Como primeira conclusão a esse trabalho, tem-se que a escolha em trabalhar a interdisciplinaridade por meio dos campos de conhecimento Design e Sociologia das Associações (ANT) em paralelo ao campo do “saber” artesanato se mostrou frutífera dentro do que se optou por considerar como interdisciplinaridade, retomado da introdução, “trocas teóricas e metodológicas, geração de novos conceitos e metodologias e graus crescentes de intersubjetividade, visando a atender a natureza múltipla de fenômenos complexos” (Documento de Área Interdisciplinar, 2016, p.9).
Isso se deu, principalmente, porque a ANT oferece tanto um aporte teórico quanto empírico, que se torna mais pragmático quando em conjunto com o Design. Aqui também se observa a possibilidade do surgimento de uma nova metodologia, visto que, o Design Gráfico foi capaz de transformar elementos textuais da teoria em conjunto com as informações a respeito do locus escolhido, em elementos gráficos que melhorou a visibilidade e, por consequência, a interpretação dos dados obtidos. Além, de também se apresentar como uma nova maneira de inserção do Design no artesanato, que se dá por meio da divulgação de tais dados.
Baseado nisso, ao oferecer um aporte teórico complexo, a ANT possibilitou que houvesse um percurso detalhado a respeito do artesanato local, evidenciando atores, que, até então, passariam despercibos. Principalmente, por ter como diferencial o princípio de assimetria, que considera os atores humanos e não humanos em agência. Nesse aspecto, trouxe para a discussão em torno do Design e artesanato, elementos relevantes como o mapa e o site
da prefeitura, e as controvérsias geradas por eles, que quando listadas, fornecem explicações necessárias para se resolver questões já estabilizadas antes da entrada da pesquisadora.
E por fim, a discussão em relação a problemática levantada sobre a intervenção do Design no artesanato, segue aqui, reforçada, principalmente, no que se refere ao papel de designer como consultor mercadológico, interferindo de maneira direta no ciclo produtivo, inventando novos produtos para atender mercados distantes da realidade local.
Apesar, da identificação de intervenções quase que exclusivamente unilaterais por parte do Design, tanto como área de conhecimento, prática profissional ou mesmo uma metodologia. Também foram observadas oportunidades que correspondem ao que o economista indiano Amartya Sen (1999) defende para melhorar a atuação do Design no artesanato em três aspectos principais: 1) sua relevância direta para o bem-estar e liberdade do artesão, o que foi identificado de maneira tímida no estudo de caso do Villa Cantagalo relatado anteriormente; 2) sua influência indireta na mudança social e 3) sua influência indireta na produção econômica, ambos os aspectos foram observados nas iniciativas realizadas por meio do Poder Público, mesmo que sem progresso evidente.
E, que mesmo, que o Design ainda se mantenha refém do papel salvacionista destinado a ele, de modo a “imobilizar” os artesãos diante das práticas possíveis de serem executadas e solucionadas por eles, acredita ser possível a relevância do diálogo entre estas duas áreas no sentido de proporcionar diferentes formas de intervenções que vão além da preocupação mercadológica e de comercialização dos artefatos.
Como resultado da interferência do Design no artesanato de São Bento do Sapucaí, na qual se caracteriza esta pesquisa, tem-se um material de caráter descritivo que se baseia no modo como o artesanato se configura atualmente no município, e que, serve de material de consulta tanto para os artesãos, quanto para o Poder Público, de modo a lhes proporcionar uma nova percepção do contexto que estão inseridos. E que tal intervenção não é descontinuada com a saída do designer, pois encontra-se aqui materializada para consulta de dados.
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