A princípio, pode parecer que a língua inglesa e as línguas românicas não têm nenhuma relação entre si, já que a LI faz parte de outra família de línguas, a das línguas germânicas. Entretanto, a história da LI foi influenciada pelo latim desde os primeiros séculos da era cristã e depois mais especificamente pelo francês entre, aproximadamente, os séculos X e XIII. Para relatarmos brevemente essa histórica relação, utilizamos principalmente a enciclopédia de Crystal (2003) como referência.
Pelo que podemos observar ao lermos a respeito da história da língua inglesa, a influência do latim e do francês sobre a LI se deu essencialmente devido a três fatores: as invasões, a igreja e a aristocracia.
Segundo Crystal (2003), a invasão do exército romano na Grã-Bretanha, território celta na época, ocorreu em 43 a.C. e contribuiu para moldar a língua inglesa como é hoje conhecida. Até o ano de 410 d.C., o exército romano e comerciantes, que falavam latim, deram novos nomes a locais e experiências e introduziram vários conceitos novos, metade deles relacionada a plantas, comidas, bebidas e itens domésticos. Mesmo quando os soldados deixaram a Grã-Bretanha para defender o império em outra parte da Europa, o latim vulgar continuou em uso por alguns anos, mas por algum motivo não se fixou.
Ainda de acordo com o autor, poucos empréstimos da família das línguas celtas foram registrados e apenas alguns sobreviveram no inglês moderno, dada a destruição da comunidade celta primeiro pelos romanos e depois pelas invasões anglo-saxônicas. Esses poucos termos de origem celta, também influenciados pelo latim de missionários irlandeses, limitaram-se a não mais que duas dezenas de palavras. Alguns exemplos são nomes de rios, como Thames e Avon, e nomes de cidades, como London (que significa o nome de uma tribo),
Kent e Pendle (cujo prefixo pen significa cabeça, topo, montanha).
Em contraste, as missões religiosas, como primeiro a de São Patrício (Saint Patrick), de cristianizar a Irlanda, influenciaram a língua inglesa e resultaram em novas palavras, bem como motivaram o surgimento de formas derivadas ao longo de vários anos (antes do ano 1000). Esses novos vocábulos estavam relacionados principalmente à igreja, aos seus serviços e à teologia, bem como à biologia e aos itens domésticos – exemplos: Scola> scol > school;
altar > alter > altar; apostolus > apostol > apostile, dentre outros (CRYSTAL, 2003).
Em conformidade com a enciclopédia de Crystal (2003), no século V, quando os anglos e saxões invadiram a Grã-Bretanha, onde hoje se localiza a Inglaterra, as palavras latinas na língua inglesa eram em torno de duzentas. A era literária começou com a chegada dos missionários romanos, no ano de 597 d.C., liderados por Santo Agostinho, e tinha por missão converter os anglo-saxões ao cristianismo. O processo de cristianização ocorreu de maneira pacífica, marcando a influência do latim sobre os anglo-saxões. Esse evento gerou os primeiros manuscritos em Old English49 (inglês antigo). Eles datam do ano 700 e são
glossários com palavras em latim traduzidos para Old English. Segundo Schütz (201350), se “comparado ao inglês moderno, é uma língua quase irreconhecível, tanto na pronúncia, quanto no vocabulário e na gramática. [...] A correlação entre pronúncia e ortografia, entretanto, era muito mais próxima do que no inglês moderno”.
No século VIII, muitos manuscritos foram queimados nas invasões vikings contra a Inglaterra. Esses povos eram violentos e causaram grande destruição. Aqueles vikings que permaneceram na Europa também influenciaram o Old English. Porém, a influência do Old
Norse, língua falada pelos vikings, sobre o Old English é difícil precisar devido à semelhança
entre as línguas (SCHÜTZ, 2013).
No século X, conforme Crystal (2003), ocorreu o ressurgimento da monastia Beneditina, movimento que começou na França e aproximou os monges ingleses, que iam até
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A história da língua inglesa se divide em três momentos: Old English (500-1100 a.D.), Middle English (1100- 1500) e Modern English (1500 em diante) (SCHÜTZ, 2013).
a França estudar, dos monges franceses. O vocabulário vinha de registros escritos clássicos e era muito mais acadêmico e técnico. Muitas vezes, o final das palavras em latim foi preservado, em vez de totalmente substituído pelos finais das palavras em Old English. Um exemplo é acolitus > acoluthus > acolyte, aquele que ajuda padres em cerimônias religiosas.
