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Autres charges d’exploitation

5. Tenue de la comptabilité et analyse financière

5.2 Analyse financière

5.2.4 Autres charges d’exploitation

O aspecto histórico estrito ao bairro será apresentado a seguir com base nas informações de Nicolau (2008) e alguns dados atualizados do IBGE (2016). Entre as décadas 1960 e 1980, o crescimento de Nova Parnamirim se deu no sentido dos corredores de acesso da BR 101 e Avenida Ayrton Sena. Após a década de 1990, seu crescimento estava mais pautado para dentro, constituindo as avenidas Maria Lacerda Montenegro e Avenida Abel Cabral, em virtude da criação de loteamentos para moradias voltadas incialmente para o lazer de muitos natalenses (LIMA; NETO, 2000 apud NICOLAU, 2008). Tal fato caracteriza movimentos escapistas e fraturas espaciais típicos do processo de fragmentação urbana. Conforme Nicolau (2008) comenta:

Apesar da ocupação progressiva dos lotes, a configuração espacial que se firmou acabou por instituir alguns vazios urbanos provenientes de espaços não ocupados nestes loteamentos, e que depois foram adquiridos com a intenção de se realizar especulação (NICOLAU, 2008, p. 76).

Esse processo que se desenvolveu a partir dos anos 1980 culminou no movimento de desmembramento e remembramento do distrito. Devido às fraturas urbanas, o Estado e o mercado imobiliário agem instalando escolas, condomínios, acessos e estruturas básicas de saneamento com a finalidade de promover a consolidação da área. Em decorrência disso, em 1993, o distrito de Nova Parnamirim passa a ser desmembrado em função da criação de conjuntos habitacionais divididos espacialmente. Essa espacialidade deu origem, nos anos 2000, aos bairros residenciais Parque do Pitimbu e Parque dos Eucaliptos. Os dois bairros estavam entre os mais ocupados de todo o município de Parnamirim conforme o gráfico apresentado na Figura 9, a seguir.

Fonte: Nicolau (2008)

Após esse desmembramento, ocorre uma junção dos bairros de Parque dos Eucaliptos e Pitimbu. Essa integração se deu pela continuação da forte concentração populacional até o ano de 2004, período em que os bairros descritos são unificados dando origem ao bairro de Nova Parnamirim, com base na Lei 1.222/2004. Em uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística − IBGE (2016), constata-se que o bairro de Parnamirim em 2015 possuía 54 mil habitantes, ultrapassando a soma dos dois bairros até seu último dia de existência e configurando-se como o bairro mais populoso do município de Parnamirim/RN.

De acordo com Nicolau (2008), tais crescimentos vertiginosos se deram em função da geração de empregos em relação ao período de construção do bairro, expansão do emprego em Natal, caracterizando a área como dormitório de Natal. Além disso, há um volume de serviços oferecidos, como: supermercado, bancos, equipamentos públicos, escolas públicas e privadas e etc., “Portanto, a consolidação de sua mancha urbana, a partir da evolução dos loteamentos e desmembramentos, esteve ligada aos processos de ocupação direcionados no sentido Natal/Parnamirim e não o contrário” (NICOLAU, 2008, p. 82).

Além disso, a redução de ofertas de terrenos urbanos em Natal no eixo de principal interesse, metropolização sul, ocasionou também a forte mudança para a região de Parnamirim/RN. Dessa forma, houve um escoamento e forte atuação do mercado imobiliário na área, construindo inúmeros condomínios fechados horizontais e verticais,

este último muito mais presente que o primeiro. Esses empreendimentos foram amplamente divulgados com a ideia de continuação do município de Natal. Entre as estratégias comentadas por Nicolau (2008), a venda perpassava pela apresentação de atributos da região metropolitana de Natal (RMN), e não como espaço de Parnamirim, mostrando, assim, a vantagem de diversas localidades como a aproximação com a capital, o rápido acesso às praias, aos serviços etc.

Atualmente, o bairro de Nova Parnamirim é considerado uma das espacialidades que mais crescem em toda RMN. A moradia em Nova Parnamirim representa a vantagem de residir em uma área de dinâmica relativamente pacata em relação aos grandes centros de Natal/RN. Trata-se de um bairro dormitório. Nessa perspectiva, Ojima (apud CLEMENTINO; FERREIRA, 2015) comenta que esse espaço possui deslocamentos pendulares da população de forma intensa em direção a Natal. Outro fator elencado está relacionado à criação de vastos serviços úteis como bancos, supermercados etc.

