3.3 Alternatives
3.3.2 Expressions booléennes
O processo de escolha dos líderes de sala, conforme o documento intitulado “Rotina do Projeto Professor Diretor de Turma” é uma das atribuições previstas para o Professor Diretor de Turma. A cada ano, ingressam novos líderes. O processo acontece durante um mês e culmina entre a terceira e quarta semana do início do ano letivo (SECUC/CE, 2017).
Apresentamos a seguir a tabela resumo com as principais etapas, segundo os líderes e professores, utilizadas pela Escola Profissional durante o processo para identificação dos estudantes com talento de liderança:
Quadro 6 – Etapas utilizadas na escola para seleção da liderança da turma, na visão dos líderes de sala e professores
Etapas Líderes Professores
1ª) Observação e avaliação pelo professor dos alunos com
perfil de liderança x
2ª) Aulas sobre liderança, tipos de liderança, diferenças entre chefe e líder; características, etc.
x x
3ª) Autoavaliação e decisão de se candidatar à liderança da turma ou não, a partir do desejo e autoimagem.
x x
4ª) Seminário com diretor geral sobre perfil, postura, características, desafios e atribuições.
x x
5ª) Novo processo autoavaliativo após seminário pelos candidatos, confirmação ou desistência
x x
6ª) Avaliação pelos colegas do perfil dos candidatos à
liderança da sua turma e eleição (secreta ou aberta). x x 7ª) Impeachment para os alunos que não apresentam a
postura, características, dentre outros critérios. x
A primeira etapa, que trata da observação e avaliação do comportamento pelo PDT foi citada apenas pelos professores. A professora 3C, por exemplo, destaca essa primeira etapa de observação:
Aqui na Escola, de certa forma existe uma certa padronização: primeiramente vem a questão da observação dos alunos; depois, a gente passa pelo processo de trabalhar o conceito de liderança, características, durante a aula de Formação para Cidadania; em seguida, os líderes que serão candidatos, participam de um seminário sobre liderança e depois acontece a eleição na sala de aula (PDT 3C).
Conforme o depoimento do professor acima, existe praticamente um padrão, ou seja, uma sequência a ser seguida por todos durante o processo para escolha dos líderes: i) observação; ii) aula sobre liderança; iii) os candidatos participam de um seminário sobre liderança e iv) eleição na sala. Observa-se que a sequência é praticamente automática, dando saltos nas duas etapas de autoavaliação pelos estudantes e o tipo de avaliação pelos colegas no dia da eleição.
Quanto à primeira etapa, que trata da observação e avaliação pelos DT's dos alunos com melhor perfil para liderar a turma, a PDT 3A enfatiza que identifica os alunos com potencial para liderar a turma, mas, muitas vezes, esses líderes com melhor perfil de liderança não querem se candidatar. Explica que:
[…] tem aqueles alunos que têm um perfil, que poderiam ser excelentes líderes, só que eles percebem que o terceiro ano é uma carga de muita responsabilidade, muitas cobranças. Assim, eles preferem não ir, não se candidatar para essa função de líder, sendo que seriam excelentes líderes. Isso acontece (PDT 3A).
[…] Durante esse processo de preparação no início do ano, nosso papel é estar ali observando cuidadosamente quem são os potenciais líderes, qual é a intenção real daqueles que se candidatam à liderança para nos ajudar a entender possíveis comportamentos que venham acontecer no decorrer do ano (PDT 1C).
Os professores observam nessa etapa e classificam quem tem perfil, quem são os potenciais líderes com base em seus comportamentos. Segundo a PDT 1C, é papel também do Diretor de Turma ter um olhar criterioso sobre o comportamento do aluno “ [...] estar próximo dele, despertá-lo, ajudá-lo, tentar despertar, se realmente ele tem aquelas características de um líder ou não”.
A professora do terceiro ano observa que alguns têm o perfil, mas devido às responsabilidades com o estudo, principalmente nos terceiros anos, não querem se comprometer com as responsabilidades da função, devido à carga de conteúdos e simulações preparatórios para os exames estaduais e nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), passaporte para uma vaga universitária. Exercer a função de liderança, caso escolhido pelos colegas, poderá prejudicar “seu tempo pedagógico”. Ou seja, coloca em
segundo plano a Formação para Cidadania e a oportunidade oferecida pela escola de exercitar a liderança diante de sua turma.
