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A7.4.2 TAPE RECONFIGURATION SCENARIOS

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Por mais que as propostas recentes para o Ensino Médio, como por exemplo, aquelas apregoadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), indiquem como missão deste nível de escolarização a oferta de uma formação educacional de qualidade, caracterizada não apenas pelo domínio dos conteúdos, mas também pelo desenvolvimento de uma postura crítica e autônoma nos alunos diante dos embates cotidianos, como já evidenciado em momento anterior por este trabalho, historicamente esse segmento do ensino ainda vem se destinando prioritariamente a cumprir dois objetivos principais: preparar o jovem para o vestibular ou moldá-lo para o mercado de trabalho (GUIMARÃES et al., 2007).

Com isso, todas as ações educacionais nesse contexto de ensino acabam voltando quase que exclusivamente para essas duas finalidades, uma vez que:

A competitividade do mercado, a valorização do diploma superior, aliadas a fatores como a privatização do ensino no país, consequênc ia do descaso do Estado com a educação brasileira, propiciaram a ideia de que escola de ensino médio boa é aquela que prepara e aprova um maior número de alunos para os vestibulares universitários (GUIMARÃES et al., 2007, p. 164).

Assim, a prioridade dada a esse tipo de preparação, principalmente àquela voltada aos processos seletivos de ingresso no Ensino Superior, faz com que haja tanto uma primazia na seleção de conteúdos de caráter mais técnico-instrumentais aplicados de forma pragmática, quanto na importância atribuída às disciplinas que possuem um programa curricular compatível com os conhecimentos exigidos pelos vestibulares.

Nesta perspectiva, não só a dimensão atitudinal da Educação Física perde sentido, mas também a disciplina como um todo, haja vista que os conhecimentos por ela abordados pouco ou nada aparecem nas indicações dos conteúdos programáticos dos processos seletivos para a entrada no Ensino Superior.

Muitos alunos estão muito focados no vestibular no final do ano, principalmente os alunos do terceiro ano...então eu vejo alguns falando que querem ser advogados ou médicos e não enxergam sentido em fazer Educação Física ou no que essa disciplina pode ajudar para passar no vestibular (Professora 1).

Neste caso, em um nível de escolarizaç ão em que o sucesso encontra-se atrelado somente a um resultado final, dando-se pouca importância aos demais aspectos positivos que podem emergir do processo educacional como um todo, não é de se estranhar que uma disciplina pouco associada ao vestibular e ncontre um insuficiente reconhecimento nesse contexto.

Além disso, muito mais do que perder espaço e reconhecimento, o que se percebe também é um desenvolvimento da disciplina muito vinculado às próprias etapas dos processos de seleção para o Ensino Superior, o que dificulta qualquer proposição de trabalho com outras possibilidades e dimensões da Educação Física escolar, como é o caso do Manual de Educação Olímpica:

Novamente eu não pude trabalhar com o manual devido a sobrecarga lá na escola pelo final do ano por causa de atividades referentes ao futuro dos alunos...agora a escola entra num ciclo muito problemático porque diz respeito à finalização do ano, principalmente em relação ao fechamento de nota, não só da minha disciplina, como também das outras...além do vestibular que alguns estão fazendo. Então a pedagoga solicitou para que eu não aplicasse atividade agora por causa dessa sobrecarga dos alunos, só continuar com as atividades de quadra, atividades práticas que eu já dava, pra eles relaxarem um pouco e se divertirem. E isso acabou dificultando um pouco a aplicação das propostas do Manual de Educação Olímpica. (Professor 3)

É devido a essa influência do vestibular no cenário educacional do Ensino Médio, sobretudo nos dois últimos anos desse nível de escolarização, que Miranda et al. (2009) coagitam a possibilidade de inserção dos conhecimentos da Educação Física nas etapas de seleção para o Ensino Superior como uma alternativa de mudança de concepção sobre a área por parte dos diferentes sujeitos constituintes do contexto escolar:

Embora não tomemos essa questão da educação física no vestibular como peça chave para o reconhecimento e legitimidade da área, entendemos que tal acontecimento pode apontar caminhos que conduzam a mudanças significativas no trato da educação física no ensino médio à medida que a própria comunidade (pais, alunos, diretores, entre outros) cobrará da escola (professores) o pleno ensino dos conteúdos curriculares que serão matéria para ingresso na universidade (p. 629).

Ainda que essa possa ser uma alternativa para um maior reconhecimento da área, a nosso ver isso pouco contribui para um desenvolvimento pleno de todas as dimensões do ensino dos conteúdos abarcados pela Educação Física. Muito pelo contrário, os processos

seletivos do vestibular têm privilegiado um conhecimento de tipo técnico instrumental, dando ênfase principalmente à dimensão conceitual dos conteúdos escolares. Neste sentido, não existem garantias de que uma inserção da disciplina Educação Física nos programas dos vestibulares promoverá mudanças em direção a uma maior abordagem da dimensão atitudinal de seus conteúdos. Além do mais, o quadro é ainda mais preocupante, uma vez que com isso a tendência é que haja uma supervalorização da dimensão conceitual, a ssim como acontece com os outros componentes curriculares, podendo desencadear em uma defasagem também com o trato da dimensão procedimental da Educação Física, tão característica da disciplina, levando a um problema de ordem inversa ao que ocorre atualmente.

Com isso, a perspectiva de mudança não deve perpassar por ajustes nas disciplinas que afirmem ainda mais o contexto conturbado do Ensino Médio, como é o caso da incorporação dos conhecimentos da Educação Física no vestibular, mas sim a partir da conscientização de que é preciso caminhar ao encontro das novas propostas para o nível médio de escolarização, formando indivíduos detentores de conhecimentos instrumentais, mas ao mesmo tempo dotados de uma sensibilidade crítica que os permitam, de forma autôno ma, se posicionar diante dos conflitos cotidianos.

5.2.2 Educação Física: o desafio de promover valores por meio de uma disciplina que

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