Fig 2.52 The very hungry caterpillar, Eric Carle.
Philomel Books. Pode-se trabalhar nesta leitura, por exemplo, com as noções de cores, formas, contagem, escrita dos dias da semana e importância dos alimentos.
Fig 2.53 Exercícios pedagógicos a partir da
leitura de The very hungry caterpilar.
Fig 2.54 Este livro-brinquedo trabalha a contagem a partir da apresentação de dias da semana e somatório dos alimentos, cores e metamorfose (lagarta/borboleta). O personagem principal foi adaptado para outras obras e também virou brinquedo.40
Fig 2.55 Variações de suporte, criação de intimidade e brincadeiras com o mesmo personagem.
40 Livros da coleção: Colours, Animal sounds, Words, Numbers. Acesso em fevereiro de 2012. Fonte: http://sementesmagicas.
O livro é expressão do pensamento humano, do desenvolvimento de técnicas e saberes. Instrumento por excelência da tradição-transmissão do conhecimento, o suporte livro tem uma existência fundamental na cultura no século contemporâneo.
O livro-brinquedo parece duplo em sua vocação ainda experimental, além de ocupar um lugar de transição que abarca o gosto pela leitura e a brincadeira com o objeto. Sua plasticidade
editorial e performance abrigam tecnologias e acabamentos gráfi cos, contatos sensoriais e a im-
pressão de escrituras que se movimentam dentro de um espaço profícuo à ação de ler brincando. O gênero em questão valoriza ora um treino livre ora uma consciência da ação na leitura ou experimentação de sentidos. Nos apelos editoriais do livro-brinquedo estão presentes estra- tégias de fomento à prática ou à ação, segundo um manuseio direto que serviria à vontade na medida em que a linguagem passasse a interessar ao leitor.
Mas alguns livros-brinquedo se servem de estoques de ideias pré-construídas e massifi - cadas na maneira de convidar o leitor a apreender o objeto de leitura. Por exemplo, há obras que repetem em suas capas chamadas a ilustrações clássicas, como a dos três porquinhos, e inscre- vem na determinação primeira de vínculo aspectos muito previsíveis ao propor a brincadeira de leitura-ação, salientando um condicionamento do ler brincando.41 Ou seja, há livros-brinquedo que optam por uma simplifi cação excessiva da comunicação do ler brincando, seus planos de expressão repetem modelos previsíveis, e suas estratégias de interação com a obra insistem num
caráter por demais mecanicista.
Fig 2.56 Livros quebra-cabeça. Edições Girassol e Blu Editora. As obras propõem uma atividade mental, as ilustrações recebem um investimento emocional de reconhecimento e as editoras apostam numa predileção ao jogo fácil, mais óbvio, e numa visão simplista das necessidades infantis de ler brincando.
41 Livro quebra-cabeça Cinderela, Blue Editora; livro quebra-cabeças Tinkerbell, Disney Fadas, Editora Pi Kids; livro quebra-cabeça Branca de Neve, Coleção Princesas, Editora Fapi etc.
O livro-brinquedo deve ter por objeto não só o texto, mas o diálogo entre a organização de discursos que fomentam o gosto pelo ler brincando. Tais estruturas têm se defi nido pela construção de uma concepção editorial que signifi ca o texto, porém não fora de um jogo lúdico. O que não deve restringir a linguagem a uma função meramente informativa ou mecanicista.
O diálogo entre forma e conteúdo assinala uma tendência fundamental nas edições de livro-brinquedo contemporâneas – nacionais e internacionais. O livro é concebido não apenas
para ser lido, mas também para ser manuseado, apreciado e compreendido como canal de diversão
e ludicidade. Segundo Bakhtin (1986, p. 131-132),42 “compreender é uma forma de diálogo”, e vir a reconhecer papéis do texto ou do livro não deixa de ser uma porta-convite ao contato com a leitura e a linguagem.
A linguagem, tão fundamental para a comunicação, não deveria estar condicionada nos livros-brinquedo a uma via de mão única – “faça isso”. A condição de sentido dos discursos, neste gênero que vem ganhando identidade, deveria motivar o diálogo entre interlocutores e os discursos. Como estrutura reversível e interacional, a linguagem deveria estar a serviço da
dinâmica interativa e da experimentação.
