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FACTEURS DE RISQUE

Dans le document NOTE D’INFORMATION (Page 146-155)

Na década de 1980 os projetos de veículos não tripulados HALE migraram para a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, DARPA61 em inglês, onde foram exploradas novas tecnologias, como: voo totalmente automatizado e propulsão por energia

60 Disponível em: <http://www.globalspec.com/reference/27642/203279/darpa-projects>. Acesso em: 10 jan. 2018.

solar. Três projetos foram desenvolvidos: HALSOL (1983), Condor (1984) e Amber (1984). (NEWCOME, 2004, p. 104).

2.9.3.1 High Altitude Solar Power (HALSOL): O início de Drones a energia solar

O High Altitude Solar Power (HALSOL) foi um programa secreto desenvolvido pela AeroVironment em 1983. Embora não tenha conseguido migrar a alimentação das baterias para a enrgia solar, foi o precursor dos projetos solares posteriores.

2.9.3.2 Drone Condor (Boeing): Voo completamente autônomo

O drone Condor foi um projeto desenvolvido pela Boeing, com dois propulsores, totalmente automatizado, realizando a decolagem, a aterrissagem e rotinas de prevenção de falhas sem interferência humana. Os dois protótipos Condor produzidos realizaram vários recordes não oficiais de 67.028 pés de altitude, com uma aeronave tripulada e 51h de voo a uma altitude de 55.000 pés, com uma aeronave não tripulada e não reabastecida. A Marinha chegou a considerar o Condor para vigilância marítima e missões de retransmissão de comunicações, mas não prosseguiu nesse intuito.

FIGURA 33: DRONE DARPA - BOEING CONDOR

Fonte: Spyflight.co.uk (on-line)62

2.9.3.3 Drone Amber: “CNN no céu”

O drone Amber foi um projeto conjunto da Marinha com a DARPA para criação de um drone de baixo custo, do tipo média-altitude e longa-duração (em inglês medium-altitude, long-endurance - MALE). O projeto foi feito por Abraham Karem, um israelense expatriado e

antigo engenheiro das Indústrias de Aeronaves de Israel. Abraham Karem fundou sua própria empresa, a leading Systems, para desenvolver seus projetos em aviação. Ele recebeu $ 40 milhões de dólares da DARPA em 1984 para desenvolver seis protótipos do drone Amber: três com a frente pontuda, seriam usados como torpedos aéreos, onde suas asas quebrariam e o drone cairia sobre o alvo, semelhante aos pioneiros Curtiss-Sperry Aerial Torpedo e o Kettering Liberty Eagle; os outros três teriam a frente redonda, para carregar câmeras de televisão e links de dados de alta largura de banda com o objetivo de realizar missões de vigilância através de vídeo em tempo real, chamado de “CNN no céu” (NEWCOME, 2004, p. 106). O drone Amber demonstrou 35 horas de voo a uma altitude de 27.800 pés e o programa se encerrou em 1990.

FIGURA 34: DRONE AMBER - LEADING SYSTEMS

Fonte: Tails Through Time63

Ainda durante o projeto, a Leadin Systems decidiu criar uma versão de exportação de baixo custo, chamado Gnat-750, que fez o primeiro vôo em 1989, mas devido a problemas financeiros, a Leading Systems foi vendida para a empresa General Atomics em 1990. (NEWCOME, 2004, p. 106-107).

FIGURA 35: DRONE GNAT-750 (LEADING SYSTEMS/GENERAL ATOMICS)

Fonte: Federations of American Scientists64

63

Disponível em: < http://www.tailsthroughtime.com/2011/02/genesis-of-predator-uav.html>. Acesso em: 10 jan. 2018.

A General Atomics era do ramo de reatores nucleares e então criou uma nova subsidiária, a General Atomics Aeronautical Systems, dedicada a desenvolver veículos aéreos não tripulados (drones). Então os testes com o Gnat continuaram e ele alcançou mais de 40 horas de vôo. Em 1993 a empresa atraiu dois clientes: a Turquia, que comprou um Sistema com seis aeronaves e a CIA (NEWCOME, 2004, p. 107).

