As outras experiências no foco dizem respeito à procura de situações similares, que tenham relação, ou indiquem alguma tendência ao projeto em andamento que é objeto da pesquisa.
Utilizando os serviços da Internet, principalmente as ferramentas de busca, foi possível obter um conjunto de informações que contribuem para o tema em estudo. É um momento da pesquisa onde se procura extrapolar o contexto dos artigos científicos e do caso prático na empresa em estudo para buscar em outras realidades os indícios que podem ter relação com a pesquisa e que se configuram como sinalizadores de alguma tendência no que se refere às comunidades virtuais.
A corrida para incrementar o tráfego dos internautas faz com os provedores de grandes portais para a Internet ofereçam uma série de serviços gratuitos tipo o correio eletrônico, salas de conferências, notícias, classificados, lojas, leilões, quadro de mensagens, e outros.
Mais recentemente, a partir de 1998, os provedores começaram a disponibilizar uma série de ferramentas para que os navegadores pudessem construir as próprias comunidades. Tais comunidades são controladas pelos próprios usuários que podem convidar e aceitar os seus membros, geralmente amigos, familiares ou conhecidos nos negócios.
Alguns exemplos podem ser obtidos nos sites da Excite Communities (2000), Yalhoo Clubs (2000), Lycos (2000), Geocities (2000), Hometown AOL (2000) e Infoseek (2000). Uma série de empresas desenvolvem tecnologias para os construtores de comunidades virtuais, a exemplo de Thow (2000), Angelfire (2000) e Tripod (2000).
Um exercício interessante é navegar até a página destes grandes portais, utilizar a ferramenta de busca tendo como chave a palavra
comunidades. O resultado será uma extensa lista dos mais diversos tipos de organizações que agrupam pessoas em torno de temas e ações de interesse comuns.
De forma geral, a impressão que fica é que foi dada a largada de uma corrida que busca redefinir ou criar as novas fronteiras entre os seres humanos, fronteiras estas que passarão de geográficas para virtuais.
Esses fatos caracterizam a estratégia dos grandes portais da Internet em prover recursos para que os seus usuários possam participar, criar e manter comunidades virtuais: "Através da criação de mundos virtuais sobre tópicos, publicações, ou estilos de vida, estas companhias acreditam que os membros da comunidade irão utilizar os seus serviços por mais tempo, ver mais propaganda, e realizar mais transações no comércio eletrônico de seus sites" (HU, 1999).
Alterando a rota durante a navegação, é possível “atracar” nos sites dos fabricantes de software onde se percebe claramente que procuram formar comunidades virtuais com os usuários de seus produtos.
Um exemplo é o da Oracle (2000) que, em sua página principal possui
links para diversas comunidades, entre elas a iHost (2000) que procura reunir
as empresas interessadas em utilizar ou implantar infra-estrutura para implementar o ambiente denominado hosting. Já o Club Oracle (2000) reúne pessoas que se interessam pelos produtos e recebem descontos para participar dos eventos, compras, assinaturas de revistas e outros atrativos.
A SAP (2000) disponibiliza em seu site uma comunidade virtual onde reúne os parceiros que possuem interesse em compartilhar as experiências em comum e que tenham objetivos de negócios similares. Para os clientes, disponibiliza, na forma de serviços, a hospedagem de sites de grupos de usuários e também de comunidades virtuais. Estes, por sua vez, implementam recursos como chats e fóruns para viabilizar a comunicação virtual.
A BAAN (2000), outro exemplo, apresenta em sua página principal o acesso restrito para recursos online que intitula de "comunidades". A Microsiga (2000) e a Datasul (2000) fazem parte da IA (2000) que é uma organização não governamental sem fins lucrativos que tem por objetivo estabelecer padrões tecnológicos e de negócios para a Internet. Esta parceria visa criar uma comunidade padronizada e integrada pela Internet, possuindo grupos de trabalho que estudam e implementam padrões. Esta comunidade é formada pelos clientes dos seus associados.
É possível perceber nestas visitas que, durante o ano de 1999, comparando com uma consulta realizada em 1998, as empresas passaram a usar mais declaradamente o conceito de comunidade de interesses e em graus diferentes permitem que os seus clientes mantenham relacionamentos entre si. Também é possível perceber um distanciamento da visão de comunidade
virtual onde o poder está totalmente nas mãos dos clientes organizados, conforme definido por VENKATRAMAN (1998).
Uma outra tendência que é importante registrar para caracterizar o macro ambiente a época da realização da pesquisa é a oferta de sistemas computacionais para a gestão do trabalho cooperativo. Um exemplo é o Beehive da empresa ABUZZ (2000), divulgado por LUENING (1999), que utiliza o e-mail para gerenciar vários tipos de informações, permitindo gerenciar o conhecimento tácito que está neste ambiente. O sistema pode estar integrado ao Microsoft Exchange e ao Lotus Notes que se enquadram como sistemas de apoio ao trabalho colaborativo. O software denominado Lotus Domino.doc, em sua versão 2.0, é divulgado por LUENING (1997) como sendo capaz de implementar os grupos de trabalho e as comunidades virtuais através dos recursos de compartilhamento de documentos.
Em outra direção, é possível constatar os sinais de surgimento do serviço de aluguel de software para aqueles que não querem comprar e tão pouco instalar o programa no próprio computador. A Personable (2000), divulgada por PATTERSON (2000) disponibiliza o serviço de aluguel do Microsoft Office 2000 na Internet, oferecendo acesso a um provedor de onde o usuário requisita o uso de um sistema remotamente, podendo inclusive utilizar uma quantidade predeterminada de espaço no disco do provedor para armazenar os seus arquivos.
Muito interessante são as iniciativas da Humanclick(2000) e da Directalk(2000). Ambas estão lançando os serviços e ferramentas computacionais para viabilizar a comunicação síncrona na Internet. As empresas interessadas adicionam um novo link em suas home pages tradicionais e passam a dispor de um serviços especial de chat que viabiliza o contato em tempo real com os seus clientes. Tais programas são tão recentes que estão disponíveis ainda em versões de testes.
Mesmo sendo novidade os programas que facilitam a comunicação síncrona em ambiente de negócios na Internet, este tipo de comunicação será bem mais atraente com a implantação de tecnologias e infra-estrutura das redes metropolitanas de alta velocidade. Em outubro de 1997, a RNP - Rede Nacional de Pesquisas (2000) e o ProTem - Programas Temático Multinstitucional em Ciência da Computação, com o apoio financeiro do CNPq e do Comite Gestor da Internet (2000), desencadearam uma ação conjunta para estimular a implantação de redes metropolitanas de alto desempenho no Brasil. A situação deste projeto pode ser melhor acompanhada no site da UCAID (2000) e Rmav-FLN (2000).
Esta infra-estrutura permitirá a utilização de aplicações multimídia e a interatividade em tempo real na rede, estimulando ainda mais as formas de comunicação síncronas e a amplificação das comunidades virtuais.