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Dans le document SIGMA COMPUTER (Page 82-91)

Harvey (2004) discorre acerca da produção e especialização do espaço urbano ao mencionar que “vive-se um momento em que a produção do espaço se realiza por meio das diversas estratégias de produção capitalistas. A racionalidade capitalista, cada vez mais, está presente na produção do espaço urbano, fazendo com que este se torne uma mercadoria especifica”. Em Extremoz, a racionalidade do capital, levou a construção de um espaço voltado especificamente para a atividade turística. As áreas litorâneas antes áreas carentes de infraestrutura hoje são os locais de maior valor agregado ao solo. (HARVEY, 2004).

Sendo assim, a procura pelos instrumentos criados em Extremoz, na relação turismo- imobiliário, para atender a nova demanda turística internacional, se faz necessária. Pois o espaço se recria e se reproduz nos lugares com potencial turístico.

Segundo Ferreira e Silva (2010), ao discorrer acerca do aumento da segunda residência na RMN, os autores apontam que a partir de 1999, o turista internacional começou a se tornar mais livre para praticar o turismo, na medida em que poderia passar mais tempo no destino, iria independer da rede hoteleira e das agências de viagens. O mercado imobiliário percebeu a tendência e começou a tentar criar produtos específicos para oferecer a nova demanda.

[...]. um processo articulado envolvendo não mais a demanda das metrópoles (sua classe de renda media e alta), e, sim, uma demanda nacional e internacional [...] em um primeiro momento, a ocupação por essa nova lógica ocorreu pela venda de casas de veraneio ao „turista genérico‟, que passou a ser um proprietário; em um segundo momento, o mercado organizou-se de modo a comprar grandes glebas (fazendas, sítios, chácaras) como estoque de terras, para transformação em condomínios fechados, condhotéis, resorts e loteamentos (FERREIRA;SILVA, 2010, p. 178, apud FONSECA, 2012, p. 59).

Nesse sentido, o turismo é inegavelmente um vetor de grande reconfiguração espacial, responsável pela chegada ou intensificação da urbanização nas áreas litorâneas e da mudança ou incremento dos usos na mesma. Nesse contexto de valorização do litoral se instala uma intensa dinâmica mercantil onde o mercado imobiliário e o turismo se conjugam. Fonseca (2012), afirma a ideia de ralação entre imobiliário e turismo ao falar que o capital imobiliário encontrou na atividade turística uma forma de se expandir, produzindo imóveis destinados a segundas residências em áreas valorizadas e promovidas pela atividade turística, que por sua vez, acaba ganhando notoriedade internacional. Sobre esse aspecto Buades, 2000, apud Fonseca, 2012, coloca que:

Desde o inicio dos anos 2000, um movimento de “exportação de paraísos” começou a se fortalecer, principalmente por investimentos de empresas portuguesas e espanholas no ramo imobiliário e turístico, em hotéis, resorts, condomínios e loteamentos, em direção a América Latina, África e Ásia. No caso brasileiro, apenas muito recentemente os órgãos estatais envolvidos com o planejamento turístico se deram conta desse novo modelo de exportação ibérica, embora o mercado, já tenha começado a se adaptar a esse segmento desde o início dos anos 2000. (BUADES, 2000, apud FONSECA, 2012, p. 135).

Esse rearranjo espacial e a intenção do estado em promover o turismo enquanto atividade econômica consolidada, no Rio Grande do Norte, fica claro na fala de Rodrigues (1999):

Na década de 1990, com a implantação do PRODETUR/RN, o turismo na região é incrementado, tendo como resultado, entre outros, o desmonte de dunas para loteamentos de residência secundária, a construção de hotéis, pousadas, equipamentos de lazer, recreação e entretenimento, [...] (RODRIGUES, 1999, apud FONSECA, 2012, p. 77).

Podemos ainda citar o megaprojeto Parque das Dunas/Via Costeira (PD/VC) como a primeira tentativa de infraestrutura de indução ao turismo no Polo Natal na segunda metade da década de 1980 e o primeiro grande evento de reconfiguração espacial.

Ao retratar o cenário expresso por todo esse contexto de políticas públicas, investimentos internacionais, inserção da atividade turística, e a urbanização induzida pela atividade, Ferreira e Silva, 2007, destacam que:

[...] o eixo litorâneo se torna o espaço efetivo de conurbação entre os municípios, é perceptível o aumento da densidade populacional, aumento dos valores fundiários e maior pressão sobre os recursos naturais existentes. Este fato pode acarretar, como já o vem fazendo em alguns pontos do território, uma maior atratividade (FERREIRA; SILVA, 2007).

Esse dado reafirma a questão das interações espaciais, onde toda uma área (a franja litorânea da RMN) é contemplada pelo mesmo fenômeno e se torna atrativa pelos mesmos fatores locacionais, não respeitando os limites políticos administrativo dos municípios, sendo “limitado” pelas características ambientais e pelo interesse dos agentes hegemônicos (estado, promotores imobiliários e empresários do ramo turístico).

Essencialmente, o turismo, hoje mais do que nunca, é uma atividade econômica do sistema de produção capitalista que, não poderia ser diferente, busca a reprodução do capital. Segundo esse fato, temos que:

[...] desde que o modo de produção capitalista tornou-se hegemônico, o espaço geográfico passou por transformações em sua estrutura, suas formas e funções foram afetadas pela racionalidade da técnica capitalista. De acordo com Marx e Engels

(2008, p. 21), “em suma, ela [a burguesia] cria um mundo a sua imagem e semelhança”, nessa lógica novas demandas de consumo e mercadorias são criadas para atender a necessidade de reprodução desse sistema. (ALMADA, 2015).

Nesse contexto, a área litorânea que historicamente era ocupada pela população mais abastada (colônia de pescadores, agricultores, artesãos) passa a dar espaço para a população mais favorecida (nacional e internacional) que consomem o produto turístico criado resultado da reconfiguração espacial dessa área. O novo arranjo espacial é resultado da racionalidade da atividade turística implantada no município. O espaço perde valor de uso e ganha valor de troca.

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