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Failure of the model identified by each approach

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CHAPTER 5: DEVELOPING NEW MODEL IDENTIFICATION APPROACH: BI-

5.2 Development of the bi-objective approach

5.3.3 Failure of the model identified by each approach

Na maioria das vezes, a ideia intrínseca de que os sujeitos são mentirosos, enrolados e indecisos vem acompanhada de outras expressões que denotam questões psíquicas ou especificamente problemas psicológicos. Essas falas referem-se à mente como algo interno ou aos comportamentos observáveis, mas revelam os modos como os julgamentos são operacionalizados.

Nesses modos de descrição do outro, é recorrente a menção do termo normal ou

normalidade para falar de estados subjetivos, questões de gênero e sexualidade. A palavra

normal tanto indica sanidade mental como, às vezes, aparece associada à discrição e à masculinidade.

[...] um cara amigo, discreto, que respeita os linites de todos para ser respeitado. Pessoa amiga e tbm discreta, resumindo: uma pessoa normal (DBA3).

Nesse discurso, o usuário usa o termo discreto (a) duas vezes, sendo que em uma delas, a palavra se transforma em síntese de normalidade. A indiscrição e a sexualidade “fora do armário” são relacionadas à anormalidade, pois, segundo afirmam alguns usuários, não há necessidade de “dar pinta”. O que esses usuários estão associando, mais do que a padrões mentais, é o uso do termo “normal” como “natural”, isto é, buscar alguém normal significa desejar o encontro de homens que sustentem consistentemente o “padrão natural de masculinidade”. Outro usuário, respondendo ao que busca num outro, conclui o que espera de sua “caçada”:

Alguém normal e dentro das possibilidades da normalidade. Enfim, gosto de conhecer pessoas se vc acha que o seu estilo é contundente ao meu então é vc. Que saiba o quer da vida, não aos garotos de programa nada contra apenas não acho legal, mas, cada qual com seu cada qual. E nem pessoas com trejeitos pois gosto de macho com jeito de macho que goste de uma safadeza entre paredes...(DBA10).

A revelação via discurso dos padrões acerca do que seja efetivamente normal e anormal revela-se implicada a questões de gênero, mas não apenas isso: muitos sujeitos referem-se à disponibilidade para algumas práticas sexuais usando termos psicológicos, como por exemplo:

Procuro um companheiro pra algo sério, ou momentaneo, alguém que seja bom caráter, viril, que goste de sexo sem frescuras e que seja amigo, carinhoso e discreto. Tenho tara por caras másculos, musculosos e de mente

aberta na cama. Mas não sou exigente com tipo físico. Se rolar uma boa

quimica, não tem fronteira. Que goste muito de sexo, assim como eu (DBV3).

“Mente aberta na cama” significa estar sem limitações ou fronteiras sexuais, com possibilidade de vivenciar diversas práticas. Isso é mais evidente quando oriundo de um sujeito que se afirma versátil, ou seja, disponível para penetrar e também ser penetrado, uma vivência sexual sem a divisão ativo/passivo.

As estruturas psíquicas “neurótico” e “psicótico” também aparecem nos textos. Na maior parte das vezes, os sujeitos rotulam os outros como neuróticos quando não conseguem entender as ações ou se deparam com as incoerências e inconstâncias dos sujeitos. Os dois sujeitos citados abaixo, por exemplo, acionam o termo neurótico e psicótico com sentidos diferentes:

Possuo instrução acadêmica e bom conhecimento geral, sou saudável, gosto de sexo, não sou neurótico e me sinto bem ao encontrar novas amizades. Meus limites são os curtos espaços de tempo disponíveis e, apesar de ter como objetivo o sexo, consigo melhor desempenho quando o outro estiver em sintonia. A primeira transa é com a cabeça de cima (DBV10).

Não curtimos caras 100% Ativos neuróticos nem os carentes nem os

paranoicos, preferimos os equilibrados, MACHOS VERSÁTEIS, que

curtam tomar roladas ou troca-troca entre picudos (MA3).

Enquanto o primeiro perfil não explicita porque não se considera neurótico, o segundo associa neurose a homens 100% ativos ou sujeitos carentes. Ser equilibrado significa ser versátil ou independente emocionalmente. Versátil, nesse contexto, não se trata da possibilidade de penetrar e ser penetrado, mas a exigência de que isso ocorra em uma mesma relação sexual, isto é, no “troca-troca”.