Fig. 2.57 O leitor de livro-brinquedo é também co-autor, inventor, montador, provador etc. A criança pode ora buscar a relação sensorial com a linguagem, ora compreender o discurso por sua organização visual e convite à oralidade. Acesso em setembro de 2012. Fonte: http://ml11665.br.ofertopia.com/a/O-Palacio- De-Minha-Fada-Princesa-Lindo-Palacio-Em-Pop-Up-1omvy7.html
O livro-brinquedo seria então mais um dos vastos campos onde os discursos se realizam e funcionam. E o que explicaria seu tipo de discurso seria uma organização relacional – livro e brinquedo – da forma comunicativa de expressão de ordem dialógica-interativa.
42 BAKHTIN, Mikhail. (1929) Marxismo e fi losofi a da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1986 apud BRAIT, Beth (org.). Bakhtin: dialogismo e construção do sentido. 2 ed. Ver. São Paulo: Editora Unicamp, 2005.
2.2.3 Denominações afins ao gênero livro-brinquedo
Dentre as denominações de capa e de busca, presentes em capas e sites que vendem e distribuem livros infanto-juvenis, alguns termos criam profunda familiaridade com o gênero livro-brinquedo. Não serão listados à exaustão os termos, mas sim os de maior eco.
As estruturas abaixo reunidas mantêm relação umas com as outras. Ou seja, um livro-jogo pode ser também um livro de pano. Ademais, tendo-se em mente que escrevemos na presença de todas as línguas do mundo, é natural que termos fiquem de fora neste apanhado, mas valorizamos a tarefa de escutar um eco e rastro, que indiciam tendências e vestígios afins ao livro-brinquedo.
• Toy book ou libro para jugar caracterizam as obras que visualmente têm um forte
apelo de formato-brinquedo, convidativas ao manuseio direto, experimentação de formas, peças, acessórios de contagem, montagem, disfarces etc. Nos países de língua portuguesa encontramos a denominação livro-jogo, tanto para obras que apostam em jogos de linguagem em formato lúdico quanto para livros de tabuleiro de jogos, encaixe, aprendizado de códigos (carimbos) e formatos que conjugam história infor- mativa ou literária à aprendizagem recreativa. Nos mesmos moldes, na França, há
o livre jeu, vendido em livrarias na seção infantil ou de caráter mais experimental e
artístico, menos comercializável em altas tiragens, e às vezes apenas circulante entre grupos de bibliófilos e produtores editoriais artísticos.
Fig. 2.58 Livre-jeu Les chiffres. Édition Nathan
• O livro de pano é produzido em tecido, pode incluir adornos em bordado, costura de acessórios em relevo, mas deve ser resistente ao manuseio infantil e não soltar adereços ‒ a não ser se for previsto. Em geral o tecido tem formato lúdico e impressão a 4 cores. Pode assumir forma de travesseiro, bebê, animais, comidas etc. Pode ser levado para a cama, o berço, a escolinha etc. Os que vêm com argolas plásticas podem ser presos aos carrinhos de bebê, merendeiras e mochilas infantis. Alguns são costurados entre materiais que provocam sons se apertados ou manuseados. Podem ter areia, mecanismos musi- cais e texturas em sua composição interna ou externa. Alguns têm janelinhas de abrir e fechar, asas em relevo, espaços para colocar os dedos e a brincadeira de fantoches etc.
Fig. 2.60 Livro de pano Jeux, de Lynette Rudman. Jogos divertidos e pedagógicos estimulam na criança a atenção, a sensorialidade e a refl exão de similitudes e diferenças. Site Les Doigts qui Rêvent. Fonte: http://ldqr.org/boutiqueLDQR/article.php?cat=24
• Os livros com textura trabalham forma e conteúdo atiçando na criança uma curiosi- dade pelos sentidos. Liso, rugoso, macio, duro, pegajoso, áspero, fundo, raso, cheio, vazio, brilhoso, opaco, espelhado, escamado etc. são algumas das sensações que estes livros-brinquedo incitam. A proposta principal inclui “sentir para descobrir” e a partir
do toque criar memória vivencial.
Fig. 2.62 Livro de pano que forma o cenário do Sítio encantado. 60 x 56 cm. Indicado para maiores de 3 anos.43
Fig. 2.63 Livro com textura e dedoche. Mexendo e remexendo. O que é isto? Editora Ciranda Cultural.
• O livro de banho, como o próprio nome indica, é produzido para estar em contato com a água, flutuar, e imprime temas infantis. Tem poucas páginas, é macio, atóxico, colorido e pode ser vendido com um personagem-brinquedo acoplado à impressão ou embalagem. Conjuga o sensorial, o textual e o imagético.
