• Aucun résultat trouvé

Distance infime entre les couches picturales chez Richter

Chapitre II. Le flou comme distance

1. Distance spatiale

1.2 Distance infime entre les couches picturales chez Richter

condições locais, processos e práticas (FAILING et al., 2007).

O conhecimento agroecológico tem como princípio que os atores envolvidos no processo possuem um acúmulo de conhecimentos histórico e culturais. Na interface entre esses atores, são fortalecidos os discursos em prol de determinados projetos ou práticas sociais, que são incorporados como elementos fundamentais para a estratégia do desenvolvimento rural. (COTRIM, 2013).

2.1.1 Abordagem conceitual e contextual da Coprodução de Conhecimento

O termo coprodução foi originalmente cunhado no final dos anos 1970 por Elinor Ostrom e colegas da Universidade de Indiana, em Blooming, USA, para explicar por que as taxas de criminalidade de um bairro haviam aumentado em Chicago quando os policiais da cidade retiraram-se da batida em carros (OSTROM, 1996). Ostrom observou que desta forma a polícia de Chicago, tornando-se independente das pessoas, acabou perdendo a fonte essencial de informações e cada vez mais difícil para fazer seu trabalho de forma eficaz. Foi o entendimento informal, entre as comunidades locais e os policiais, que ajudou a manter os níveis de criminalidade baixos. Em suma, a polícia precisava da comunidade, tanto quanto a comunidade precisava da polícia (OSTROM, 1996).

No processo de coprodução, os insumos utilizados para produzir um bem ou serviço são contribuídos por indivíduos que não estão dentro da mesma organização. A coprodução implica também na produção pública de um bem ou serviço, na qual o cidadão pode desempenhar um papel ativo no processo (OSTROM, 1996).

Um dos maiores desafios da coprodução de conhecimento transdisciplinar é a integração de saberes. Neste contexto, a integração

tem como objetivo produzir entendimento compartilhado de um problema, bem como suas causas e soluções, mas a integração sendo fraca também pode encontrar através de uma linguagem comum ou mutuamente compreensível para que o problema de objeto de fronteira possa ser discutido (POHL et al., 2010). O objetivo chave da integração é conseguir uma forma mais abrangente ou equilibrada e uma compreensão relevante de um problema do mundo real e suas potenciais soluções (SARKKI et al., 2013).

A coprodução geralmente se refere a um processo de geração de conhecimento colaborativo e dinâmico que mais totalmente fundamenta o entendimento científico em um contexto social, cultural e político. Ela tem a intenção explícita de criar conhecimento utilizável que influencia a tomada de decisão (MITCHELL et al., 2006).

O significado de coprodução do conhecimento é vagamente utilizado pelos especialistas para descrever uma abordagem inclusiva, interativa para criar novas informações. A coprodução do conhecimento é um processo interdependente entre ciência e política e que simultaneamente se produz conhecimento e gera ordem social. A coprodução é distinta por ter seu foco para facilitar interações entre as partes interessadas em desenvolver um entendimento integrado ou de transformação de um problema de sustentabilidade (POHL, 2008; LANG et al., 2012).

A investigação científica gera conhecimento para alimentar debates sobre a criação de regras institucionais, transformar a sociedade através da criação de novos significados e representações do mundo político e social que, por sua vez, geram identidade e legitimidade da atividade científica (LUKS e SIEBENHÜNER, 2007).

A coprodução de conhecimento é uma abordagem de pesquisa que visa à resolução de problemas da vida real. O conhecimento é coproduzido através da combinação de perspectivas científicas com outros tipos de perspectivas relevantes e experiência da prática do mundo real, incluindo a formulação de políticas, administração, negócios e vida comunitária. Coprodução ocorre através de praticantes e investigadores que participam em todo o processo de produção de conhecimento, incluindo a formulação conjunta de problemas,

geração de conhecimento, a aplicação em ambos os contextos do mundo científico e real, e controle de qualidade mútuo de rigor científico, robustez social e eficácia (POLK, 2015, p.111).