Acompanhado da característica de bairro dormitório, devido à grande atuação do mercado imobiliário, vários condomínios do tipo clube se instalaram no bairro. Além dos verticais, podemos citar a existência de muitos loteamentos fechados e condomínios constituídos de forma horizontais. Esses últimos, alguns sendo de grande porte, no entanto, localizam-se muito afastados da malha urbana. Em contraste, existem alguns ligados à malha urbana. Dentre esses, o destaque é o condomínio residencial horizontal Jardim Atlântico, o de mais alto padrão, se considerada a sua localização, conforme o mapa apresentado a seguir (Figura 10):

Fonte: Google Maps

Paralelo a isso, residências localizadas em áreas não exclusivas também são muito presentes, inclusive muitas dessas formam aglomerados subnormais nas redondezas. Tal fato caracteriza o padrão fractal, devido à fratura entre áreas exclusivas e pobres. A existência dessas características reforça a ideia da distinção pelo meio da autoexclusão. Como já discutido anteriormente, trata-se de uma análise espacial. Isso nos remete à ideia do macroespaço que denuncia alguns fatos, promovendo uma ponte para adentrar no universo do microespaço. O próximo passo será a exploração na escala dos bairros exclusivos.

Ao analisar o contexto histórico da formação do bairro de Nova Parnamirim, podemos observar alguns pontos. Foi apresentada a evolução histórica e ainda a crescente do mercado imobiliário, junto a algumas nuances específicas de sua atuação. Esses fatores justificam, de certo modo, o surgimento das tipologias de moradia na RMN. Sendo assim, evidencia-se a expansão de uma tipologia denominada condomínio fechado, especificamente aqueles que incorporam a ideia de clube.

As duas tipologias, isto é, a vertical e a horizontal, foram bastante difundidas e ajudam a identificar, sob um olhar da macroescala, barreiras físicas. Tais barreiras mostram muito mais do que uma divisão física. Por causa delas há certa aproximação das camadas mais ricas com as mais pobres, apesar disso, devido a tais defesas, o espaço contínuo do bairro torna-se fragmentando.

Considerando isso, a atividade imobiliária em Natal em direção às áreas de interesse turístico culmina no fenômeno de conurbação com Parnamirim, especificamente o bairro de Nova Parnamirim. Foi evidenciado que isso se deu em virtude de sua aproximação com as áreas limítrofes de Natal, evidenciando crescimento parecido com o das áreas de interesse turístico.

O espaço de Nova Parnamirim fora sendo ocupado por vários motivos, entre os quais, aquilo que caracteriza os movimentos escapistas baseados na fuga do centro, quer seja por busca de terras mais baratas, quer pela opção de qualidade de vida, típico do movimento de fragmentação urbana. Desse modo, foi possível estabelecer uma ideia de formação territorial. Com isso, além de evidenciar certos aspectos que se relacionam com assuntos comentados em seções anteriores, serve também como alicerce para ajudar a entender a problemática desta pesquisa.

Assim, evidenciamos a localização de um condomínio em meio à conurbação: o Condomínio residencial Jardim Atlântico. Tal espaço apresenta muitas das características que compõem a fratura urbana segundo a ótica da fragmentação urbana. Portanto, do ponto de vista das relações sociais que esse espaço provoca, como ele influencia na fragmentação urbana? É o que trataremos na seção a seguir.

Seguindo a sequência planejada para este estudo, observou-se que várias abordagens ajudaram a explicar o fenômeno da segregação urbana. Diante disso, após várias contribuições analisadas, encontramos um padrão dito como predominante na cidade contemporânea, o padrão de segregação fractal. Viu-se, assim, que há uma relação desse modelo de segregação com a ideia de fragmentação urbana.

Desse modo, analisa-se o espaço a partir do seu modelo de dispersão tendo em vista um processo de desconcentração produtiva da cidade que, por sua vez, provoca uma reorganização no modo de consumir o espaço. Tal consumo está ligado a uma espécie de ideal de exclusividade traduzido na grande expansão dos condomínios fechados.

Evidencia-se o aparecimento dessa tipologia habitacional como um dos sintomas dessa fragmentação urbana. No entanto, este sintoma é muitas vezes percebido na macroescala, evidenciando uma suposta lacuna na microescala. Isso se torna relevante quando observamos que a cidade é a obra dos agentes históricos, o que permite inferir que a partir disso é possível distinguir a ação do resultado, dos grupos e seu produto resultante no espaço (LEFEBVRE, 1999). Assim, os elementos, seja da macro, seja da microescala, são complementares. É a ação desses elementos que produz a cidade, consequentemente envolve a fragmentação urbana.

Esta seção tem por objetivo mostrar elementos que possam contribuir para entender a ação descrita, especificamente analisar a vivência do condomínio fechado Jardim Atlântico e sua relação com fragmentação urbana. Para isso, será necessário abarcar aspectos teóricos que possam servir como articulação entre a macro e a microescala. Considera-se, portanto, a teoria dos Campos de Bourdieu (1979) como peça importante para o entendimento dessa relação. A Escola de Chicago e seus estudos sobre o cotidiano urbano também irão contribuir na conexão pretendida.

Considerando isso, serão apresentadas as análises da vida cotidiana dos moradores de Condomínio Jardim Atlântico situado no bairro de Nova Parnamirim/RN. A respeito dos moradores, elementos importantes serão explorados, tais como: suas historicidades urbanas e as relações de conflito entre o público e o privado nesse ambiente.