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Analysis of simulation results

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 87-92)

CHAPTER 4: ANALYSIS OF CURRENT METHODOLOGY FOR CONCRETE

4.3 Analyzing several assessment strategies presented in an international benchmark

4.3.3 Analysis of simulation results

Manhunt pode ser traduzido em português como “caça ao homem” ou “caçada humana”, se o “man” estiver separado do “hunt”. É um site especializado para “caça” entre homens, com diversas opções para que o sujeito comunique seu desejo e o tipo de parceiro pretendido, bem como para descrevê-lo.

A primeira informação requerida é o título do perfil, através do qual alguns usuários têm feito um atalho de suas preferências (kacetapravc, barebahia, negrotopatudo) ou atributos e adjetivos que julgam falar de si (insensato, soudiscreto, amogostoso).

Após o título, o campo perfil permite ao usuário fazer uma descrição com até 654 caracteres. Esse texto é utilizado para comunicar o que se busca e quem o sujeito “é”. O mais comum é que os perfis façam uma descrição de aspectos físicos, de suas práticas sexuais, o que esperam de um encontro (namoro ou sexo) e façam exigências para o outro.

Há um conjunto de campos descritivos para as seguintes informações: idade, altura, tipo físico, cabelos, olhos, etnia, tamanho do pênis, se circuncisado ou não, posição (passivo, versátil/passivo, só punheta, só oral, ativo, versátil/ativo, versátil), disponibilidade para encontro, local para encontro e status do HIV (positivo ou negativo).

É interessante perceber que, por demanda dos usuários ou ideia do portal, a posição sexual não se restringe às tradicionais categorizações de ativo (aquele que somente penetra), passivo (o que deseja ser penetrado) e versátil (que deseja penetrar ou ser penetrado). De fato, há diversos sujeitos que marcam “só oral”, excluindo a penetração, entre outras singularidades. O portal oferece outras categorizações como “versátil/passivo” ou “versátil/ativo” também muito utilizadas.

Há campos de marcação nos quais os usuários podem definir o que buscam e suas preferências e, ao passar o mouse sobre a opção, há uma explicação breve sobre elas: a dois (sem orgias), namoro, fisting (meter a mão ou punho no ânus), sexo anal, jockstraps (interesses em suportes atléticos), couro (interesses em acessórios de couro), massagens, sem compromisso, cunete (boca no ânus, ânus na boca), S&M (casal dominante e submisso que goza com dor), sexo oral, watersports (urinar e brincar com urina), bondage (imobilizar ou ser imobilizado), exibicionismo, amizade, sexo grupal, beijos, vídeo chat, mamilos, pig play

(sexo imundo), role play (realização de fantasias sexuais), só sexo seguro, brinquedos, maduros, pés/meias, fuck buddy (parceiro regular, amizade colorida), punheta, relacionamento sério, casados, sem drogas, pornografia, selvagem, hétero, bi e voyeurismo (olhar enquanto os outros fazem sexo).

Existem, portanto, diversas possibilidades de experiência sexual que ultrapassam as posições tradicionais do passivo e do ativo. Se considerarmos que os sujeitos podem combinar essas possibilidades com outras que não estão disponíveis no portal Manhunt, mas estão no portal Disponível, por exemplo, teremos uma multiplicidade de identificações sexuais (uma delas seria: hétero somada a versátil ou ativo).

Essas múltiplas identificações apontam para a precariedade da divisão binária entre heterossexual e homossexual como formas de separar os indivíduos em dois grupos, uma vez que cada um desses grupos tem muitas particularidades e pontos em comum, como por exemplo, a possibilidade de prazer anal.

Para Calligaris (2011), a redutora distinção homossexual e heterossexual não é o ponto crucial para definir a personalidade dos sujeitos, pois a questão envolve uma reflexão bem mais complexa:

Muito mais do que se ela transa com pessoas do mesmo sexo ou não, o que define uma pessoa é a fantasia sexual com a qual ela funciona. Um homossexual cuja sexualidade é alimentada numa fantasia sadomasoquista tem muito mais a ver com um heterossexual com fantasia parecida do que com outro homossexual que, ao contrário, gosta de transar ternamente, dando beijinhos. O gênero não é o mais importante para definir a sexualidade de alguém. A fantasia define muito mais (CALLIGARIS, 2011, p. 21).