Perguntamos aos professores se eles já receberam alguma formação nessa área da avaliação educacional diagnóstica do talento, especificamente, da liderança e 100% do grupo respondeu que não. Também não dispõem de um instrumental previamente elaborado, testado e validado para facilitar a observação e consequentemente a identificação dos alunos com perfil para liderança durante essa primeira etapa.
Durante a segunda etapa, o Diretor de Turma apresenta, nas suas aulas, a concepção, tipos de liderança, diferenças entre líder e chefe, dentre outros assuntos e discute, conforme destaca a professora:
Na minha turma, a gente começou a trabalhar, esse ano, nas aulas sobre liderança, as diferenças entre líder e chefe e os papéis do líder (PDT 3A).
Primeiro, foi umas aulas de Formação para Cidadania com o Diretor de Turma. Ele falou sobre liderança numa das primeiras aulas. Na segunda, entregou uma pauta sobre esse assunto. E, depois, perguntou quem queria ser líder (Líder 1C).
O número de aulas varia de turma para turma, de uma a três aulas sobre liderança pelo PDT sobre a temática, com o objetivo de envolver a turma no processo de escolha das lideranças da turma, ver quais os alunos que se interessam e com perfil para ser líder (SEDUC/2017).
Na terceira etapa, após as aulas, os alunos que têm desejo, vontade e sente-se motivados, autoavaliam-se e decidem se se candidatam ou não. Mas antes:
[...] tem toda uma preparação nas três aulas de Formação com nossa Diretora de Turma sobre liderança. Numa aula, ela perguntou quem gostaria de se candidatar: - Quem aqui tem o desejo de ser líder? E automaticamente mãos iam sendo levantadas e ela só pegava o nome. E o interessante é que os colegas já vão apontando: - Por que você não vai fulano? (Líder 2C).
Durante essas aulas, os alunos começam o processo de reflexão, avaliação e autoidentificação possíveis para liderança da turma naquele ano, partindo, normalmente, da vontade e desejo do líder, influenciados, ou não, pelos seus colegas. Uma etapa leva automaticamente para a seguinte. Nos momentos formativos sobre a temática liderança, já se começam a cogitar os possíveis candidatos. Porém, conforme a DT 2C, é nessa terceira etapa que se afunila e inicia o processo de autonomeação dos possíveis candidatos à liderança da turma:
[…] alguns colegas indicam outros: - Vai você! Vai você! Mas eles que decidem se irão ou não para próxima etapa, que é participar de seminário. E, às vezes, quando voltam para a eleição acabam que, depois do seminário, alguns desistem, entendeu? Ou seja, existem algumas etapas para ir afunilando essa escolha (PDT 2C).
A professora 2C deixa claro no seu discurso que, no primeiro momento dessa terceira etapa, uns colegas indicam os outros, mas, no final, quem decide é a pessoa. Quanto ao processo de afunilamento da escolha, a PDT 1B complementa a fala da PDT 2C descrevendo melhor como se dá esse processo, exemplificando o caso de um estudante que ela avaliou sem perfil para liderança, mas que gostaria de se candidatar na sua turma da primeira série:
Eu acho que isso acontece mais no primeiro ano. Muitos se candidatam e a gente percebe que o objetivo da candidatura dele é 'desconstruir' mesmo, porque ele nem tem o perfil, nem realmente quer ser líder da turma. A gente percebe que ele está no processo e quer ganhar, principalmente para tentar ser o bonzão. Não sei nem o que é que passa na cabeça dele. Diante de caso como esse, o nosso papel é meio de boicotar, de certa forma, essa tentativa. De frustrá-la, no sentindo de, ao perguntar: - Você tem certeza? Ei, preste atenção!... Explico para aquele: - Olha, o líder tem que fazer isso, tem que fazer aquilo. - Você realmente quer? Para que ele se amedronte um pouco e desista do processo (risos) (PDT 1B).
A PDT 1B deixa claro que, nas turmas dos primeiros anos, existe uma grande demanda de candidatos e que, mesmo após as duas primeiras etapas, qualquer estudante, com ou sem perfil, pode se candidatar. Observa-se que, em alguns casos, o (a) professor (a) avalia que o aluno não tem perfil (as características adequadas para a liderança da turma) e exerce seu poder de influência e persuasão para que o possível candidato repense e, se possível, desista de se candidatar.