Fig. 2.64 Elmer’s bath, de David Mckee. Andersen Press. Fig. 2.65 Whale bath book, Huicheng Craft & Gift Factory.
• Movable book são produções editoriais que valorizam o movimento de cena. Isto pode
ser obtido pelo sequenciamento de desenhos – por exemplo no flip book ou cineminha de mão, estilo atualmente mais disponível para colecionadores adultos –, efeito holo- gráfico ou lenticular, scanimation, ou instalação de instrumentos táteis que propiciem jogo de cena segundo a intervenção direta do leitor.
Movable books ganham movimento de leitura no abrir e fechar das páginas ou na inclinação das mesmas. Este exemplo pode também incluir livros com partes giratórias e livros que formam cenários em perspectiva tridimensional – na sensação de levantamento dos planos. Volvelles eram as construções de papel que desde o século XVI compunham a estrutura de páginas rotativas. Hoje, no caso das edições brincantes infanto-juvenis, se utiliza mais movable book.
No livro da Editora Caramelo Feliz ou triste? (2006), de Emma Treeehouse, ilustrado por
Caroline Davis, a menininha da capa oscila entre feliz e triste, haja vista que quando a criança mexe a cabeça ou mexe o livro para a frente ou para trás o desenho da boca da menina muda, formando um sorriso, na fi sionomia alegre, ou uma fi sionomia triste, com a boquinha para baixo. A história convida o leitor-criança a perceber situações que alegram e entristecem.
Fig. 2.66 Exemplo de capas movable – investem em movimento, alternância e surpresa visual. Obra ABC3D, de Marion Bataille (A Neal Porter Book, 2008) e Feliz ou triste?, de Emma Treeehouse (Caramelo, 2006).
Holografi a é uma técnica de registro de padrões de refração de luz que pode apresentar uma imagem em três dimensões – no efeito de ilusão “perto do toque”. Na visualização desta téc-
nica, útil aos movable books, cada parte possui conexões com o todo. Outro efeito movable é
o lenticular, no qual uma montagem sequencial de imagens – até 12 imagens – é impressa em lentes (plástico especial composto de lentículas) com o auxílio do computador. A impressão lenticular é uma técnica especial que envolve a impressão de uma imagem no fundo do plás- tico lenticular, permitindo ao olho visualizar, simultaneamente, seções alternadas de múltiplas imagens para dar a impressão de 3D ou de movimento.44
Hoje, inclusive, já existe a impressão lenticular holográfi ca.45 A tecnologia editorial de holo-
44 Excelentes exemplos em vídeo de movable books ou movable toybooks podem ser encontrados no site: http://www.squidoo.
com/best-pop-up-books. O mesmo site oferece exemplo de pop ups artísticos (amazing pop up books) antigos e contemporâneos.
45 Para produzir uma capa lenticular 3D, tudo o que uma gráfi ca precisa é um arquivo de Photoshop que contenha todos os
grama normal é mais utilizada em capas que pretendem um efeito de cena tridimensional – a sensação tátil é de impressão lisa e reflete o prisma de cores em variação de ângulos; também é possível o efeito “acendido” e apagado” da imagem. Já o holograma lenticular consegue mostrar do primeiro a um último movimento de imagem, em projeção de maior sequencia- mento – isto é, neste efeito é possível mudar a imagem e o registro nasce de uma sequência de imagens. Além disso, a técnica do lenticular holográfico vem delicadamente sulcada na impressão, gera efeito de animação e movimentos, tais como: 3D (ilusão de três dimensões),
flip (o desenho “se move” para a direita – um personagem pode parecer caminhar), zoom (o
desenho vai para frente e para trás e ganha dimensão), morph (um desenho de proporções parecidas se transforma em outro, a exemplo de fada/bruxa), twist (rotaciona-se a imagem
para os dois lados) e moving (o desenho ganha movimento, a exemplo do bater de asas de uma borboleta). Um exemplo é o livro Atlas del mundo, de Simon Mugford, Editorial SM (2010).46 O básico da técnica lenticular, portanto, é montar sequencialmente várias tiras de lente que absorvem o movimento das imagens selecionadas. Para isto é preciso ter uma pro- jeção e um alinhamento de linhas nas lentes paralelas. As imagens ganham um efeito emocionante e surpreendente. Capas de livros em 3D estão apostando neste efeito estético
para uma mimese entre o ler e o apreciar.