A CIA buscava drones de baixo custo e baixo risco para monitorar o conflito na Bósnia e dar suporte às operações de pacificação das Nações Unidas. A ideia consistia em o drone sobrevoar as áreas problemáticas, retransmitir o vídeo obtido para um avião tripulado Sheizer TG-8 (aeronave de relançamento aéreo), que retransmitiria os dados para uma basse terrestre (Ground Station), que emitiria o feixe de dados via satélite para observadores em Washington (NEWCOME, 2004, p. 107).

Como será visto na Seção 04, os EUA criaram em 1989 o Joint Program Office (JPO) conduzido pela Marinha e em 1993 criaram o Defense Airborne Reconnaissance Office (DARO) para vigiar as aquisições. Havia três níveis estratégicos para as aquisições, chamados Tier (camada em inglês):

Tier I para um UAV de resistência tática, Tier II para um UAV de resistência de teatro (nível operacional) e Tier III para um UAV de resistência estratégica, um recurso de inteligência de nível nacional, como o U-2. O Gnat-750 foi identificado como o recurso Tier I já em uso, mas os sistemas para atender aos requisitos de Nível II e Nível III tinham que ser encontrados (NEWCOME, 2004, p. 108).

Em 1993-1994 o Pentágono introduziu o Advanced Concept Technology Demonstration (ACTD) para acelarar as aquisições que eram muito demoradas (cerca de 10 a 20 anos) e deveriam levar entre 3 e 4 anos, entregando novas capacidades em tempo hábil ao campo de batalha. Mesmo projetos com falhas e rejeições representavam sucesso, segundo Newcome (2004, p. 108).

A General Atomics possuía um projeto para uma versão maior do Gnat-750, chamado Predator, quando surgiram as especificações para o Tier II: 24 horas carregando carga de 400 a 500 (não informa a unidade, mas provavelmente seria libra, equivalendo de 182 a 227 kg o peso da carga) por 500 milhas (aprox. 805 km) e obter imagens de resolução de 1 pé (aprox. 30,5 cm). Seu desempenho impressionou durante os exercícios militares de Novo México em 1994 e o Predator foi escolhido para uso real em combate na Bósnia. Mesmo com as dificuldades observadas durante a sua utilização conjunta, o Predator foi o primeiro protótipo que passou do ACTD para programas formais de aquisição, demonstrando estar pronto para as demandas militares (NEWCOME, 2004, p. 109). Nas figuras 36 e 37 pode-se comparar a

capacidade de carga do drone Predator com drone Reaper (originalmente chamava-se Predator B, designado pela USAF MQ-9B Hunter-Killer ou “Reaper”) e foi avaliado em combate no Afeganistão em 2007.

FIGURA 36: DRONE GENERAL ATOMICS PREDATOR

Fonte: Defense World65

FIGURA 37: DRONE REAPER – OBSERVAR A MAIOR CAPACIDADE DE ARMAS

Fonte: Airvectors.net66

65 Disponível em: <

http://www.defenseworld.net/news/18042/General_Atomics_Wins__349_Million_USAF_Contract_For_MQ_1_ Predator__MQ_9_Reaper_Drones#.WmT87q6nGUk>. Acesso em 10 jan. 2018.

3 REVOLUÇÃO MILITAR: O PAPEL DE MUDANÇAS TÁTICAS COMO FORÇAS INVISÍVEIS OU IGNORADAS

"Não me persiga, eu sou um truque. Eu sou uma bomba suicida". (Trecho de música Pashtun onde uma mulher adverte a um homem para manter distância dela)

A partir do uso de drones, uma nova capacidade foi desenvolvida pelos militares dos EUA: a “caçada humana”, que se resumiu em atacar à distância alvos de dimensões pequenas, como pessoas e veículos, ou até casas, em último caso. Será utilizado este termo pelo fato de que os drones passaram a desempenhar missões mais específicas e destinadas a matar pessoas escolhidas. Mas defende-se neste trabalho que essa capacidade, aparentemente de menor intensidade do que outras plataformas de guerra, teria desencadeado uma série crescente de conflitos sob a influência dos EUA sobre os países do Oriente Médio, ao mesmo tempo em que teria gerado revoltas contra eles, principalmente pelo “temor” que passou a representar o uso de drones sobre a população civil desses países, que temendo estar perto de alguém considerado terrorista e assim serem atingidos colateralmente pelos disparos, muitos passaram a evitar reuniões coletivas como casamentos, reuniões tribais e até mesmo a escola.

