5 Study 3. Prediction during consecutive interpreting in noise
5.4.3 Eye-tracking data
Com base nos dados analisados, o perfil de utilização dos agentes bypassing nos anos de 2012 e 2013 foi representado pelos pacientes na faixa etária até 29 anos (69,5%), ensino fundamental incompleto (23,8%), sexo masculino (83,8%), raça branca (43,6%), residentes na região sudeste (48,9%), com Hemofilia A (63%), forma grave da hemofilia (71%), presença de inibidor positiva (56,9%) e inibidor de altos títulos (60,5%). Embora tenha sido evidenciado a utilização off-label (2,8%) para o tratamento de coagulopatias não descritas na bula destes medicamentos, o perfil delineado está de acordo com os achados da literatura sobre os fatores associados ao desenvolvimento de inibidores (BRASIL, 2009; WIGHT & PAISLEY, 2003), principal indicação de uso de agentes bypassing, e com as recomendações do Ministério da Saúde, segundo critérios de utilização dos agentes bypassing descritos no Quadro 1 do presente estudo.
O uso racional não pôde ser discutido neste estudo, tendo em vista que para tal análise deve-se considerar não apenas o diagnóstico, mas o peso do paciente, tipo de sangramento, doses prescritas, intervalos e período de utilização. Dentre outros fatores que podem influenciar uso racional dos medicamentos, como a disponibilidade oportuna, problemas nas prescrições e até o marketing das indústrias farmacêuticas (MARIN et al., 2003). Daí a importância dos eventos anuais promovidos pelo Programa de Coagulopatias/Ministério da Saúde, que têm por objetivo contribuir com a qualificação dos profissionais de saúde que atuam no tratamento dos pacientes com coagulopatias hereditárias e fomentar o uso racional.
O alto custo destes medicamentos e o gasto demostrado nos anos de 2012 e 2013 para o tratamento de 702 pacientes justificam ainda a elaboração de protocolos de diretrizes clínicas e os estudos de utilização de medicamentos para monitoramento do uso, a fim de que a utilização dos agentes bypassing seja adequada e o custo do tratamento seja o menor possível, tanto para o paciente como para a sociedade.
Cabe salientar que o tratamento de eleição para pacientes com hemofilia e inibidor é a imunotolerância (IT) que tem por objetivo dessensibilizar os pacientes, ou seja, erradicar o inibidor em 60% a 80% dos casos tratados (BRASIL, 2014). Com a dessensibilização os pacientes voltam a responder satisfatoriamente
ao tratamento com o fator deficiente, não necessitando mais de utilizar agentes bypassing. Portanto, a longo prazo, o tratamento de imunotolerância pode contribuir para a redução da utilização de agentes bypassing nos próximos anos.
Por fim, recomenda-se uma reavaliação do Sistema HWC para os registros de presença e dosagem de inibidor e a revisão das opções de diagnósticos disponibilizados, a fim de que os dados possam gerar informações mais precisas para o acompanhamento clínico e gestão da assistência prestada aos pacientes com coagulopatias hereditárias.
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