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3.1 SYNTHESE BIBLIOGRAPHIQUE

3.1.2 Le blé

3.1.2.3 Production et importance du blé

O presente capítulo se destina a traçar o caminho metodológico adotado neste estudo, para tanto, este capítulo está dividido em quatro partes. A primeira versa sobre a Teoria das Representações Sociais, marco teórico-analítico desta pesquisa. A segunda trata das entrevistas semiestruturadas. Na sequência, como fonte de inspiração para análise dos dados, foi utilizada a Teoria Fundamentada nos Dados. Por fim, na quarta parte se expôs os primeiros passos no campo.

4.1 A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

A presente pesquisa tem na Teoria das Representações Sociais um marco teórico-analítico, diante disso, é relevante traçar as linhas gerais que fundamentam a referida teoria.

A Teoria das Representações Sociais, oriunda da sociologia de Durkheim, se desenvolveu com Serge Moscovici, na psicologia social, inicialmente, por meio da sua obra publicada na França, em 1961, intitulada La Psychanalyse, son image, son

public. Contudo, só nos anos 80 a teoria veio a ganhar força, influenciada pelos

novos movimentos sociais e por novos conceitos, como o conceito de gênero, tendo a teoria se aprofundado com Denise Jodelet, seguidora de Moscovici (ARRUDA, 2002).

Conforme Moscovici (2007, p. 40), "Todas as interações humanas, surjam elas entre duas pessoas ou entre dois grupos, pressupõem representações". Isso significa dizer que representações para existir necessitam da interação entre mais de uma pessoa, pois as representações não podem ser criadas por um único individuo. Deste modo, toda nossa existência em sociedade é marcada por representações sociais, sendo que a comunicação tem um papel fundamental nesse processo de interação.

Todos nós (indivíduos e coletividade) estamos cercados por ideias, palavras e imagens que ficam impregnadas em nosso ser independente da nossa vontade. Neste sentido, as representações têm a função de estabelecer determinado padrão de comportamento nas pessoas, objetos ou acontecimentos, possibilitando a decodificação ou compreensão (MOSCOVICI, 2007).

Segundo Cappi (2014), a representação enfatiza a possibilidade de compreensão do ponto de vista e das significações construídas pelos atores sociais, sobre determinado fenômeno em um dado contexto.

Jovchelovitch (2008, p. 87) discorre sobre a teoria das representações sociais declarando que:

As representações sociais se referem tanto a uma teoria como a um fenômeno. Elas são uma teoria que oferece um conjunto de conceitos articulados que buscam explicar como os saberes sociais são produzidos e transformados em processos de comunicação e interação social. Elas são um fenômeno que se refere a um conjunto de regularidades empíricas compreende as ideais, os valores e práticas de comunidades humanas sobre objetos sociais específicos, bem como sobre os processos sociais e comunicativos que os produzem e reproduzem (JOVCHELOVITCH, 2008, p. 87).

Além da função de estabelecer determinado padrão de comportamento nas pessoas, objetos ou acontecimentos, possibilitando a decodificação ou compreensão, as representações são prescritivas, ou seja, se impõem ao sujeito com força irresistível por meio da tradição, da cultura, dos costumes. As representações são partilhadas por indivíduos e grupos e influenciam o pensamento e as ações das pessoas, sendo pertinente frisar que "[...] o que é invisível é inevitavelmente mais difícil de superar do que o que é visível" (MOSCOVICI, 2007, p. 40).

A despeito das funções das representações já referidas, isso não significa que o indivíduo não tenha qualquer influência, que tudo já esteja definido, pronto e acabado. Ao contrário, o indivíduo e os grupos podem reproduzir e ressignificar as representações a qualquer tempo e em todo o tempo.

O que estamos sugerindo, pois, é que pessoas e grupos, longe de serem receptores passivos, pensam por si mesmos, produzem e comunicam incessantemente suas próprias e específicas representações e soluções às questões que eles mesmos colocam. Nas ruas, bares, escritórios, hospitais, laboratórios, etc. as pessoas analisam, comentam, formulam “filosofias” espontâneas, não oficiais, que têm um impacto decisivo em suas relações sociais, em suas escolhas, na maneira como eles educam seus filhos, como planejam seu futuro, etc. Os acontecimentos, as ciências e as ideologias apenas lhes fornecem o “alimento para o pensamento” (MOSCOVICI, 2007, p. 44 e 45).

Assim, as representações sociais para Moscovici (2007, p. 46), enquanto teoria pôde ser definida como "[...] uma maneira especifica de compreender e comunicar o que nós já sabemos. [...] têm como seu objetivo abstrair sentido do mundo e

introduzir nele ordem e percepções, que reproduzam o mundo de uma forma significativa [...]".

A responsável por ter aprofundado a Teoria das Representações Sociais, Jodelet (1993), deu à teoria a seguinte definição:

[...] as representações sociais são fenômenos complexos sempre ativos e agindo na vida social. Em sua riqueza fenomênica assinalam-se elementos diversos, os quais são às vezes estudados de maneira isolada: elementos informativos, cognitivos, ideológicos, normativos, crenças, valores, atitudes, opiniões, imagens, etc. Mas esses elementos são sempre organizados como uma espécie de saber que diz alguma coisa sobre o estado da realidade. E é esta totalidade significante que, relacionada à ação, encontra- se no centro da investigação científica. Esta assume a tarefa de descrevê- la, analisá-la, explicar suas dimensões, formas, processos e funcionamento (JODELET, 1993, p. 4).

Representação social é também definida como saber do senso comum que tem a mesma legitimidade do saber científico, ou seja, não é inferior ao saber científico, é um saber diferente do científico, mas igualmente válido, visto que por meio dele é possível compreender os processos cognitivos e as interações sociais (JODELET, 1993).

Nas representações sociais, importa saber como as experiências, as práticas, o padrão de conduta e de pensamento internalizados socialmente e transmitidos por meio da comunicação, se constituem individual e coletivamente (JODELET, 1993).

Reconhece-se, geralmente, que as representações sociais, como sistemas de interpretação, que regem nossa relação com o mundo e com os outros, orientando e organizando as condutas e as comunicações sociais. Igualmente intervêm em processos tão variados quanto à difusão e a assimilação dos conhecimentos, no desenvolvimento individual e coletivo, na definição das identidades pessoais e sociais, na expressão dos grupos e nas transformações sociais (JODELET, 1993, p. 5).

Para haver representação social é preciso que exista uma relação do sujeito para com um objeto. Não há representação sem objeto. "[...] A representação é, pois, a representante mental do objeto que reconstitui simbolicamente. De outro lado, como conteúdo concreto do ato de pensar, a representação carrega a marca do sujeito e de sua atividade." Nota-se que a representação social pressupõe um processo de construção, reconstrução, criação e interpretação de uma dada realidade. Trata-se de um saber prático (JODELET, 1993, p. 5).

Na compreensão da representação social o sujeito é percebido como pertencente e integrante de um determinado contexto social e cultural. Desta forma, tanto os sujeitos, com suas bagagens, quanto o objeto, com suas características, incidirão na representação social (JODELET, 1993).

Estudar as representações sociais da violência contra as mulheres e do atendimento delas pelos policiais militares, significa trazer os policiais militares como sujeitos, tendo por objeto, a violência contra as mulheres e o atendimento às mesmas, buscando, pois, compreender as maneiras de entender os processos e procedimentos, o contexto e todas as implicações que resultam dessa relação.

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