I. Approche historique
I.2. Postmoderne et typographie
I.2.1. Caractéristiques du postmodernisme typographique
I.2.1.4. La fin du postmodernisme ?
No Modelo de medo-evitamento, o desuso está relacionado com o comportamento de evitamento, surgindo, simultaneamente, como consequência e fator contribuinte da DLC, perpetuando-a (Vlaeyen & Linton, 2000). O termo desuso refere-se a uma atitude comportamental de atividade física diária reduzida, que conduz à inatividade (Verbunt et al. 2003a). O termo “Sindrome do Desuso” compreende os efeitos fisiológicos e psicossociais num indíviduo que desenvolve um desuso prolongado (Verbunt et al. 2003a). Um nível de atividade física (NAF) adequado é definido, de acordo com Verbunt et al. (2001), como a capacidade para realizar tarefas diárias com vigor e agilidade, sem fadiga indevida, e com energia suficiente para atividades de lazer e para responder a exigências físicas acima da média, em caso de emergência.
De acordo com o Modelo da Síndrome do Desuso (Figura 2), a manutenção do comportamento de evitamento e o consequente desuso prolongado, para além de conduzir à incapacidade funcional, pode resultar em descondicionamento, ou seja, na deterioração gradual das qualidades físicas7(Leeuw et al., 2007).
7 As qualidades físicas designam capacidades que podem ser divididas em dois grupos de classificação: as
capacidades que dependem essencialmente de factores fisiológicos: Força, Resistência, Flexibilidade e Velocidade, e as que dependem da conjugação das primeiras e/ou dos mecanismos de controlo da atividade motora: Coordenação, equilíbrio, agilidade, ritmo, capacidade cardiovascular, velocidade de reacção, equilíbrio, composição corporal (Verbunt et al. 2003a).
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Figura 2 – Modelo da Síndrome do desuso: consequências da inatividade prolongada (adaptado de
Verbunt et al. 2003a).
A presença do desuso e consequente descondicionamento nos utentes com DLCI tem sido assumida pela literatura. Ainda assim, estudos cientificos têm mostrado resultados contraditórios a esse nível (Verbunt et al. 2001; Verbunt et al. 2003a; Verbunt et al. 2003b; Bousema et al. 2007; Smeets, van Geel & Verbunt, 2009), tornando inconsistente a presença de desuso em utentes com DLCI(Leeuw et al. 2007). Por exemplo, num estudo cujo objetivo foi analisar a presença de desuso em indivíduos com DLCI, Verbunt et al. (2001) verificaram que o nível médio de atividade dos utentes com DLCI não difere significativamente do nível médio de atividade em indivíduos saudáveis, havendo uma forte correlação entre os valores obtidos em ambos os grupos (r=0.72, p=0.01).
Verbunt et al. (2003b) testaram a hipótese de que o medo de lesão está relacionado com a incapacidade e o descondicionamento, em utentes com DLCI. Para avaliar o descondicionamento, os investigadores aplicaram um teste de avaliação da capacidade aeróbia, recorrendo à medição do consumo de oxigénio na realização de um exercício submáximo, devidamente protocolado. De acordo com os resultados, o medo de lesão
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(medido com o TSK) está positiva e significativamente relacionado com a incapacidade (avaliada com o RDQ) em utentes com DLCI (r=0.44, p<0.01), mas não significativamente relacionado com a capacidade aeróbia. Posto isto, o estudo não confirma a hipótese de que o medo conduz ao descondicionamento, como é proposto pelos Modelos de medo- evitamento e de Síndrome do desuso.
