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Em virtude de toda essa mudança por parte do público, cada vez mais grandes mídias do meio estão mudando suas formas de divulgar seu conteúdo. Um caso que chama atenção é o da revista americana Thrasher Magazine. Fundada em janeiro de 1981 por Kevin Thatcher, Eric Swenson e Fausto Vitello, na cidade de San Francisco – EUA, a Thrasher é um símbolo de inovação e qualidade dentro do movimento do skate.

Figura 10: Primeira capa da Thrasher Magazine Fonte: Thrashermagazine, 2016.

Apesar de sempre ter como foco principal a distribuição mensal de unidades impressas, com o passar do tempo a Thrasher evoluiu junto com o meio onde esta inserida, passando de uma icônica revista impressa a um importante portal web, onde se tem acesso aos mais variados lados da cultura do skate.

Com uma proposta voltada ao uma raiz cultural do skate, a Thrasher se lançou ao mercado como uma mídia impressa que abordava não somente o skate propriamente dito, mas toda uma cena que anda em conjunto com o mundo das quatro rodinhas. Matérias voltadas para a cena de rock californiana, artigos relacionados à fotografia, entrevistas, dentre outros, foram pilares que permanecem até hoje na essência da revista.

Todo mundo que andava de skate sabia que a Thrasher era uma revista feita por skatistas, para skatistas, sem artigos de bobagens, apenas com boas fotografias e com uma profunda cobertura da indústria do skate da perspectiva de quem atua no mercado (THRASHER, 2006, p. 8).

Desde seus primórdios, a Thrasher sempre buscou inovar, acrescentando, de alguma forma, projetos e quadros que envolvessem o seu publico com a revista, fazendo com que a marca da mesma fosse fortalecida.

Figura 11: Páginas da quinta edição da Thrasher – Maio 1983 Fonte: Thrashermagazine, 2016.

Em suas primeiras edições, conforme ilustrado na figura 10, a revista já abordava campeonatos, além de realizar matérias sobre a cena que envolve o mundo do skate, como por exemplo, a música.

Logo em 1983, a Thrasher lançou o Skate Rock Collection, material que nada mais era que uma coletânea com um mix de músicas compostas por bandas da

cena punk-rock californiana que eram por vezes, formadas por skatistas. A coletânea teve sete volumes, estendendo-se de 1983 até 1989.

Figura 12: Primeira edição da coletânea Skate Rock Collection - 1983 Fonte: Thrashermagazine, 2016.

Um ano após o fim da coletânea, a Thrasher trás aos holofotes o projeto ‘’Skater of the Year’’. Iniciado em 1990, este projeto consiste em uma premiação anual para o skatista que, a julgar de um júri especializado da revista, vem a ser considerado o skatista do ano. Este prêmio existe até os dias de hoje, estando esse ano em sua decima sexta edição.

O skater of the year é considerado atualmente um dos maiores eventos anuais do skate mundial, uma vez que o publico do mundo inteiro está de olho em quem serão os indicados, bem como o que o júri irá usar de argumento para dar a premiação a determinado skatista. São levados em conta pelo júri para eleger o vencedor critérios como Vídeo-Partes lançadas ao longo do ano, aparições em revistas, campeonatos e outros meios de exposição, fatores que venham a configurar que aquele ano foi o ano do determinado atleta.

Figura 13: Anuncio do skatista do ano 2015. Anthony Van Engelen Fonte: Thrashermagazine, 2016.

Eventos e edições especiais como o Skate Rock e o Skater of The Year sempre fizeram parte da historia da Thrasher. Com o passar dos tempos, a chegada de novas tecnologias e o aumento do fluxo de informação, a revista foi se moldando e conseguindo convergir midiaticamente com um grande êxito.

Em seus 33 anos de existência, a Thrasher conseguiu atingir tamanho padrão de referência tanto por suas tradicionais edições mensais impressas, quanto também por se tornar um grande referencial de mídia na internet, onde utiliza dos mais variados recursos e canais para promover e dissipar conteúdos. Atualmente, além das suas edições mensais impressas, a Thrasher possui uma vasta linha de atuação online, fruto de uma convergência que vem atuando sobre o publico e o mercado.