Quanto ao número de candidatos, PDT 1D explica que acontece um processo decrescente desse número durante os três anos que eles ficam na Escola Profissional:
Normalmente, no primeiro ano, todos querem ser líder. Porém, no decorrer do primeiro ano, normalmente ocorrem muitos conflitos. O que acontece? Quando chega no segundo ano, se vinte se candidataram no primeiro ano, dependendo do comportamento da turma, […] se foi uma turma mais exaltada comportamentalmente ninguém quer mais. Então, quando chega no terceiro, você já é quase pedindo alguém para se candidatar (PDT 1D).
Por não querer assumir a responsabilidade de ter que mediar conflitos, conforme a PDT 1D, o número de candidatos identificados pelos professores com talento para liderança começa a diminuir a cada ano, podendo chegar ao ponto de não ter candidatos e o DT ter que apelar:
É verdade. É uma constatação. Eu fui diretora de turma de duas turmas conflituosas e tivemos que repetir liderança, porque ninguém mais queria estar à frente, nem tinha interesse de ser líder daquela turma (PDT 1D)
Alguns alunos que têm perfil não querem se candidatar porque a turma é complicada. E quando o caso é inverso? O que o PDT pode fazer nessa situação de aparecer um candidato considerado pelo professor sem perfil, querendo assumir o posto oficial de
liderança da turma? Como a professora da turma 1B relatou: Quando o aluno quer ser “o bonzão”, não tem perfil para liderança e nem quer realmente ser líder? As professoras relataram duas experiências: i) repetir a liderança do ano anterior como fez, por exemplo, a professora 1D: “aproveito o potencial e a vontade daquele que já teve a experiência de liderar” quando a turma é exaltada em termos comportamentais e faltam candidatos ou ii) “boicotar”, desconstruir a candidatura de um estudante sem perfil à liderança, como agiu a professora 1B. Para aqueles que são mais “irresponsáveis”, a última professora enfatiza as responsabilidades que ele tem que assumir como liderança de sala.
Na quinta etapa, após o Seminário, e, sob a responsabilidade do PDT, o candidato à liderança da turma autoavalia seu perfil, novamente, se apresenta ou não a postura e características necessárias à boa liderança da turma. Nessa etapa, ele (a) decide se continua ou não.
Vejamos, conforme dados apresentados pelos professores através da leitura da ata da eleição, quantos, de fato, candidataram-se:
Tabela 28 – Número de estudantes inscritos para liderança, por curso e porcentagem
Curso Total de turmas % Total de Votantes % Nº de candidatos Nº de candidatos % 1ª 2ª 3ª Informática 02 20 73 19,1 04 00 05 09 20,0 Edificações 03 30 113 29,5 07 02 02 11 24,4 Enfermagem 03 30 119 31,1 04 03 06 13 28,9 Administração 02 20 78 20,3 06 06 00 12 26,7 Total 10 100 383 100 21 11 13 45 100
Fonte: banco de dados do pesquisador
Do total geral de 383 votantes, incluindo os próprios candidatos, apenas 45 deles se candidataram, o que corresponde a uma percentagem de 11,74%. Enquanto no Seminário com o Diretor, na etapa anterior, a porcentagem era de 20%. De fato, acontece um “filtro” a cada etapa, conforme alguns alunos perceberam. Em geral, os primeiros anos apresentam maior número de candidatos. Enquanto nos primeiros anos concorreram à vaga 21 candidatos, nas demais séries apenas 11 e 13 respectivamente. Eles chegam mais motivados? É uma hipótese. Mas isso varia de turma para turma.
Um dado relevante, conforme o quadro acima, é que, enquanto em algumas turmas aumentam os números de candidatos à liderança da turma a cada ano, como por exemplo, nos cursos de Enfermagem, formado prioritariamente pelo sexo feminino, no curso
de edificações, prioritariamente do sexo masculino, observa-se o efeito contrário, uma redução significativa de setes candidatos no primeiro ano para dois nos anos seguintes. Outro dado, demonstrado na “Ata da eleição”, é que os candidatos que manifestaram interesse em assumir a liderança dos (das) estudantes em um ano não aparecem na lista de candidatos no ano seguinte. Fenômenos que merecem estudos mais aprofundados que fogem ao objetivo desse trabalho.
