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fEMALE EMPLOyMENT PATTErNS

Dans le document Trade and Gender Toolbox (Page 20-23)

3. PARTICIPATION Of WOMEN IN ThE KENYAN ECONOMY

3.3. fEMALE EMPLOyMENT PATTErNS

Os estudos dos gêneros, na Antiguidade Clássica, estavam ligados à tentativa de distinguir situações reais, sobretudo os fatos linguísticos. Desse modo, a classificação e determinação dos gêneros se desenvolveram em diferentes áreas do conhecimento, são os chamados gêneros retóricos. Também na Antiguidade Clássica, a noção de gênero estava ligada aos textos hegemônicos, são os chamados gêneros literários, que são classificados em líricos, épicos e dramáticos. Essa disposição está relacionada à representação dos personagens e do autor nos livros, por exemplo, nas construções em que apenas o autor fala, temos o gênero lírico; aquelas em que os autores e personagens falam, temos os de natureza épica; e nas obras em que apenas os personagens aparecem, temos ao gênero dramático. Com base nisso, percebemos que a classificação literária é de ordem discursiva (FERREIRA, 2013).

No início do século XX, com o Formalismo Russo, os gêneros ganham evidência em discussões que consideravam o caráter evolutivo, quanto a sua forma e a sua função social, e dinâmica, no sentido que um gênero novo seria a transformação de um gênero antigo. Todorov (1980), procurando definir a origem dos gêneros, diz:

De onde vêm os gêneros? Pois bem, simplesmente de outros gêneros. Um novo gênero é sempre a transformação de um ou de vários gêneros antigos: por inversão, por deslocamento, por combinação. Um “texto” de hoje (também isso é um gênero num de seus sentidos) deve tanto à “poesia” quanto ao romance” do século XIX, do mesmo modo que a “comédia lacrimejante” combinava elementos da comédia e da tragédia do século precedente. Nunca houve literatura sem gêneros; é um sistema em contínua transformação e a questão das origens não pode abandonar, historicamente, o terreno dos próprios gêneros: no tempo, nada há de “anterior” aos gêneros (TODOROV, 1980, p. 46).

Considerando este trecho de Todorov, percebemos que os gêneros permeiam todas as camadas sociais, carregam traços da cultura local e todos eles são considerados literatura. As transformações teóricas, nos estudos sobre os gêneros, seguem as demandas sociais. Atualmente, com a tecnologia, muito se discute sobre os cibergêneros, que correspondem aos gêneros veiculados no ciberespaço.

Antonio Candido (1992), no prefácio do livro “Para gostar de ler”, que traz uma coletânea de crônicas de Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga, propõe uma reflexão sobre o gênero crônica enquanto literatura, no sentido de que ela é o caminho que nos leva a humanização. Desde o título do prefácio, o autor já caracteriza o gênero em questão “A vida ao rés-do-chão”, o que significa dizer que a crônica é literatura do povo simples, que ela se aproxima da verdade, dos nossos modos naturais de ser e de se expressar.

Fazendo um traçado histórico deste gênero, convém dizer que:

A crônica [...] é filha do jornal e da era da máquina, onde tudo acaba tão depressa. Ela não foi feita originalmente para o livro, mas para essa publicação efêmera que se compra num dia e no seguinte é usada para embrulhar um par de sapatos ou forrar o chão de cozinha (CANDIDO, 1992. P. 14).

Dessa maneira, percebemos que a crônica se caracteriza como “filha”, pois ela não surgiu juntamente com o jornal, mas a partir dele, há aproximadamente cento e cinquenta anos. O literato ainda afirma que a crônica é um gênero brasileiro, devido a naturalidade com que se fixou e pela sua originalidade local.

Ele nasceu como uma derivação do “folhetim”, que se caracteriza por ser um artigo, localizado no rodapé do jornal, em que se discutia política, economia, saúde, dentre outras questões sociais. Mas ao longo do tempo, o texto foi encurtando e adquirindo um tom mais descontraído, com uma linguagem leve, perdeu seu caráter informativo do jornalismo, e obteve o tom humorístico, alcançando, então, a maturidade do gênero. Escritores que contribuíram para essa transformação do gênero aqui no Brasil foram Olavo Bilac e João do Rio.

Foi na década de 1930 que a crônica se consolidou no Brasil como tal, com a forte marca estilística do humor que deixou de lado a seriedade dos nossos problemas diários, mas sem desconsiderar os sentimentos humanos e a crítica social. O que habitava apenas os

jornais, hoje compõe livros, bem como sites na internet – suporte este que a fez ganhar grande visibilidade.

Candido (1992) critica professores tendenciosos que incutem em seus alunos o pensamento de que situações graves devem ser sérias, porém é no divertimento que mais se aprende e se chega ao amadurecimento das opiniões. Para que a crônica reflita a concepção humana do dia a dia é preciso que os escritores façam uso de vários estilos, meios de atrair a atenção do leitor e persuadi-los.

É por esta abordagem simplista do gênero, por sua relação com o cotidiano, que o adotamos como objeto de estudo para fomentar a agência nos participantes de um projeto de letramento literário vivenciado por crianças pertencentes a uma comunidade da região rural, sendo algumas delas ainda não alfabetizadas. Acreditamos que a crônica é capaz de impulsioná-las a serem mais críticas e a saírem do comodismo, da ausência da prática de leitura e da escrita.

Tendo em vista que o ensino da literatura não deve se limitar a um único gênero, Alfredo Bosi (2001) revela-nos o benefício do trabalho com contos (gênero também explorado no projeto de letramento), no sentido de que:

“se comparada à novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencia no seu espaço todas as possibilidades da ficção. E mais, o mesmo modo breve de ser compele o escritor a uma luta mais intensa com as técnicas de invenção, de sintaxe compositiva, de locução: daí ficarem transpostas depressa as fronteiras que no conto separam o narrativo do lírico, o narrativo do dramático.” (BOSI, 2001.p. 7)

Nestas condições, a brevidade que tipifica o gênero conto abrange características de narrativas densas (romances), que por essa razão se configuram como “cansativas” para crianças que ainda não possuem o hábito leitor. Sabendo-se que é responsabilidade do leitor- escritor oferecer as suas palavras para os textos, debruçando-se de modo agentivo na leitura e na escrita, entendemos que narrativas longas poderiam desmotivar a comunidade de aprendizagem durante o processo.

Entendemos, então, que nos projetos de letramento os usos da leitura e da escrita possuem uma função social, no sentido de considerar a vida do aluno, suas influências constituintes da sua personalidade. Nesse sentido, a aproximação entre texto-leitor, também se realiza na temática desenhada, nas vivências do homem contemporâneo, ou seja, o conto se realiza em situações reais ou imaginárias.

O contista, em sua construção literária, parte de uma situação que expresse seu ponto de vista evidenciado pelos personagens, espaço, tempo e enredo. Sendo assim, Bosi (2001)

conta-nos que “o contista é um pescador de momentos singulares cheios de significação” (p. 10) que partem de suas memórias, de um convívio que é recuperado pelas experiências. Buscamos, pois, que nossos leitores se encantem com Guanduba, com o campo, com o meio rural, a partir das vivências compartilhadas com suas famílias e amigos, ao passo que, se faça exigir e reivindicar direitos e deveres sociais. Nessa perspectiva, “O regionalismo do Nordeste é, em geral, lúcido e crítico, mesmo quando se enreda em estruturas memoriais, nostálgicas” (BOSI, 2001. p. 13).

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