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III. L’ANALYSE DE LA DEMANDE

4. Formalisation d’une proposition

A dimensão Educação Escola apresenta a avaliação do jovem em relação “qualidade” da escola. Esta dimensão retoma à discussão: o que significa qualidade? Linguisticamente, estamos diante de um substantivo que designa “a característica; modo de ser; disposição moral; predicado; nobreza; casta; espécie; gravidade; aptidão, essência; natureza (BUENO et al., 1992)”.

A situação de julgar a qualidade da educação-escola pelos estudantes não parece ser muito fácil, diante da variedade de significados para uma palavra, que vai ser mensurada pela gradação de muito ruim (1) a muito boa (5), numa espécie de julgamento de valor de alta inferência. Afinal de contas, bom e ruim são construções subjetivas, carregadas de sentidos singulares, que certamente estão impregnados das vivências nesses ambiente escolares, mas também de outros lugares e grupos sociais.

Além disso, deve-se ressaltar que palavra qualidade guarda significados específicos advindos do campo de conhecimento no qual se insere, e como um construto científico próprio ganha outro status. Como exemplo trazemos as designações filosóficas expressas no verbete do dicionário:

qualidade (lat. Qualitas, de qualis: qual, de que espécie) (1) Em um

sentido genérico, característica ou propriedade de algo. (2) Em Aristóteles, a qualidade é uma das dez categorias, “chamo de qualidade aquilo em virtude de que se diz que algo é de uma determinada maneira” (Categorias,8). Distingue ele, entretanto, várias acepções do termo, segundo as quais se pode caracterizar um objeto como quente ou frio[...] etc. A qualidade se opõe a quantidade por não ser mensurável, variando apenas de intensidade, e à relação que por um acidente modifica a substância de forma intrínseca. (3) Na distinção clássica de Locke (Ensaio sobre o entendimento humano), qualidades primárias são aquelas que o objeto de fato possui, que são inseparáveis dele,p.ex. a solidez [...]; enquanto as qualidades

secundárias são aquelas que podem ser separadas, que resultam da realidade de nossa reação às primárias, p.ex. o cheiro, etc. (4) A lógica tradicional caracteriza a qualidade de um juízo ou proposição como a propriedade segundo a qual estes são afirmativos ou negativos. (JAPIASSÚ & MARCONDES, 2006, p.231)

Diante desse quadro, os resultados expressos na tabela 13, abaixo, indicam jovens satisfeitos (50,08%), com o ambiente escolar e o processo de ensino-aprendizagem aos quais estão submetidos.

Tabela 13 – Avaliação da qualidade da escola

AVALIAÇÃO M F TOTAL MUITO RUIM 6,32% 2,78% 4,26% RUIM 8,52% 9,13% 8,87% RAZOÁVEL 37,91% 37,70% 37,79% BOA 37,09% 37,30% 37,21% MUITO BOA 10,16% 13,10% 11,87% TOTAL 100,00% 100,00% 100,00%

Para a maioria dos entrevistados (94,95%) os estudos são importantes para o futuro deles, há incentivo por parte da família (87,26%), porém a relação de confiança nos amigos da escola fica a desejar e é percebida somente por parte dos entrevistados (38,90%), o que pode denotar o um ambiente de concorrência e o de espírito de individualidade. Por outro lado, a avaliação negativa atinge a minoria dos jovens entrevistados (13,13%), os estudos aparecem como não importantes para uma parcela muito pequena (1,88%), com famílias pouco empenhadas nos estudos dos filhos para 3,66%, conforme descrito na tabela 14, a seguir.

Tabela 14 – Importância, Satisfação e Apoio em Ambientes Escolares

PERGUNTAS RESPOSTAS M F TOTAL

DISCORDO 2,23% 1,62% 1,88%

NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4,19% 2,43% 3,17%

CONCORDO 93,58% 95,95% 94,95%

DISCORDO 3,64% 3,67% 3,66%

NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 9,80% 8,55% 9,08%

CONCORDO 86,55% 87,78% 87,26%

DISCORDO 18,93% 19,06% 19,00%

NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 38,98% 41,60% 40,50%

CONCORDO 42,09% 39,34% 40,50%

DISCORDO 21,78% 17,79% 19,45%

NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 39,54% 43,15% 41,65%

CONCORDO 38,68% 39,06% 38,90%

MEUS ESTUDOS SÃO IMPORTANTES NO FUTURO 52F

PAIS OU FAMILIARES INCENTIVAM ESTUDOS 52G

PODE CONTAR COM PROFESSORES OU EQUIPE ESCOLAR 52I

CONFIA NOS AMIGOS DA ESCOLA 52L

Quanto as relações com os professores e pessoal de apoio da escola, boa parcela entende como valiosa esta relação (40,50%), porém, há dúvidas para um contingente do mesmo tamanho (40,50%). O tamanho do grupo de alunos que relatam não confiar nos

colegas (19,45%) é quase do mesmo tamanho daqueles que relatam não poder contar com os professores e com o pessoal de apoio (19%) como demonstra os dados da tabela 15, abaixo:.

