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fl.O NDS/VE DUMP ANALYZER

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Os resultados acima não permitiram afirmar nossa hipótese. Nesse sentido, na busca de melhor entender esse fenômeno e de delimitar as possíveis variáveis intervenientes, em análise da literatura, percebemos que os estudos psicométricos de comportamento social de escolares sugerem que há uma disparidade entre o aprendizado e comportamento moral, a partir dos gêneros femininos e masculinos (SANMARTIN, 1995).

Segundo Saud e Tonelotto (2005) a aprendizagem e as regras sociais são diferentes para meninos e meninas, assim, os meninos são educados para ser fortes e ocultarem seus sentimentos. Por outro lado, as meninas são direcionadas a serem mais emotivas, mais delicadas e sensíveis.

É evidente que essas modulações e predições influem no comportamento infantil e na personalidade. Essa diferença na interiorização das regras e da expressão do comportamento aparece em vários estudos, como elenca Saud; Tonelotto (2005, p. 51),

[...] há uma propensão em se criar formas de atuação diferenciada para meninos e meninas, bem como de comportamentos diferenciados para ambos de acordo com o que afirmam Fontana (1991), Del Prette e Del Prette (1999), Trad (1999) e Bierman (2001).

Portanto, buscamos analisar separadamente os dados por gênero. Os resultados do teste U de Wilcoxon – avaliam a diferença significativa intragrupo – demonstra que para o sexo feminino o grupo [A x A] não houve mudança comportamental pró-social significativa. Mas, entre grupo [B x B] contrariamente ao que prevíamos houve diferenças significativas entre o pré e o pós-teste, como demonstra a tabela:

TABELAS 10 - ESTATÍSTICAS DESCRITIVAS E P-VALOR DO TESTE DE WILCOXON (SEXO

FEMININO)

Grupo Momento Média DP p-valor Experimento Pré-teste 46,11 5,754 0,341

Pós-teste 48,33 7,483

Controle Pré-teste 46,9 4,358 0,021

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Pode-se, dessa forma, observar e sugerir novamente o efeito de variáveis intervenientes. Somente uma fonte formadora moral externa ao experimento possibilitaria o grupo [B] feminino melhorar seu comportamento pró-social sem o tratamento.

Nessa direção, o teste feminino U de Mann-Whitney indica que não há diferenças entre os grupos [A] e [B] tanto para o pré-teste quanto para o pós-teste – tabela 11. Corroborando para nossa expectativa de uma inferência externa ao experimento.

TABELAS 11 - ESTATÍSTICAS DESCRITIVAS E P-VALOR DO TESTE DE MANN-WHITNEY (SEXO

FEMININO)

Momento Grupo Média DP N p-valor Pré - teste Experimento 46,11 5,754 9 0,968

Controle 46,9 4,358 10

Pós - teste Experimento 48,33 7,483 9 0,4

Controle 51,5 7,367 10

A análise das pontuações gerais, das diferenças entre os grupos [A] e [B] feminino, notoriamente, são díspares e não homogêneos à presença de outliers no grupo [B], e a melhora no score pós-teste intra grupo [B x B] pode ser observada na figura 2.

111 FIGURA 2: Box-plot de comparação entre as respostas intergrupo [A x B] e intragrupo [A x A] e [B x

B] em pré-teste / pós-teste do gênero feminino.

Para o sexo masculino, por sua vez, os resultados do teste de Wilcoxon– tabela 12 - indicam que o grupo experimento obteve diferenças significativas entre o pré-teste e o pós-teste.

Esses resultados são compatíveis com nossas expectativas e com nossa hipótese. Mas é impossível descartar a série de resultados demonstrados nos outros testes. Desse modo, atribuímos esses valores a sujeitos discrepantes que obtiveram melhoras comportamentais significativas elevando o score total do grupo.

TABELA 12 - ESTATÍSTICAS DESCRITIVAS E P-VALOR DO TESTE DE WILCOXON (SEXO

MASCULINO)

Grupo Momento Média DP p-valor Experimento Pré-teste 43,31 7,994 0,002

Pós-teste 49,69 6,575

Controle Pré-teste 42,82 8,352 0,574

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Também, é importante ressaltar que nos valores finais dos grupos, a efetividade do experimento é afetada pelo tamanho da amostra. É possível, ainda, que a amostra tenha sido pequena para comprovações estatísticas, para tanto, é importante que futuros estudos apresentem amostras maiores.

