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Segundo Futada (2007), embora pareça existir um certo consenso em relação as referências gerais que determinam se um programa se enquadra como Educação Olímpica, diversas são as possibilidades de desenvolvimento de uma iniciativa desse caráter. Programas de Educação Olímpica podem variar em termos de forma, tipo e grau de institucionalização, bem como na abordagem dos conteúdos pedagógicos, dos temas e das atividades. Frente a
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Projetos de Educação Olímp ica podem estar presentes em dife rentes campos sociais (escolas, clubes, projetos sociais, entre outros); com diferentes propostas de duração (temporária, permanente, contínua, in tercalada) e vinculados a diferentes iniciativas (governamentais, não governamentais, autônomas, e assim por d iante).
isso, esforços têm sido realizados na tentativa de categorizar essas diferentes possibilidades de aplicação desses programas.
Uma dessas categorizações, ao analisar o tipo de vinculação das diferentes iniciativas de desenvolvimento da Educação Olímpica, tem detectado, de forma geral, duas grandes tendências no desenvolvimento desse tipo de programa: uma de dimensão institucionalizada e outra autônoma.
Na dimensão institucionalizada, é possível identificar projetos de Educação Olímpica desenvolvidos por iniciativas governamentais – locais ou internacionais – ou por organizações não governamentais, como por exemplo, os Comitês Olímpicos Nacionais. Na dimensão autônoma, destacam-se as iniciativas pessoais por parte, sobretudo de educadores. As iniciativas de dimensão institucionalizada podem ou não estarem relacionadas com a programação oficial dos Jogos Olímpicos. Já as iniciativas autônomas geralmente mantêm-se independentes desta programação, aproveitando no máximo da repercussão dos Jogos para assim alcançarem uma maior relevância.
Quanto à classificação de um programa de EO a partir da sua duração temporal, estes podem ter um caráter temporário ou permanente.
Já Moretti e Tapetti (2007), por sua vez, propõem uma categorização de Educação Olímpica que busca acompanhar a mesma classificação utilizada na definição dos tipos educacionais. Assim, classificam a Educação Olímpica como formal, não formal e informal. Portanto, para esses autores, entender o que seria a Educação Olímpica formal parte da necessidade primeira de entender no que consiste a Educação formal. A Educação formal é aquela que ocorre nas pré-escolas, escolas e universidades, sujeita a uma pedagogia teoricamente formulada, métodos de ensino próprios, regras estabelecidas, duração e horários bem definidos, bem como a presença de executores especializados. A Educação Olímpica formal se daria então nesses programas de educação formal.
Ainda em Moretti e Tapetti (2007), a Educação Olímpica não formal é aquela que acompanha a própria Educação não formal. A Educação não formal pode ser exemplificada pelos cursos profissionalizantes extracurriculares, cursos musicais, de esporte, projetos sociais, entre outros. Ainda que ocorra fora do ambiente regular de ensino, este tipo de educação não dispensa objetivos e métodos bem definidos.
Já a Educação Olímpica Informal, na visão dos autores acima, vai ao encontro da Educação Informal. Este tipo educacional é aquele que ocorre de maneira não intencional durante as diversas relações sociais, não possuindo sistemas ou métodos claramente definidos. Portanto, a Educação Olímpica Informal se materializaria pelo ensino e aprendizagem dos
valores olímpicos por meio da mídia, ao se assistir as competições, ou por conta da participação da população na prática de jogos que carregam consigo o ideário olímpico.
Dentre as possibilidades de classificação das iniciativas de Educação Olímpica, a que não poderia deixar de ser mencionada é a categorização proposta por Naul (2008). Baseado na maneira como os conteúdos pedagógicos e as atividades são trabalhadas, este autor propõe quatro possíveis abordagens referentes a programas de Educação Olímpica para as escolas, a saber:
- Abordagem orientada para o conhecimento (the knowledge-oriented approach): nesta abordagem busca-se desenvolver a Educação Olímpica por meio do legado histórico e educacional do ideário olímpico. De acordo com Naul, esta abordagem é a mais difundida em todo o mundo, centrando-se na apresentação de informações referentes aos Jogos Antigos e Modernos, destacando nomes, datas e fatos;
- Abordage m experiencial (the experiential approach): nesta abordagem procura-se realizar encontros dentro e fora do ambiente escolar, através de jogos, festivais esportivos, de arte e de música, enfatizando a participação de crianças e jovens nestes festivais e nas co mpetições “Olímpicas” escolares. A abordagem experiencial tem dado ênfase especial no ensino do fair play;
- Abordagem realização física através do esforço (the physical achievement through effort approach): concentra-se na ideia de que o desenvolvimento individual e social ocorre por meio de esforços intensos para se alcançar a superação própria por meio do esforço físico e da competição. Voltando seu olhar para o treinamento e para a prática física sistemática, busca oferecer uma plataforma para o desenvolvimento holístico do corpo, mente e espírito. Esta abordagem situa a Educação Olímpica no currículo da Educação Física e no esporte extracurricular e interescolar;
- Abordagem orientada ao mundo da vida (the lifeworld-oriented approach): esta abordagem procura estabelecer uma ligação entre os princípios olímpicos próprios da experiência social no esporte com as experiências de outras áreas da vida. Esta abordagem interpreta os ideais olímpicos como uma motivação para atividades de aprendizagem em todos os aspectos da vida, por meio da participação ativa no esporte e na atividade física.
Embora Naul (2008) tenha procurado estabelecer uma categorização que abrangesse as diferentes maneiras de se abordar a Educação Olímpica na escola, faz-se necessário aqui uma ressalva no intuito de sinalizar para a interpenetração dessas categorias. Em outras palavras, as abordagens estabelecidas pelo autor não são mutuamente excludentes, existindo pontos de comunicação entre as mesmas que permitem que um mesmo projeto de Educação Olímpica possa ter características presentes em mais de um tipo de abordagem. Nestes casos, a classificação de tal programa dentro de uma das categorias propostas por Naul pode ser realizada levando em consideração a característica que mais se sobressai – e não a única – na maneira de se desenvolver o conteúdo pedagógico.
Portanto, é preciso ter claro que as diferentes sugestões de categorizações para as iniciativas de Educação Olímpica tornam-se relevantes quando identificamos a existência de um amplo contexto de possibilidades de implantação de projetos desse tipo, contribuindo para a sua mínima demarcação, seja pelo grau de institucionalização, pela sua duração ou pela forma de trabalhar os conteúdos. Porém, ao mesmo tempo, torna-se necessário que tenhamos a clareza de que essas categorias não devem ser consideradas fechadas, visto que um único programa de Educação Olímpica pode apresentar uma característica capaz de atender ao mesmo tempo um ou mais campo categórico.