G. DES CHANTIERS DE RÉFLEXION À OUVRIR
2. Faciliter la professionnalisation des artistes du spectacle handicapés
Após a crise, a partir do final dos anos 1990, o mercado de salas de cinema no Brasil foi pouco a pouco retomando o crescimento, sendo que em 2005 o país já contava com 2.045 salas, e dez anos depois, com 3.005.
Com base nos dados de 2016 do circuito exibidor brasileiro, conforme dados do Anexo 1, o Brasil contava com 3.160 salas de cinema, o que resulta em uma média nacional
de pouco mais de 65 mil habitantes por sala60. Esse número ainda é bastante inferior àquele dos anos 1980 (1 sala para 50 mil habitantes), mas está longo daqueles do auge da crise (1 sala para 160 mil habitantes).
No entanto, é importante analisar a concentração de salas em alguns estados em detrimento de outros. Se analisarmos o gráfico abaixo podemos verificar essa concentração.
Gráfico 3 – Salas de cinema por estado (2016)
60 Conforme o Segmento de Salas de Exibição - Informe anual preliminar 2017 da Ancine, em 2017 o Brasil contava com 3.220 salas, sendo todas digitalizadas. Em abril de 2018, segundo a Ancine, este número chegou a 3.279, ultrapassando o auge dos anos 70 (3.275). Disponível em: <https://ancine.gov.br/pt-br/sala- imprensa/noticias/ancine-inaugura-publica-o-comemorativa-de-salas-de-cinema>. Acesso em: <jun/2018>.
Fonte: OCA/Ancine. Elaboração: autora.
SP RJ MG PR RS SC GO BA CE PE DF ES PA AM MA MT PB RN AL MS PI SE TO AP RR RO AC 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 Salas de cinema (2016)
Segundo o gráfico acima, é possível verificar que só a região sudeste concentrava 54,6% de todas as salas do Brasil em 2016. Os estados que possuem mais salas são São Paulo (1.031 salas) e Rio de Janeiro (366 salas), que juntos representam (44,2%) do total de salas existentes no Brasil. No entanto, o número absoluto de salas de cinema pode levar a conclusões apressadas se não for comparado com a população da unidade federativa. Por exemplo, embora o território paulista tenha mais de mil salas, é também o mais populoso do país; como fica então o índice de habitantes por sala de cinema neste e em outros estados? É o que procuraremos mostrar ao cruzar a população de cada estado com o número de salas de cinema no gráfico a seguir61.
Gráfico 4 – Número de habitantes por sala de cinema (2016)
61 Mais detalhes conferir no Anexo 2 – Salas de cinema por estado, tabela na qual colocamos a população de cada estado, o número das salas de cinema, o percentual nacional que representa esse número e índice de salas por habitante, além de números relativos às regiões e ao Brasil.
Fontes: Sistema de Registro – ANCINE, SADIS, IBGE e Filme B. Elaboração: autora. Distrito Federal Roraima São Paulo Rio de Janeiro Amapá Santa Catarina Espírito Santo Goiás Paraná Amazonas Rio Grande do Sul Mato Grosso Minas Gerais Tocantins Ceará Mato Grosso do Sul Pernambuco Sergipe Paraíba Rio Grande do Norte Alagoas Rondônia Piauí Pará Maranhão Bahia Acre 0 40.000 80.000 120.000 160.000
De imediato, pode-se constatar que a melhor distribuição de habitantes por sala de cinema é no Distrito Federal (33,8 mil). Afora ele, que goza de situação diferenciada por ser a capital federal, vemos dois extremos nos dez melhores índices da tabela: estados com pequena população e poucas salas (Roraima e Amapá, com menos de 1 milhão de habitantes e menos de 20 salas), e estados bastante populosos com grande número de salas (como São Paulo e Rio de Janeiro, já citados). É interessante notar que, apesar de o número de salas de cinema do estado de São Paulo ser quase três vezes maior que o do estado do Rio de Janeiro, a população deste é um terço da paulista, o que deixa ambos os estados com uma média parecida, de cerca de 45 mil espectadores por sala. Esses dados mostram que mesmo que haja um número alto de salas concentradas em um local, é interessante fazer uma relação com o número de habitantes do mesmo, visto que uma região como a sudeste, com um conjunto populacional maior, deveria igualmente concentrar mais salas. A média nacional é de 65,2 mil habitantes por sala, e estão acima desse índiceas regiões Sudeste (50 mil habitantes por sala), Centro-Oeste (57,1 mil) e Sul (62,6 mil). Mais do que revelar estados onde há muitas salas de cinema, esse segundo cruzamento de dados nos aponta populações com escasso acesso ao circuito exibidor, como na Bahia, quarto estado mais populoso do país e segundo menor índice de habitantes por sala.
A concentração dessas salas se intensifica ainda mais quando partimos para uma análise das mesmas nas capitais e grandes cidades, locais que concentram mais população e, na maior parte dos casos, mais renda, tornando-se portanto locais de maior interesse aos exibidores que buscam o retorno econômico de suas atividades.
Tabela 2 – Salas de Exibição por Faixa Populacional (2016)a
a. O único município com mais de 500 mil habitantes sem cinema no país era Ananindeua no Pará. No início de 2018, a Cinesystem inaugurou no centro da cidade um complexo com 10 salas.
Faixa populacional Municípios com cinema
Quantidade % Quantidade % Menos de 20 mil 3.810 5 0,1% 32.287.365 69.444 0,2% De 20 mil a 100 mil 1.451 140 9,6% 57.686.009 8.677.643 15,0% De 100 mil a 500 mil 268 197 73,5% 54.485.993 43.595.675 80,0% 41 40 97,6% 61.654.700 61.143.866 99,2% Total 5.570 382 6,9% 206.114.067 111.195.566 53,9%
Fonte: Informe Anual Exibição 2016, OCA/Ancine. Elaboração: autora.