A convergência das mídias é mais do que apenas uma mudança tecnológica. A convergência altera a relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. A convergência altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. Lembrem-se disto: a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final. (JENKINS, 2008, p. 43).

No site oficial da revista (www.thrashermagazine.com) é possível ter, em poucos minutos de acesso, uma boa amostra de como a mesma vem conseguindo evoluir e convergir juntamente das novas plataformas tecnológicas e afins. Na sessão Arquivo, conforme ilustra logo abaixo a figura 14, é possível ter acesso a todas as edições da revista. As mesmas foram totalmente digitalizadas e você ao acessar o site pode escolher qual edição quer, e clicando na imagem da pagina desejada, a mesma abre em um tamanho maior, conforme ilustra a figura 15, possibilitando a leitura da mesma por via do computador.

Figura 14: Sessão de arquivo das edições da revista no site Fonte: Thrashermagazine, 2016.

Figura 15: Imagem das paginas das revistas. Forma normal e ampliada Fonte: Thrashermagazine, 2016.

Atitudes como essa possibilitam uma interação extrema em relação marca- público, uma vez que o leitor mais antigo, por exemplo, terá acesso as edições impressas mensalmente, mas o leitor que preferir o acesso digital pode entrar no site e ter acesso a todo material com apenas alguns cliques.

Figura 16: Topo da homepage do site da revista. Fonte: Thrashermagazine, 2016.

Conforme ilustra a figura 16, no topo do site da Thrasher é possível identificar mais uma vez, de forma fácil e direta, mais indícios de como a revista se aplica de forma correta e eficiente a convergência midiática que vivenciamos atualmente. Não bastasse toda essa transição da revista impressa para um portal web, a mesma possui também diversos veículos de social media, como Facebook, Instagram, Twitter e Youtube.

Essa mescla de possibilidades virtuais para divulgação de conteúdo acaba por confeccionar uma excelência quanto à eficiência da Thrasher em produzir conteúdo em vasta quantia e de grande qualidade.

Figura 17: Página de facebook da Thrasher

Fonte: Thrasher Magazine, 2016. In: Facebook.com/thrashermagazine, 2016.

No facebook, a Thrasher possui uma fanpage com mais de 1millhão e setecentas mil curtidas, numero expressivamente alto de publico o qual fica, através da dita pagina, sabendo as mais variadas novidades do mundo do skate. Materiais produzidos para outros veículos midiáticos da revista são também divulgados na pagina, proporcionando ao publico um geral envolvimento e conhecimento a cerca de tudo o que a revista anda produzindo.

Convergência não significa perfeita estabilidade ou unidade. Ela opera como uma força constante pela unificação, mas sempre em dinâmica tensão com a transformação. Não existe uma lei imutável da convergência crescente, o processo de transformação é mais complicado que isso’. (JENKINS, 2008, p. 38).

Outra importante ferramenta de divulgação de conteúdo da Thrasher é o Instagram (rede social para postagem de fotos e vídeos). Possivelmente, pelo fato do instagram ser a rede mais desejada do publico atualmente, o mesmo é o local online que a Thrasher mais possui seguidores, um total de mais de 2,6 milhões, conforme mostra a figura 18.

Figura 18: Perfil da Thrasher no Instagram

Fonte: Thrashermag. In: Instagram.com/thrashermag, 2016.

O instagram representa da forma mais sintética possível todo esse imediatismo midiático que vivenciamos hoje. Vídeos de no máximo um minuto, maneira fácil de postar fotos, itens que proporcionam ao publico e revista uma interação fácil, rápida e muito direta.

Por tamanha simplicidade de conteúdo relacionada ao aplicativo, a Thrasher utiliza do instagram para, assim como no facebook, efetuar divulgações de suas unidades mensais, eventos, novidades, bem como os novos vídeos produzidos pela revista ou por parceiros da revista que virão a ser publicados em seu canal do youtube, sendo este, o possível melhor representante de como a convergência vem atuando na historia da marca.

