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Para o grupo se a família deixa de cumprir seu papel, seus filhos irão incidir em “Crimes”, e os crimes referidos pela maioria dos participantes foram o tráfico de drogas, o roubo, a corrupção e o homicídio. O roubo, como se percebeu também nas entrevistas, foi expresso como meio de financiar o consumo de drogas e, do mesmo modo, de adquirir/consumir roupas caras, o que também é proporcionado pelo tráfico, como se percebe nas justificativas

Além disso, os pobres recorrem também ao tráfico como forma de obter dinheiro fácil e como forma de suprir a dependência das drogas e passam a cometer violência como roubos, assaltos e o próprio tráfico (Suj. 96) e Devido ao pouco poder aquisitivo, é que os jovens procuram outras alternativas no tráfico, no roubo (Suj. 104).

Família

Responsável pela "educação para a vida"

Sem o controle dos pais os filhos irão praticar delitos e consumir drogas

Falta de

comprometimento dos pais gera pessoas violentas

"Porque a família perdeu sua função principal que é a educação para a vida dos seus dependentes,

passando sua função para as demais instituições, que nem de longe tem o poder de família" (Suj. 27)

"... se dentro de casa ele não tem educação e outras coisas, aí os pais não se importam e ele vai roubar, fumar maconha, crack"(Suj. 26)

" A educação é o princípio de tudo, se a pessoa não tem uma boa estrutura familiar possivelmente não aprenderá a conviver em comunidade e respeitar os demais"(Suj. 31)

Aqui já se nota a relação da violência urbana, para o grupo, com a “Pobreza”, que é uma das categorias em que se organizam as suas justificativas e que será contemplada mais adiante.

A corrupção aparece relacionada ao tráfico de influência, à falta de respeito ao outro, às práticas dos advogados e à afirmação de que com políticas e polícia sérias pode-se diminuir a violência urbana:

Com a corrupção você perde seu brio, perde o respeito ao outro. Tanto a corrupção dos políticos como a nossa - da polícia, ou melhor, dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário. E não só a corrupção por dinheiro, mas também por amizade (deixar de fazer alguma coisa por alguém interferir) (Suj.41);

... As testemunhas recebem assédio e ameaça dos próprios advogados do acusado, inclusive eu, como policial, um advogado já me entregou um depoimento pronto para eu ler e depor para o juiz, sem ao menos me conhecer (Suj. 16);

Quando o Brasil tiver uma Política e uma Polícia sérias, pode ser que a Violência Urbana acabe ou diminua, enquanto isso não ocorrer continuaremos com este índice indecentemente alto (Suj. 108).

O homicídio é o crime que decorre de práticas ilícitas anteriores, concebidas como violentas, geralmente envolvendo consumo e tráfico de drogas. Também há referências a morte, quando exprimem que a violência urbana ameaça a vida; sua maior expressão é a perda da vida, e pode-se considerar o homicídio como a morte provocada por um crime e, portanto, tipificada enquanto crime. Exemplificando:

Na atualidade, vivenciando e verificando tamanha quantidade de homicídios por arma de fogo, motivados por tráfico de entorpecentes e outros delitos, além das mortes provocadas por acidentes de trânsito e pensando que o delito homicídio é o mais grave, não poderia deixar de enumerar como "morte" a expressão que mais se aproxima da expressão referida (Suj.42).

Leis

Diante do contexto da criminalidade tão destacado pelo grupo, a impunidade e a progressão de penas, ambas localizadas na categoria “Leis”, são percebidas como incentivo a ações violentas tanto causando a reincidência dos egressos do sistema prisional como motivando outras pessoas a praticarem violência, por contarem com a impunidade ou com “penas brandas”, como se pode notar nas declarações desses três participantes:

...Porque o que a gente vê mais é que existem as leis, mas não são cumpridas. Uma pessoa comete um homicídio e cumpre dois anos e acabou, responde em liberdade. Como por exemplo eu já prendi um homem condenado a 45 anos por homicídio e roubo, cumpriu 6 anos e já estava em liberdade... (Suj.16);

Porque é a impunidade que estimula o meliante a cometer os delitos na certeza de que, caso seja preso, estará de volta às ruas (Suj. 64);

Por falta de uma punição eficaz é que as pessoas que cometem crimes, voltam a cometer os mesmo crimes (Suj. 69).

Um participante expressou que “os ratos estão à solta” (Suj. 82), referindo-se às pessoas que cometeram e cometem crimes e estão em liberdade motivada por progressões de pena, estas apesar de constituírem recursos legais são compreendidas como uma forma de impunidade. Diante dessa falta de punição, os sujeitos destacam a necessidade de políticas públicas adequadas ao fim da violência.

Políticas Públicas e Qualidade de Vida

Esse quadro em que se encontra a violência urbana atualmente é compreendido como de “responsabilidade do Estado”, que, para o grupo, deveria oferecer “educação” de mais qualidade e, para alguns, de preferência atividades educativas que preencham o dia das crianças e dos adolescentes, para mantê-los afastados da vida do crime:

...Quando o poder público entra oferecendo atividades culturais, escolas, cursos profissionalizantes, de formação, quando interfere diretamente na comunidade, muda o estilo de vida das pessoas... (Suj. 37).

Além disso, as “medidas de segurança” executadas pelo Estado são consideradas “insuficientes”. Essas três subcategorias: “responsabilização do Estado”, “Educação” e “Medidas de Segurança” foram agrupadas em uma só categoria denominada “Políticas Públicas e Qualidade de Vida”, tendo em vista que as mesmas envolvem a necessidade de se implementarem políticas eficazes direcionadas ao “combate”,à prevenção à violência urbana e a melhoria da qualidade de vida, como expressa um participante:

Porque sem programas educacionais, assistência à saúde, moradia, alimentação, enfim, uma qualidade de vida melhor para os cidadãos, o resultado é o aumento da criminalidade (Suj. 107).

Nesta categoria está presente também a ideia de que uma melhor qualidade de vida para os cidadãos – com acesso a educação, cultura, esportes, serviços de saúde, habitação adequada – pode ser uma forma de construção de uma sociedade menos violenta.

A prevenção, para o grupo, ocorre através da “educação”, subcategoria que se destaca no discurso dos participantes aparecendo relacionada a concepções que deram origem a três subcategorias (“Educação Moral”, “Educação doméstica/familiar” e “Escola”) e a algumas inferências, conforme o diagrama 2 adiante.