As plataformas de investigações internacionais, que lidam com as preocupações relacionadas com as alterações climáticas, estão a mudar para coprodução de conhecimentos inter e transdisciplinares. O desenvolvimento compatível com o clima pode ser descrito como uma ciência social e ecológica com muitas dimensões difíceis de resolver e complexas que surgem na interface do ambiente e das relações da sociedade e práticas sociais. O envolvimento, na produção de conhecimento inter e transdisciplinar, requer novas formas de relacionamento, pensamento e ação (MAUSER, 2013).

Schuttenberg e Guth (2015) enfatizam que se um processo de coprodução é bem sucedido, em integrar ciência e política, depende de uma série de capacidades e competências que devem ser entendidas como capacidades produtivas. Para as autoras, são três fontes de capacidades produtivas. A primeira é o indivíduo, com suas habilidades e vontade de apoiar o processo de coprodução. A segunda fonte é o contexto do sistema socioecológico, que tem sido descrito como um ambiente propício para o desenvolvimento das capacidades. A terceira fonte é o processo de coprodução de conhecimento. O conhecimento disponível na produção coletiva, para ser influente na tomada de decisão, deve ser percebido como relevante, legítimo e confiável por parte da equipe transdisciplinar (CASH et al., 2003; MITCHELL at al.,2006). Para apoiar a integração de conhecimento em projetos da investigação transdisciplinar, Polk (2015, p.114) identificou cinco áreas focais que são fundamentais para o processo de coprodução. As áreas focais são caracterizadas da seguinte forma:

1. Inclusão - Diferentes grupos de partes interessadas na prática e na pesquisa têm direito a todo o processo de produção de conhecimento. 2. Colaboração - Os processos e modalidades de participação, bem como a qualidade e o grau do resultado na participação de contribuições em profundidade de prática e pesquisa.

3. Integração - A assimilação, combinação e síntese de ambas, baseadas em práticas e perspectivas científicas, valores, conhecimento e experiência de forma adequada para capturar a complexidade do problema e as questões a serem abordadas.

4. Usabilidade - Avaliação e reflexão sobre a robustez social e capacidade transformadora de produtos e resultados que ocorrem durante todo o processo de pesquisa.

5. Reflexividade - A abordagem do projeto inclui em curso escrutínio das escolhas que são feitas ao identificar e integrar diversos valores, prioridades, visões de mundo, experiência e conhecimento da prática e da ciência no processo da pesquisa. Polk (2015) enfatiza que essas cinco áreas focais são relevantes para a avaliação de projetos transdisciplinares, pois possibilita a capacidade dos participantes de refletir sobre os conhecimentos necessários para promover a criação de resultados úteis no processo da coprodução.

Guivant (2000) corrobora com a importância de uma das áreas focais, quando enfatiza que as características da reflexividade, assim como as perspectivas de sua transformação, são temas ainda a serem aprofundados nas pesquisas empíricas. Rosendahl et al., (2015) salientam, também, que um dos fatores relevantes é a reflexividade que representa um príncípio importante, mas insuficiente para garantir níveis apropriados de autorreflexão dentro de um processo de coprodução de conhecimento. Lang et al. (2012) ressaltam que a reflexividade tem um papel fundamental para a integração do processo científico de coprodução do conhecimento, para buscar a solução de problemas societais e, concorrentemente, de problemas científicos correlatos, através da diferenciação e integração de vários conhecimentos científicos. A reflexividade possui, na verdade, um caráter em grande medida coletivo, sem prejuízo de seus aspectos individuais (DOMINGUES, 2002, p. 45). Outro fator é a comunicação, que é fundamental para o conhecimento transdisciplinar, pois ela não existe na ausência de diálogo. Sem este diálogo não há transmissão, revisão, gestão, ou expansão, porque ele é inerentemente reflexivo. Se não for compartilhado, qualquer conhecimento será estéril e será condenado ao esquecimento (SERNA, 2015).

Uma das características da coprodução de conhecimento é a colaboração de vários atores da academia e sociedade. Zierhofer e Burger (2007) enfatizam a importância dos projetos transdisciplinares para a produção de conhecimento coletivo. Neste contexto, as redes do

conhecimento são necessárias para o desenvolvimento de projetos em colaboração (CREECH E WILLARD, 2001).

2.2 Transdisciplinaridade: conceito, panorama e distinções