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Forme et mécanisme de formation des bavures

CHAPITRE 4 FORMATION DES BAVURES : RÉSULTATS ET DISCUSSIONS

4.2 Forme et mécanisme de formation des bavures

Integrado no cotidiano dos jovens entrevistados, encontra-se que a este são atribuídos sentidos diferentes na vida dessas jovens. Seus atos de fala remetem aos sentidos de: oportunidade, aprendizagem de oficio, inserção no mercado de trabalho, desenvolvimento pessoal, complemento da renda e retirada de situação de risco.

As práticas discursivas dos jovens entrevistados, de forma unânime, trazem o sentido de oportunidade ao Projeto Integrado, sendo esta uma das maiores inquietações da juventude, como aponta Andrade (2008), que afirma que ainda são restritas as oportunidades para os jovens no mercado de trabalho, ainda mais quando se trata de jovens pobres. É muito forte a presença do discurso da oportunidade, vindo como uma possibilidade rara naquele contexto social.

De acordo com a pesquisa do Ipea (2009), vemos que há uma forte preocupação juvenil com a questão do emprego e principalmente do desemprego, vindo como uma questão básica de sobrevivência, de autoafirmação, acesso e consumo.

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Novaes (2007) aponta ainda que os jovens de todas as classes e situações sociais expressam inseguranças e angústias ao falar das expectativas em relação ao trabalho, no presente e no futuro. Assim, o Projeto Integrado vem abrir as portas para essas possibilidades que os jovens não tinham visualizado ainda e que nem era possível devido às limitações da sua realidade.

Emerge nos atos de fala de alguns jovens entrevistados que, quando perceberam a oportunidade que surgiu com o Projeto Integrado, não poderiam deixar de “agarrá-la”. Tais restrições se agravam ao se falar em jovens pobres, pois a eles faltam também a escolaridade e a formação exigida para conseguirem se inserir no mercado de trabalho.

A prática na empresa emerge nos atos de fala de alguns jovens com o sentido de aprendizagem de um ofício e também de relações de trabalho, sendo exaltada em suas práticas discursivas a relação que existia ente os funcionários na empresa. Segundo suas práticas discursivas, o curso e a parte prática devem seguir o que regimenta a Lei da Aprendizagem (Lei 10.097/2000), em que é preciso observar se a atividade do aprendiz é adequada ao nível de desenvolvimento social e psicológico do jovem, além de estar de acordo com os conteúdos do curso de formação.

A necessidade de inserção no mercado de trabalho é outro sentido que emerge nas práticas discursivas dos jovens entrevistados, que afirmam que no Projeto Integrado pôde ser visto o que seria necessário para nele se inserirem. Sarriera et al (2001) identificam que, para jovens trabalhadores de classes populares, a inserção laboral representava a possibilidade de transformação de sua realidade social. Para esses jovens a inserção no mercado de trabalho vem como uma forma de conseguir mudar sua realidade, ajudar no seu sustento, criando uma melhor perspectiva de futuro.

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Outro sentido que emerge nas práticas discursivas dos jovens entrevistados é o de desenvolvimento via trabalho. O tornar-se experiente se refere também à ideia da compreensão de que estão crescendo, tornando-se provedores das necessidades próprias e muitas vezes dos familiares, como aponta Amazarray et al. (2009) e também de investir na formação para que no futuro possam conseguir o que querem. Porém esse desenvolvimento mostra uma faceta mais voltada ao comportamento já que precisaram aprender a se portar para que pudessem se manter na empresa.

Como afirma Oliveira et al (2005) para os jovens o trabalho é visto como algo que dignifica o ser humano e que o faz crescer, aparecendo aí o discurso moralista reproduzido socialmente a respeito do trabalho. O dignificar vem justamente no sentido de que o jovem que não está ocupado com algo, mas está propenso a fazer ações que não são valorizadas socialmente. É como se o trabalho, além de trazer a melhora financeiramente, os colocassem em um lugar de produtivo.

Segundo Baijot e Franssen (2007) a valorização da atividade de trabalho está ligada também ao nível de responsabilidade que é demandado pela função exercida, o que é revelado a partir de uma cultura do ofício, em que seus códigos e suas relações ocupam um lugar central.

A situação financeira mais uma vez emerge nas práticas discursivas dos jovens, sendo um dos sentidos atribuídos também ao Projeto Integrado, havendo uma melhora nas condições financeiras que enfrentavam. O auxílio da bolsa, adicionado à possibilidade de melhorar de vida e ao aprendizado que adquiriram, e ainda o apoio da família para tal investimento, parece ter um grande significado na vida desses jovens. A necessidade financeira familiar e a possibilidade de cuidar de si (autonomia) são questões latentes que levam o jovem a procurar emprego, como apontam Oliveira e Robazzi (2001).

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Por último, emerge ainda o sentido de ocupar e retirar de situação de risco para o Projeto Integrado. Alguns jovens legitimam em seus atos de fala a ideia que se tem do jovem como aquele que precisa se ocupar para não ficar sem fazer nada pelas ruas, e essa ocupação vem via trabalho. Como aponta Rizzini (2006), o trabalho e a educação são concebidos como antídotos para a vadiagem, o vício e a preguiça que corrompem o jovem excluído.

Emerge em seus atos de fala que a inserção no projeto deu “um rumo” às suas vidas, vindo num sentido de que participar, vincular-se a uma política ou instituição faz com que ele siga o caminho dito como certo, ocupando seu tempo de forma a não se envolver com outros segmentos, tidos como errados ou ilícitos. Esse aspecto encaixa-se ainda no que Sposito e Carrano (2003) colocam sobre a simultaneidade de tempos na convivência dentro de um mesmo aparelho de Estado, em que paralelamente há orientações dirigidas ao controle social do tempo juvenil, formação de mão-de-obra e também aspiração à realização dos jovens como sujeitos de direitos.

Dessa forma, percebe-se a partir da reconstrução das histórias de vida que o lugar de ex-educando do PETI é ressignificado a partir da inserção no Projeto Integrado. Há uma ruptura, pelo menos em partes, na forma como esses jovens se viam antes e depois da entrada no Projeto. Se a universidade era um lugar quase inatingível, agora começou a se tornar parte das possibilidades e projetos de vida de cada um. Se antes estudar não fazia parte do que lhe era acessível, tal relação passou a se modificar também.

Em contrapartida, o comportamento e a disciplina são legitimados pelos jovens ao contarem suas histórias. A produção de sentido relacionada ao Projeto, principalmente quando se fala em formação, encontra-se ligada ao aprender a se

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comportar sendo esse o caminho principal encontrado por eles para se manterem nas empresas.

5.6. Vendem-se sonhos? - Produção do projeto de vida dos jovens egressos do