Já o teste de Mann-Whitney – tabela 13 – indica que tanto para o pré-teste quanto para o pós-teste não há diferenças entre os dois grupos, corroborando e reforçando os valores anteriormente demonstrados em outros testes.

TABELAS 13 - ESTATÍSTICAS DESCRITIVAS E P-VALOR DO TESTE DE MANN-WHITNEY (SEXO

MASCULINO)

Momento Grupo Média DP N p-valor Pré - teste Experimento 43,31 7,994 13 0,91

Controle 42,82 8,352 11

Pós - teste Experimento 49,69 6,575 13 0,106

Controle 44,27 9,111 11

Através do box-plot – Figura 3 – é possível visualizar os resultados gerais e as características dos grupos [A] e [B] masculino. Verifica-se que o grupo [A] e [B] são bastante semelhantes e homogêneos, com distribuição dos dados assimétricos negativos e sem valores discrepantes (outliers). O grupo [A] possui um score inicial e final maior do que o grupo [B]. Os resultados intergrupos masculinos são significantes e aproximam-se da nossa expectativa de resultado do experimento, ou seja, o grupo [A] melhorou com o tratamento e o grupo [B] manteve seu score e situação moral.

113 FIGURA 3: Box-plot de comparação entre as respostas intergrupo [A x B] e intragrupo [A x A] e [B x

B] em pré-teste / pós-teste do gênero masculino.

Para comportamento pró-social foram observadas diferenças quanto ao gênero. Aparentemente o gênero masculino obteve melhores resultados ao tratamento, principalmente no grupo [A]. Esses resultados são contrastantes com os estudos de Saud; Tonelotto (2005) que não observaram diferenças quanto à exteriorização dos comportamentos em relação à diferença por gêneros.

Ainda, nossos resultados se afastam das afirmações de Adams et al. (1999 apud SAUD; TONELOTTO, 2005) e Miller-Johnson et al. (2002 apud SAUD; TONELOTTO, 2005) que em seus estudos apresentam as meninas como mais competentes socialmente. Por outro lado, os resultados da pesquisa são semelhantes aos estudos de Johnson et al. (2002 apud SAUD; TONELOTTO, 2005) e Wentzel; Caldwell (1997 apud SAUD; TONELOTTO, 2005). Segundo esses autores, os comportamentos externalizados e avaliados como inadequados ou mesmo agressivos, mais característicos ao gênero masculino, é o que pode referendar nossos resultados.

No item I do PBQ uma atitude a ser observada e avaliada pelo professor é se o aluno em uma situação de conflito procura separar-se ou amenizar o fato. Nesse

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quesito, o professor relatou na maioria dos questionários masculinos, agressividade entre os colegas desse gênero, como relata nas observações das avaliações individuais:

Em relação ao item I, o aluno na maioria das situações, além de não separar uma briga ou discussão, incentiva a continuação da mesma (PROFESSOR COLABORADOR).

Em relação ao item I, o aluno separa ou tenta encerar brigas de conhecidos ou crianças que fazem parte de seu círculo de amizade. Para aquelas que ele tem pouca afinidade, o aluno em algumas situações até incentiva uma briga que já tenha começado (PROFESSOR COLABORADOR).

Uma característica social segundo Saud; Tonelotto (2005, p. 51) ajuda a esclarecer e indicar um possível caminho para esse fenômeno dentro do contexto escolar.

Não se pode desconsiderar que a aprendizagem das regras sociais pelas meninas ocorre de forma diferenciada que para os meninos. Os pais ainda mantêm algumas regras diferenciadas para educar meninos e meninas. Meninos são criados para serem fortes e desaconselha-se que demonstrem seus sentimentos. Às meninas permitem-se maiores comportamentos emotivos e maior expressão de sentimentos.

É tolo e pueril atribuir esse comportamento somente aos processos de socialização e educação tradicional. No entanto, também é ignorante desconsiderar esse traço social.

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