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Chapitre III. Le flou comme outil d’appropriation des images

1. La photographie comme matériau historique et social

1.3 Fonds commun d’images et mémoire collective

A EBIAS está localizada no bairro da Cachoeira do Bom Jesus, região norte da cidade de Florianópolis, entre as praias de Canasvieiras e Ponta das Canas, a cerca de 30 quilômetros do Centro da capital. É chamada de EBIAS pelos sujeitos, como uma abreviatura de sua denominação. Em 1955, ano em que foi fundada, chamava-se Escola Isolada Armazém e possuía somente uma sala de aula. O termo “Armazém”, utilizado na sua fundação, faz referência à região onde foi instalada e, até hoje, é utilizado pelos moradores mais antigos quando mencionam aquela área à beira da praia da Cachoeira do Bom Jesus (EBIAS, 2015).

Com o passar dos anos, a Escola recebeu várias ampliações e benfeitorias. Até o ano de 1997, a Escola oferecia turmas para os anos iniciais do ensino fundamental – de 1ª a 4ª série – e em 1998 iniciou

turmas também para os anos finais – de 5ª a 8ª série, e mais recentemente até o chamado 9º ano (EBIAS, 2015).

Em abril de 2000, inaugurou sua sede atual, um dos fatores que contribuíram para que o número de alunos quase dobrasse: a escola passou de 388 alunos, em 1999, para 578, no ano 2000. Outro fator que contribuiu para o crescimento do número de alunos naquele ano foi a consolidação da boa imagem da escola perante a comunidade (EBIAS, 2015).

A quantidade de alunos é um fator contextual que influencia as dinâmicas desta escola. Foi mencionado pelos entrevistados que um número excessivo de alunos é um fator que dificulta a atenção que pode ser dada a cada um dos alunos e ao seu desenvolvimento. A consequência disso é a desvalorização do ambiente escolar pela redução do vínculo do aluno com a escola, e o aumento da violência entre os alunos e destes com os profissionais da escola.

De fato, em sua história, a EBIAS passou por períodos em que era vista como um local violento e perigoso. Já chegou a ser palco de tiroteios e de atos perniciosos, aspectos que idealmente devem ficar longe de um ambiente formativo de crianças e jovens, que precisam de exemplos positivos para seu bom desenvolvimento. A equipe pedagógica, mesmo incompleta (na época havia a diretora, uma orientadora, um supervisor e um secretário), começou um trabalho para restaurar a imagem da escola perante a comunidade e, especialmente, para se tornar um local adequado ao ensino. Assim, houve uma dedicação intensa para diminuir a violência e os conflitos existentes, para aumentar a própria equipe pedagógica, a fim de poder dar mais atenção e orientação aos alunos e pais (uma forma de mitigar conflitos), e para diminuir o número de alunos, priorizando os da própria comunidade, a fim de aprofundar estes vínculos.

O bairro onde o aluno reside também influencia na formação de vínculo e na valorização da escola. Historicamente, a comunidade da Cachoeira do Bom Jesus era uma colônia de pescadores, mas se transformou em uma área turística, cujas atividades econômicas ocorrem em sua maioria em época de verão. Dessa forma, o turismo acaba por trazer novos moradores sazonais, em sua maioria oriundos do oeste paranaense e do interior catarinense, que por sua vez influenciam o perfil de alunos da escola (EBIAS, 2015).

A maior parte dos alunos da EBIAS reside no bairro da Cachoeira do Bom Jesus ou no bairro Vargem do Bom Jesus, tem renda familiar entre um e três salários mínimos, e a maior parte dos pais tem escolaridade de 1ª a 8ª série (EBIAS, 2015). Além destes e devido às

novas características do bairro, há alunos que permanecem na escola por apenas alguns meses a cada ano, e tem crescido a demanda por transferência de alunos de escolas dos bairros vizinhos. A diretora e a secretária têm recusado essas transferências, para manter um número saudável de alunos e para que, em sua maioria, pertençam ao bairro em que se localiza a escola, evitando assim a propagação de vínculos frágeis e o aumento da violência.

