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Extension Principle

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Mo Jamshidi and Aly El-Osery

8.7 PROPERTIES OF FUZZY SETS

8.7.2 Extension Principle

Para Bertaux (1980), a ideologia biográfica consiste na tendência de quem narra a vida para imprimir uma lógica interna à sua vida como unidade, à custa da omissão, da diversidade e de eventuais contradições. O que a narrativa de vida revela não é a vida vivida mas antes o produto da relação que o narrador estabelece com este vivido, numa interacção de face a face solicitada por um pedido exterior.

O autor considera que a história de vida não pode dar conta da vida, porque o vivido não é transparente ao próprio sujeito16.

Por outro lado, as narrativas de vida não são também um fragmento particular da realidade socio-histórica. O que as narrativas de vida expressam é uma relação básica do narrador com o mundo que não é mero resultado da personalidade. Há formas típicas de conhecimento social que estão contidas nas práticas do "actor", considerado por esta abordagem como membro de uma categoria social, definida pela actividade profissional ou pela pertença a uma comunidade de situação ou de linhagem .

Para Bertaux (1980; 1988), a narrativa de vida é um meio de observação da realidade, entre outros. No entanto, o autor considera-o o melhor para aceder ao sentido das práticas individuais e captar nelas o "entrecruzamento entre movimento histórico, estruturas sociais e biografia". Segundo o autor, nenhuma outra abordagem permite desocultar mundos sociais que coexistem numa mesma sociedade que se desenvolvem segundo a sua própria sub-cultura, permitindo descobrir como as experiências pessoais se articulam sobre saberes práticos e seus contextos sócio- históricos em que se inscrevem.

Embora Bertaux parta do pressuposto de que a maior parte dos cursos de vida está

16 Obras datadas de 1961 e 1969: Antropologia de la pobreza (1961), Os Filhos de Sanchez (1969) 17 por exemplo situações de marginalidade, pobreza etc.

18 Por exemplo reconstruem-se percursos para analisar a influência da genealogia familiar nas relações da escola

"quebrado" ou seja, contém rupturas e descontinuidades, a investigação não se limita a identificar práticas e nem lhe interessa identificar qualquer lógica inerente às narrativas de vida. O que se procura é apreender os mundos sociais que dão a conhecer os vários efeitos constrangedores dos relacionamentos sócio-estruturais nos encadeamentos, nas contradições e no movimento de uma narrativa elaborada pelos sujeitos.

Para Bourdieu (1997), o que as histórias de vida revelam é a propensão do indivíduo em tornar-se ideólogo da própria vida, constituindo uma ilusão retórica. Trata-se de um processo de "criação artificial de sentido" que implica a selecção e a atribuição de sentido de causa ou de fim a acontecimentos significativos com o que o indivíduo estabelece conexões e dá coerência ao que não é mais do que eventos dispersos, justapostos. O autor considera que uma vida só pode ser narrada como história, com ordem cronológica e lógica, princípio, razão de ser, etapas e fim ou finalidade, pela organização do vivido à posteriori, construindo-o como sequência ordenada de acontecimentos. O que cria a ilusão biográfica, ou seja, a imagem de que a história de vida é a expressão unitária de uma intenção subjectiva e objectiva de um projecto, é o facto do narrador procurar extrair uma lógica, ao mesmo tempo retrospectiva e prospectiva, de uma ordem que ele próprio criou e à qual procura dar consistência, constância e a inteligibilidade.

Para Bourdieu, a história de vida deve ser entendida como a apresentação pública e a oficialização de uma representação privada da própria vida, tanto a nível da forma, quanto do conteúdo. Para o autor, o que favorece e autoriza a experiência comum da vida, vivida como unidade e como totalidade, são o habitus, as instituições de totalização e de unificação do eu, tais como o nome próprio e as certidões de atribuição.