No século XI, em 1066, os normandos, que habitavam o noroeste da França, invadiram a Inglaterra e de, acordo com Crystal (2003), esse ano marca uma nova era linguística e social na Grã-Bretanha. Schütz (2013) corrobora o pensamento de Crystal (2013) e afirma que esse evento histórico “representou não só uma drástica reorganização política, mas também alterou os rumos da língua inglesa, marcando o início de uma nova era” – a influência do francês na LI. A batalha, conhecida como a Batalha de Hastings, foi liderada pelo Duque da Normandia, William, que reivindicava seus supostos direitos ao trono da Inglaterra acordados com o predecessor de rei Harold, com quem travou essa batalha.
William, que ficou conhecido como William the Conqueror (o conquistador), após vencer a batalha, impôs um regime de centralização e força, assim como a língua dos conquistadores foi estabelecida, o francês da região da Normandia (Norman French), já que ele não falava a língua inglesa. Inclusive, os sucessores do rei William, como William II e Henry I, também não falavam a língua inglesa (SCHÜTZ, 2013), prolongando a presença da língua francesa na Grã-Bretanha e instaurando um novo cenário, como descreve Crystal.
French was rapidly established in the corridors of power. French-speaking barons were appointed, who brought over their new retinues. Soon after, French-speaking abbots and bishop were in place. Lancfranc, Abbot of St. Stephen’s at Caen, was made Archbishop of Canterbury as early as 1070. Within 20 years of invasion, almost all the religious houses were under French-speaking superiors, and several new foundations were solely. Large number of French merchants and craftsmen crossed the Channel to take advantage of the commercial opportunities provided by the new regime. And aristocratic links remained strong with Normandy, where the nobles kept their states51 (CRYSTAL, 2003, p. 30).
O francês se tornou uma língua de prestígio entre aqueles de origem anglo-saxônica que desejavam tirar proveito da aristocracia na Inglaterra e ascender socialmente, enquanto o inglês era aprendido pelos barões franceses como parte de seu trabalho com as comunidades. O bilinguismo cresceu e, no fim do século XII, as crianças da nobreza tinham o inglês como
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“Rapidamente o francês se estabeleceu nos corredores do poder. Foram nomeados barões, que trouxeram consigo seus próprios séquitos. Logo depois, abades e bispos franceses também ocuparam o local. Lanfranc, Abade de St. Stephen em Caen, foi nomeado arcebispo de Canterbury, antes de 1070. No prazo de 20 anos de invasão, quase todas as casas religiosas estavam sob a liderança de superiores franceses, e várias novas fundações eram unicamente francesas. Um grande número de comerciantes e artesãos franceses cruzaram o Canal para aproveitar as oportunidades comerciais previstas pelo novo regime. Os laços aristocráticos com a Normandia, de onde os nobres governavam suas propriedades, se mantiveram fortes” (tradução nossa).
língua materna e o francês aprendiam na escola. O francês era usado no parlamento, nos julgamentos e em atos públicos. Também aumentou o número de traduções para o inglês, por exemplo, livros didáticos para o ensino da língua francesa (CRYSTAL, 2003).
Porém, no início do século XIII, em 1204, uma boa relação de 150 anos entre França e Inglaterra chegou ao fim. Os reis Philip da França e John da Inglaterra entraram em conflito e uma rivalidade começou a crescer entre os dois países. O rei John da Inglaterra perdeu o controle do Ducado da Normandia (Normandy) e a nobreza inglesa suas propriedades na França. O status do francês diminuiu à medida que o espírito nacionalista inglês crescia. Em 1392, o inglês foi usado pela primeira vez para abrir o Parlamento e, em 1425, parece que o inglês já era amplamente usado na Inglaterra (CRYSTAL, 2003).
