Development in Africa in 2007 and Prospects for 2008
2.1.4 Fiscal sustainability is a major concern especially for oil-importing countries
gerar negócios de (J$ 9,5 milhões em 1994. As projeções apontam para um mercado em torno de U$ 120 milhões no período 94/98” (p.48,49).
É a partir deste pressuposto que'torna-se possível, para nós, entendermos a incorporação do ideário ecológico em todos os pesquisadores do turismo. Muitos deles, mesmo não fazendo parte da elite econômica dominante, fazem parte do pensamento científico dominante (mesmo sem terem consciência disso), produzindo e reproduzindo-o para a perpetuação da ordem vigente. Todos os defensores do turismo, inclusive os segmentos populacionais prejudicados, reproduzem as idéias turísticas a nível inconsciente, porque estas já estão incorporadas em suas entranhas.
Só que isso ainda não é suficiente para que seja possível realizarmos uma crítica mais abrangente, como nos propomos. Faltam ser analisados alguns elementos, absolutamente essenciais. Para tanto, nossa tarefa agora passará a ser a descrição reflexiva do trabalho que realizamos em campo, para que tenhamos uma referenciação que nos possibilite uma apreciação mais aprofundada do conjunto.
A discussão precedente, acerca do significado do turismo, deixou claro que urna das principais justificativas para a expansão da atividade turística no municipio relaciona-se, via de regra, à idéia de que ela implica na geração de empregos para as comunidades locais, tanto a nível dos habitantes das praias quanto ao nível dos moradores dos municípios vizinhos, que formam o Aglomerado Urbano de Florianópolis. É difundida a idéia de que esta atividade significa a resolução para os problemas de desemprego e baixo nível de vida da população e que, por isso, “todos os esforços devem ser direcionados para um turismo de qualidade”, “que beneficie a todo o povo”.
Duvidamos, a priori, das possibilidades de tais promessas tornarem-se concretas. Mas só poderemos sair do domínio da dúvida através de uma breve leitura das mudanças no mundo do trabalho e seus reflexos sobre o turismo, dando a conhecer, através dos dados coletados, a real importância desta atividade para Florianópolis. Faremos, inclusive, rápidos comentários sobre o desemprego, por termos constatado, no nosso levantamento de campo, que vários dos entrevistados estão na “categoria” dos desempregados, e encontram nos momentos de pico turístico saídas momentâneas a esta situação. A inserção de nossa investigação empírica, junto aos trabalhadores de verão, será apresentada logo em seguida, para que possamos ter elementos suficientes para desvendarmos o enigma do turismo.
3.1. BREVE APRECIAÇÃO SOBRE A “INDÚSTRIA DO DESEMPREGO”
O que os apologistas do turismo não expõem, em suas manifestações, é que o movimento de expansão capitalista não pressupõe o pleno emprego, apesar de já tê-lo prometido. Ao contrário, a ordem capitalista implica, como afirmado por MARX, na expulsão contínua do homem do mercado de trabalho, na forma da superpopulação supérflua38.
O desemprego, a partir dos crescentes progressos técnicos (ou mudanças contínuas na composição orgânica do capital), vem se mostrando inerente a esta forma de sociedade, que se propõe imutável. Nos países europeus, por exemplo, que têm servido de modelos ideais para vários pesquisadores sociais nas mais diversas áreas, o contingente de exército de reserva tem atingido níveis alarmantes (ANEXO VII). Na Espanha39, por exemplo, havia, em 1992, um total de 2.788.500 desempregados, o que correspondia a uma taxa de desemprego de 18,4%. Na Itália, este total girava, no mesmo ano, em torno de 2.800.000 desempregados (taxa de 11,5%); e, na Alemanha, a situação era similar:
1.170.300 desempregados, ou seja, uma taxa de desemprego de 14,8%.
A pauperização das massas não é exclusividade do “atraso terceiro- mundista”: ela vem se tornando realidade, cada vez mais perceptível, nos países comandantes do mundo das mercadorias. Segundo KURZ (1995), nos últimos 15
38 Tal discussão encontra-se no célebre Capítulo XXIII, do Livro I, de “O Capital”, intitulado “A Lei Geral da Acumulação Capitalista”.
3â
Onde o processo de desenvolvimento turístico é encarado como o ideal para Florianópolis, de acordo com os discursos dominantes.
anos, “a pobreza nos Estados Unidos aumentou de forma tão dramática que chegou a atingir até grande parte da classe média branca. Tornou-se extremo o abismo entre as altas e baixas rendas: muitos empregos são tão mal pagos que os ‘empregados’ nem podem alugar uma moradia e precisam passar as noites em parques ou galerias de metrô desativadas” (p.6).
O fenômeno dos homelesses (sem-teto) norte-americanos já faz parte das “paisagens” da menina dos olhos do capitalismo, o Japão. Lá, “...existem favelas em todas as cidades maiores, e vai crescendo sem cessar o número dos sem- teto” (idem). O mesmo autor, citado acima, em livro instigante, também afirma: “...mesmo nas sete grandes nações da OCDE [...], o supra-sumo das economias de concorrência ocidentais, vastas regiões e parcelas crescentes da população estão em grande parte excluídas da produção de riqueza abstrata, e isto em grau muito mais alto do que o terço de pobres da RFA” (KURZ, 1993:148)40.
Devemos acrescentar ainda que as mudanças no mundo do trabalho não dizem respeito apenas à exacerbação das taxas de desemprego. Afinal de contas, “o rápido crescimento de economias ‘negras’, ‘informais’ ou subterrâneas também têm sido documentado em todo o mundo capitalista avançado, levando alguns a detectar uma crescente convergência entre sistemas de trabalho terceiro-mundistas e capitalistas avançados” (HARVEY, 1993:145). O que está em curso atualmente é um processo global de flexibilização no mercado de trabalho, com a falência progressiva das garantias sociais dos trabalhadores (conquistadas durante o Welfare State), aliada à “aparente redução do emprego
40 Este livro, O colapso da modernização, foi escrito antes da unificação política alemã. Daí o autor utilizar,