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2.3 Mécanismes possibles des effets protecteurs des antioxydants

2.3.4 Les flavonoïdes

7.4.1. Hipótese 1:

Os movimentos sociais exercem um papel fundamental no agendamento de temas ligados à cidadania na mídia. O Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística demonstra um processo de agendamento sui generis, que parece inaugurar uma tendência de comunicação dos movimentos sociais para a mídia, como sugere a hipótese 1 desta pesquisa. Um dos resultados do projeto, sob ponto de vista de seus organizadores, é justamente a capacitação dos movimentos sociais como fonte jornalística, o que gera uma demanda por outros produtos, como o guia para as organizações sociais lidarem com a imprensa, que está sendo produzido pela ANDI, com previsão de lançamento para maio de 2008. A publicação mostra o outro lado de um trabalho que a ANDI já vinha desenvolvendo com os jornalistas, que recebem o Guia de Fontes, com contatos dos especialistas das organizações sociais sobre o tema em questão.

Os impactos dessa estratégia de agendamento sobre temas ligados à cidadania, no entanto, não se restringem à pressão dos movimentos sociais para que seus temas sejam contemplados na agenda midiática. A metodologia desenvolvida pelo Concurso Tim Lopes e replicada pela Bolsas Avina parece interferir tanto nas rotinas produtivas dos movimentos sociais, que têm que responder à demanda por informações sistematizadas, estatísticas, etc, tanto nas rotinas produtivas dos jornalistas, que consentem com uma forma de “jornalismo assistido”, em que o jornalista conta com um serviço extra-redação de apoio para a apuração, que complementa sua ida a campo. Essa assistência apresenta alguns elementos que o jornalista passa a levar em consideração durante a apuração de sua matéria.

No Concurso Tim Lopes, parte fundamental desse trabalho de atendimento aos jornalistas foi realizado pela consultora do projeto, a socióloga Marlene Vaz, que trabalhou nas três edições do concurso com total disponibilidade para atender telefonemas de repórteres angustiados ou confusos até mesmo de madrugada, conduzir oficinas sobre o tema, responder todas as mensagens eletrônicas encaminhadas por jornalistas e fornecer material técnico de subsídio para quem solicitasse. Na primeira edição do prêmio, com menor número de candidatos, Marlene Vaz chegou a responder pessoalmente a todos os não-vencedores, com uma análise de seus projetos, sugestão de fontes, recomendação de leituras e disponibilização de consultoria a fim de contribuir para que a reportagem fosse desenvolvida mesmo sem a ajuda de custo do projeto, ou que fosse submetida novamente na edição posterior do concurso, como aconteceu, por exemplo, com a reportagem da Gazeta do Povo, apresentada pelo repórter Mauri König, da Gazeta do Povo (PR), sobre a exploração sexual nas regiões de fronteira brasileira.

7.4.2. Hipótese 2:

As matérias produzidas sob influência dos movimentos sociais gerariam uma ampliação dos valores-notícia tradicionais, agregando a indicação de procedimentos, que vem recebendo o nome de valor-serviço ou valor-cidadania.

Sem a perda dos valores-notícia que caracterizam o jornalismo investigativo, as reportagens que resultaram dos projetos vencedores no Concurso Tim Lopes trazem uma forte carga de valores-serviço, observada nas histórias que dão visibilidade a questões individuais com as quais o público pode se identificar; denunciam falhas nas políticas públicas que devem ser monitoradas; adotam uma abordagem pedagógica, que procura esclarecer conceitos, indicar procedimentos, mostrar saídas encontradas por boas práticas, ou divulgam serviços de utilidade pública, como telefones, endereços, websites úteis para que a população saiba onde e quem procurar na busca de soluções para o problema.

7.4.3. Hipótese 3:

As notícias com o valor-cidadania agregado representariam um sobretrabalho, resultante de um esforço extra por parte do jornalista, para além do convencional trabalho de pauta-apuração-redação-edição. Entretanto, assim como a advocacia de temas sociais geram dividendos coletivos, não privados, haveria também uma apropriação pública desse excedente de trabalho (SILVA, 2007, Notas de aula).

