Jéssica Rodrigues Dalazen(1); Andréia Lopes de Morais(1); Viviane Fagundes de Lima(2); Marcia
Fernanda Carneiro(2); Wagner Walker de Albuquerque Alves(3)
(1) Acadêmica do curso de Agronomia, Universidade Federal De Rondônia, Avenida Norte e Sul, 7300, CEP 76940-000, Rolim de Moura, RO. E-mail: [email protected]; [email protected] (2) Acadêmica do Curso de Engenharia Florestal, Universidade Federal De Rondônia, Avenida Norte e Sul, 7300, CEP 76940-000, Rolim de Moura, RO. E-mail: [email protected]; [email protected] (3) Prof. Dr. Depto. de Engenharia Florestal, Universidade Federal De Rondônia, Avenida Norte e Sul, 7300, CEP 76940-000, Rolim de Moura, RO. E-mail: [email protected]
RESUMO – Schizolobium parahyba var.
amazonicum (Huber ex. Ducke) Barneby é uma espécie florestal nativa da região Amazônica, apresentando suma importância econômica e social para o Brasil. As mudas dessa espécie são produzidas através das sementes, as quais possuem dormência tegumentar. O objetivo deste trabalho foi analisar a velocidade de germinação em três níveis de profundidades (um, dois e três centímetros). Para superar a dormência das sementes de Schizolobium parahyba var. amazonicum, as mesma foram submetidas a um tratamento utilizando-se a água quente. O teste de germinação foi realizado em um substrato com 50 % de subsolo e 50 % de areia, sob temperatura e luz natural. As avaliações de porcentagens e velocidade de germinação foram realizadas diariamente durante 15 dias, sendo consideradas germinadas as sementes que apresentaram cotilédone. Os
INTRODUÇÃO – A Schizolobium parahyba var.
amazonicum (Huber ex. Ducke) Barneby conhecido popularmente como bandarra, pinho cuiabano e paricá, ocorre em toda a Amazônia brasileira, no Peru e na Colômbia, sendo que sua madeira é bastante utilizada para laminação no estado do Mato Grosso e Rondônia (CARVALHO, 1994). Sua madeira é considerada leve (0,30 g cm-3), com indicações de uso para forros, palitos,
canoas e papel (LE COINTE, 1947). A espécie pode alcançar de 20 a 30 m de altura e até um metro de diâmetro, sua copa é densa e regular, porém não impede o crescimento de vegetação de sub-bosque e rasteira. Sua madeira tem coloração branco-amarelado-claro, às vezes com tonalidade róseo-pálido e apresenta uma superfície lisa. Segundo Melo (1973), a espécie pode fornecer boa matéria-prima para a obtenção de celulose para papel, com fácil branqueamento e excelente resistência obtida
enriquecimento de capoeiras e com grande potencial para recuperação de áreas degradadas. Rondon (2000), avaliando 30 espécies florestais com 54 meses de idade, constatou que a bandarra está se destacando em crescimento e forma de plantio.
A propagação de um grande número de espécies florestais encontra sérias limitações em razão do pouco conhecimento que se dispõe quanto à profundidade do semeio para o melhor desenvolvimento das plântulas. Este cenário representa um entrave em qualquer programa de maior extensão que necessite periodicamente de mudas de alta qualidade para propagação dessas espécies, visando à preservação e utilização com os mais variados interesses.
O presente trabalho teve por objetivo testar o semeio de sementes de bandarra (Schizolobium parahyba var. amazonicum) em três profundidades, bem com a sua influência na porcentagem de germinação.
MATERIAL E MÉTODOS – Foi utilizada a
quantidade de 1.000 sementes de procedência da Fazenda Matagal, Lote 03, Gleba 02, Setor Terebito II, Linha 85, município de Alta Floresta do Oeste. Inicialmente, foi feito o processo de separação das sementes de acordo com seu tamanho, eliminando-se as sementes defeituosas, restando apenas as sementes sadias.
O experimento foi realizado em outubro de 2012 no campo experimental da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Rolim de Moura.
Para a aplicação da técnica de quebra de dormência das sementes, as mesmas foram imersas em água fervente por um período de 12 horas. Após esse procedimento foram retiradas e feita uma nova seleção das sementes que não apresentaram potencial para originar plântulas normais. Essas foram classificadas como sementes mortas, duras, dormentes e sementes
danificadas (BRASIL, 1992). Foram utilizados para o preparo do substrato 50 % de solo extraído a uma profundidade de aproximadamente 45 cm da superfície, e 50 % de areia.