Há também livros que se movimentam por trilhos em montagens cartonadas.47
Fig 2.67 A folha lenticular, funcional ao efeito scanimation, permite a impressão direta (offset) ou digital. Com a lente utilizada na impressão lenticular a luz é refletida em ângulos específicos, gerando assim imagens distintas para cada posicionamento do olho. O efeito final para a interação (scanimation) com o livro é uma animação. O impulso emocional do leitor é o de manusear a obra em busca de sentidos. Como regente do movimento, o leitor que articula o movimento de abrir e fechar das páginas é também o articulador do diálogo em ação. Livros movable investem na brincadeira de orientação espacial e estão sobre a natureza do signo agir, acionar para compreender. Nestas construções editoriais modernas, o leitor é aquele que se desloca entre superfícies comunicativas, pressentindo o efeito de determinações e o lugar de passagem do movimento articulado pela leitura-interação.
46 Para maiores informações ver Mostruário de acabamentos especiais UV PACK.
A impressão, híbrida, investe em tecnologias da escrita para fascinar o leitor. A partir da linguagem em movimento, acredita-se que pode ser desenvolvido um dialogismo específico via a compreensão de imagens móveis, não estáticas.
Num sentido mais amplo, o movable book acompanha uma situação mais ampla e com-
plexa: a situação social contemporânea que valoriza a imagem, a interação e a novidade. Afinal, o livro-brinquedo é também um produto cultural; e acaba sendo um meio de pensarmos o sujeito do século XXI e suas demandas.
• Play book e livros sonoros investem sobretudo na musicalização infantil e na sonoridade,
estimulando o leitor-criança a se familiarizar com sons, vozes, ritmos e/ou melodias – em canções e contações. Algumas histórias são narradas em gravação, outras obras acoplam CDs musicais à história e há também as que imitam em mecanismos eletrônicos sons de animais, de fenômenos da natureza e de instrumentos musicais, tais como pianos. As chamadas de capa incluem “aperte aqui para me ouvir”, “aperte os botões e aprenda os sons”, “touch & discover”, “me toque”, “descubra as notas” etc.
Fig 2.68 Livro sonoro. Apertando nas figuras de capa a criança escuta nove canções, depois pode seguir sinais luminosos para encontrar nas teclas os sons correspondentes às melodias.
Fig 2.69 Um sinal sonoro simples é acionado sempre que a criança aperta o nariz vermelho do personagem.
• Livro teatro de sombras são produções que relembram a antiga técnica de projeção,
originária da China, onde o princípio técnico básico envolve uma fonte de luz, uma su- perfície de projeção e objetos manipulados entre a fonte de luz e a superfície. O efeito cria grande curiosidade, surpresa visual e excitação nas crianças. No caso dos livros, utiliza-se uma fonte de luz artificial – uma lanterna costuma vir acoplada às obras. Quanto
melhor o treino de manipulação dos personagens, melhor a focalização das silhuetas. As telas nas produções editoriais de livros-brinquedo costumam ser de acetato e não de tecido semi-transparente. A projeção pode criar imagens fantásticas e oníricas. Quando
os livros estimulam uma brincadeira com sombras criadas apenas com os dedos e as
mãos, o resultado remete a interessantes formas do imaginário infantil. A proposta de
livro de sombras estimula também a oralidade e a encenação.
Fig 2.70 Coleção “Le petit théâtre d’ombres”, Gallimard Jeunesse Giboulées.
Títulos: Le Petit Chaperon Rouge; Le Petit Poucet; Les Fables de La Fontaine; Le Chat Botté etc. Fonte: http://lepetitbazart.wordpress.com/
• Livro pop up, com dobraduras e tridimensional, fabricado em engenharia do papel. Este esquema de produção inclui obras com estruturas que “saltam para fora” aos olhos do leitor. Perspectivas inesperadas e surpreendentes tomam conta da mancha gráfi ca, expandindo os acessos de percepção visual do objeto livro – que pode virar cenário, globo terrestre, castelo, casa e muito mais. A ideia básica é gratifi car quem folheia o
livro em planos inesperados e fantásticos, que possam estimular a interatividade com a forma do livro. As estruturas podem ser abertas em 90, 180 e 360 graus, o que encanta e diverte os pequenos, projetando uma nova forma de relação com o suporte de leitura – que sai do unidimensional para o tridimensional. Os profissionais capacitados para a idealização destes projetos são chamados engenheiros do papel ou projetistas gráficos.