O contato entre as duas línguas por três séculos e a influência do francês resultaram essencialmente em um número considerável de vocabulários utilizados no dia a dia, cerca dez mil, pertencentes a áreas como direito (accuse, adultery, advocate), administração (authority,
chancellor, empire), religião (cardinal, cathedral, communion), militarismo (army, battle, captain), alimentos e bebidas (appetite, bacon, biscuit), moda (diamond, dress, taffeta), dentre
outros. Muitas dessas palavras, como podemos observar, ainda continuam em uso. Segundo Crystal (2003), no início do século XV, a escrita era uma mistura dos dois sistemas, do inglês e do francês. Havia casos em que palavras, que já existiam em inglês de origem anglo-saxão, coexistiam com uma palavra equivalente de origem francesa, as quais com o tempo foram adquirindo significados diferentes. Como exemplos, verificam-se: house (Anglo-saxão/AS) –
mansion (Francês/FR); mistake (AS) – error (FR); ox (AS) – beef (FR); come (AS) – arrive
(FR) (CRYSTAL, 2003).
Após esse breve panorama histórico, voltamos à intercompreensão de línguas aparentadas. Nessa didática, aproveitamos as semelhanças entre as línguas em razão de sua origem em comum, para levar o falante de uma língua a compreender outras da mesma família (BRITO et al., 2013). Sabemos que a língua inglesa não é da mesma família de línguas românicas (do português, do espanhol, do italiano, nem mesmo do francês), no entanto, com a aproximação e influência histórica do latim e do francês na língua inglesa, podemos afirmar que, em vez de a língua inglesa ser uma língua genuinamente aparentada das línguas românicas, ela funciona mais como uma língua adotiva, cuja “relação de sangue” não há, mas que, como qualquer filho adotivo, acaba incorporando características da família que o acolhe.
Alguns pesquisadores da intercompreensão versam sobre essa relação e apresentam estudos contemplando essa temática. Castagne (2008, p. 41) considera, por exemplo, “le
français, la plus germanique des langues romanes, et l’anglais d’Europe, la plus romane des langues germaniques”52
. Robert (2010, p. 161) pondera que “d’une certaine façon, l’anglais peut être considéré comme une langue relativement proche, de par son ordre des mots proche du français et par l’importante proportion du lexique d’origine latine ou française dans son vocabulaire”53
. Klein (2008, p. 120) ressalta que
l’histoire de la langue anglaise est aussi fortement liée à l’espace roman, particulièrement au français. Historiquement, l’anglais peut être considéré comme une langue romane contrecarrée ou ayant échoué. De plus, on peut constater que presque chaque mot latin peut être ou devenir aussi un mot anglaise54.
Acerca das pesquisas que se apoiam em afirmações como as apresentadas acima, e com o intuito de delinear um breve estado da arte abordando pesquisas que se ocuparam da relação LR-LI, citamos o trabalho de Klein (2008) sobre considerar a língua inglesa, para aqueles que a têm como língua materna ou segunda língua, como base para a intercompreensão de línguas românicas, por conter elementos de transferência comuns às duas línguas. Para tanto, o autor utilizou os sete tamis55 (léxico internacional; léxico românico; correspondências fonéticas; convenções gráficas e relacionadas à pronúncia; estruturas sintáticas; estudo de elementos morfossintáticos; e prefixos e sufixos de mesma origem), que são uma espécie de inventário de transferência entre uma língua e outra, que compara e aponta os pontos de interseção. Contudo, ele ressalta que alguns elementos desse inventário funcionam melhor com um do que com outros, como, por exemplo, o léxico, ao contrário da correspondência grafo-fônicas, no caso do inglês e das línguas românicas.
De maneira semelhante, Robert (2013), em seu artigo Intercompréhension entre
l’anglais et les langues romanes, aponta as semelhanças entre a língua inglesa e,
principalmente, o francês, reafirmando que a LI é uma porta de entrada para a compreensão da língua francesa e de qualquer língua românica. O autor também propõe em outro estudo o ensino-aprendizagem de francês e das línguas românicas em intercompreensão para um público anglófono como uma via, ainda pouco explorada, para o plurilinguismo, porque, uma
52 “o francês, a mais germânica das línguas românicas, e o inglês europeu, a mais românica das línguas germânicas” (tradução nossa).
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“de certa forma, o inglês pode ser considerado língua relativamente próxima, pelas palavras próximas do francês e pela proporção do léxico de origem latina ou francesa em seu vocabulário” (tradução nossa).