A escola possui uma secretaria para atendimento ao público e recepção dos alunos e pais, uma sala para a direção, uma sala de orientação pedagógica, uma sala aberta (passagem para a secretaria, sala da direção e de orientação pedagógica), com algumas cadeiras onde alunos e pais aguardam atendimento quando necessário, uma biblioteca, um laboratório de ciências, uma sala de informática e uma sala multimeios (que apoia os alunos com necessidades especiais). Há, ainda, a sala de professores, com armários, uma mesa retangular grande para refeições e reuniões, uma geladeira, uma mesa redonda e um sofá. Na hora do recreio e intervalos, tanto professores quanto equipe pedagógica fazem seus lanches na sala dos professores, em momentos de descontração em que as conversas giram em torno de amenidades da vida pessoal e acontecimentos da própria escola.

Em novembro de 2016, a Escola possuía 740 alunos matriculados e uma equipe pedagógica formada por uma diretora, uma orientadora, dois supervisores, um administrador, uma secretária, uma coordenadora de laboratório e duas coordenadoras da sala multimeios. O corpo docente é composto por oito professores de anos iniciais, 22 professores de séries finais, três professores auxiliares de ensino, três professores auxiliares de Ciências e Técnico, duas professoras da Sala Multimeios, um professor de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e um professor auxiliar de Libras. A equipe formada pelos terceirizados consiste em três cozinheiras, seis auxiliares de serviços gerais e dois vigias.

A escola está organizada em atividades de docência e apoio à docência (professores efetivos, professores admitidos em caráter temporário (ACT) e auxiliares de sala), atendimento externo e apoio interno (secretária), funções administrativas como compras, manutenção e folha de pagamento dos professores (administrador), supervisão escolar e apoio pedagógico (supervisores), encaminhamento e orientação aos alunos e pais (orientadora pedagógica), e negociação com professores, orientação de questões mais sérias com alunos e pais, bem como a direção e o contato com a Secretaria da Educação (diretora). Há ainda as atividades de cozinha (para a merenda dos alunos), limpeza e segurança com equipe terceirizada.

Em atenção à Lei de Diretrizes e Bases de 1996, segundo a qual a gestão escolar deve ser democrática e participativa, a EBIAS possui como canais representativos da comunidade escolar as seguintes instâncias: conselho deliberativo escolar (CDE), grêmio estudantil (GE), associação de pais e professores (APP) e o fórum de articulação e coordenação escolar (FACE) (EBIAS, 2015).

O conselho deliberativo escolar é constituído pelos membros do magistério, alunos, pais ou responsáveis pelos alunos e funcionários que estão envolvidos mais diretamente com a ação educativa da escola (EBIAS, 2015). No ano de 2016, o conselho deliberativo escolar esteve praticamente inativo, pois foi pouco demandado pela equipe pedagógica. Nas próprias entrevistas, o CDE (conselho deliberativo escolar) pouco foi mencionado:

Nós estamos tendo uma dificuldade com relação ao conselho deliberativo da escola, que é a segmentação de representação de pais, de alunos e de professores. Basicamente não está respondendo à altura, não está havendo uma compreensão da sua importância, da sua necessidade, vide a uma dinâmica que o Estado coloca também, porque, participando ou não, a escola segue funcionando. (entrevistado 1)

Apesar de ter o termo “deliberativo” em sua denominação, este grupo pouco atuou nas decisões e no andamento das atividades da escola no decorrer do ano de 2016.

O grêmio estudantil é formado pelos alunos para representá-los na gestão escolar (EBIAS, 2015). No entanto, as práticas de liderança observadas na EBIAS não têm qualquer relação com o GE (grêmio estudantil). Houve apenas uma menção a este órgão, feita pelo entrevistado 2:

A gente tentou fazer um grêmio, as crianças não têm interesse [...] não têm interesse nenhum, nada, em participar de nada. Eles querem vir pra escola porque é uma obrigação. Antigamente era tão bom, né, participar de grêmios estudantis, e fazer revolução na escola e mudar coisas.