Dessa forma, esses espaços oferecem lugares, territórios para esses sujeitos. Mas quem são esses sujeitos, como essas subjetividades se configuram na pós-modernidade? Como a internet ou a sociabilidade web, especificamente nos sites de relacionamento, implicam nessas vivências?

3.2 “SUJEITOS” DA PÓS-MODERNIDADE

Giddens (2002) faz algumas ponderações para pensarmos a pós-modernidade, época que ele prefere chamar ainda de modernidade ou modernidade tardia, afirmando que esse contexto altera a natureza das relações sociais, afetando, assim, os processos subjetivos, de forma que o “eu” estaria entrelaçado às instituições contemporâneas. Influências globalizantes

e disposições pessoais fazem parte dessa interconexão que produzem novas formas de subjetivação. Esse “eu” que se altera, movendo-se, não é uma entidade passiva, sofredora das influências do mundo exterior e, por isso, o indivíduo, ao forjar autoidentidades, promove mudanças sociais.

A vida social caracteriza-se, para Giddens (2002), como um processo de reorganização do tempo e espaço, envolvendo mecanismos de desencaixe, em que se deslocam as relações sociais dos contextos específicos, dos espaços geográficos imediatos, reelaborando a distância espacial e temporal. Essas transformações atuam na modificação do conteúdo e da natureza da vida social cotidiana.

A modernidade é pensada como uma cultura de risco, porque o indivíduo possui na contemporaneidade uma grande possibilidade de escolhas, o que gera incertezas, dúvidas e desconfianças em si mesmo. E se, por um lado, a modernidade reduz certos riscos, com os avanços das ciências e da tecnologia, por outro, amplia-os por conta do caráter globalizado dos sistemas sociais. São riscos que gerações anteriores, como afirma Giddens (2002), não tiveram que enfrentar. Além disso, esse mundo cria novas formas de fragmentação e dispersão, mediadas por novas tecnologias, em que a mídia contemporânea tem um papel central.

Marshall Bergman (1982) discute as transformações na modernidade, como ele prefere chamar, a partir do ritmo imposto pelo capitalismo, que oferece sistemas de comunicação em massa, dinâmicos, enlaçando em um mesmo lugar vários tipos de sujeitos e sociedades. Os sujeitos experimentam um jogo transitório o global e o local, sendo forçados a escolher entre uma diversidade de opções, em um mundo marcado por mudanças e dinamismos que afetam as práticas sociais e o comportamento humano.

Bergman (1982) se utiliza de uma expressão de Karl Marx (“tudo que é sólido se desmancha no ar”) para dizer que, antes dos autores pós-modernos – inclusive ele critica esses autores – Marx já havia previsto esse momento em que tudo seria despedaçado, pulverizado ou dissolvido. A questão que ele (Marx) problematiza é de como os vínculos humanos se formatariam em um mundo movente e precário, onde a honra e a dignidade humana transformam-se em valores de mercado, ganham etiqueta, transformam-se em mercadorias.

Pode parecer uma visão moralista, mas Bergman (1982) consegue realizar uma consistente interpretação para a precariedade dos vínculos humanos, em um tempo de autodescoberta, autotripúdio, autosatisfação e muitas incertezas, colocando como centro da questão o capitalismo.

problematiza a questão da distribuição capitalista como componente central nessas relações. Para ele, a distribuição capitalista é um dos núcleos primordiais que geram experiências padronizadoras.

Essas transformações sociais provocam mudanças nas subjetividades das pessoas, nas formas de autodescrição, representação e relacionamento. A internet é um desses espaços de produção de subjetividade, uma janela de exposição para os modos como os sujeitos pós- modernos produzem sentido à sua existência.

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