No período de 1814 a 1848 ocorreu a “Restauração”, isto é, retorno das monarquias absolutistas na Europa. Com as diversas guerras causadas pelas revoluções que aconteceram no século XVIII foi realizado, na Europa, o Congresso de Viena, com o objetivo de realizar uma restauração, ou seja, um retorno ao sistema das dinastias, que vigoravam antes da Revolução Francesa, propondo uma era de paz, firmando a Santa Aliança que unia os monarcas europeus com a intenção de impedir as conquistas revolucionárias. Os políticos não conseguiram atingir os seus objetivos por muito tempo, pois com o desenvolvimento da Revolução Industrial houve um fortalecimento das ideias liberais com algumas correntes de oposição, dando início ao movimento da unificação italiana, no qual a Igreja está implicada pela rede de privilégios e pela existência do Estado Pontifício (DICASTÉRIO7..., 1986, p. 12-13).
A Itália dividida em diversas entidades políticas ou reinos aspirava à unidade política nacional, impulsionada por forças liberais e democráticas, em contraste com o conservadorismo político, por regionalismos, pela condição do Estado Pontifício. A região do Piemonte, na Itália, teve grandes transformações no campo político constituído, principalmente, pela unificação nacional e o fim do poder temporal dos Papas. Os estados,
6 Canonização é o termo que a Igreja Católica utiliza para atribuir a santidade para as pessoas que
desempenharam uma obra admirável, ou cuja vida serve de testemunho aos demais católicos. Para considerar alguém santo, uma comissão da Santa Sé, realiza um processo complexo para demonstrar que a pessoa é digna de tal reconhecimento (N.A.).
que estavam divididos, formaram um único organismo político. Predominava o clima de “Restauração”. Surgiram os ideais liberais, movimentos e sociedades, muitas vezes secretos, que foram difundidos e encaminhados a promover mudanças radicais no campo político e social e de inspiração “democrática” – a Carbonería, Liga Estudantil, a “Jovem Itália” e a “Jovem Europa”, de G. Mazzini (DICASTÉRIO..., 1986, p. 16-19).
Como elementos de transformações no campo socioeconômico, a Itália apresentava, no período, um mapa econômico e social muito heterogêneo. O país possui uma estrutura agrícola e artesanal, que continuou até a primeira industrialização. São grandes as diferenças entre as regiões e, sobretudo, entre Norte e Sul. Grande pobreza no campo, nas montanhas e nas cidades (DICASTÉRIO..., 1986, p. 16-19).
O crescimento da população provocou graves efeitos sociopolíticos, a carestia na montanha e no campo; aumento das fábricas nas cidades; aumento da burocracia e do desemprego. A economia capitalista vivenciou transformações tecnológicas aceleradas. Os agricultores e moradores da zona rural se transferiram para a cidade de Turim em busca de trabalho. Este contexto gerou uma grande crise econômica e social na cidade de Turim, favorecendo uma realidade de pobreza e abandono, especialmente dos jovens (DICASTÉRIO..., 1986, p. 102-104).
Apareceram os fenômenos históricos que transformaram a Europa e o mundo. Entre os mais importantes estavam as rápidas mudanças sociais e culturais; a Revolução Industrial; as inspirações de unidade nacional, que brotaram com força na Itália e na Alemanha; a expansão colonial da Europa e o desenvolvimento do imperialismo econômico, político e cultural. Como consequência ocorreu um progressivo e diversificado passo do modelo secular de sociedade para uma sociedade burguesa, baseada na divisão de classes sociais. Surgiu um proletariado industrial que foi tomando consciência das injustiças existentes e, ao mesmo tempo, do próprio peso, graças às forças que emergiram do socialismo (DICASTERIO..., 1986, p. 12-23).
Na vida religiosa foi clara a passagem de um primeiro período de acentuada aliança entre “trono e altar” a uma crescente separação, imposta, em parte, por medidas políticas provocadas pela incapacidade dos homens da época para respeitar as distinções entre a esfera do político e do religioso. A Igreja Católica apresentou sinais evidentes de retomada, de aprofundamento e reforço das próprias estruturas e da própria ação evangelizadora e pastoral.
religiosas masculinas e femininas com finalidades caritativas, assistenciais, educativas e missionárias. Em Genova, como em Turim, e em outras metrópoles, “rigoristas” ou “Jansenistas8” se integraram às correntes liberais: inovadora, reformadora.
O Clero católico aderiu às várias correntes liberais. O movimento anticlericalismo apresentou crescimento ascendente frente a uma Igreja considerada quase um obstáculo ao “Ressurgimento” e, efetivamente, oposta a cada tendência modernista. A posição tradicionalista faz parte da aristocracia e do clero envolvido nas polêmicas políticas. Ao clero “rigorista” foi atribuída uma qualidade “antimodernista”, intransigente, defensora do princípio da autoridade. Nesse contexto, alguns sacerdotes contribuiram com uma renovação na formação do clero e na realização de uma pastoral inspirada em Santo Afonso di Liguori, que se fundamentava nos sacramentos, na prática da piedade, na devoção e no acompanhamento espiritual (VRANCKEN, 2000, p. 21-23).
Ao longo do período de 1800, o interesse pela educação das classes subalternas e pela formação das meninas do povo constituiu-se uma necessidade, devido ao fato de que cabia à mulher assumir a educação dos filhos. O desenvolvimento de ideologias leigas e as convicções políticas, segundo as quais o ressurgimento na Itália envolveu o povo, provocou a Igreja a não perder o controle sobre a educação da juventude, isto é, da mulher de amanhã, e a reforçar a possibilidade de influir na sociedade. Com a urbanização, a menina encontrava-se vulnerável à delinquência, à imoralidade e à desilusão. Muitos agricultores emigraram para a cidade, jovens se tornavam operários, vendedores ambulantes e sofreram com o perigo da prostituição (VRANCKEN, 2000, p. 71-72).
Observamos que o tempo no qual viveu Dom Bosco e Maria Domingas Mazzarello foi marcado por grandes transformações em todos os sentidos, da vida social, econômica e política. Tais transformações causaram momentos de insegurança, incertezas e dificuldades para a vida do povo, especialmente no que diz respeito à parte econômica, e à estruturação de um novo contexto econômico que surgiu com a Revolução Industrial.
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O Jansenismo foi uma doutrina religiosa inspirada nas ideias de um bispo de Ypres, Comelius Otto Jansenius, da igreja católica. Jansenius apresentava um caráter moral e disciplinar na vivência religiosa (N.A.).
1.4 Fundação da sociedade salesiana de São Francisco de Sales e do instituto das