54 “a história da língua inglesa também está fortemente ligada ao espaço românico, especialmente em francês. Historicamente, o inglês pode ser considerado uma língua românica bloqueada ou fracassada. Além disso, podemos constatar que cada palavra latina pode também ser ou se tornar uma palavra inglesa” (tradução nossa). 55 Podemos chamar de “peneiras” ou “filtros” (tradução nossa).
vez que os aprendizes têm acesso ao francês, facilitado pelas semelhanças com a LI, eles estarão mais próximos de aprender outras LR (ROBERT, 2010).
Numa perspectiva diferente dos estudos apresentados, citamos a pesquisa de Melo- Pfeifer (2012). A autora observou o uso da língua inglesa, que é para a maioria dos estudantes a primeira língua estrangeira a ser estudada, em chats plurilíngues de línguas românicas, onde cada um deveria falar a sua LM, e analisou de que maneira a LI contribuiu para a intercompreensão entre falantes nativos de LR. Em outras palavras, em que medida a LI serviu de ferramenta para a compreensão. Para tanto, ela levou em consideração o que o Conselho da Europa, por meio do QECR (2001), orienta sobre a construção de um repertório linguístico para o qual todo o conhecimento e experiências com as línguas contribuem, em vez de pensar na aprendizagem de línguas como compartimentos separados, em que uma língua não mantém qualquer tipo de relação com a outra. Em sua pesquisa, Melo-Pfeifer teve por objetivo fornecer uma tipologia das funções que os falantes das LR atribuem à língua inglesa em situações comunicativas plurilíngues, chegando às seguintes funções:
Remediação – para resolver problemas relacionados à opacidade linguística; para resolver problemas relacionados à interINcompreensão;
Mediação – como ferramenta de gerenciamento de enfrentamento; brincadeira e humor; compartilhamento de conhecimento enciclopédico; negociação e supervisão de conflitos; retomar um contexto; estabelecimento de conexões sociais e afetivas.
A autora conclui que a LI é um recurso construtivo em uma comunicação multilíngue, estrategicamente utilizado para superar, de maneira rápida e eficiente, a intercompreensão baseada em problemas linguísticos, resultando em perguntas que visam a sanar problemas de compreensão. Além disso, a LI desempenha o papel de aproximar as pessoas, funcionando como uma estratégia de polidez intercultural e plurilíngue e de engajamento da conversa, por exemplo.
Melo-Pfeifer (2012) acredita que muitas das ocorrências da língua inglesa em contextos bilíngues ou plurilíngue acontecem por meio do code-switching. Nesse contexto, Moutinho (2013) investigou, em sua dissertação, como esse fenômeno se manifesta na plataforma Galanet, de que maneira pode contribuir para a troca linguística e cultural e como pode ser utilizado em uma proposta de ensino-aprendizagem. Ela conclui que o code-
switching56 é mais uma ferramenta disponível que favorece os processos de intercompreensão e que é utilizado como uma estratégia pelos aprendizes para compreender as línguas
56 Segundo a autora, code-switching é “quando os participantes alternam [o código] para apoiar os outros e proporcionar situações de aprendizagem” (p. 41).
românicas, ao mesmo tempo que proporciona a oportunidade de aprender e praticar a própria língua inglesa.
Vimos, com base no que foi exposto, que é possível se apoiar na língua inglesa para compreender uma ou várias línguas românicas, seja considerando o francês como ponte, seja tomando a língua inglesa como uma estratégia. Este estudo, trilhando o caminho inverso, investiga se é possível, a partir da compreensão de textos em línguas românicas, fazer os aprendizes transferirem essa experiência para a compreensão da língua inglesa. Com isso, esperamos contribuir para ampliar os estudos que envolvem essa temática, uma vez que pesquisas abordando a LI e as LR em contexto brasileiro ainda não foram contempladas.
Em seguida, apresentamos os estudos realizados em contexto brasileiro pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que envolvem a Intercompreensão entre Línguas Românicas (ILR) e outras temáticas.
Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, as pesquisas de mestrado e doutorado já defendidas, que tiveram a IC como diretriz, perpassam por diferentes temáticas, como o foco na melhoria do desempenho em língua portuguesa, o despertar do interesse pela literatura e a contribuição para a formação integral cidadã do aprendiz. Tais estudos findam por afirmar a flexibilidade e a dinamicidade da IC ao alcançar diferentes realidades e por poder se configurar como uma alternativa para o ensino, não somente de línguas estrangeiras, como também de outras disciplinas e de temas transversais.