Bourdieu considera as histórias de vida como produto de coacções e censuras específicas, que podem ser inconscientes mas que estão presentes na situação de investigação, ou seja, da distância objectiva entre investigador e o sujeito narrador, da capacidade do primeiro de manipular a situação de entrevista, bem como as representações de ambos sobre a situação da investigação, adquirida por experiência

directa ou indirecta de situações equivalentes.

Para Bourdieu, "a tentativa de compreender uma vida como série única e por si suficiente de acontecimentos sucessivos sem outros vínculo que não a associação de um sujeito cuja constância certamente não é senão aquela de um nome próprio, é quase tão absurdo quanto tentar explicar a razão de um trajecto de metro sem levar em conta a estrutura da rede, isto é, a matriz das relações entre as diferentes estações".

A noção de trajectória, vivida como devir em transformação, por um mesmo agente ou grupo que ocupa uma série de posições, deve ser entendida como "colocações e deslocamentos no espaço social19 que, para ser compreendida, exige que se construa

previamente da superfície social20 como descrição rigorosa da personalidade designada

pelo nome próprio".

Tanto para Bertaux (1980; 1988) como para Bourdieu (1997), a história de vida narrada é entendida como ficção mais do que como fonte de informação fidedigna sobre a realidade social. Entende-se que o material biográfico é uma construção de si mesmo por um sujeito que assim reinventa a sua relação com o passado, presente e futuro.

Achamos interessante o termo "indícios" para "requalificar" a ilusão biográfica e a ideologia biográfica, como potencialidades de conhecimento social inerentes à metodologia das histórias de vida. O termo "indício" é utilizado por Ginzburg (1990) para se referir a pistas que podem levar à desocultação e à construção de conhecimento

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sobre determinados fenómenos . Trata-se de um modo de uma das "formas de saber tendencialmente mudas, no sentido em que as suas regras não se prestam a ser formalizadas ou ditas" e que vem participando no desenvolvimento de diferentes domínios de conhecimento, confrontando as ciências humanas com "o dilema entre assumir um estatuto cientificamente frágil para chegar a dados relevantes ou assumir

19 por exemplo situações de marginalidade, pobreza etc.

20 conjunto de relações objectivas que unem o agente ao conjunto de outros agentes envolvidos e confrontados no

mesmo espaço dos possíveis e conjunto de posições simultaneamente ocupadas por uma individualidade biológica socialmente instituída, que age como suporte de um conjunto de atributos e atribuições que lhe permite intervir como agente eficiente em diversos campos.

um estatuto forte para chegar a resultados de pouca relevância".

Parece-nos que o problema que é aqui levantado é o da possibilidade de conhecer decorrente da orientação quantitativa e antiantropocêntrica que, segundo o autor, pressupõe "um tipo de rigor que é não só intangível como indesejável, para as formas de saber mais ligadas à experiência quotidiana - ou mais precisamente a todas as situações em que a unicidade e o carácter insubstituível dos dados são decisivos, aos olhos das pessoas envolvidas"(1990).

É neste sentido que o próprio carácter fragmentado dos acontecimentos e dos actos, que é reconstruído subjectivamente na (co)produção da narrativa de vida, pode ser requalificado como potencialidades heurísticas por outras formas de entender as histórias de vida como lugar de produção social reprodutora e/ou transformadora.

1.3.3 -A Vida como totalidade histórica, societal, etnosocial e pessoal

Para Ferrarotti (1980; 1983), o vivido social que é apreensível no acto singular do discurso é o anúncio pelo indivíduo daquilo que foi produto, na medida em que a história de vida constitui uma unidade sintética em que um eu enunciativo organiza de forma auto-referencial todo o espaço do discurso e todo o espaço existencial. Considera que é o facto do indivíduo construir o sentido para os acontecimentos e para os seus actos, pela ordenação, associação e oposição dos elementos da sua vida, que revela a sua crença num devir individual que nos pode dar conta dos valores e das representações de que é, com que avalia a sua vida, imprimindo-lhe um princípio de comparação e de ordenamento.