Total
municípios População na faixa
População atendida por salas na faixa
É possível constatar igualmente nesta tabela que, do conjunto de 5.570 municípios brasileiros, apenas 382 (6,9%) contam com salas de cinema, ou seja, 5.188 (93,1%) municípios estão à margem desta rede cinematográfica. No entanto, uma vez que aquelas cidades que possuem cinemas são basicamente as de maior concentração populacional, os brasileiros que nelas habitam correspondem a 53,9% da população total do país.
A tendência dos dados descritos nessa tabela aponta para a seguinte configuração: quanto menor o município, menor a presença de salas de cinema. Se atentarmos para municípios com menos de 20 mil habitantes (3.810 municípios) apenas 5 deles (0,1%) desse conjunto conta com sala. Já quanto aos municípios de faixa populacional entre 100 e 500 mil habitantes, vemos que cerca de três quartos deles têm um mínimo parque exibidor.
Como mencionado acima, essa distribuição gradual segue um preceito econômico: os exibidores, em busca de público para suas sessões, em geral dão preferência a cidades mais populosas, exatamente porque isso se traduz em maior público potencial. Essa lógica de mercado provoca o quadro atual: quase metade da população do país mora em cidades sem nenhum cinema.
Para reduzir esse desequilíbrio, foi criada a Lei 12.599/2012, que instituiu o Cinema Perto de Você, um programa destinado a fortalecer as empresas do setor exibidor e estimulou sua atualização tecnológica por meio da abertura de salas em cidades de porte médio e bairros populares das grandes cidades. O programa oferece linhas financeiras para incentivar a construção dessas salas com benefícios como desoneração fiscal.
Ainda dentro da análise de concentrações regionais de salas de cinema, pode-se verificar a relação entre salas de cinema nas capitais e demais cidades do estado na tabela do Anexo III. Nelas, destacam-se as capitais da região Sudeste como os maiores polos de exibição cinematográfica: São Paulo, com 340 salas; Rio de Janeiro, com 222; e Belo Horizonte, com 86. O que interessa, no entanto, é ver o nível de disparidade entre a presença de salas na capital e no interior de cada estado.
Podemos usar como exemplo o estado de São Paulo, que reúne o maior número de salas do país. A relação que existe entre o número de salas na capital e nas cidades do interior e litoral apresenta um relativo equilíbrio se comparado a outros estados: 33% delas se concentram na capital e 67% nas demais cidades. Isso se deve ao fato de o estado concentrar, além da capital, outras cidades importantes economicamente, o que atrai esse tipo de empreendimento. Um exemplo é a cidade de Campinas, que possui 8 complexos com 61 salas
de cinema, um número superior ao de muitas capitais; outro caso é Guarulhos, com 4 complexos e 36 salas. São cidades que, mesmo próximas à capital, contam com populações superiores a 1 milhão de habitantes. Por causa disso, o índice de habitantes por sala do estado inteiro (43,4 mil) não tem muita variação regional: na capital ele é um pouco maior (35,4 mil), enquanto que no interior e litoral, ligeiramente menor (47,3 mil).
Outros exemplos de semelhante equilíbrio nessa relação capital e interior são as cidades de Belo Horizonte e Vitória, que contam com 33% e 19% de salas de cinema em seus estados respectivamente, permitindo que as demais cidades tenham distribuídas entre si bem mais da metade do parque exibidor.
No entanto, o que ocorre na maior parte dos casos é a concentração de salas nas capitais e muito poucas nas demais cidades. A região Norte é a que mais sofre com essa concentração, uma vez que as cidades de Manaus, Macapá e Boa Vista concentram 100% das salas de seus estados. O Pará tem aparentemente um maior equilíbrio, contando com 51% das salas na capital (Belém) e o restante nas demais cidades. Contudo, se analisarmos a proporção entre a população da capital e dos municípios do interior e litoral, observamos um grande contraste, visto que nestes últimos estão distribuídos 82,5% dos moradores do estado; por conta disso, o índice de habitantes por sala em Belém é de 42 mil, enquanto nas demais cidades este número sobe para 213 mil, quase cinco vezes mais.
Na região sul podemos observar uma semelhança entre os estados do Rio Grande do Sul e do Paraná nos dados de população e do número das salas de cinema, assim como na divisão entre a capital e demais cidades. A cidade de Porto Alegre concentra 42% das salas e as demais cidades 57%. No entanto, a capital gaúcha conta com apenas 13% da população do estado do RS, o que resulta em uma sala para cada 21 mil habitantes na capital e 106 mil habitantes por sala no interior. O caso do Paraná é semelhante, mas com um índice de habitantes por sala ligeiramente menos díspar: 23 mil em Curitiba, 96 mil no restante do estado.
Finalmente, é possível averiguar uma grande desigualdade nessa relação quando analisamos o caso da Bahia, no qual a capital conta com 66% das salas, mas apenas 19,2% da população do estado. Se lembrarmos que a Bahia era o estado com o segundo menor número de habitantes por sala de cinema (152,7 mil), é surpreendente ver que Salvador alcança um índice próximo ao dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro (44,5 mil). Por outro lado, as demais cidades pagam um alto preço: concentram 80% dos moradores do estado, mas só têm
um terço das salas, o que resulta em um reduzido índice de 362 mil habitantes por sala. O problema fica ainda mais grave se sairmos exclusivamente das percentagens e lembrarmos que esses números significam que, no populoso estado da Bahia, temos 12,3 milhões de pessoas submetidas a essa aguda carência de equipamentos de cultura cinematográfica.