Um livro pop up pode ter montagens industriais e artesanais.
Fig 2.71 The wonderful wizard of Oz: a co- memorative pop-up. Frank Baum. Engenheiro do papel: Robert Sa- buda.48 Ed. Little Simon, 2000. A
obra está celebrando os 100 anos de aniversário do Mágico de Oz. • Livro com dobraduras pode ser no estilo flap (abas), folder ou pop up. Sempre que houver
vincos e levantamentos de cena tridimensionais há dobraduras na estrutura da obra. As
dobraduras servem a brincadeiras visuais e a ensinamentos espaciais de perspectiva. O ato de construir estruturas em papel tem evoluído muito no século XXI, a ponto de estruturas pop up tornarem-se referenciais em livros que assumem formas lúdicas e fantásticas. Aqui
também, são os paper engineering – alguns deles designers – que transformam a matéria-
-prima em arte – formas, estruturas e mecanismos – dando vida e movimento ao papel. • Livros step inside trabalham com planos e fundos de imagem em perspectiva tridi-
mensional. Nesta estrutura, as cenas ficam sobrepostas e coladas umas às outras. A
impressão é a de uma escrita em massa folhada. A Editora Ciranda Cultural tem uma
48 Acesso em fevereiro de 2012. Fonte. http://www.amazon.com/gp/customer-media/product-gallery/0689817517/ref=cm_ciu_
coleção inteira chamada step inside. O step inside se assemelha, na visão de primeira capa, ao tunnel book, pois ambas as estruturas exploram o 3D, mas o tunnel book vem
sanfonado e o step inside vem alceado como livro-caderno.
Fig 2.72 Tunnel book (no prelo) e step inside (Floresta tropical, adaptação de Carolina Coelho, 2011). Fonte: http:// twokitties.typepad.com/my_weblog/2009/07/tunnel-book-tutorial.html. Acesso out. 2012.
• Livro imantado é aquele que é preparado para atrair superfícies magnéticas. Na atual in-
dústria editorial, os livros imantados recebem cargas aditivas metálicas na composição de sua massa (fabricação do papel), de modo que o miolo do livro atraia os ímãs ou magnetos – impressos e coloridos – avulsos acoplados à obra, preparados para a interação com a história.
Fig 2.73 Livro magnético Brincando na fazenda, de Axel Scheffl er, Ed. Libris. Peças avulsas imantadas vêm acopladas à obra para a interação durante a leitura. Outras obras valorizam charadas, contagens, formação silábica etc. – a exemplo de Meu quebra-cabeça magnético de charadas e Meu livro magnético de soletrar, ambos de Sarah Albee, Editora Ciranda Cultural (2008). Fonte: http://crccoelho.wordpress.com/tag/livros-com- imas/. Acesso em set. 2012.
• Livro interativo é um tipo de suporte de leitura que abarca uma interface amigável
não só para o registro e transmissão de mensagens, como também para uma utilização acessível. A interface é a zona de comunicação – qualquer que seja o meio de comuni- cação. Contemporaneamente, a multiplicidade de janelas, dobraduras, encaixes, trilhos e acessórios podem configurar um layout de livro que preza a interação com o leitor, fomentando seu desejo pela manipulação e exploração.
A interatividade assume fundamental importância, porque através dela, muitas vezes, a criança percebe como pode se posicionar diante do livro – de forma ativa. A descoberta
vivencial de assuntos, leituras e brincadeiras no suporte livro assume importância num
mundo que preza os hipertextos e as multimídias. Diante dos meios de comunicação, “mexer para descobrir”, “apertar para ver aonde se chega”, “acionar para obter respostas” são apenas algumas ações que se tornam comuns no século XXI.
O conceito de interatividade atravessa os meios – como TVs a cabo, celulares, com- putadores etc. Interagir para participar também é um sentimento que atravessa os seres humanos. Assim como o sentimento de que homens e objetos se pertencem.
Livros interativos têm por estratégia facilitar o interesse de leitores por obras agradáveis aos seus interesses. Tanto podem ser infanto-juvenis como para todos os públicos, a
exemplo de Inventos que cambiaron el mundo (Barcelona: Montena, 2011),49 original-
mente The journal and historical record of invention and discoveries.
O hábito de leitura linear também pode ser transformado nas próximas décadas. Há livros