Assim sendo, a Folha de São Paulo e a jornalista Elvira Lobato agiram corretamente ao decidir denunciar o que a IURD faz com o dinheiro doado por seus fiéis. Já não é de hoje que são publicadas matérias contra a referida igreja no que diz respeito à idoneidade do bispo Edir Macedo ao recolher o dinheiro do dízimo. Reportagens que se somam a outras dão ainda mais chances de comprovação de que os crimes têm sido cometidos.

A jornalista não foi imprudente e antes de publicar qualquer reportagem fez um grande trabalho de busca, no intuito de ter a certeza de que o material que tinha em mãos era confiável. A função de um jornalista, ou melhor, o faro de um bom jornalista está ligado ao poder de perceber que algo está errado, este é o princípio de toda notícia – ou pelo menos deveria ser. Por esse motivo, Lobato, que é especializada em mídia e telecomunicações, conseguiu perceber que algo estava errado, fora da naturalidade. A primeira pergunta é: como uma igreja tão recente pode acumular capital para a compra de uma emissora de televisão (na época a IURD tinha apenas 12 anos de existência)? A seguir, mais questionamentos, mais

compras, mais empresas surgindo e mais capital girando. Se o mesmo acontecesse com qualquer político a repercussão seria a mesma.

O dízimo pago por fiéis é claramente um dinheiro que deve ser usado para a filantropia e, por esse motivo, está isento de impostos. No entanto, se esse mesmo dinheiro é utilizado para a compra de veículos de mídia e para girar capital de uma empresa, isso não pode estar certo. É verdade que a lei brasileira ainda não legislou a respeito de casos como esse: o que pode ser feito com o dinheiro arrecadado em instituições religiosas? Ora, sabemos que o uso do mesmo para fins diferentes do objetivo de beneficência é, no mínimo, anti-ético. E se os dizimistas acreditam que seu dinheiro está sendo investido em uma coisa quando na verdade está sendo investido em outra, é porque alguém está sendo enganado. Nada mais justo que a imprensa exerça sua função e denuncie este tipo de prática abusiva da boa-fé dos religiosos.

Quando decidiu exibir reportagem contra a FSP no Domingo Espetacular, a Rede Record assumiu sua ligação direta com a IURD, fato esse que sempre tentou omitir. Edir Macedo não afirma categoricamente que utilizou dinheiro da IURD para honrar seus compromissos de compra da Rede Record, no entanto, seria difícil que um ex-funcionário público pudesse arcar com uma dívida de US$ 45 milhões.

Sabemos que não existe reportagem imparcial, mas temos a consciência de que algumas são mais subjetivas que outras. Quando falamos de televisão, então, temos que ter ainda mais cuidado. A reportagem exibida no Domingo Espetacular foi uma clara incitação aos fiéis da IURD para que entrassem com ações indenizatórias na Justiça contra a FSP e Elvira Lobato, alegando que a mesma havia denunciado uma “inverdade” sobre os membros da igreja. É óbvio que a mídia não manipula tão diretamente as massas, pois o sentido de toda informação é construído individualmente por cada um dos telespectadores que estavam assistindo à matéria na televisão. No entanto, ficou claro que criar um sentimento de revolta contra a jornalista e seu veículo era um dos efeitos possíveis do teor da reportagem.

A televisão é o veículo de comunicação mais contundente no processo de fabricação de sentido, pois pode utilizar os principais tipos de percepção do ser humano para produzir emoções. A reportagem exibida pela Rede Record não teve nenhum compromisso com a imparcialidade. Ela procurou apenas as pessoas que davam razão aos fiéis que entraram na Justiça e ainda mostraram a Folha de São Paulo como um veículo que não tem interesse em se defender das acusações destes processos. Conhecendo a mídia como ela é, há de se defender Elvira por não querer manifestar-se em nome da FSP. Primeiro porque ela realmente não pode responder em nome de um veículo de comunicação tão grande; e segundo porque

uma possível entrevista poderia ser distorcida e editada de modo a utilizar suas palavras para dizer aquilo que ela não diria de fato.

