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FORM S-TYPE MACRO DEFINITION

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SECTION 4: DEFINING MACRO INSTRUCTIONS

L- FORM S-TYPE MACRO DEFINITION

Discorrendo resumidamente, o Classicismo, época em que Blaise Pascal viveu, foi um período cuja literatura tem raízes na Antiguidade greco-romana. Por conseguinte, podemos apontar como principais características da época as seguintes: imitação dos gregos e latinos. Em outros termos, ocorrerá um aprofundamento dos textos literários e filosóficos, estudados nas escolas. Aristóteles inspirará o Classicismo, que reutilizará o conceito de mímesis: a poesia devia imitar a perfeição da natureza ou da sociedade ideal. Não se trata de cópia, mas de um processo de similitude. Uma segunda característica: o universalismo, em que é necessário criar a realidade circundante naquilo que ela tem de universal. A terceira característica é o racionalismo, que submete as emoções dos autores clássicos ao controle da razão. Aqui é importante destacar que Pascal vai discorrer longamente sobre a razão em Pensées e uma frase que ele escreveu sintetiza bem a ideia que ele fazia sobre a razão: “Dois excessos: excluir a razão, e admitir apenas a razão” (PASCAL, 1967, p. 44). E o mais importante: para ele, a religião não é totalmente contrária à razão. Não situo Pascal seguindo à risca a racionalidade de seu século, mas dialogando com o assunto, numa abordagem equilibrada, plena de bom senso. A prova disso é que, para ele, o verdadeiro Cristianismo é o mesmo que submissão mais uso da razão. Constata-se, aqui, um raciocínio que tenta não pender para os extremos. O século em que Blaise Pascal viveu, segundo Afrânio Coutinho, em sua obra A filosofia de

Machado de Assis (1940, pp. 101-102),

(...) será marcado do gôsto (sic) moralizante, ora no sentido da observação psicológica dos caracteres, ora na pesquisa das regras da vida. O estudo do homem despertará tôda (sic) uma vasta literatura de memórias, máximas, retratos, com uma precisão e um vigor científico, ainda hoje admirados pelos espíritos mais exigentes do realismo. Tôda (sic) uma preocupação psicológica, de análise de caracteres, estados de alma e temperamentos individuais que se estenderá pela arte dramática e até mesmo pela filosofia, dá ao espírito geral do século uma fisionomia de inventário sereno e imparcial das paixões, dos sentimentos, dos conflitos psicológicos.

Dentre as demais características, a perfeição formal, o elitismo e o uso da mitologia, a perfeição formal será ressaltada, já que Pascal também produziu um texto

equilibrado e harmonioso, embora também fosse expresso com ironia. É importante ressaltar que, ao lermos os pensamentos de Pascal e, mais especificamente, o modo como ele descreveu a condição humana, não nos deparamos com um estilo pesado, deprimente. Muito pelo contrário: seu estilo é irônico, irreverente. Pode até ser que alguém menos atento ache o estilo de Pascal frívolo e superficial; ao contrário, ele apresenta um rico corpo de pensamento moral e político. Esteticamente falando, Pascal achava que “a expressão deve ser natural e justa” (COUTINHO, 1940, p. 180). E essa expressão era obtida através da simples inspiração e não por meio de métodos. A retórica, a ênfase, a afetação, a eloquência contínua e o pedantismo desagradavam a Pascal. Consequentemente, ele vai mostrar a condição humana em que o ser humano, movido pelas paixões, corre em busca de uma felicidade que ele imagina ser merecedor. Abaixo, algumas considerações escritas por Pascal sobre a linguagem, o que diretamente vai-se unir ao que ele pensa sobre estilo:

Quando deparamos com um estilo natural, espantamo-nos e nos alegramos, porque esperávamos encontrar um autor e encontramos um homem. Ao contrário, os que têm bom gôsto (sic) e pensam, ao ver um livro, descobrir um homem, surpreendem-se com achar apenas um autor: Plus poeticequam humane locutuses. (PASCAL, 1967, p. 200).

Mais um exemplo: “Os que fazem antíteses forçando as palavras são como os que fazem janelas por causa da simetria: sua regra não consiste em falar certo e sim em fazer figuras justas” (PASCAL, 1967, p. 200).

Ao observar tão atentamente a condição humana bem como sua própria condição, é possível perceber, no filósofo, duas grandes linhas na obra Pensées: miséria do homem sem Deus e felicidade do homem com Deus. Por esse motivo, é possível arriscar sugerir que a condição humana em Pascal se dividiria em aqueles que não creem em Deus e aqueles que creem nele. A miséria do homem sem Deus advém de inúmeros fatores, a saber: os sentidos; a memória; o conflito entre sentidos e razão; a imaginação (que induz a erros e falsidades); o hábito; a natureza; o amor-próprio; o eu, que se limita a amar somente a si; o orgulho; a vaidade; o divertissement; o jogo; a caça; a guerra, para nomear somente alguns. A miséria humana, consoante Pascal, faz com que a condição humana se veja permeada de mentira e de vaidade, em que o homem e a mulher vivem em um mundo de aparências e qualquer coisa já basta para falsear seu julgamento. Não obstante, Pascal

vai acenar com a esperança, quando escreve que não há somente baixeza e miséria. A grandeza se faz presente desde que o ser humano, conforme já mencionado, se conheça miserável. À vista disso, Pascal exorta o ser humano a submeter-se à verdade e a renunciar a si mesmo para ver sua pequenez e o quanto é nefasto seu distanciamento de Deus. Enquanto não fizer isso, o ser humano vai deixar-se enredar pelos prazeres e ignorar a verdade dos prazeres ausentes, o que o levará à inconstância.

