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Représentation interne du programme

3.3 Flot de contrôle

Fonte: Desenvolvido pelo pesquisador.

42,7%

32,0% 25,3%

Que ano você esta cursando?

1º Ano - ensino médio 2º Ano - ensino médio 3º Ano - ensino médio

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ANEXO 18 - Algumas digressões do pesquisador durante a execução da pesquisa

Inicialmente, pensei que esta pesquisa seria efetuada de maneira presencial – ou seja, enquanto pesquisador, teria a possibilidade de realizar trocas de experiências junto aos adolescentes. Isso, na minha opinião, seria muito bom para o processo de construção do texto de dissertação – pois, a partir das análises que seriam feitas durante o convívio com estes adolescentes, eu poderia sentir e perceber suas reações. Quis o destino ou não que este formato não acontecesse, principalmente por questões burocráticas, ligadas a autorizações que deveriam partir das prefeituras, através das secretarias municipais de educação dos municípios inicialmente selecionados para o estudo. Esse fato não prejudicou, na minha opinião, o desenvolvimento da pesquisa, apenas exigiu um replanejamento, uma nova estratégia – nenhuma novidade para quem constituiu sua trajetória a partir da militância e, por conta disso, precisou mudar de estratégia diversas vezes durante a execução de projetos ou negociação de propostas junto a comunidades quilombolas, empresas, artistas, e órgãos governamentais. Não quero, com isso, dizer que foi fácil; apenas não foi incomum.

Contudo o piloto, ou seja, o teste do instrumento precisaria ser feito de maneira presencial, até porque, enquanto pesquisador, precisava ter a certeza de que o que estava propondo aos adolescentes seria entendido por eles sem criar ruídos que prejudicariam o estudo e a observação dos mesmos durante o preenchimento do questionário nos permitiria ver em que questões surgiriam dúvidas, quais demorariam mais para responder, e também estimar o tempo médio de preenchimento Assim, decidi procurar escolas da rede pública que conhecia, na tentativa de obter autorização para aplicar um teste. Graças à compreensão da relevância do estudo por parte de uma dirigente, consegui aplicar o teste com 5 adolescentes: 2 brancos, 2 pretos e 1 pardo, todos matriculados no mesmo ano escolar. Para minha surpresa, não tivemos grandes problemas quanto ao entendimento referente às questões propostas no questionário – alguns ajustes aqui, outros ali, e o instrumento estava aprovado por eles.

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Contudo, o que me chamou a atenção durante o período de aplicação do teste – e que possivelmente gerará desdobramentos futuros para outros estudos e/ou discussões – refere-se ao posicionamento dos estudantes durante a realização do mesmo. Percebi que os estudantes brancos responderam o teste de maneira muito rápida: eram cerca de 23 questões (na ocasião do teste), e eles responderam utilizando cerca de 15 minutos. É importante dizer que os testes foram aplicados de maneira individual, para que as dúvidas geradas por um adolescente não influenciassem o outro (esta foi uma estratégia que utilizei na tentativa de maximizar o aprimoramento do instrumento). O estudante pardo demorou um pouco mais – cerca de 22 minutos, e os estudantes pretos responderam utilizando por volta de 35 minutos. Isso me deixou intrigado. Essa diferença no tempo de preenchimento poderia se relacionar de alguma forma com a questão racial? E, se sim, em que medida? Qual seria a razão? Quando fui buscar nas minhas anotações – sim, eu anotei tudo o que estava acontecendo, desde os gestos feitos pelos adolescentes durante o preenchimento, passando pelas expressões, até os questionamentos – percebi que, para os estudantes brancos, falar sobre sua cor, sua relação com a constituição de identidade a partir deste quesito, não se configurava como uma questão conflitiva. Simplesmente marcavam a resposta, sem muita reflexão sobre a questão, porque aquela temática os afetava de forma diferente – ou seja, eles não sofriam com o fato de que responder algo assumindo sua identidade racial poderia lhes causar algum tipo de constrangimento ou desconforto. No outro extremo, estavam os estudantes negros – e aqui incluo o estudante pardo, porque, embora ele tenha levado menos tempo que os pretos, gastou mais tempo que os brancos. Pois bem, eu percebi, analisando as reações e as gesticulações dos estudantes negros, um certo sofrimento ou constrangimento em estar naquele local falando sobre sua cor. Para eles, tratava-se de uma questão causadora de angustia, sofrimento, talvez revolta – não posso, neste momento, definir com precisão o que gerou naqueles adolescentes o desconforto. Porém posso dizer que se relaciona ao fato de que ainda há um enorme caminho a ser percorrido para compreender como as questões raciais tocam de forma diferente negros e brancos; e mais, como a postura adotada pela sociedade brasileira alimenta esta questão. Recentemente, lendo o livro de

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Lázaro Ramos, “Na minha pele”, observei que ele faz uma reflexão sobre essa questão – de como a branquitude não se dá conta de que a temática racial não é uma “questão” para os brancos. O que me fez novamente refletir sobre o episódio na escola.

Outra situação que me chamou atenção aconteceu com uma adolescente que, pela quantidade de melanina e pelos traços físicos, “eu” não teria dúvida em classificá-la como preta – porém é importante dizer que não é esse o meu papel. No Brasil, o critério utilizado para classificação de cor é a autodeclaração. Entretanto estou dizendo isso apenas para deixar evidente meu estranhamento quando ela me perguntou: “não sei o que colocar aqui, eu sou preta? Não sou preta, né?” – referindo-se ao campo em que deveria marcar a raça/cor que considerava ser. Esta é uma questão que de alguma forma tratei no estudo, portanto não tratarei novamente aqui – mas é algo que reforça a questão que disse anteriormente, sobre o sofrimento e a angústia que os adolescentes negros apresentaram durante a realização do teste e que se refletem também em outros espaços.

Estas questões não entraram no texto da dissertação, primeiramente porque estes adolescentes não participaram efetivamente do estudo; sua participação se deu apenas no aprimoramento do instrumento que seria aplicado na sequência. Os dados gerados a partir do preenchimento feito por eles nos formulários foram descartados e não fazem parte dos dados que compõem esta dissertação.

Então por que trago aqui essas digressões? Porque as achei relevantes para futuros estudos, porque acredito que podem auxiliar outras propostas de estudo e porque me deixaram bastante inquieto quanto à relevância de seu teor. Tentarei, em próximas pesquisas, voltar a estas questões, pensando talvez no desenvolvimento de um estudo específico, buscando aporte teórico para debater mais profundamente a questão evidenciada durante a aplicação do questionário piloto.

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