A sexta etapa trata do momento da eleição propriamente dito. Quanto ao modo que se dá a votação, dois PDT's relataram que, no dia da eleição, momentos antes, solicitou- se que os candidatos apresentassem para a turma a sua proposta:
No dia da escolha, esse ano, eu não fui direto para a votação. Eu dei a palavra para os candidatos poderem manifestar suas propostas. Acabou que a fala mudou o voto de algumas pessoas e aí aquela combinação da panelinha, turminha deles, que eu havia percebido combinação de votos, não deu certo na verdade e foi uma decepção geral, porque não conseguiram eleger a outra pessoa que eles queriam (PDT 2C). […] Acontece que esse ano eu percebi a formação dos grupinhos: - Olha, você vota em mim e tal! E aí quando cheguei na hora, eu fiz a mesma coisa. Gente: - Você, qual é a sua proposta? O que você pretende fazer ao longo do ano? (PDT 3A).
Percebe-se que, dependendo do estado de ânimo da turma, com ausência ou não de certas expectativas e interesses - “grupinhos”, “panelinhas” como os professores dizem - o modo como acontecerá o processo de eleição no dia poderá ser modificado. Na fala acima, pelo discurso, percebe que as PDT'’s mudaram de forma inteligente a estratégia esse ano, não indo direto para a votação, devido perceberem a formação de grupos de interesses em torno de um (a) candidato (a).
Outra decisão que precisa ser tomada pelo Diretor de Turma antes da eleição, consenso ou não com a turma, são as formas como será a eleição, se secreta ou aberta, conforme relata a professora:
No dia da votação, resolvi que a eleição fosse secreta. [...]. Quando é secreta, eles não gostam. Então o plano de eleger o representante da panelinha deles não deu certo. A definição se a eleição será aberta ou secreta muda muito de turma para turma. Tem turmas que realmente combinam o voto aberto, já outras não (PDT 3A). Na minha turma, não foi secreto. Eles pediram para não ser secreto. Eles manifestaram mesmo o voto (PDT 2A).
Combinamos que iríamos experimentar esse ano a eleição aberta, mas se houver constrangimentos, conchaves, aliança política, compra de voto, estão burladas e suspensas eleições! Mas deu certo. Mas eu prefiro fazer secreto (PDT 1D).
[...] na minha turma, queriam aberta. Quer saber gente, vamos fazer secreto. Aí todo mundo abriu os olhos. Ou seja, você tem que ter a habilidade de ver, né? La na sua turma, realmente funciona bem o voto aberto. Na minha, não ia dar certo devido aos interesses dos grupinhos (PDT 1B).
Ou seja, a decisão se a eleição será secreta ou aberta, bem como se os candidatos apresentam, antes da eleição, suas propostas ou não, dependerá do contexto. No caso de
algumas turmas, a eleição aberta parece ser adequada; em outros casos não. Com base nos discursos, a percepção do professor sobre a formação de “panelinhas” ou não é uma variável importante que definirá o melhor caminho nesse processo de seleção da liderança oficial da turma.
Porque certas decisões são tomadas pelo Diretor de Turma no contexto de sua turma, conforme as circunstâncias, o Professor Diretor da Turma 3B, declara que “não existe na escola, nem antes, nem durante e nem depois, uma padronização do processo de escolha dos líderes”, ao declarar que “não é tão padronizado”, portanto, existem exceções, no processo de seleção dos líderes na escola. O professor cita, como exemplo, o caso que ocorreu esse ano no processo de escolha dos líderes na sua turma:
[...] na minha turma, há alunos que querem se candidatar apenas a vice-líder ou a líder. Como foi o caso desse ano na minha turma do terceiro ano, termos alunos que queriam se candidatar apenas a líder, não queriam ser vice-líder e vice-versa. Então eu resolvi fazer duas eleições, uma para quem quer ser líder e outra para quem quer ser vice-líder. De certa forma, ficaria inviável essa questão de quem ficou no segundo lugar na liderança assumir a vice-liderança (PDT 3C).
Segundo dados fornecidos pelos grupos de DT, para uma porcentagem de 90% deles, cada turma seleciona dois líderes no dia programado para a eleição: um que será o líder, no caso o mais votado, e o segundo mais votado pelos colegas, que ocupará automaticamente a posição de vice-líder da turma. O DT 3C, que corresponde a 10% do grupo de PDT’s, considera “inviável” do segundo colocado, automaticamente, assumir a vice-liderança pelo simples motivo de não ter sido o primeiro. Então ele optou por duas eleições, uma para quem quer ser líder e uma segunda eleição no mesmo dia para quem prefere ser apenas vice-líder.
