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PARTIE E : Mise en pratique : Prise en charge non médicamenteuse, Programme d’éducation thérapeutique

5. Education thérapeutique

5.3. Focus sur la conception et la mise en place du programme HArPE

Anos mais tarde, em 1967, o povo palestino sofreria novo baque. Havia mudanças em determinados cenários políticos no mundo árabe, como as alianças entre liberais educados que voltavam do exílio, juntando-se a “oficiais do novo exército regular” e ascendendo ao poder no Iêmen do Norte, formando a República Árabe do Iêmen; distinguiam-se, assim, do Iêmen do Sul, recém restabelecido após a retirada do protetorado britânico, o que fez emergir a República Popular do Iêmen (HOURANI, 1994, p. 412). O Egito havia sido solicitado a apoiar com a força militar no Iêmen do Norte e enviou apoio (Ibidem). A dinâmica da política de ‘Abd al-Nasser e o seu histórico como “figura simbólica do nacionalismo árabe” herdada desde a guerra do canal de Suez em 1956 (Ibidem, p. 414) elevaram-no à espécie de “defensor dos árabes” na região, diante de um problema incontornável: as relações com Israel, o que incluía a questão da Palestina (HOURANI, 1994, p. 412).

40 A Síria havia caído “nas mãos de um grupo ba’thista que achava que só através da revolução social e do confronto direto com Israel se podia resolver o problema da Palestina e criar uma nova nação árabe” (HOURANI, 1994, p. 413). “Desde 1948, os próprios palestinos não tinham podido desempenhar um papel independente nas discussões sobre seu destino” (Ibidem). A criação da Organização para Libertação da Palestina (OLP) em 1964, foi a “solução” encontrada pela Liga Árabe para ser, à parte da própria Liga, o organismo para representar os interesses dos palestinos; mas, ao mesmo tempo, estava “sob controle egípcio e as forças armadas a ela ligadas faziam parte dos exércitos do Egito, Síria, Jordânia e Iraque” (Ibidem). O maior expoente da OLP, o próprio Yasser Arafat, era natural do Cairo, não um palestino.

Entre os palestinos exilados e educados no Cairo e em Beirute em fins da década de 1950, emergiram dos grupos nacionalistas árabes pró-nasseristas, especialmente em Beirute, uma geração reagente aos interesses árabes que não eram os mesmos dos palestinos (Ibidem). O Fatah e grupos menores são dessa safra que “aos poucos passaram para uma análise marxista da sociedade e da ação social” e, consequentemente, o consenso decorrente daí dizia que “o caminho para a recuperação da Palestina estava numa revolução fundamental nos países árabes” (HOURANI, 1994, p. 413).

As primeiras “ações diretas” desses grupos contra Israel começaram em 1965, e não passaram sem retaliações, “não contra o Ba’th sírio, que apoiava os palestinos, mas contra a Jordânia” (Ibidem). Os árabes agora eram minoria entre a população de Israel, que em 1967 contava cerca de 2,3 milhões sendo que 13% eram árabes (Ibidem). Mais que com habitantes, Israel se fortalecia economicamente com o apoio dos Estados Unidos, com o envio de contribuições de judeus do mundo todo e de recursos vindos da Alemanha em caráter de reparação. Militarmente, Israel também se fortalecia e sabia-se mais preparado que os países vizinhos, ou por uma questão de segurança frente à hostilidade na região ou por alimentar “a esperança de conquistar o resto da Palestina e terminar a guerra inacabada de 1948” (Ibidem).

Esses cenários convergiram em 1967, quando ‘Abd al-Nasser solicitou à ONU a retirada de suas forças da fronteira com Israel, estacionadas desde a “guerra do canal”, e fechou o golfo para os navios israelenses (HOURANI,

41 1994, p. 414). A tensão cresceu na região levando a Jordânia e a Síria a fazerem acordo com o Egito; mas, a 5 de junho Israel atacou:

[...] e destruiu sua força aérea. E nos poucos dias seguintes os israelenses ocuparam o Sinal até o canal de Suez, Jerusalém e a parte palestina da Jordânia, e parte do sul da Síria (o Jawlan, ou “colinas de Golan”) (HOURANI, 1994, p. 414).

Assim, foi na Guerra de 1967, que durou somente seis dias (de 5 a 10 de junho de 1967, FLINT, 2009, p. 335), que Israel conquistou a Cisjordânia à Jordânia, a Faixa de Gaza e a Península do Sinai (devolvida em 2005 ao Egito) e as colinas de Golã à Síria (KARAN, 2014). Falando da Guerra dos Seis Dias, Walzer esclarece que a situação como vemos hoje é o que se deve esperar:

El resultado [que a guerra e a ocupação provocam] es una “acción recíproca”, una continuada escalada, de cuyo desarrollo nadie es culpable, ni sequiera en el caso de que haya actuado primero, porque en estas circunstancias todo acto puede denominarse, y lo es casi con toda certeza, preventivo [...] No hay duda de que a menudo las guerra se convierten em una espiral violenta51 (WALZER, 2001, p. 54).

Segundo Hourani,52 tais perdas de terras por parte dos palestinos fortaleceu o seu “senso de identidade” e os levou a trabalhar em prol de uma “existência nacional separada e independente” (HOURANI, 1994, p. 415) que iria desembocar nos atuais quadros como trata esta pesquisa. Do lado de Israel, a administração das terras tem sido tratada como conquista legítima

51 “O resultado [que a guerra e a ocupação provocam] é uma “ação recíproca”, uma escalada continuada, de cujo desenvolvimento ninguém é culpado, nem sequer é o caso de que agiu primeiro, porque, porque nestas circunstâncias qualquer ato pode ser chamado, e quase certamente é, preventivo [...] não há dúvida de que a guerra muitas vezes se tornam em uma espiral violenta” (trad. livre).

52 Albert Hourani (1915-1993) nasceu em Manchester (Inglaterra), de pais libaneses. Formou-se em Oxford, ali lecionou de 1948 a 1979. Foi professor visitante nas Universidades de Chicago, Harvard e na American University em Beirute, e dirigiu o Middle East Centre, em Oxford.

42 (Ibidem; KAPELIOUK, 1972). No que toca a este trabalho, Israel mantém os territórios ocupados na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, “o que “hoje representa quase 80% do território da Palestina histórica sob controle e administração israelense” (KARAN, 2014). A reivindicação palestina “para constituir seu Estado soberano nada mais é do que 20% das terras originais do mandato britânico, um valor bem menor do que os 43% do plano de partilha de 1947” (KARAN, 2014)53 e parte da luta de resistência e motivo dos conflitos na região.54 “Foi o projeto sionista que levou ao surgimento dos movimentos de resistência palestina, tanto nacionalistas quanto muçulmanos” (ABU-RABI, 2011, p. 119).

Este é o cenário considerado nesta pesquisa. Ao fazer perguntas mais adiante não arbitrarei sobre a legitimidade ou não da violência no conflito. A questão colocada é outra e precisa considerar o fundo histórico. Penso ter pontuado a situação e, assim, partirei para um recorte mais aproximado.