A APP (associação de pais e professores) é formada por pais, professores e equipe pedagógica, representada pelo administrador, que

hoje a preside. É a pessoa jurídica e contábil da escola, é a instância que “trabalha direto com o dinheiro” (entrevistado 3). É importante para arrecadar recursos (principalmente recursos financeiros) e tomar decisões, por exemplo, sobre sua destinação para pequenas obras, reformas, para que se implementem novos projetos, ou que se tenha recursos para atividades didáticas como passeios. Também é um apoio para a realização de algumas atividades escolares como reuniões e festas. É uma instância que tem sido mais ativa. Nas entrevistas, foi mencionado que “antes o presidente da APP só assinava os cheques” (entrevistado 3) e agora ele está fazendo reuniões mais frequentes, solicitando contribuições financeiras espontâneas mensalmente, e aos poucos a APP (associação de pais e professores) está sendo envolvida na gestão da EBIAS e em atividades recreativas como festas e eventos.

O FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) foi criado em 2011 e é composto pelos educadores que atuam nos setores da escola (biblioteca, sala multimeios, laboratório de ciências e sala informatizada) e pelos coordenadores de projetos em vigência na escola (EBIAS, 2015). Os critérios estabelecidos para tal composição foram:

a)

profissionais da escola que não tenham regência fixa e aqueles que desenvolvem projetos na escola;

b)

disponibilidade para estarem presentes.

No entanto, mesmo com a explicitação de regras para participação, ainda assim o FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) não é percebido homogeneamente, por todos os profissionais da escola, como algo positivo, gerando alguns comentários negativos, especialmente dos professores: “é visto por alguns profissionais como grupinho da diretora, né” (entrevistado 7).

O FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) foi criado na gestão da diretora anterior e está consolidado com a atual diretora, apesar de, em 2016, ter diminuído a regularidade de suas reuniões. De início, chamava-se Fórum de Articulação e Comunicação Escolar, pois a ideia era que a equipe pedagógica pudesse criar espaços para a comunicação institucional e, formalmente, hoje tem caráter deliberativo e consultivo, compondo a gestão escolar. Na fala do entrevistado 4: “a gente sentiu na verdade que a gente tinha ali uma grande ferramenta de gestão”.

O FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) iniciou suas atividades a partir da execução de vários projetos em paralelo, mas que “tinham que ter uma conversa, eles tinham que ter um apoio, né, e eu acho que um dos principais motivos que eu vejo do surgimento do

FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) foi esse. E daí claro, foi crescendo à medida que foi evoluindo” (entrevistado 7).

A diretora assume a coordenação de cada reunião e algum membro faz a ata durante o seu andamento. Idealmente, as reuniões são semanais, mas muitas acabaram ocorrendo nos finais de semana ou nas férias, dependendo da necessidade e da disponibilidade dos membros.

Basicamente, a principal função do FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) é proporcionar um momento semanal em que as principais demandas da escola são tratadas de maneira compartilhada. Para a equipe pedagógica, o FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) é considerado a principal instância da gestão compartilhada. Nessas reuniões são tomadas decisões sobre “se dá pra fazer, como é que vamos fazer” (entrevistado 6), e são discutidos diferentes cursos de ação, bem como é gerado aprendizado sobre o que ocorreu e as abordagens adotadas: “como podemos melhorar, para que num próximo momento isso aconteça diferente? [...] eu achei ideal, assim, que a gente tem um momento para sentar, para falar sobre a semana da escola e tal” (entrevistado 5). Para o entrevistado 3, é “um dia para fazer a reunião na escola. Falar de todos os assuntos que aconteceram na semana e o que fazer para a próxima semana”. O resultado da reunião do FACE (em formato de ata) sempre é comunicado aos professores, através de e-mail, mural na sala dos professores ou whatsapp. Como o FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) é um momento que gera interface com várias práticas, considero-o como contexto das práticas, o “onde” as práticas se realizam.

A APP (associação de pais e professores) e o FACE (fórum de articulação e coordenação escolar) já estão restaurando sua contribuição para o processo de liderança. Os entrevistados reconhecem a importância dessas instâncias para aumentar a participação dos pais, professores e alunos na gestão e nas decisões da escola.