A professora 1D enfatiza a importância e seriedade que deve ser levado esse processo de eleição do líder e vice-líder, porque “eles são os olhos do Diretor de Turma para a sala de aula, são meus parceiros. Somos nós três na Formação para Cidadania”.
Na sétima etapa acontece, quando necessário, o processo de impeachment pelo coletivo dos professores da escola do (a) líder de sala que não vem apresentando a postura, características adequadas à sua posição, dentre outros critérios. Portanto, também acontece uma avaliação formativa e processual.
As professoras, abaixo, descrevem o caso do que pode acontecer, quando um aluno considerado sem perfil é eleito:
Eu acho que pode contribuir com o seu estudo. Inclusive teve líderes que foram eleitos e nós, no geral, tivemos que fazer um impeachment na verdade e tirar o líder por não estar funcionando. Então foi eleito, mas já aconteceu (PDT 3C).
[…] Infelizmente, apesar de ser uma situação muito constrangedora, a primeira liderança da minha turma teve que ser trocada. A líder foi eleita por grupos, por uma
determinada panelinha que sempre queria que o pensamento deles prevalecesse na sala. […] A líder não aguentou a pressão, ter que assumir a postura de líder, iniciativa, mediação de conflitos, não queria cumprir as responsabilidades (PDT 1C).
Outra situação possível e relatada, que acontece quando o aluno sem perfil é eleito para líder, conforme a PD 1C, pode acontecer também muitas vezes da vice-líder assumir essa função:
E, muitas vezes, a vice-líder tinha muito mais postura de um líder do que a real líder e, como ela tinha um talento inato para liderança, ela acabava, involuntariamente, assumindo a postura e o papel de líder. […] Tem muito essa questão. Quem sobe para seu líder é, às vezes, se a gente não tiver cuidado, uma pessoa que nem tem tantas aptidões de um líder (PDT 1C).
[…] A líder do ano passado era uma moça de muito bom senso e a turma não aceitava a liderança dela. E a vice-líder crescia nesse processo (PDT 1D).
Casos como esse da vice-liderança assumir na prática, à frente das ações e mediações de conflitos, bem como outro colega tomar a iniciativa, acontece porque, mesmo tendo o talento para liderança, alguns não têm aceitação da turma, outros não têm a vontade de se candidatar, por desconhecimento também, mas que termina espontaneamente, no decorrer dos anos, manifestando sua habilidade social de liderança.
Na visão de alguns professores, pode acontecer com um aluno (a) ou a turma, dessas “panelinhas” do (a) líder diretamente atingidas pela troca, após eleitos, que tem sua candidatura frustrada pelo professor ou pelos seus colegas, deles se arrependerem com o tempo, como relata a professora:
[...] houve um caso na escola da necessidade de trocar a líder que ficou conhecido como impeachment. […] elas aprenderam naquele processo que a liderança não poderia ser eleita a partir de um só apenas, dos ideais de um único grupo, interesses individuais. Elas sofreram na pele, e elas se arrependeram tanto que depois foram pedir ajuda ao Diretor de Turma para poder mudar e já era tarde demais. Hoje, elas pedem uma aula sobre política, sobre escolher líderes (PDT 3C).
A PDT 3C destaca que os alunos envolvidos aprendem com o processo. Na realidade, líderes e liderados, bem como os professores, todos aprendem com o processo. Devido ao envolvimento, chega-se ao ponto que o processo de eleição dos líderes escolares passa a ser comparado com o cenário de eleição política nacional, como destaca:
Na época, já estava acontecendo todo aquele processo de impeachment em Brasília, e eu lembro que eu disse: - Gente, vocês cometeram coisas semelhantes com o que acontece lá em Brasília. Vocês elegeram tal pessoa pra líder, porque vocês queriam que o desejo de vocês prevalecesse. Isso acontece lá, a diferença são as escalas. Aqui em menor escala. Isso significa dizer que se vocês tiverem a oportunidade de estarem lá em Brasília, vocês farão o mesmo. E elas ficaram, assim, muito sentidas: - Não tia, eu jamais teria aquele comportamento. Respondi: – Tem! A personalidade de vocês, por esse comportamento, mostra que vocês têm (PDT 3C).