Bousema et al. (2007) realizaram um estudo coorte longitudinal, com duração de um ano, em utentes com dor lombar subaguda, cujo um dos critérios de exclusão era a causa da dor ser conhecida. Os autores tinham como objetivos, no final de um ano de estudo: (1) testar a hipótese de que o desenvolvimento de DLCI conduz ao desuso, (2) avaliar o desenvolvimento do descondicionamento físico como resultado do desuso e (3) avaliar fatores preditivos do desuso na DLC. Um ano após o episódio de dor lombar, 67.9% dos utentes do follow-up desenvolveram cronicidade e apresentaram, em média, um aumento significativo do nível de atividade (19.7%, p = 0.02) (Bousema et al. 2007). Os autores verificaram, ainda, que nenhuma variável relacionada com a condição física (força muscular e composição corporal) diminuiu significativamente ao longo do tempo, mesmo nos utentes em que o nível de atividade física diminuiu durante o ano em estudo. Os indivíduos com DLCI mostraram um aumento do valor médio de força, de 2.3 Nm8/Kg para 2.5 Nm/Kg, p<0.05, e uma diminuição do valor médio de massa gorda de 31.1% para 30.9%, após um ano da primeira avaliação (Bousema et al., 2007). Deste modo, não se verificaram associações positivas e significativas entre a DLCI e o desuso, assim como entre o desuso e o descondicionamento.
Smeets et al. (2009) compararam a capacidade aeróbia em utentes com DLC e em indivíduos saudáveis, e avaliaram o quanto os fatores do modelo de medo-evitamento e da síndrome do desuso estão associados com a diminuição da capacidade aeróbia em utentes com DLC. De acordo com os resultados, a maioria dos utentes com DLC com incapacidade associada, apresentam um nível de atividade física nos tempos livres e no trabalho/ trabalho doméstico menor que os indivíduos saudáveis, assim como descondicionamento, revelando um nível de capacidade aeróbia inferior. Contudo, esta relação não se associa com o medo-evitamento (Smeets et al. 2009). Segundo os resultados do estudo, os utentes que interromperam os testes de capacidade aeróbia precocemente por fadiga ou dor, apresentavam elevados níveis de dor e incapacidade e um
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menor nível de atividade física, comparativamente aos que completaram o teste. Fatores relevantes do modelo de medo-evitamento, como a catastrofização da dor, evitamento da atividade e depressão, não diferiram significativamente entre os dois grupos. De acordo com os resultados, a redução do nível de atividade é um fator importante no desenvolvimento do descondicionamento, mas parece não estar associada significativamente ao evitamento por medo em relação à dor (Smeets et al. 2009).
Leeuw et al. (2007) realizaram uma revisão de literatura acerca da evidência das relações entre os fatores que constituem o modelo de medo-evitamento e os que constituem o modelo da síndrome do desuso. Segundo os autores, estudos têm verificado a existência de níveis de força muscular menores em utentes com DLC comparativamente a indivíduos saudáveis (Kramer et al., 2005; Verbunt et al., (2005 citados por Leeuw et al. 2007). De acordo com Smeets et al., (2006 citados por Leeuw et al. 2007), as diferenças nos valores de força podem dever-se à performance dos indivíduos com DLC para a realização de atividades submáximas, podendo apresentar medo em relação à dor.
Resumindo, há estudos que indicam níveis similares de condição física entre utentes com DLC e indivíduos saudáveis, e estudos que indicam diferenças a este nível entre ambos os grupos. Por outro lado, quando presentes, o desuso e o descondicionamento em utentes com DLC não apresentam uma relação linear e positiva significativa com as crenças de medo-evitamento ou com os comportamentos de evitamento.
Assim, os pressupostos do Modelo de medo-evitamento e do Modelo da síndrome do desuso parecem aplicar-se apenas a um subgrupo restrito de utentes com DLCI (Vlaeyen & Morley, 2004), pelo que não se tem conseguido explicar o surgimento da incapacidade em todos os utentes com DLCI, através destes Modelos. Por exemplo, de acordo com Bousema et al. (2007), alguns utentes com DLCI parecem lidar com a sua dor de forma a manter a atividade diária num nível próximo do normal, apesar da dor e limitações percebidas, tendo um comportamento de persistência ou de níveis de atividade excessivos em relação à atividade. Deste modo, nem todos os utentes reduzem a atividade como é pressuposto nos Modelos anteriormente referidos, sendo por isso importante o estudo de outros comportamentos de resposta à dor e incapacidade por parte destes utentes. Nesse sentido, abordamos em seguida o modelo de evitamento-endurance, que surgiu como
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resposta explicativa dos comportamentos de persistência adquiridos por alguns utentes com DLCI.