Nesta altura começam a surgir manuais de outros autores, entre os quais os de Maria Helena Côncio.
Figura 19 – Manuais do 1º ano complementar de Maria Helena Côncio que abordam o conceito elemento químico, publicados a partir de 1975, (Sousa, 1975), (Sousa, 1977)
Para o curso complementar surgem seis manuais, em que dois dos três que se destinam ao 4º ano (1º ano do curso complementar) abordam o conceito elemento químico. No primeiro “Parágrafo” do manual, «Da teoria Atómica de Dalton à classificação Periódica de Mendeleev», a autora aborda as teorias atómicas desde Demócrito até Dalton, referindo Aristóteles como o grande opositor ao atomismo que dominou o pensamento durante toda a idade média. Depois refere o ressurgir de uma estrutura atómica da matéria devido às terminologias utilizadas nos trabalhos desenvolvidos por Boyle e Newton, e finalmente Dalton com quem a teoria atómica adquire foros de uma teoria científica, e que lhe confere o título de pai da teoria atómica. Dalton formulou vários postulados que serviram de base à sua teoria, e na verificação dos mesmos utilizou uma escrita simplificada para representar os diferentes elementos e compostos. Os símbolos utilizados por Dalton deram origem à terminologia química utilizada atualmente para representar os símbolos dos elementos e as fórmulas das substâncias. Finalmente, o último capítulo sobre «A classificação periódica dos elementos», aborda as primeiras tentativas de classificação dos elementos.
119 A autora refere que:
«As primeiras tentativas para organizar os conhecimentos que formam o corpo da Química foram feitas por Lavoisier, no seu “Traité Élementaire de Chimie” 196, publicado em 1790. Nele aparecem enumeradas as substâncias que considerava simples, por não se decomporem por nenhum processo de análise; neste conjunto de substâncias simples, Lavoisier organiza grupos de substâncias que apresentam comportamento químico semelhante.»
Seguidamente apresenta uma página do Tratado Elementar de Química, onde Lavoisier apresenta, em forma de tabela, esses grupos. (ver anexo 10 na página nº 162)
Depois explica a teoria que surge em 1817 com químico alemão Dobereiner, que desenvolve a «Lei das tríadas», que não resistiu à investigação que lhe seguiu, mas que foi considerada como o ponto de partida para a classificação periódica:
«em cada tríada a massa atómica de um dos elementos é aproximadamente igual à média aritmética das massas atómicas dos outros dois elementos.»197.
Mas a importância desta observação não reside neste cálculo mas no fato de estes elementos apresentarem um comportamento químico semelhante e este se relacionar, de algum modo, com os valores das respetivas massas atómicas.
São então referidas outras tentativas para relacionar as propriedades dos elementos com as massas atómicas, entre as quais as de Chancourtois, em França em 1862, e a de Newlands, em Inglaterra no ano seguinte. Prossegue com os trabalhos desenvolvidos por Lothar Meyer, em 1864 na Alemanha, e explora a classificação periódica dos elementos, apresentada em 1869 por Mendeleev, referindo que esta classificação periódica tinha como base a tabela das massas atómicas, dado que a teoria atómica de então só postulava a existência de átomos como unidades estruturais da matéria como defendia que não existiam outras informações acerca desses átomos. Por volta de 1900, os postulados de Dalton sobre os átomos sofrem profunda alteração. Descobrem-se os eletrões, o átomo mostra ter uma parte central designada por núcleo e Moseley, no decorrer dos seus trabalhos verifica que o núcleo de cada
196 Ilustração do original Tratado Elementar de Química (ver anexo 10 A na página nº 180 ). 197
A massa atómica do estrôncio (88) é aproximadamente a semi-soma das massas atómicas do cálcio (40) e do bário (137); a massa atómica do bromo (80) é aproximadamente igual à semi-soma das massas atómicas do cloro (35) e do iodo (127); a massa atómica do sódio (23) é igual à semi-soma das massas atómicas do lítio (7) e do potássio (39).
120 elemento tem uma carga positiva característica, que difere de elemento para elemento. O autor considera a carga do hidrogénio unitária e mostra que todos os outros núcleos se podem exprimir através de um número inteiro, que designa por número atómico. Verifica ainda que este coincide com o número de ordem do elemento na Tabela Periódica. Com esta modificação na lei periódica fica estabelecido que as propriedades dos elementos são funções periódicas do número atómico, desaparecendo assim todas as exceções e anomalias assinaladas anteriormente. A autora finaliza o capítulo desta forma:
«A Tabela Periódica organiza-se de forma definitiva, vindo a sofrer apenas na apresentação, a fim de tornar mais evidente a relação entre as propriedades dos elementos e a constituição electrónica dos seus átomos.»
O segundo volume, Estrutura Atómica e Tabela Periódica incide, tal como o título indica, sobre um estudo aprofundado sobre os átomos dos elementos, e da sua organização na tabela periódica.
A autora desenvolve a classificação periódica, estabelecida sobre bases experimentais, aclarando as diversas correlações existentes entre as variações das configurações eletrónicas dos átomos dos elementos e a sua posição na Tabela Periódica.
Inicia o manual com o estudo da constituição e estrutura do átomo, explica o seu caráter neutro e desenvolve o conceito de isótopo, clarificando os conceitos de átomo e elemento, recorrendo a vários exemplos. A periodicidade nas propriedades químicas dos elementos é apresentada através de um estudo experimental dessas mesmas propriedades, pelo que a autora faz acompanhar este volume de um anexo constituído por fichas de experiências com instruções de procedimento e espaço para registos, semelhante ao “Caderno de Atividades” utilizado atualmente.
Os restantes manuais, também acompanhados de anexos idênticos, dirigem-se ao ensino dos anos subsequentes mas não especificam ao ano a que se destinam. Na generalidade, incidem sobre o estudo da ligação química, das reações químicas, da química do carbono e não exploram o conceito de elemento.
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