Para Biembengut (1999, p. 36) a implementação da Modelagem Matemática no ensino é um caminho para despertar o interesse por conteúdos matemáticos que ainda são desconhecidos para o aluno. No processo com a Modelagem é dada ao aluno a oportunidade de estudar problemas matemáticos por meio da pesquisa, desenvolvendo seu interesse e aguçando seu senso crítico. BASSANEZI (1990) afirma que trabalhar com modelagem matemática no ensino não é apenas uma forma de ampliar o conhecimento matemático, mas sobretudo de se estruturar a maneira de pensar e agir.
Em nosso entendimento, compreendemos que os autores se posicionam mostrando aspectos positivos para a utilização da Modelagem no ensino. Percebemos que a Modelagem vai muito além, pois se direciona para uma abordagem transdisciplinar, ou seja, os conteúdos surgirão naturalmente de forma que eles ainda podem ser conectados a outros conhecimentos que podem ser vistos de uma forma crítica e construtiva.
Essa proposta ganha força no momento que isso acontece, porque ao iniciar a pesquisa, o estudante terá de obter todas as informações possíveis sobre o tema, seja por meio da Geografia, da Física, da Biologia etc. O importante é que, para iniciar o trabalho com a Modelagem, é necessário que as informações estejam interagindo com a Matemática num processo de contextualização.
Em nossa visão, entendemos que através do uso da Modelagem, estamos diante de uma maneira diferenciada de ensinar, em que procuramos interagir a Matemática com as outras disciplinas.
Através da contextualização o aluno pode fazer observações de como aplicar a Matemática, que é um dos pontos positivos desta técnica. Para Tufano (2001, p. 41), “a contextualização é um ato muito particular e delicado. Cada autor, escritor, pesquisador ou professor contextualiza de acordo com suas origens, com suas raízes, com o seu modo de ver e enxergar as coisas com muita prudência, sem exagerar”.
Ainda se tratando de contextualização, Silva e Santo (2004, p. 3) afirmam que:
Contextualizar é situar um fato dentro de uma teia de relações possíveis em que se encontram os elementos constituintes da própria relação considerada. Assim, dependendo do enfoque que o professor dá ao processo ensino-aprendizagem dos alunos, vai ocorrer um maior ou um menor aproveitamento.
A contextualização pode ser atingida quando é feita e trabalhada dentro do nível de entendimento do aluno. Contextualizar um tema para alunos da 4ª série do ensino fundamental, não é a mesma coisa que contextualizar para alunos da 1ª série do ensino médio. Ou seja, os níveis de entendimento de cada aluno de acordo com o seu grau de amadurecimento de idéias são bem diferentes.
Do ponto de vista da contextualização, Meyer (1998) diz que o trabalho educacional com Modelagem Matemática leva a uma prática de Matemática atual, contextual, subjetiva e aproximada, de um saber que leva a conclusões que se expressam de modo objetivo, crítico, confiável e extremamente útil.
O que chamamos de Modelagem propicia a retomada de conceitos estudados anteriormente e/ou oportunidades para o professor intervir e sistematizar novos conceitos. Além disto, oferece subsídios para questionar a própria Matemática e seu papel (BORBA; MENEGHETTI; HERMINI, 1997). A par disto, propomos a noção de Modelagem como “ambiente de aprendizagem”. Trata-se de um ambiente (que cerca, envolve) que estimula os alunos a desenvolverem explorações e investigações matemáticas (SKOVSMOSE, 2000).
Dando ênfase ainda sobre o tema Modelagem, Barbosa (2001a, p. 4) menciona em sua fala.
Creio que as atividades de modelagem podem contribuir para desafiar a ideologia da certeza e colocar lentes críticas sobre as aplicações da Matemática. Discussões na sala de aula podem agendar questões como as seguintes: O que representam? Quais os pressupostos assumidos? Quem as realizou? A quem servem? Com essa perspectiva, percebo que a Modelagem pode potencializar a intervenção das pessoas nos debates e nas tomadas de decisões sociais que envolvem aplicações da Matemática, o que parece ser uma contribuição para alargar as possibilidades de construção e consolidação de sociedades democráticas.
Acreditamos que será de suma importância trabalhar a pesquisa sobre Modelagem, com uma diversidade de atividades que irão tratar dos temas que envolvem a sociedade e que serão aplicados em sala de aula através dos conteúdos matemáticos, dentro de uma visão real do aluno, como uma forma de análise e interação entre professor-aluno, a partir das discussões pensadas e refletidas sobre o tema que será investigado.
Com base nas concepções de vários pesquisadores da Modelagem, percebemos que cada pesquisador tem sua concepção sobre a Modelagem. Para alguns ela é vista como uma estratégia, para outros é uma metodologia, uma alternativa ou até mesmo, passa a ser vista como projeto de curta ou longa duração, desenvolvido pelos alunos na sala de aula. Portanto, entendemos que “existem diversas maneiras de conceber e materializar a Modelagem na sala de aula” (BARBOSA, 1999, p. 4).
Para a materialização, ou seja, para a utilização da Modelagem na sala de aula, o autor propõe três maneiras/caminhos para o professor seguir com a proposta de Modelagem em sua sala de aula, os quais ele chama de “casos”. “Os casos não são prescritivos, mas trata-se da idealização de um conjunto de práticas correntes na comunidade” (BARBOSA, 2003, p. 70).
Os “casos” de Barbosa (2003, p. 70) são associados de acordo com as tarefas que competem ao professor e/ou aos alunos desenvolverem dentro do processo de Modelagem, na sala de aula em que desenvolve a proposta.
Os “casos” definidos por Barbosa contribuem como uma forma de direcionar o professor no trabalho com a Modelagem. Sua relevância para as atividades de Modelagem é essencial, sendo que, para a aplicação da Modelagem, é necessário
antes, que o professor tenha o cuidado de saber em qual dos casos ele irá desenvolver sua proposta, para então preparar as suas atividades.
Em todos os casos, a presença do professor é notável, sendo que, em algumas situações, exige-se uma maior responsabilidade do professor no processo. À medida que diminui a tarefa do professor, aumenta a quantidade de tarefa do aluno, transferindo para este mais responsabilidade na resolução do problema.
Em relação às vantagens que a Modelagem pode trazer para o ensino- aprendizagem e sua aplicação na sala de aula, já existem inúmeros trabalhos e pesquisas publicados sobre esta tendência, mas, ainda há muito que ser investigado. O campo está crescendo e observamos em eventos, mini-cursos, pesquisas realizadas e publicadas e materiais didáticos, que os professores estão realmente interessados em saber o que de fato é Modelagem Matemática.
Com isso, surge então, a adoção da Modelagem, como método de ensino da Matemática, a partir de 1992, com Burak. Para que isso se concretize em nossas escolas Barbosa (1999, p. 80) acrescenta que:
[...] É preciso que o professor tenha disposição para adquirir conhecimentos interdisciplinares e multidisciplinares, e um espírito inovador, aumentando sua iniciativa para a pesquisa e dê flexibilidade perante os obstáculos.
2.4 ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS