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La fermeture de la CRA, puis de l’Obip

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Une efficacité variable de la politique de retour des tableaux

1. La fermeture de la CRA, puis de l’Obip

3.4.1 Organizando o Campo Empírico

Torna-se nesse momento importante ressaltar que, segundo Paiva (1983, p. 134), os principais problemas que tornaram ineficazes os maiores Programas de Alfabetização de pessoas adultas no Brasil estão ligados aos planos educacionais com interesses políticos, métodos fracassados de ensino, influências de organismos internacionais, influências políticas e carência de recursos.

E ainda que, para Gadotti (2001,p.35), "o analfabetismo é a expressão da pobreza, conseqüência inevitável de uma estrutura social injusta", e que, para o mesmo autor, "o analfabetismo não é uma questão pedagógica, mas uma questão essencialmente política".

Assim, deve-se considerar essas afirmativas bastante provocadoras, pois certamente nos remetem à reflexões profundas acerca da alfabetização de pessoas adultas no Brasil. Essas reflexões permitem-nos desconstruir uma história, gerando, como efeito, um emaranhado de dúvidas em relação às histórias e memórias da educação e da alfabetização de jovens e adultos no país.

As afirmações de Paiva (1983) e Gadotti (2001) impulsionaram a formulação de instrumentos de investigação em torno dos diversos fatores que possam ter contribuído para que as pessoas ainda permanecessem na condição de analfabetas ou de analfabetas funcionais até tão pouco tempo atrás, ou que ainda permaneçam nessa condição.

Para isso, a partir da literatura estudada para a construção dos instrumentos de reconstrução das H.V9. dos assentados foram considerados alguns fatores

condicionantes do acesso e do aproveitamento educacional nos programas de alfabetização pelos quais os assentados já tenham participado ou que não tenham participado, tais como:

 Há casos em que a permanência na condição de analfabeto foi resultado de opção pessoal.

 Há casos em que a permanência na condição de analfabeto foi resultado falta de condições ou de oportunidade.

 As condições sócio-econômicas e outros fatores que possam garantir o acesso e a permanência dessas pessoas nos Programas não foram levados em consideração no momento em que foram elaboradas e implementadas as propostas de alfabetização de adultos no Brasil. – (Aqui nos deteremos aos programas que serão analisados nessa pesquisa).

 O desemprego, os baixos salários e as péssimas condições de vida dessas pessoas contribuíram para a sua permanência na condição de analfabetas.

 A má formação dos professores/alfabetizadores constituiu-se como fator relevante para levar essas pessoas à condição de analfabetos funcionais.

 O métodos fracassados de ensino, copiados de forma acrítica de outros países, estimulou as pessoas ao abandono do curso ou programa. ( Aqui nos deteremos aos programas que serão analisados nessa pesquisa.)

 As carências de recursos didáticos são fatores responsáveis pela manutenção dessas pessoas na condição de analfabetas.

 A inserção dessas pessoas analfabetas no MLT provocou nelas o desejo ou a necessidade de se alfabetizarem.

 Ainda carecemos de um Programa constituído de propostas que realmente estejam voltadas para os reais interesses dessas pessoas.

Faz-se importante informar que para responder a essas questões, foram consideradas as percepções dos sujeitos analfabetos/assentados, uma vez que vários estudos, considerando primordialmente a percepção dos pesquisadores, já foram realizados.

3.4.2 História de Vida como instrumento de coleta de dados e informações

Embora a História Oral de Vida seja considerada também uma forma de pesquisa documental, pois os “documentos redigidos a partir da HV, são muitas vezes, extremamente vivos: neles descobrem-se pontos de vista originais sobre experiências pessoais, até mesmo íntimas em detalhes...” (LAVILLE & DIONNE, 1999 p159), optamos por destacá-la, também10, como instrumento de coleta de dados e de informações na Pesquisa de Campo, dada a relevância das informações por meio dela coletadas para a investigação a que se propõe.

Essa possibilidade é confirmada por Meihy (2002, p. 15), ao afirmar que a HV pode ser um “instrumento eficaz para o estabelecimento de uma ótica diferenciada das informações e análise conferidas pela História Oficial, sendo capaz, igualmente, de possibilitar uma nova visibilidade daquele fenômeno histórico.”

Porém, torna-se de fundamental importância ressaltar que a pesquisa que se utiliza do método HV não deve ser confundida com uma autobiografia, pois consiste num relato fiel da experiência de um sujeito e da interpretação feita por ele do mundo em que vive.

Daí, a HV, para Laville & Dionne(1999,p.159), poder ser considerada como uma forma de Estudo de Caso, pois possui um princípio de apreensão da totalidade sócio-cultural e histórica.

Nesta pesquisa, a HV, portanto, caracteriza-se tanto como instrumento de coleta de informações para a realização da investigação quanto como referencial teórico de análise dessas informações. No caso de sua utilização como instrumento de coleta de dados e informações, optou-se por organizá-la com base nas sugestões de Meihy (2002,p.76), anexo II apresentadas a seguir:

 As entrevistas foram organizadas em 4 (quatro) blocos clássicos na história oral: infância, evento fundamental, presente e futuro.

 As entrevistas, mesmo tendo a referida organização, serão semi- estruturadas.

 Após a autorização prévia11, as entrevistas foram ser gravadas e transcritas. As perguntas foram “amplas, sempre colocadas em grandes blocos, de forma indicativa dos grandes acontecimentos. O pesquisador deve ouvir mais que perguntar”(MEIHY,2002,p.76).

Buscou-se, dessa maneira, alcançar os pontos contraditórios que geraram as questões central e norteadoras dessa investigação, pois segundo Ludke (1988,p.61), “a pesquisa qualitativa é um confronto constante entre as evidências recolhidas e o embasamento teórico”.

3.4.3 Entrevistas Semi-Estruturadas com especialistas

As entrevistas semi-estruradas têm se tornado uma forma de coleta de informações para investigações mais comuns, dada a sua possibilidade de maior flexibilidade em relação aos questionários.

Nesse trabalho, a entrevista semi-estruturada foi norteada pelos interesses da investigação, detectados nas Histórias Orais de Vida das pessoas assentadas, os quais foram destacados e registrados em folha própria, conforme anexo I. Esses interesses da pesquisa foram selecionados pelo pesquisador e estão voltados para o objeto da pesquisa que é a relação que existiu entre os analfabetos e os programas de alfabetização, visando o objetivo da investigação.

Dada a dificuldade da realização dessas entrevistas, uma vez que o entrevistado não é o solicitante, esteve-se atento à motivação adequada e constante do

entrevistado. Por isso, ateve-se ao tema especificado e à escolha e formulação adequada das questões.

3.4.4 Análise da Conversação

Faz-se importante informar que a Análise da Conversação será aqui empregada apenas como método de transcrição das expressões orais e não com possibilidade de discussões das mesmas.

A Análise da Conversação, desde o início, estabeleceu como principal preocupação a “vinculação situacional e, em conseqüência, como o caráter pragmático da conversação e de toda a atividade lingüística diária”. (MARCUSCHI,1986,p.08).

Para tanto, deve-se atentar numa transcrição com as informações adicionais, as que devem ser claramente definidas e em acordo com os objetivos propostos para a investigação. Assim, não há transcrição melhor, pois todas são boas quando não desprezam os seus objetivos e não deixam de assimilar o que lhe convém.

Nesse sentido, visando minimizar os problemas que possam vir a interferir na interpretação das sentenças orais, elegemos os sinais de transcrição sugeridos por Marcuschi (1986,p.10-3), em anexo IV.

Ainda, uma das preocupações que mais nos desperta a atenção, no que tange às transcrições das sentenças orais, está relacionada à organização das seqüências, uma vez que Marcuschi (1986,p.20) nos atenta para algumas possibilidades de elaboração de perguntas e respostas. Para ele, esta é “uma das seqüências conversacionais mais comuns (...) e exibe várias formas de realizações” (MARCUSCHI,1986,p.31), às quais devemos estar atentos, a fim de evitar induções às respostas que desejamos.

são denominadas como “perguntas abertas” (PA) ou “informativa” (PI) e “perguntas fechadas” (PF).

Porém, a preferência a esse tipo de pergunta, “SIM ou NÃO”, é em decorrência das respostas elípticas que, no caso de um “SIM” como resposta afirmativa, em geral, permitem ao pesquisador (entrevistador) uma gama de interpretações aceitáveis, tendo o “SIM” como referência interpretativa.

Portanto, visando limitar as possibilidades de interpretação, optamos pelas perguntas abertas, sempre atentando para o que Marcuschi denomina de “modalizador”. Em uma pergunta com “modalizador”, pode ser sentida a preferência por uma resposta esperada, negativa ou positiva. Podemos perceber que, de certo modo, essa pergunta tende como uma proposta de resposta e não propriamente como uma indagação. Ciente dessas possibilidades que Marcuschi nos alerta, atentou-se para esses aspectos.

Reforçamos, ainda, que a Teoria da Análise da Conversação somente será utilizada nesta pesquisa como referência para as transcrições das entrevistas orais e para a elaboração de perguntas, e não como teoria de análise das respostas ou informações, uma vez que para isso elegemos a Teoria da Análise do Conteúdo, de Bardin (1977), apoiando- se na História Oral de Vida.

Optou-se por realizar esta pesquisa de forma que as propostas de alfabetização dos Programas, Projetos e Campanhas foram estudadas de forma mais aprofundada, permitindo uma aproximações desse estudo com vozes dos assentados e dos especilistas, com o objetivo de promover as discussões que levaram ao entendimento de alguns motivos e/ou razões de essas pessoas permanecerem por tanto tempo na condição de analfabetas.

Dessa forma, pôde-se perceber a relação que existiu entre os Projetos implementados e os analfabetos; percepção esta possibilitada pelo acesso às histórias de vida desses sujeitos assentados e às vozes dos especialistas que atuaram nesses principais projetos.

Para a realização dessa análise, empregou-se como referência e eixo norteador as categorias utilizadas para análise dos Projetos, Programas, Campanhas e Movimentos voltados para a alfabetização de adultos no Brasil.

Portanto, as categorias que nortearam a análise desses documentos nessa pesquisa, foram as seguintes:

1 – o momento histórico-político em que o programa foi implantado; 2 – os objetivos propostos pelo programa;

3 - o público alvo a quem o programa pretendia atender; 4 - a qualificação exigida pelo programa para os docentes; 5 - os recursos didáticos disponibilizados para o programa; 6 – garantias de acesso e de permanência.

Os Programas, Projetos e Campanhas estudados foram selecionados, tendo como critérios:

A - a importância histórica percebida nos “Antecedentes Históricos”; B - a consonância com a faixa etária dos sujeitos investigados;

C - as informações dos assentados dos PA1 e PA2, por meio do questionário aplicado na “Pesquisa Inicial ou de Sondagem”.

Os Programas, Projetos e Campanhas analisados foram os seguintes:

1 - Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA-1947) 2 - Campanha Nacional de Educação Rural (CNER- 1952)

3 - Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo (CNEA – 1958 - 1963 )

4 - Movimento de Educação de Base (MEB) de 1961 – 1964 5 - Plano Nacional de Alfabetização

8 - Fundação Educar

9 - Programa de Alfabetização Solidária

10 - Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) 11 - Programa “Brasil Alfabetizado” – MEC

Os especialistas entrevistados, apresentados a seguir, são profissionais que atuaram, atuam ou vivenciaram como estudiosos, profissionais ou espectadores experiências relacionadas aos Programas, Projetos, Campanhas ou Movimentos de alfabetização no Brasil, como profissionais:

D A = Professora aposentada da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia.

M R S J = Coordenador Regional do Pronera no Campus XVII da UNEB, em Eunápolis.

J B A = Responsável Técnica pelos Projetos da Universidade do Estado da Bahia para o PRONERA.

V R P = Coordenadora Programa de Alfabetização Solidária em Porto Seguro

V R P = Coordenadora das Ações do Programa Brasil Alfabetizado em Porto Seguro

A Tabela 04 representa os sujeitos que tiveram suas Histórias de Vida reconstruídas.

Visando uma maior facilidade na interpretação das informações, elaborou-se uma legenda de identificação dos analfabetos assentados, apresentada a seguir

Alf = Alfabetizado(a) Evad = Evadido(a)

NP = Não Participou do Pronera Primeiro Número = Assentamento Segundo Número = Ordem da entrevista f = feminino

m = masculino

últimos Números = Idade

Exemplo: Alf1.1f53 = Alfabetizada, Assentamento 1, primeira entrevistada, sexo feminino, idade 53 anos

3.5 Referencial Teórico-Metodológico para Tratamento dos Dados e

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