O que é procurado, neste caso, não são padrões de relacionamentos sociais passíveis de serem generalizados, na medida em que se assume que as histórias de vida nos confrontam com a relação complexa, não determinável a priori, entre as condições

21 o autor refere que este modo de conhecer é a base da psicanálise que considera que os "signos que têm a

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objectivas e o vivido. A questão da representatividade , por exemplo, é substituída pela singularidade e exemplaridade, como critérios igualmente legítimos para validar cientificamente o conhecimento em ciências humanas e sociais. Considera-se ainda que a biografia só se pode tornar num instrumento de análise social se a sua unicidade e plenitude concreta for respeitada, se não for destruída pela objectividade e a intencionalidade nomotética, que separa sujeito-objecto e retira o observador do campo epistemológico.

Esta perspectiva contesta a dissolução da biografia em fragmentos heterogéneos que resulta da abordagem da realidade social como "coisa" passiva, quando os materiais biográficos são produzidos por um sujeito-objecto que se observa e reencontra no quadro de uma "interacção social que é bastante mais densa do que as relações observador observado" (Ferrarotti; 1980).

Para Ferrarotti, o facto de alguns investigadores que subestimam o valor da subjectividade para o conhecimento científico recorrerem ao material biográfico como informação objectiva da realidade e/ou como exemplo é um paradoxo, na medida em que a realidade social é lida por sujeitos historicamente determinados e os elementos autobiografados são susceptíveis de deformações.

Ferrarotti aponta como problemas epistemológicos a transformação da biografia em dados, em "ficha sociológica" ou a sua redução a uma "fatia de vida"24 social que

ilustra um quadro situado a um nível mais alto de abstracção. O autor considera que no primeiro uso da narrativa de vida, a unidade sintética é destruída e passa a constituir um conjunto de materiais justapostos que são traduzidos em informações fragmentárias, enquanto no segundo caso o que ocorre é a ruptura lógica que "transforma todo acto social específico numa verificação a posteriori da validade ou operacionalidade de um modelo formal ou taxionomia social" (Ferrarotti; 1980).

22 substituindo as amostras populacionais pela recolha de sucessivos relatos de vida até que perante a repetição, se

consiga construir representações mentais dos processos que interessam ao investigador

3 os dados recolhidos só serão utilizados segundo as suas potencialidades na confirmação ou negação de

Segundo o autor, a epistemologia lógica-formal dilui a subjectividade na vida objectiva da biografia dos acontecimentos e/ou põe o particular e o específico e o único à margem do conhecimento científico. O mesmo pode acontecer com a epistemologia da subjectividade nas ciências humanas e sociais quando dá ao material biográfico o estatuto de suporte concreto das suas proposições mas relega-o a um lugar marginal ao quadro analítico. Neste caso, a biografia é igualmente transformada num meio de verificação de um modelo interpretativo. O maior risco para Ferrarotti está, no entanto, no uso da história de vida como ilustração sem a referência a algum modelo geral que estabeleça uma ponte de mediações hipotéticas porque, neste caso, as histórias de vida podem servir para legitimar e escamotear o concreto, quando este contradiz o modelo implícito (Ferrarotti; 1980).

Para Ferrarotti, a riqueza das histórias de vida está na possibilidade de analisar a relação dialéctica entre a realidade vivida e as características globais da situação histórica "datada", para conhecer do interior, a dialéctica da visão pessoal de uma personalidade individual que se forma ao transformar a actividade.

Na base deste seu pensamento está a perspectiva de Sartre, cuja fenomenologia reflecte a sensibilidade política e militante dos marxistas ortodoxos que se apropriaram da abordagem biográfica, para se aproximarem da vida concreta das categorias sociais mais representativas de relações dominadas pelo jogo das forças produtivas , sensibilidade essa que tem a sua raiz no pressuposto afirmado na VI tese de Feuerbach de que "a essência do homem não é uma abstracção inerente ao indivíduo isolado, é na sua realidade, o conjunto das relações sociais".

