• Aucun résultat trouvé

ESCOLA A

Nosso primeiro contato na escola A foi com o diretor, com o qual marcamos uma reunião informal. Fomos muito bem recebidas por ele e pela diretora pedagógica que também se encontrava na sala da diretoria naquele momento. Sentimos que teríamos uma boa aceitação, pois já éramos conhecidas na escola.

Mostramos ao diretor o plano de trabalho e o problema de estudo. Ao mencionar o intuito de trabalhar junto aos professores, o diretor apontou algumas dificuldades que poderiamos encontrar, tais como o desinteresse dos professores em participar de atividades extra-curriculares, principalmente se eles considerarem como uma obrigação a mais: além da dificuldade de reposição de aulas perdidas caso seja necessário saírem da sala para outras atividades. Essa reação do diretor nos pareceu mais um obstáculo que enfrentaríamos. Porém, quando explicamos que em nossa metodologia de trabalho marcaríamos os encontros com os professores nos momentos que fossem mais cômodos para os

mesmos e que a adesão à pesquisa seria espontânea, ele demonstrou concordar com o método e se comprometeu em nos ajudar no que fosse possível.

Em nova conversa com o diretor, solicitamos impressos que explicassem o funcionamento da escola e o mesmo cedeu um organograma do número de turmas, turnos, alunos. Com relação ao PDE, ele fez um encaminhamento para sala de multimeios, onde a professora responsável podería doar este material. Nesta sala, foi observada a presença de alunos e um monitor que faz parte de um projeto do Centro Federal de Educação Tecnológica. A recepção por parte da professora responsável foi muito amistosa e, atenciosamente, cedeu não só o PDE, mas também o plano político e o planejamento anual. Após este ocorrido, deixou-se firmado com o diretor o dia para apresentação do estudo para os professores e a realização do convite para participação na pesquisa.

A apresentação do estudo aos professores ocorreu no horário do intervalo, no turno da manhã. O impresso de consentimento pós-informação foi entregue, sendo feita a apresentação do projeto e esclarecimentos de dúvidas. A maioria das professoras concordaram em participar e demonstraram entusiasmo pela pesquisa.

O campo foi visitado em diversos momentos posteriores, princípalmente nos horários de intervalo para realizar a observação restrita, sempre sendo sentida uma excelente recepção por parte dos professores e funcionários. Este fato fez com que considerássemos que a inserção no campo de pesquisa foi realizada com sucesso.

Tive uma segunda reunião com as professoras em horário de intervalo para marcar as datas de encontros no intuito de iniciar a fase de observação participante. Relataram a dificuldade em marcar encontros coletivos (como o diretor havia apontado) e juntas encontramos a solução: fazer entrevistas e estudos individualmente e, no dia do planejamento escolar, a interação coletiva. A decisão por fazer um trabalho individualizado e posteriormente socializa-lo com o grupo, surgiu do fato de que não deveriamos tirar as professoras da sala de aula. Elas nos explicaram que, no ensino fundamental, existe o chamado “professor de fora”, o qual fica, em um dia da semana, fora da sala de aula fazendo planejamento semanal. Todos os professores do turno da manhã têm o

46

seu dia de “fora", fazendo um revezamento diário nas turmas. Assim ficou firmado que todas as manhãs iríamos à escola desenvolver o trabalho com as professoras que estivessem “de fora" a cada dia, e no primeiro sábado de cada mês, faríamos uma socialização do que foi discutido individualmente.

ESCOLA B

O primeiro contato feito com a escola se deu por telefone onde foi marcada uma reunião para apresentações e esclarecimentos sobre o projeto de pesquisa. Para esta reunião foram convidados membros da diretoria e corpo docente. Porém, apesar dos acertos feitos no contato telefônico, compareceram apenas a diretora e duas professoras.

Neste momento inicial houve apenas uma conversa informal a respeito dos objetivos do estudo e tipo de trabalho a ser desenvolvido com os professores. Infelizmente não houve oportunidade de serem feitos todos os esclarecimentos desejados, pois a reunião foi interrompida diversas vezes por pessoas que vinham resolver pendências na diretoria. O tempo para esta reunião era curto devido a outros compromissos da diretora.

Um pouco de resistência por parte da diretora foi sentida, pois a mesma teceu comentários sobre a necessidade do trabalho com os pais e não com os professores. Ela comentou que os professores haviam recebido um treinamento para lidar com questões sobre DST/AIDS e que um estudo voltado para os pais seria mais importante. Foi explicado que o intento do trabalho não se resumia a educação sobre DST/AIDS, mas sobre a saúde de um modo geral, além disso o projeto AIDS estava desenvolvendo outros estudos envolvendo os pais os quais estariam incluídos no desenvolver destas atividades.

Apesar do surgimento destas desavenças, conseguiu-se o consentimento e aceitação da diretoria e professores com relação ao desenvolvimento deste estudo, ficando firmados alguns compromissos de antemão, tais como os dias e horários de nossa presença na escola, participação nos eventos da campanha da fraternidade e do dia internacional da mulher.

Em outro encontro, uma semana depois, é que se conseguiu estabelecer um bom rapport, onde foi possível a apresentação do projeto de

pesquisa à maioria cios professores, os quais demonstraram interesse em participar da pesquisa. A partir daí houve total aceitação e até incentivo destas atividades na escola pela diretoria, a qual continuou ofertando seu apoio até o final da coleta de dados.