É fato que nem a Rede Record e nem a FSP reproduziram idéias divergentes das suas e utilizaram especialistas articulados para falarem em seu nome aquilo que reflete a opinião do próprio jornal/televisão. Esta é a forma mais simples de ser parcial e fingir não sê- lo. A diferença entre eles, desta vez, é que enquanto um informa o outro desinforma. A reportagem do Domingo Espetacular mostra que a FSP perdeu na Justiça o direito de responder a todas as ações em um único processo, mas não informa que esta manchete saiu de um jornal que pertence à própria IURD. A matéria também induz ao erro, pois incita os fiéis a entrarem na Justiça, mas não demonstrou nenhum caso em que os fiéis haviam perdido a causa. Alguns deles, naquela altura, além de não terem ganhado o valor pedido na indenização, foram obrigados a pagar multa por litigância de má-fé e ainda as custas processuais. Resumindo: além de não ganharem nada, saíram perdendo. Mas isso não foi mostrado na reportagem e os fiéis foram mal informados mais uma vez.

É importante questionar se essa reportagem foi produzida por jornalistas e se prestaram a “informar” a população desta maneira, agindo completamente partidários e sem nenhuma ética profissional. Não há explicação plausível que justifique o fato de jornalistas ajudarem a coibir a prática jornalística. Todos eles quando passaram pelas escolas de jornalismo foram ensinados a agir eticamente, respeitando os colegas e buscando o bem maior que é oferecer informação de qualidade para a sociedade. Se a imprensa for calada passaremos a viver novamente sob regime ditatorial.

Se a IURD está tão preocupada em inibir as denúncias dos jornalistas é porque ela provavelmente tem algo a esconder. Não dá para negar que as ações ajuizadas foram, sim, orquestradas pela IURD. Não é possível que diferentes fiéis, em diferentes pontos deste país tenham sofrido as mesmas frases de chacota, tenham pensado em parágrafos completamente iguais e em argumentos idênticos. Esta ladainha é completamente postiça, inventada por alguém que forneceu o texto pronto para usado, de forma que os fiéis participassem desta ação absolutamente orquestrada pela IURD.

É possível que nem todos os fiéis tenham entendido a reportagem de Elvira Lobato da maneira como está expressa nos autos dos processos, no entanto, a IURD construiu esse sentido de maneira a convencer aos seus fiéis e aos magistrados que haviam sido motivo de chacota na sociedade por serem dizimistas da igreja. Foi discutido à exaustão o fato de os fiéis da IURD não terem legitimidade no caso por não terem seus nomes citados na reportagem. Fica claro na matéria de Lobato que o dinheiro doado pelos fiéis é manipulado

apenas pelos principais bispos da IURD, e não por qualquer membro. Estas informações não foram repassadas aos fiéis por que o que a IURD quer é que seus fiéis criem repúdio pelas outras mídias. A Rede Record está ainda engatinhando no quesito “credibilidade” no que diz respeito à imprensa. Para que este veículo seja respeitado é preciso que os demais sejam desacreditados.

Informação é poder. E assim como pensam várias instituição detentoras de poder, não é do interesse da IURD dar à população o poder da informação. A credibilidade dos veículos de comunicação é construída com base na crença das pessoas de que aquilo que é publicado pela imprensa é verdade. No caso da Rede Record, essa crença aparece duas vezes: a primeira por ser parte da mídia e a segunda como veículo de cunho religioso: “se é da igreja, é santo, verdadeiro”. Esta pode não ser a opinião de ateus que gostem da Rede Record, por exemplo, mas provavelmente é daqueles que freqüentam a IURD, mas este é tema para uma outra pesquisa – aqui levantamos apenas uma hipótese.

O ponto crucial das ações da IURD para atacar a imprensa na defesa de seus interesses não é o fato de induzir seus fiéis a abrirem processos contra veículos de comunicação, mas sim o de usá-los para intimidar o exercício da profissão jornalística. A liberdade de imprensa não pode ser influenciada pela vontade dos poderosos deste país e induzir pessoas a repudiarem o seu direito à informação é um crime contra a democracia e contra a sociedade como um todo. Ações como essas devem ser discutidas, reprimidas e combatidas por toda a população, pois somente o conhecimento pode levar uma grande nação a ser uma grande potência.