Nesta perspectiva, o sujeito é entendido como "cruzamento de determinações históricas e de estruturas sociais, enquanto ser engajado num projecto que totaliza as

24 24 neste caso o concreto é usado como exemplo significativo de alguns aspectos da análise estrutural, num

campo de trabalho teórico interpretativo, que separa e opõe a forma (abstracta) ao conteúdo (concreto) do facto social.

25 Nos anos 50 Ferrarotti recolhia materiais biográficos no Sul de Itália para ilustrar o "corte entre o mundo

camponês e a sociedade técnica - personificados em tipos específicos, que os materiais biográficos pormenorizavam", mais tarde passou a ver nas histórias de vida uma forma de "atestar publicamente como os pobres são forçados a viver" ou "como uma pequena cidade tradicional onde grandes projectos industriais submetem as pessoas a consequências negativas da industrialização" .

dimensões do seu passado, seu presente e seu devir (Ferrarotti; 1980).

Consequente com esta posição, assume-se que o que todas as narrações autobiográficas relatam é "uma praxis que se apropria, interioriza e volta a traduzir as relações sociais (estruturas) em estruturas psicológicas". As histórias de vida são entendidas como "corte horizontal ou vertical, uma praxis humana" que só a razão dialéctica permite compreender cientificamente (cf. Ferrarotti, 1980).

É a relação dos sujeitos com as estruturas e com a história social que lhes impõe uma praxis sintética, fazendo com que a universalidade da estrutura social se singularize e a história social colectiva se individualize, fazendo com que todo o sistema social possa ser encontrado integralmente nos actos, em cada um dos sonhos, delírios, obras e comportamentos (cf. Mombergue; 2000).

Considerando que toda a actividade humana é uma actividade sintética, não basta saber como dada categoria social vive quotidianamente ou reconhecer em que condições de vida e através de que práticas concretas os sujeitos individuais e colectivos respondem às determinações sócio- económicas. O que Ferrarotti propõe é que se procure apreender as mediações que ligam o processo da vida pessoal — as instituições locais, família, pequenos grupos — e os processos macrosociais, pois a unidade mais simples de uma vida social pode não ser o individual, mas o pequeno grupo, incluindo a família. O que importa, nesta perspectiva, é reconstruir o "processo que faz de um comportamento a síntese activa de um sistema social, pela interpretação de um fragmento da história social objectiva, partindo da subjectividade não estudada de uma história individual" (cf. Bertaux e Kohli; 1984).

A própria história de vida é considerada, neste caso, como uma mediação, ou seja, como uma praxis interactiva que torna visível a operação dupla e complementar de desestruturação/reestruturação do espaço histórico e social a partir do qual é elaborada e da situação em que a narrativa é produzida como actividade discursiva e pragmática.

A narrativa de um acto ou de uma vida é assumida como um acto de totalização sintética de experiências vividas, uma forma de acção social, uma mediação de uma interacção social presente, em que o indivíduo retotaliza sinteticamente a sua vida pois

esta não pode ser abordada senão como unidade sintética.

Segundo Helena Araújo, esta perspectiva faz o sujeito reentrar na história, enquanto vida histórica dotada de todas as dimensões económicas, sociais e sócio-psico- antropológicas. A experiência histórica é vista como experiência social, económica e cultural, em sentido lato. O não reconhecer que "é através da experiência e do vivido que os homens e mulheres convertem as determinações objectivas em iniciativas subjectivas", (Thompson, citado por Araújo; 1990), além de ocultar a parte que cabe à iniciativa humana, aos valores e acção geradora de estruturas, cria os marginalizados da história (cf. Araújo; 1990).

Segundo esta autora, há, no entanto, tensões que não estão ultrapassadas no trabalho de Ferrarotti, designadamente a separação entre a análise do fenómeno estrutural e a análise dos valores e do vivido, em que o autor trata as estruturas como processos condicionantes em primeiro plano, remetendo a análise de valores e do vivido para a biografia do indivíduo e do grupo primário26. Se, por um lado, esta abordagem se

arrisca a criar a tentação psicologizante de construir a sociedade a partir do grupo primário, a ênfase dada ao mundo das experiências vividas e partilhadas em conjunto, arrisca-se também a parcializar o social e a excluir os sentidos atribuídos pelos actores à vida social (cf. Araújo; 1990).