PROFESSOR 53,33% 48,57% 50,56% AMIGO 30,67% 41,90% 37,22% DESCONHECIDO 12,00% 3,81% 7,22% OUTROS 4,00% 5,71% 5,00% PROFESSOR 5,77% 6,45% 6,14% AMIGO 42,31% 37,10% 39,47% DESCONHECIDO 38,46% 48,39% 43,86% OUTROS 13,46% 8,06% 10,53% PROFESSOR 2,22% 7,89% 4,82% AMIGO 40,00% 65,79% 51,81% DESCONHECIDO 46,67% 21,05% 34,94% OUTROS 11,11% 5,26% 8,43% PROFESSOR 15,38% 33,33% 22,73% AMIGO 30,77% 44,44% 36,36% DESCONHECIDO 46,15% 22,22% 36,36% OUTROS 7,69% 0,00% 4,55% PROFESSOR 25,00% 16,67% 20,00% AMIGO 37,50% 41,67% 40,00% DESCONHECIDO 37,50% 41,67% 40,00% OUTROS 0,00% 0,00% 0,00% PROFESSOR 5,88% 25,00% 13,79% AMIGO 17,65% 16,67% 17,24% DESCONHECIDO 76,47% 50,00% 65,52% OUTROS 0,00% 8,33% 3,45% PROFESSOR 33,33% 50,00% 41,67% AMIGO 33,33% 33,33% 33,33% DESCONHECIDO 33,33% 16,67% 25,00% OUTROS 0,00% 0,00% 0,00% PROFESSOR 37,50% 11,11% 15,91% AMIGO 62,50% 55,56% 56,82% DESCONHECIDO 0,00% 27,78% 22,73% OUTROS 0,00% 5,56% 4,55% PROFESSOR 33,33% 15,38% 22,73% AMIGO 66,67% 46,15% 54,55% DESCONHECIDO 0,00% 23,08% 13,64% OUTROS 0,00% 15,38% 9,09% PROFESSOR 40,00% 50,00% 46,15% AMIGO 40,00% 37,50% 38,46% DESCONHECIDO 20,00% 12,50% 15,38% OUTROS 0,00% 0,00% 0,00% PROFESSOR 84,62% 75,00% 79,31% AMIGO 3,85% 12,50% 8,62% DESCONHECIDO 3,85% 3,13% 3,45% OUTROS 7,69% 9,38% 8,62% PROFESSOR 78,26% 73,91% 76,09% AMIGO 13,04% 4,35% 8,70% DESCONHECIDO 4,35% 13,04% 8,70% OUTROS 4,35% 8,70% 6,52% M F TOTAL

QUEM COMUNIDADE MEXEU DE FATO NO CORPO 81I

QUEM COMUNIDADE TEVE RELAÇÃO SEXUAL FORÇADA 81J

PERGUNTAS RESPOSTAS

QUEM COMUNIDADE AMEAÇOU DE CASTIGO 81K

QUEM COMUNIDADE DEU CASTIGO 81L

QUEM COMUNIDADE GRITOU OU DEU BRONCA EXAG 81A

QUEM COMUNIDADE FEZ AMEAÇAS DE BATER 81B

QUEM COMUNIDADE DEU SOCO, TAPA, EMPURRÃO 81C

QUEM COMUNIDADE AMEÇOU COM OBJETO 81D

QUEM COMUNIDADE AGREDIU COM OBJETO 81E

QUEM COMUNIDADE AMEÇOU COM ARMA 81F

QUEM COMUNIDADE AGREDIU COM ARMA 81G

QUEM COMUNIDADE TENTOU MEXER NO CORPO 81H

Os resultados da variável avaliação educação-escola demonstram certa contradição quando comparados aos achados sobre violência na escola da tabela 13. O professor aparece

como ator principal nos quesitos: grito e bronca exagerada (50,56%), agressão com arma (41,67%), relação sexual forçada (46,15%), ameaça de castigo (79,31%) e castigo (76,09%) e os amigos não apresentam situação melhor para os entrevistados. Estes resultados nos remetem à força da violência simbólica (BORDIEU; PASSERON, 1975) dos ambientes escolares, com suas regras disciplinadoras e assimétricas, expondo estudantes e professores a um prescrito do trabalho escolar, com poucas possibilidades de desenvolvimento de cooperação e solidariedade entre seus atores.

A avaliação da escola-educação coloca à prova a prescrição do trabalho educacional (forma, conteúdo, valores) até este momento. As questões relativas à avaliação da qualidade da escola-educação remetem às discussões de Dejours (2008) sobre a avaliação do trabalho, submetido à prova do real. Apesar de, no geral a avaliação se configurar como “afirmativa”, os estudantes avaliadores podem falhar ao avaliar o “trabalhar” do outro, pois desconhecem mais profundamente o que os sujeitos professores investem no exercício da sua profissão e no seu trabalho, com seus significados objetivos, histórico-social e psicodinâmicos. Os processos de avaliação de qualidade, notadamente os educacionais, carecem de melhor instrumentação, diálogo e compartilhamento, pois estamos diante de relações de prazer-sofrimento intrínsecos que a atividade provoca, tanto nos avaliadores, quanto nos avaliados.

Outro componente relevante nesse cenário é o comportamento de risco e violência entre os jovens. No próximo tópico esses comportamentos são investigados e esclarecidos pelos respondentes.