Baseado no afastamento de Deus, Pascal postulou três tipos de pessoas: as que servem a Deus, porque o encontraram; as que se esforçam para buscá-lo, mas não o acharam e aquelas que passam suas vidas sem procurá-lo e sem encontrá-lo. Para Pascal, o primeiro grupo é o das pessoas sensatas e felizes; o segundo é constituído de pessoas infelizes e sensatas, e o terceiro é formado por pessoas loucas e desgraçadas. Sem querer fechar uma conclusão, é possível inferir que a condição humana será sempre uma das preocupações de Pascal, que procura saber onde colocar o homem finito no universo infinito.

Pascal dará importância às questões do método, pois ele esperava unir seu conhecimento matemático à experiência do coração humano a fim de guiá-los à glória da religião. E como o ser humano vai conviver, por exemplo, com a natureza? Esta, para Pascal, é indiferente, é mãe e inimiga e, diante dela, o homem vai se perceber pequeno, espantado e assustado. Logo, não adianta esperar as benesses da natureza, pois a vida será uma luta eterna para ganhar o pão diário e o instinto de conservação é a lei que rege as relações do homem consigo mesmo, com o outro, com o mundo. E esse instinto, aos poucos, vai colocando o ser humano contra o outro, que vai construindo um egoísmo que será a origem de toda “sorte de instintos morais, de preconceitos, de punições, de formas de justiça” (COUTINHO, 1940, p. 188). Se existe esse instinto de preservação, em que tudo é permitido, a injustiça se instala, e a força é que dominará na sociedade. As leis atuam porque são impostas pela força. Consoante Pascal, a justiça sem a força é impotente, e a força sem a justiça é tirania.

Estendendo um pouco mais quanto à natureza humana, Pascal insistia em ressaltar o mal da natureza humana apenas para mostrar que só Deus poderia tirar o homem de sua miséria, de sua desordem e perturbação. Para o autor de Pensées, só o transcendente curaria a miséria e a ambiguidade humanas. Este mal, próprio da natureza humana, refere- se preferencialmente ao mal moral e ao mal físico. De antemão, cumpre apenas mencionar que o mal moral, que se faz presente na condição humana, vai ter desdobramentos, dos

quais se sobressaem os mais frequentes: o orgulho, a presunção, a concupiscência, a injustiça, a depravação, a vontade depravada, a corrupção. Discorrendo apenas sobre o primeiro, o orgulho, consoante Pascal, o ser humano, por sua natureza, se tem em alta conta como também pensa dessa maneira só acerca de si mesmo. A modéstia é ausente e, portanto, percebemos que o homem se coloca no centro de tudo e que o outro sempre será o inimigo. Sendo assim, ele demonstra um erro de julgamento, pois cada um vai querer colocar-se acima de tudo e vai amar apenas o próprio bem. E, ainda, de acordo com o pensamento de Pascal, conhecer a Deus sem conhecer a própria miséria estabelece o orgulho.

Neste emaranhado de orgulho, vaidade, cobiça, miséria, para Pascal, a condição humana se apresentará miserável, o homem e a mulher estarão cheios de decepção e de males reais e, diante dessa condição pouco inspiradora, só resta a ambos apelar para o

divertissement e “agitar-se nas exterioridades da vida” (COUTINHO, 1940, p. 185). O

olhar que Pascal dirigiu à condição humana foi um olhar bastante diferente do que apregoava a Modernidade. Esta vai enfatizar a autossuficiência, o poder e a capacidade de o ser humano reverter as vicissitudes ao seu favor, de tudo poder e fazer. Pascal vai na direção contrária: o ser humano é desordenado, miserável, contraditório, correndo entre a necessidade e o ennui.

Existem várias reflexões específicas sobre a condição humana, embora possamos escrever que a obra Pensées é um verdadeiro tratado sobre a condição humana. Não obstante, há trechos bastante incisivos que não podem deixar de ser mencionados: “Nous ne sommes que mensonge, duplicité, contrariété, et nous cachons et nous déguisons à nous-mêmes” (PASCAL, s/d, p. 501). Tradução da autora: “Nós não passamos de mentira, duplicidade, oposição, e nós nos escondemos e nos disfarçamos de nós mesmos”. Outra reflexão: “Que conclurons-nous de toutes nos obscurités, sinon notre indignité?” (PASCAL, s/d, p. 583). Tradução da autora: “O que concluiremos de nossas obscuridades, a não ser nossa indignidade?”

Conforme já mencionado, mas aqui é reiterado, a condição humana será sempre uma das preocupações de Pascal, que procura saber onde colocar o homem finito no universo infinito, em uma tentativa de convidar a humanidade a tomar consciência de sua pequenez e repudiar seu afastamento de Deus.

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