O semeio foi realizado na data de 11 de outubro de 2012. Em profundidades de um, dois e três centímetros com quatro repetições para cada profundidade, mensurada com auxilio de uma régua, e um cano de PVC, com espaçamentos de 5 x 5 centímetros em caixotes de 50 x 50 centímetros, totalizando 25 sementes por repetição, as quais foram cobertas por tela sombrite 50 %, sendo irrigadas diariamente.
A contagem das plântulas foi efetuada diariamente, tendo início a partir do terceiro dia após o semeio. Com o objetivo de medir a velocidade de germinação pelo teste Tukey (p= 0,05).
A interpretação do teste foi efetuada com base nos critérios gerais estabelecidos nas Regras para Análise de Sementes (BRASIL, 1992). Sendo que para o efeito de contagem de plântulas germinadas foram levadas em consideração plântulas normais, sendo aquelas que demonstraram ser aptas à produção de plantas normais sob condições favoráveis de campo. As características das plântulas normais originadas no teste foram: plântulas intactas, com os cotilédones, hipocótilo bem desenvolvidas e sadias e as anormais, que por sua vez, foram aquelas que não apresentaram potencial para originar plântulas normais sob condições favoráveis de campo. Assim, a anormalidade mais frequente manifestada foi deformidade na radícula após a germinação, estas sendo caracterizadas e fotodocumentadas por uma câmera digital Sony, 7.0 Megapixels. As avaliações foram efetuadas diariamente por um período de 15 dias após a instalação dos testes. Os resultados foram expressos em percentagem de germinação (BRASIL, 1992), velocidade de germinação (índice), determinada pelo tempo, conforme proposto por (FILHO et. al., 1987): IVG
velocidade de germinação (dias) G1, G2, Gn = número de plântulas normais computadas na primeira, na segunda, na terceira e na última contagem. N1, N2, Nn = número de dias de semeadura na primeira, segunda, na terceira e última contagem; e também plântulas normais, plântulas anormais, sementes duras e sementes mortas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO – O início da
germinação das sementes ocorreu a partir do terceiro dia em todas as profundidades, apresentando melhor resultado a profundidade de três centímetros.
A análise de variância da porcentagem de germinação e do IVG das sementes em três profundidades de semeadura em substrato de areia e subsolo (1/1), indicaram os resultados ilustrados na Figura 1. Portanto, de acordo com a mesma, pode-se observar que a porcentagem de germinação das sementes de bandarra foi significativamente superior para a profundidade de três centímetros, por apresentar potencial para originar plântulas normais. Sendo considerada plântula normal quando aquela que apresentou todas as suas estruturas intactas e bem desenvolvidas. A maioria dessas plântulas não apresentou radícula acima do substrato exibindo diretamente o hipocótilo e cotilédone, com isso a radícula que se desenvolveu dentro do substrato fixou-se melhor dando origem a plântulas com melhor qualidade que as demais (Figura 2).
CONCLUSÃO – Dentre as profundidades de
semeio, a que apresentou melhores resultados, sendo a indicada pelo melhor Índice de Germinação, foi a profundidade de três centímetros, pois proporciona maior número de plântulas normais.
BIBLIOGRAFIA
BRASIL, Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras para Análise de Sementes. Brasília - DF, SNAD, DNDV, CLAV, 1992, 365p.
CARVALHO, P.E.R. Espécies florestais brasileiras: recomendações silviculturais, potencialidades e uso da madeira. Colombo: EMBRAPA – CNPF; Brasília: EMBRAPA – SPI, 1994. 640p.
COSTA, D.H.M.; REBELO F.K.; D’AVILA, J.L.; SANTOS, M.A.S. dos.; LOPES, M.L.B., Alguns Aspectos Silviculturais sobre o paricá. Belém: BASA, 1998. 23p. (Série rural, 2).
FALESI, I.C.; SANTOS, J.C. dos. Produção de mudas de paricá Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke. Belém: FCAP. Sérico de Documentação e Informação. 1996. 16 p. (Informe Técnico, 20).
FILHO, J.M.; CICERO, S.M.; SILVA, W.R. Avaliação da quadidade das sementes. FAELQ. Piracicaba – SP, 1987.
LE COINTE, P. Árvores e plantas úteis (indígenas e aclimadas). 2. ed. São Paulo: Nacional, 1947. 496p. (Brasiliana, 251).
MELO, C.F.M. de. Relatório ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal sobre a Viabilidade do aproveitamento papeleiro do Paricá (Schizolobium
Figura 1. Porcentagem de germinação (A,B e C) e IVG (a,b e c) de sementes de bandarra com três profundidades de semeadura, em substrato de areia e subsolo (1/1), sob sombrite a 50 %.
Figura 2. Plântulas provenientes das profundidades de semeio (A, B, C). Plântulas normais semeadas a três centímetros de profundidade (D).