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Os dados da pesquisa, depois de coletados, foram trabalhados de forma a torná-los claros para análise. Isso vem corroborar com Moroz e Gianfaldoni (2006, p. 85):

É de fundamental importância que o pesquisador, após ter coletado os dados que poderão responder ao problema colocado, torne-os inteligíveis. Tornar os dados inteligíveis significa organizá-los de forma a propor uma explicação adequada àquilo que se quer investigar; um conjunto de informações sem organização é de pouca serventia, daí ser importante o momento da análise de dados, quando se tem a visão real dos resultados obtidos.

Noutras palavras, o objetivo da análise de dados é interpretar o material recolhido à luz das questões do estudo, e através dessa interpretação, dar-lhe sentido para poder ser comunicado de modo claro e compreensível. Tendo em vista a análise dos dados, organizamos e categorizamos todo o material. Na análise procuramos estabelecer relações entre os dados pertencentes às diferentes categorias previamente elaboradas e fomos gerando novas categorias ou modificando categorias existentes.

A técnica de “análise de conteúdo” refere-se a um instrumento de análise das comunicações humanas, nascido nos Estados Unidos no século XX, que consiste, segundo Bardin (1997), em um conjunto de técnicas de investigação utilizado por sociólogos, psicoterapeutas, historiadores, psicólogos, literatos, políticos e publicitários, por meio de uma descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações, com a finalidade de interpretar estas mesmas comunicações, permitindo compreendê-las para além

de seus significados imediatos, cujos objetivos consistem na ultrapassagem da incerteza e no enriquecimento da leitura.

Ademais, a análise de conteúdo é um método empírico, um conjunto de técnicas de análise de comunicações que, dependendo do tipo de fala a que se dedica e do tipo de interpretação que se tem como objetivo procura desvendar tudo o que é dito ou escrito. Seu objeto principal é a palavra, considerando as significações, a forma e a distribuição de conteúdos; além disso, elas podem ensinar, após serem analisadas. De acordo com o Bardin (1997, p. 38), a intenção da análise de conteúdo é “a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção […], inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não)”.

A análise de dados foi feita ao longo de todo o processo de investigação. Para isso, adotamos o modelo de análise. Desenvolvemos a análise dos dados posteriormente à transcrição das entrevistas de acordo com os pressupostos teóricos metodológicos da Análise de Conteúdo de Franco (2008, p. 18) que, afirma ser o ponto de partida da Análise de Conteúdo a mensagem, seja ela verbal (oral ou escrita), gestual, silenciosa, figurativa, documental ou diretamente provocada. Necessariamente, ela expressa um significado e um sentido.

Como já falamos, a Análise de Conteúdo pretende superar as dúvidas, enaltecer a compreensão de um texto por meio de regras para fragmentação do mesmo. Tais regras, determinantes de categorias, devem ser homogêneas, exaustivas, exclusivas, objetivas, adequadas ou pertinentes. Segundo Franco (2008, p. 24):

A análise de conteúdo pode ser considerada como um conjunto de técnicas de análises de comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e de recepção das mensagens, inferência esta que ocorre a indicadores (quantitativos ou não).

O autor pontua que, para satisfazer às regras, quanto à homogeneidade, os documentos devem obedecer a critérios precisos de escolha, e, não apresentar demasia singularidade fora de critérios, “as respostas dadas às questões que se referem ao tema escolhido na entrevista, devem todas elas serem obtidas mediante a utilização de técnicas semelhantes em situações igualmente semelhantes, e devem ser realizadas por indivíduos similares” (FRANCO, 2008, p. 54).

Com relação à representatividade, é preferível reduzir o próprio universo, isto é, um estudo de caso com duas professoras de Matemática do Ensino Fundamental II e escolas

públicas das cidades de Campina Grande e Queimadas. As quais intituladas com os pseudônimos de Conceição e Fátima. Conforme Franco (2008) para garantir maior relevância, maior significado e maior consistência daquilo que é realmente importante destacar e aprofundar no estudo em questão.

No que se refere à exaustividade das regras, não se pode deixar de fora nenhum dos elementos por esta ou por aquela razão (dificuldade de acesso, impressão de não interesse) que não possa ser justificável no plano do rigor.

A exclusividade das regras determina que, um mesmo elemento do conteúdo não poderá ser classificado aleatoriamente em duas categorias diferentes.