Algumas equipes (seis das 16 participantes) foram além da publicação/veiculação das matérias e ofereceram serviços extra-jornalísticos, como denúncias formalizadas ao Ministério Público; entrega de dados que subsidiaram as investigações para o Legislativo e o Executivo Federal ou Estadual; congressos com participação de profissionais de saúde para discutir o tema investigado; articulação com instituições responsáveis pelo resgate de meninas que estavam sendo ameaçadas; composição de uma música para acompanhar as reportagens no rádio; criação de um blog com um canal de denúncias; e até mesmo convênios firmados com prefeituras em busca de um compromisso para mudar a precária situação dos serviços de proteção a crianças e adolescentes. Também são recorrentes as falas dos jornalistas entrevistados que ressaltam que repórter e cidadão são uma só pessoa, e que a indignação com a situação encontrada motivaria um esforço extra para que seu trabalho tenha um impacto mais duradouro, capaz de influenciar políticas públicas de proteção e atendimento às vítimas e/ou a responsabilização dos agressores/aliciadores.

Quando o tema em pauta tem um apelo humano tão forte, como é o caso da violência sexual contra crianças e adolescentes, nenhum repórter parece sair da investigação da mesma forma que entrou. Entretanto, na experiência das Bolsas Avina sobre questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, incluindo recursos hídricos, comércio justo, inclusão social e participação e transparência, também é possível observar um envolvimento mais contundente dos repórteres em relação aos temas investigados, como indica o texto do jornalista colombiano Germán Rey, que analisou as reportagens vencedoras da primeira edição do concurso da Fundação Avina. As histórias são contadas sob uma perspectiva muito próxima da comunidade, dando voz a pessoas comuns, criando “zonas de visibilidade social” para grupos que costumam ser esquecidos, desconhecidos, sem nome (AVINA, 2008, p. 17).

Parte dessa dedicação dos jornalistas em busca de histórias contextualizadas poderia ser motivada pela própria metodologia dos concursos Tim Lopes e Bolsas Avina, que exigem uma postura diferenciada das equipes desde o momento da inscrição, quando os repórteres devem planejar a médio e longo prazo suas ações, criar hipóteses, argumentar por seu projeto de investigação fundamentado em dados previamente pesquisados. Além de “vender” a pauta para seu editor na redação, os jornalistas que se inscrevem nesses concursos serão avaliados por um grupo com expertise no tema, o que demanda muito mais cuidado com a apresentação das idéias e o uso de conceitos e termos. Durante a apuração, esse diálogo com outras organizações sobre o processo de produção da notícia continua uma vez que ANDI e Fundação Avina disponibilizam informação de subsídio, fontes, dicas sobre abordagem, uso de imagens, etc. Essa mudança na rotina de produção seria, portanto, um dos efeitos da

metodologia inovadora desses concursos de investigação que, diferente de outros prêmios jornalísticos, reconhecem o processo, mais que o produto. Segundo o jornalista colombiano Germán Rey, o projeto [das Bolsas Avina]

cambia el enfoque de los reconocimientos: se pasa del premio a posteriori, a la valoración de uma propuesta periodística desde el momento inicial de su concepción. No es tan solo la valoración de um resultado, como también el estímulo a um proceso (AVINA, 2008, p. 16).

O Concurso provoca um processo diferenciado de produção da notícia desde o momento de inscrição de sua proposta de investigação, que tem continuidade no contato com especialistas e outros repórteres proporcionado pelos projetos e podem levar a histórias mais contextualizadas, a uma escuta mais atenta a pessoas que vivenciaram situações de adversidades, o que poderia contribuir para uma educação dos jornalistas pela via da sensibilidade, conforme observa o jornalista Germán Rey, ao analisar as matérias resultantes das Bolsas Avina: “Las historias obligan a entrar en la piel del otro, a seguir sus caminos com el apoyo de la reportería, a relacionar lo personal com lo coletivo, a penetrar los contextos em que transcurren sus vidas” (AVINA, 2008, p. 18).