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- FACTEURS DE RISQUE

A partir da Baixa idade Média7, com o surgimento das cidades pensadas e planejadas, Delfante (1997, p.128) considera o “urbanismo da Renascença como uma evolução do urbanismo da Idade Média, que transforma o movimento cultural e social desde o século XIV”. “A cidade que era livre e independente passa a ser a cidade-Estado” (PINTO, 2003; p.50).

O movimento Renascentista, surge na Itália, e seus pensadores buscam definir, em suas obras, a cidade ideal, através dos elementos métricos as proporções que proporcionam a

6 Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da história da

Europa aproximadamente entre meados do século XIV e o fim do século XVI.

7 A Baixa Idade Média foi o período da história Medieval que vai do século XIII ao XV. Corresponde a fase em

que as principais características da Idade Média, principalmente o feudalismo, estavam em transição. Ou seja, é uma época em que o sistema feudal estava entrando em crise. Muitas mudanças econômicas, religiosas, políticas e culturais ocorrem nesta fase.

forma perfeita. Delfante (1997, p. 129) diz que “o objetivo real é o de mostrar ao público e, sobretudo, aos que tem o poder de decisão, graças a um domínio absoluto da perspectiva, concepções arquitetônicas susceptíveis de construir cidades perfeitas.”

Segundo Morris (1992) há três elementos primordiais que foram essenciais nos traçado das cidades renascentistas: a rua principal retilínea, os bairros vazados com o traçado reticular, e os recintos especiais, sendo estes especificados como:

(...) os espaços destinados ao tráfego e formando parte da rede principal de vias urbanas, usada tanto para pedestres como por veículos; os espaços residenciais, pensados só para acesso pelo tráfego local aos edifícios e com o propósito recreativo; e, terceiro, os espaços para pedestres, nos quais é excluído o tráfego rodado. (MORRIS, 1992, p.182-183)

Apesar de serem cidades desenhadas e planejadas, as cidades renascentistas ainda permanecem construídas com muros em sua volta, contudo novos elementos arquitetônicos como rampas, baluartes, fossos, são inseridos sem perder a sua importância, as ruas agora são projetadas em traços retilíneos e sobre a ótica da perspectiva, buscando sempre uma harmonia com as fachadas das edificações, sendo forte o traçado reticular, como podemos observar na figura 12:

Figura 12: Cidades ideais Renascentistas (1-Cidades ideais descrita por Vitruvio; 2- Cidade Ideal descrita por Filatete, 3- Cidade ideal descrita por Pietro Cateano)

Fonte: LAMAS, 1989, p.169

A praça agora se torna o centro estrutural para onde as ruas retilíneas convergem e há uma predominância de modelos radio concêntricos nos projetos das cidades. A figura 13 apresenta esse modelo de desenho de cidade renascentista.

Figura 13: Cidade de Scamozzi – (1593 – Cidade projetada e construída – a esquerda o projeto e a direita vista aérea da cidade).

Fonte: LAMAS, 1989, p. 169

Delfante (1997) descreve o traçado desse modelo de cidade, cuja praça está situada concêntrica a sua forma geométrica.

(...) a sofisticação geométrica que a beleza do desenho permite admirar sem, contudo o fazer compreender: as radiais que saem, por um lado, dos nove topos do eneágono e, por outro lado, do meio dos segmentos que os ligam, nem todas vão dar ao hexágono da praça central, cuja forma é acentuada por uma grande fonte com igual geometria. (DELFANTE, 1997, p.156)

Comparando-se com as praças medievais, as praças renascentistas agora tem outra ênfase quanto a sua concepção dentro do conjunto dos elementos da cidade. As praças renascentistas já não surgem de um espaço vazio na estrutura urbana, sendo agora espaços criados para uma determinada função. Podemos então perceber a diferença entre a praça e o largo (praça seca) quando observados dentro do contexto urbano da cidade renascentista. Pinto (2003, p.53) enfatiza que quando os recintos ou lugares especiais passam a concentrar as principais edificações públicas, com valores político-social, funcional, simbólico e artístico, surgem às chamadas praças cívicas.

As praças renascentistas é um espaço onde acontecem as manifestações políticas, as festas públicas, as cerimônias oficiais, e eventos diversos. Sendo um elemento urbano ostentosamente decorado com monumentos, estátuas e obeliscos, sendo diferentemente das praças medievais quanto à disposição dos seus monumentos, agora dispostos em seu centro e

com a construção de edifícios isolados em seu entorno sem perder ainda a integralidade com os mesmos.

Para Lamas (1989) e Morris (1992) as praças renascentistas, são também referenciadas como recintos especiais, ou seja, os edifícios (religiosos, residenciais, o mercado e edifícios comerciais) presentes em seu entorno, ditam a funcionalidade da praça. Também se faz importante frisar a existência de recintos destinados ao tráfego, que possibilitam o ordenamento do trânsito e a integração entre a praça e as ruas. A exemplo, vide figura 14, podemos citar as primeiras intervenções realizadas na Piazza Del Popolo, que tinham como objetivo o ordenamento do tráfego.

Figura 14: Piazza Del Popolo – (a esquerda o projeto e a direita vista da cidade)

Fonte: BACON, 1995, p.154

Delfante (1997, p.168) relata que o indivíduo ao entrar pela Rua Flamínia (entrada monumental de Roma) observa que no eixo central da praça há a presença de um obelisco, ponto exato de convergência das três vias de circulação, que tem como objetivo ordenar as percepções visuais de acordo com o posicionamento do observador e as ruas que são perspectivadas corroboram para dá imponência as duas igrejas (Igreja Santa Maria dei Miracoli e Igreja Santa Maria in Montesano) presentes no entorno da praça.

Morris (1992) cita também, alguns modelos de praças residenciais desta época, cujo fechamento da praça é dado pelas residências, formando uma moldura para a estátua do Rei, com a finalidade de isolar a aristocracia do povo. Podemos observar na figura 15 modelos dessas praças, cujas intervenções vêm do período iluminista, onde as construções apresentam- se imponentes e o traçado em conjunto, limita o tráfego apenas para os residentes.

Figura 15: Praças Reais em Paris. (1-Place Verdôme; 2- Place Dauphine; 3- Place Royale; e 4- Place Victoires)

Fonte: LAMAS, 1989, p.175

Lamas (1989) relata que há praças onde em seu entorno existem estabelecimentos públicos de grande relevância como edifícios civis, religiosos ou Reais, cuja circulação de veículos não é permitida. A Praça do Capitólio, em Roma, é um tipo de praça que exemplifica esse relação, praça e entorno, onde apenas a circulação de pessoas é permitida, sendo uma praça onde há apenas a existência de um acesso para pessoas, voltado para o Palácio Del Senado e sem ruas, não existindo assim tráfego conforme mostra a figura 16.

Figura 16: Praça Renascentista (reorganização do Capitólio – Roma)

Fonte: BACON, 1995, p.118

Figura 17: Praça do Capitólio (a esquerda, antes da intervenção e a direita, depois da intervenção)

Fonte: BACON, 1995, p.114 e 119

Segundo Bacon (1995), a Praça do Capitólio é um excelente exemplo de passagem da praça medieval para a renascentista, a qual podemos observar na figura acima (17) a configuração da praça antes e após a intervenção realizada, apresentando traçados renascentistas, cujos elementos inseridos apresentam uma nova escala, integração da arquitetura dos edifícios, disposição dos monumentos e a modulação.