Souza (2013), motivado pelo alto índice de analfabetismo funcional entre indivíduos de 15 anos ou mais no nordeste do Brasil, identificou na IC uma possibilidade de contribuir para a diminuição das limitações de ensino de português no Brasil. A pouca capacidade em utilizar a leitura e a escrita em atividades da vida diária fez com que o autor considerasse a possibilidade de inserir a ILR como nova disciplina curricular nos anos finais do ensino fundamental. Dessa maneira, sua tese objetivou relatar os efeitos da IC no desempenho de aprendizes do 9º ano de uma escola pública de Natal acerca da compreensão escrita em LM, o português. Dentre os resultados obtidos, destacamos que houve mudança positiva no que se refere à disciplina de português nas turmas experimentais que participaram do desenvolvimento da nova disciplina, quando comparadas à turma controle. Os dados quantitativos e qualitativos revelaram uma tendência significativa no rendimento desses alunos ao alcançarem médias mais elevadas a partir do uso de estratégias diversas após esse novo modelo de intervenção.
A pesquisa de Lima (2015), também desenvolvida na UFRN, abordou, juntamente com a IC, o ensino de literatura no ensino fundamental. A autora, professora de português e
literatura, ao observar o desinteresse de muitos aprendizes pela leitura literária, foi motivada a desenvolver uma pesquisa que procurasse despertar o interesse pela literatura. Em sua dissertação, intitulada “A intercompreensão de línguas românicas: uma proposta para a leitura literária plurilíngue no ensino fundamental”, Lima (2015) investigou como os aprendizes do 8º ano do ensino fundamental se comportaram diante de uma proposta plurilíngue, baseada na ILR com textos literários. Ao desenvolver e aplicar atividades de intercompreensão de textos literários em três línguas românicas (espanhol, francês e italiano), os alunos puderam ler e (inter)compreender alguns trechos de clássicos da literatura nas referidas línguas latinas e em português, cujos títulos abrangeram D. Quijote de la Mancha, de Miguel de Cervantes; Le
Petit Prince, de Antoine de Saint-Exupéry; e Pinocchio, de Carlo Collodi. A partir dessa
experiência, a pesquisadora pode observar que os aprendizes perceberam as aulas com textos plurilíngues como algo para além do ensino da estrutura da língua, despertando para o conhecimento de novas línguas e culturas, tendo a diversidade linguística como motivação no momento da compreensão e a literatura como elemento transformador para a formação cidadã dos alunos.
A dissertação de Izuibejeres (2015), denominada “A intercompreensão em Línguas Românicas nas aulas de Espanhol: o que querem e o que podem essas línguas?”, por sua vez, foi motivada pela procura de um ambiente que propiciasse não somente a aquisição do conhecimento linguístico, mas também a formação integral do jovem como cidadão respeitoso e tolerante dentro de um mundo diverso e plural. O referido estudo tratou de compreender qual é a contribuição das aulas de língua estrangeira para a formação integral do aluno como cidadão de um mundo, como já dito anteriormente, plural e diverso, bem como de que maneira atividades criativas, dentro de uma perspectiva de ILR, podem aumentar a motivação do aluno no momento da aprendizagem. Nessa pesquisa etnográfica, o contexto social no qual ela se desenvolve é a sala de aula. Nela, o comportamento social dos alunos é observado durante a aplicação de atividades que delinearam um Projeto de Intercâmbio Virtual entre uma escola de Natal e duas de Córdoba, Argentina, ao longo de 3 meses. Os resultados indicam que: (1) a experiência de conversar com jovens de outros países e de compartilhar experiências e cultura funcionou como elemento motivador e o interesse pelas aulas de espanhol aumentou consideravelmente; (2) uma postura crítica foi observada no que diz respeito ao preconceito com uma cultura diferente, levando a autora a concluir que a geração jovem se mostra mais aberta às diferenças. Para a pesquisadora, as opiniões dos participantes possibilitam refletir que as atividades que colocam os jovens frente a outros
modos de viver podem contribuir com a formação para a globalização, tendo em vista que as diferenças devem ser observadas e respeitadas.
Após apresentarmos alguns estudos envolvendo a intercompreensão e como as línguas românicas e a língua inglesa estão relacionadas neste estudo, devemos esclarecer que, além da Intercompreensão de Línguas Românicas, também propomos um trabalho aliado às estratégias