Lançado em 2006, ou seja, 23 anos depois da primeira edição impressa da revista, o Canal de Youtube (site para upload de vídeos online) da Thrasher já acumula mais de 1milhão de pessoas inscritas e possui um total de visualizações de material superior a 350 milhões de acessos, conforme mostra a figura 19.

Figura 19: Canal da Thrasher no Youtube

Fonte: ThrasherMagazine. In: Youtube.com/thrashermagazine, 2016.

Por conta do grande fluxo de informações que nos cercam, do imediatismo que vem influenciando cada vez mais o comportamento dos consumidores, os tradicionais vídeos de marcas de skate, onde a equipe ficava cerca de quatro anos viajando com sua equipe para então lançar um vídeo de 40 minutos, já não são mais tão reverenciados como eram a cerca de 10 anos atrás. Hoje em dia, as marcas estão optando em produzir mais materiais de curta duração, porém com grande frequência, justamente para ficarem em evidência sempre como alguém que está constantemente produzindo, e o canal do youtube da Thrasher vem a somar como uma das principais formas de veicular esses vídeos na internet.

Assim como o instagram e o facebook, o canal de youtube da Thrasher agrega e converge todo o material midiático produzido pela mesma. Através de sessões que constam no canal, você pode tanto procurar por algum diferencial de vídeo que só o canal possui, como pode obter informações a respeito de algum artigo publicado na revista ou curiosidade sobre algum conteúdo inserido em alguma edição da revista.

Figura 20: Vídeo da seção First Look Fonte: First Look: Dustin Dollin, 2016

Dentre os quadros videográficos produzidos para o canal do youtube, destacam-se alguns como o First Look (ver figura 20), onde conforme o nome de tradução semelhante a ‘’Primeira olhada’’, mensalmente a Thrasher produz um vídeo onde convida um skatista profissional e lhe entrega a edição do mês que acabara de sair para que o mesmo faça uma espécie de analise superficial de todo o conteúdo da mesma, instigando assim o desejo do publico que esta assistindo o vídeo a adquirir a versão física da revista para apreciar o conteúdo com maior profundidade e tranquilidade.

Outra forma de contato da revista para com o meio digital-impresso é a seção Magnified, a qual se traduz como uma forma de levar vida a determinado anúncio da revista.

Figura 21: Vídeo da sessão Magnified Fonte: Lemos, 2016.

Por meio de um vídeo que começa com uma animação das paginas da revista, o mesmo realiza uma espécie de imersão na pagina de determinado anuncio, continuando como o real vídeo gravado durante a sessão que originou aquela determinada foto do anuncio, permitindo assim ao leitor saber um pouco mais sobre o processo de obtenção da fotografia impressa na revista.

Tamanha versatilidade e interatividade de conteúdo web que a Thrasher consegue proporcionar por via de seus mais variados locais de relacionamento nas redes sociais e afins, acabaram posicionando a revista como um dos maiores referenciais para lançamentos audiovisuais de marcas do mundo inteiro (fig. 22), uma vez que a mesma consegue níveis grandiosos de exposição midiática, fator que toda marca espera conseguir ao lançar um novo material.

Figura 22: Novo vídeo da marca WKND via site da Thrasher Fonte: WKND's "Who's to Say" Vídeo, 2016.

Praticamente todo conteúdo audiovisual que é veiculado em seu site, acaba indo para o canal do Youtube, bem como outras mídias sociais da revista, configurando um excelente processo de convergência midiática por parte da revista, que vem produzindo mais e inovando constantemente.

Todos estes exemplos caracterizam o grande êxito que a Thrasher vem empregando em sua trajetória, conseguindo ser desde uma referencial mídia impressa, até um dos maiores e mais conceituados portais audiovisuais da atualidade, mostrando com isso que conforme a sociedade e as mídias evoluem, os meios de produção também podem e devem se adaptar a fim de continuar produzindo bons conteúdos e disseminando os mesmos para um numero de pessoas cada vez maior, mantendo vivas tanto a chama do skateboard quanto marca da Thrasher, afinal, conforme citou Phelps (2006 apud Thrasher Magazine, 2006), editor chefe da revista, a Thrasher é para sempre, assim como o skateboard.