Atualmente as teorias de Relações Internacionais dificilmente conseguiriam amparar a gama de ações desencadeadas desde a queda das Torres Gêmeas, em 2001, sem as devidas adequações, principalmente sobre as ausências de justificativas para as guerras, as violações de soberania e a imobilidade internacional diante do expansionismo dos Estados Unidos. Tratar os fatos apenas como expressão do uso da força diante de um Sistema Internacional Anárquico não parece ser produtivo ou mesmo enriquecedor, pois deixaria de lado os efeitos de constante mutação que as guerras provocam, mas que deixam de ser percebidos quando ela acaba e os livros históricos apenas relatam as circunstâncias que fornecem uma narrativa suficientemente lógica para o modelo social e político dos vitoriosos.

Por isso, será utilizada a tese de Michael Roberts de uma Revolução Militar que teria acontecido na Europa de 1560 a 1660, pois fornece uma linha histórica desde eventos aparentemente tênues que teriam levado a mudanças sociais mais amplas e à consolidação dos Estados Modernos e suas instituições. Cabe notar que o período utilizado por Roberts foi de 100 anos, ao passo que o período coberto por este trabalho, com excessão da cobertura histórica dos drones, será feito de 2001 – quando os drones passaram a ser utilizados no Afeganistão para ataques letais – a 2018 – quando este trabalho se concluía –, ou seja, um período de apenas 17 anos, mas repleto de transformações no mundo árabe e de certa forma

no mundo todo, pois se o mundo ainda não percebeu tal transformação, este trabalho serve exatamente para isto: alertar como as Relações Internacionais podem sofrer grandes transformações a partir de acontecimentos até então considerados de pequena magnitude, embora elementos valiosos no estudo da Guerra e da Paz.

Não basta apenas entender o uso da força pelos Estados Unidos como um apetite por poder diante de um Sistema Internacional anárquico, como defende Mearsheimer, pois embora pareça esta uma visão bem convincente, há várias adequações à sua teoria que precisam ser feitas e uma delas seria adequar as estratégias de poder que os Estados utilizam em um Sistema Internacional formado apenas por Estados, mas também por grupos dissidentes e partidos políticos cooptados dentro de soberanias estrangeiras, e até mesmo grupos terroristas.

Um exemplo dessas práticas seria o apoio dado pelos EUA, através de financiamento a todos esses grupos citados e outros, como ONGs e Instituições Internacionais pró democracia, difundindo poder brando (soft power). Isso poderia até mesmo fundir o Realismo Ofensivo com o Poder Inteligente de Joseph Nye.

Ao mesmo tempo, o pensamento de Joseph Nye parece assumir um caminho convergente na direção do Realismo, pois além de o poder brando passar a aceitar o poder duro, para juntos formarem o “Poder Inteligente”, o próprio poder brando vem deixando de ser “brando” em algumas ocasiões, quando é utilizado como mera ferramenta de difamação, manipulação ou para desencadear o uso do poder duro contra pessoas, empresas ou Estados.

Estudar estes elementos esquecidos na literatura das Relações Internacionais parece desempenhar uma visão crítica e histórica, em que a valorização de uma sucessão de acontecimentos tem o objetivo de demonstrar que o “poder” nas Relações Internacionais não é dado apenas de forma direta pelo poder militar ou de forma indireta pelos recursos financeiros em potencial disponíveis, como descreve Mearsheimer, mas também por uma construção histórica, por vezes tão confusa que acaba caindo no esquecimento, mas que, devidamente observada, esclarece e ilumina um fenômeno raro e complexo onde as transformações são mais rápidas do que o normal: uma revolução.

Esta seção iniciará introduzindo conceitos como: Revolução nos Assuntos Militares (RAM), Revolução Técnico-Militar (RTM) e Revolução Militar. Em seguida será apresentada a tese de Michael Roberts sobre Revolução Militar e algumas contestações a ela, que servem para reforçar a aproximação com a presente proposta de Revolução dos Drones. E, por fim, algumas reflexões com o uso de drones serão acrescentadas para um impulso inicial de raciocínio frente a essa nova tecnologia e um novo modo de interpretá-la.

Dans le document NOTE D’INFORMATION (Page 146-155)

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