1.3.4 A descoberta do sentido como caminho que se faz a caminhar-entre-textos

Descobrir o sentido que os sujeitos atribuem à acção que, por sua vez, lhes dará a auto-compreensão do seu lugar no mundo, é ir para além do que é dado objectivar no dado como informação sobre a trajectória ou o contexto, porque requer que nos coloquemos no lugar do outro e para além dele, no sentido em que o que se procura e apreende não é só a sua visão das coisas, mas também os significados e o processo por meio dos quais esta visão é construída.

são factos mas sim palavras, pelo que só através da interpretação podemos aceder à experiência e, neste caso, ao pensamento do sujeito.

O texto é mais do que a descrição de fenómenos sociais, é ele próprio um fenómeno a interpretar, que contém e está contido na realidade social que perde a sua exterioridade e autonomia relativamente à acção do sujeito. Tal realidade social é exteriorização do interior da ordem social, que é interiorizada no habitus dos sujeitos que a exteriorizam; é exteriorização da estruturação social dos diferentes campos de relacionamento e a interiorização destas mesmas estrturas, materializadas nas práticas e na linguagem como objectividade.

Partindo do pressuposto de que a realidade social está na linguagem e que só esta pode dar acesso a si mesma, a oposição entre vivido e linguagem, sujeito e objecto, individual e social deixa de fazer sentido porque a sua explicação não pode ser encontrada só no mundo exterior em factores puramente externos nem na interioridade do sujeito. Interacção e realidade são, assim, relações de acção e de produção de sentido entre indivíduos ligados entre si pela linguagem.

Esta constatação implica a interpretação como modo de compreender a realidade que integra o investigador no objecto que estuda, porque a realidade estudada é construída com a sua participação. O conhecimento e o seu objecto, ou seja, o sentido dado à acção, serão produzidos pelo olhar e pela palavra, sua e do outro, numa situação de comunicação. Os objectos simbólicos constituem realidade social na interacção humana e o acesso a esta realidade só se faz através deles.

É na situação de comunicação que o indivíduo construirá a apresentação de si mesmo, como hermeneuta, explicitando as etapas e os campos temáticos da sua construção biográfica. É o objecto, assim construído, que é necessário compreender pela "descrição das condições e circunstâncias complexas generativas dos comportamentos biográficos inscritos em contexto multireferencializados" (cf. Mombergue; 2000).

porque a dinâmica dos grupos não pode ser aplicada mutatis mutandis à sociedade no seu conjunto e porque os grupos, tal como os sujeitos, são sínteses de conjuntos específicos de relações sociais submetidas a

Quando o sujeito organiza numa totalidade inteligível, uma diversidade de eventos e incidentes, transforma uma simples sucessão numa configuração, na qual os actores, palavras, meios, interacções, circunstancias e resultados desconjuntados, aparecem num quadro paradigmático estabelecido pela sintaxe da acção. Compõe, assim, uma totalidade significante em que cada evento é definido como contribuição para a conclusão da história narrada. Os saberes construídos pela hermenêutica são construções que se imaginam e inventam elas mesmas a sua própria pertinência, não podendo ser submetidas à verificação de alguma realidade material ou exterior. São saberes que nos reenviam a uma realidade que é ela mesma simbólica. O motor da investigação é, neste momento, a implicação e mobilização de capacidades do investigador e do actor na interacção com um objecto de descoberta que é criado num acto intuitivo e unifícante, no acto de compreensão e interpretação. É o próprio caminho que é inventado.

Não são as intenções dos actores, as suas opiniões, sentimentos ou sonhos que serão a base da reconstrução das estruturas de significação do texto, mas antes os conjuntos estruturados que dão o quadro de factualidade ao vivido — origem familiar, pertenças sociais, profissão — que surgem ligados em séries temporais ou associativas, nas situações que os indivíduos encontram na sua vida social.

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