A objetividade nas regras refere-se aos codificadores diferentes, que devem chegar a resultados iguais, ou seja, as diferentes partes de um mesmo material, ao qual se aplica a mesma estrutura de categoria, mesmo quando submetidas a várias análises.

Com relação à pertinência das regras, os documentos devem estar adaptados ao conteúdo e ao objetivo do trabalho, no sentido de investigar a fim de analisar e comparar a prática pedagógica e o objeto de estudo dos mestres do MECM da UEPB.

Assim, trata-se de uma abordagem qualitativa, em que a categorização, a descrição e a interpretação são etapas essenciais dessa metodologia. A primeira fase é a pré-análise, ou seja, a fase de organização, que tem por objetivo operacionalizar e sistematizar as ideias iniciais de forma a conduzi-las a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas num plano de análise. Nessa fase, um programa flexível e preciso deve ser estabelecido, a fim de cumprir com três missões: a escolha dos documentos a ser submetidos à análise; a formulação de hipóteses e dos objetivos; e a elaboração de indicadores, que fundamentem a interpretação final, sendo que esses três fatores estão ligados entre si.

A exploração do material refere-se à segunda fase e consiste na especificação dos procedimentos que serão aplicados na análise dos resultados, os quais serão tratados de maneira significativa. Esta fase, longa e fastidiosa, consiste essencialmente de operações de codificação, desconto ou enumeração, em função de regras previamente formuladas. A codificação, conforme Bardin (1997, p. 103-104):

[…] corresponde a uma transformação – efetuada segundo regras precisas – dos dados brutos do texto, transformação esta que, por recorte, agregação e enumeração, permite atingir uma representação do conteúdo, ou da sua expressão, susceptível de esclarecer o analista acerca das características do texto, que podem servir de índice ou […] é o processo pelo qual os dados brutos são transformados sistematicamente e agregados em unidades, as quais permitem uma descrição exata das características pertinentes do conteúdo.

A terceira e última fase é o momento do tratamento dos resultados, em que os resultados brutos são tratados de maneira a ser significativos e válidos. Esse procedimento é permeado por operações de estatísticas simples (percentagens) ou mais complexas (análise fatorial), as quais podem ser apresentadas em quadros de resultados ou de análise de dimensões teóricas. “Para um maior rigor, estes resultados são submetidos a provas estatísticas, assim como a testes de validação” (BARDIN, 1997, p. 101).

Para a realização da nossa análise de conteúdo, procedemos as seguintes fases de acordo com Franco (2008, p. 52):

Pré-análise: procedemos fazendo a transcrição literal das 2 entrevistas realizadas entre as professoras mestres Conceição e Fátima, resultando na

constituição do corpus, considerados o conjunto dos documentos tidos em

conta para ser submetidos aos procedimentos analíticos.

Posteriormente realizamos a leitura flutuante que no dizer de Franco (2008, p. 52):

Esta fase é chamada de leitura flutuante, por analogia com a atitude do psicanalista. Pouco a pouco, a leitura vai se tornando mais precisa, em função das hipóteses emergentes, da projeção de teorias adaptadas sobre o material e da possível aplicação de técnicas utilizadas com materiais

análogos.

Estabelecemos os pseudônimos de Conceição e Fátima, tanto para a Observação quanto para cada uma das entrevistas Entrevista I (Pré-observação) e a Entrevista II (Pós- observação) com o objetivo de compor o sentido do todo das entrevistas:

Exploração do material: extraímos unidades de significado no texto. Posteriormente,

estas unidades de significado constituíram unidades de registro.

Categorização: organizamos a unidades de registro em categorias e subcategorias a

partir dos relatos orais das professoras mestres Conceição e Fátima entrevistadas, constituindo os eixos temáticos para análise.

Tratamento dos resultados: apresentamos os dados das categorias por meio de um

texto de modo que expressasse o conjunto de significado nas diversas unidades de registro.

Interpretação: realizamos as interpretações das categorias e subcategorias objetivando

a compreensão profunda do conteúdo estudado.

Desse modo, ressaltamos que a recolha e a análise de dados foram feitas em sintonia, havendo situações em que foram reformuladas em função da outra. As categorias de análise foram sofrendo uma mudança significativa ao longo do trabalho. Assim, temos as categorias

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