Fry (1982) descreve alguns possíveis modelos de relações eróticas entre homens; no denominado modelo hierárquico, o sujeito que penetra assume o papel de macho e dominador e o que é penetrado assume o papel de fêmea. Denota-se também a prática sexual que envolve dar o cu e não macular a imagem de macho através do já referido “troca-troca”, recorrente, por exemplo, em colégios internos (além de outros espaços e contextos). Assim, um ato com significado de dominação é anulado por outro no sentido contrário.

O que o perfil MA3 parece buscar não é uma ampliação das possibilidades sexuais, mas sim anular um ato de dominação, seguido por uma rejeição a qualquer possibilidade de

relacionamento. É um perfil de um casal que não expõe nitidamente a configuração da relação, mas provavelmente também segue o modelo de troca-troca entre “picudos”.

Outros termos também dão significado à forma como os sujeitos vivenciam uma sexualidade fora das normas sociais, como por exemplo, a expressão “sem neuras”. A referida “neura” diz respeito a uma não aceitação da experiência com outro homem, por essa contrariar um modelo sexual imposto. Alguns sujeitos simplesmente não aceitam vivenciar tais desejos por medo ou os que experimentam tais práticas com sintomas e reflexos de culpa. Miskolci (2011) acredita na possibilidade de os sujeitos vivenciarem o sofrimento como forma de retirarem de si a culpa por agirem em desacordo com a ordem social heterossexista. O sofrimento teria, assim, a função de aliviar ou expiar o sentimento de erro.

Os sujeitos textualizam, por conseguinte, a “neura” associada à sexualidade e em especial, às relações afetivossexuais:

Gostaria de manter contatos íntimos com homens não afemidade para uma amizade mais profunda (sexo a dois ), que goste de manter sigilo absoluto e

sem neuras, sou carinhoso e bem humorado, gosto de sinceridade e não

frequento lugares gls (DBV7).

Procuro gente parecida. Afim de algo bacana, sádio, tranquilo, sem neuras. Só mandem contato se for macho, discreto, que se vista e que fale como homem. Afeminados, menininhas criadas com vó VAZA (DBA5).

To afim de caras sem neuras,preferia n afeminados, na boa! me amarro em caras q curtam dar o cuzinho na boa.. e to muito afim de fuder (DBA6).

Em seus discursos, os sujeitos mantêm as incoerências e paradoxos, ao acreditarem estar vivenciando uma sexualidade sem neuroses, mas há uma série de exigências, entre elas a existência de um sigilo absoluto, temendo pela indiscrição que um sujeito não másculo possa acarretar ao encontro e ao sexo. Exigência, medo, segredo e possibilidade de culpa compõem o cenário para essas subjetividades “sem neuras”. Dessa forma, os sujeitos se apropriam dos termos dando outros significados, de modo que justifiquem suas escolhas e práticas, mantendo o padrão de homem másculo, sigiloso e “imaculado”.

Um dos sujeitos, ao menos em seu texto de perfil, parece fugir a essa lógica em que neurose, neura, psicose, além de outras palavras, compõem uma rede de significados associados a sigilo, masculinidade e ao modo de vislumbrar as práticas sexuais não vivenciadas.

suas conclusões. Vou deixar você me dizer, depois que me conhecer. É preciso aceitar as pessoas como elas são. Tenho tentado aprender isto todos os dias. Posso garantir que sinceridade, honestidade, amizade e respeito, são coisas fundamentais para que se construa a confiança. E confiança é base para tudo. Se está procurando perfeição, vá para outro planeta ! Gente louca

e sem educação, tô fora ! Gosto de pessoas decididas. Seja você sempre e

não tente ser diferente para agradar ninguém (DBP5).

Esse perfil parece ter maior flexibilidade e permissividade para uma relação com o outro, em que as hierarquias sexuais e os padrões de masculinidade não estão textualizados e sobrepostos a outras questões como: sinceridade, honestidade, amizade e respeito. Mas não estar dito não significa que o ideal de masculinidade não possa ser exigido como valor preponderante, entretanto seu posicionamento já denota um sentido contrário aos outros perfis.

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