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EXPLORATION STATUS AND CHALLENGES 1. Claim staking activity and exploration spending

Status and related challenges

2. EXPLORATION STATUS AND CHALLENGES 1. Claim staking activity and exploration spending

A iconografia dos territórios conquistados foi de suma importância para as populações pré-hispânicas, não só por sua tradição pictográfica mas também e, principalmente, pela estrutura ideográfica em que estavam recolhidas suas narra- tivas, verdadeira escritura não ortográfica, mas portadora das tradições seculares desses povos da meseta mexicana. Assim, o aparelho imagético seria também, como consequência lógica, instrumento privilegiado no processo de evangelização. Se, seguindo o pensamento aristotélico, a arte é uma forma de discurso, a imagem, então, desempenharia um papel prepon- derante na “conquista espiritual” dessas populações. A imagem se apresentou como um veículo de fé. A Igreja Católica destruía, por toda parte, com afã iconoclasta, todas as estátuas e pinturas que pudessem rememorar as divindades pré-hispânicas, mas, em compensação, instituiria e distribuiria, decididamente e com extraordinária difusão, toda uma série de ícones católicos

da Virgem e de alguns santos em forma de cruzes, gravuras e estátuas, entre outros.

Iniciou-se, assim, o culto à imagem de Maria, porém, sem abandonar o caráter de transição entre o pagão e o religioso, isto é, entre o mundo pré-hispânico e o triunfante catolicismo. Poder-se-ia aventar que, de certo modo, essas ações poderiam ter sustentado e alimentado uma tendência natural dos novo- -hispanos à idolatria, como já foi salientado antes por meio das denúncias apresentadas por teólogos detratores, na época.

A construção, a disseminação e a entronização da Imagem de Guadalupe respondia a uma estratégia. Para os evangeliza- dores, essa aproximação às crenças indígenas cimentaria uma adesão mais acelerada e consistente das populações novo-his- panas ao seio da cristandade católica. Por sua vez, os índios, ao adotar aparentemente as imagens santas, assimilavam, na praxe, cada uma dessas figuras a uma divindade pré-hispânica e continuavam, assim, praticando seus cultos próprios sem que isso fosse perceptível aos olhos dos frades católicos. Cada imagem da virgem Maria e dos santos era então apreendida como Ixiptla (“objeto depositário de um poder divino”).

Nessa direção, era possível pensar que a necessidade de “provar” documentalmente – como ocorre de forma periódica entre os criollos novo-hispanos – não devia ser uma preocupação entre os povos náhuatl da Colônia. Tal diferença deve se explicar em virtude da decisiva distinção epistemológica entre uns e outros, e que não poderia se entender apenas da pura distinção letrados-iletrados. Para Lois Parkinson Zamora (2011, p. 18):

De este modo reconocemos que la encarnación visual y la escenificación oral eran parte integrante de las identidades metamórficas y de los poderes movedizos de los dioses

mesoamericanos. Los medios visuales y escenográficos que los encarnaban eran lo bastante fluidos como para abarcar una cosmogonía basada en los principios de complementación, movimiento y metamorfosis, una cosmogonía que el medio alfabético no puede representar adecuadamente. Por el contrario, los documentos alfabéticos tienden a fijar el universo, a registrar y conservar el conocimiento, y de este modo asegurar una estabilidad aparente.

A leitura da imagem cristã durante a época pré-hispâ- nica era, então, reservada a uma elite – menestrel de clerezia, que evolucionara na época moderna para constituir depois um corpo de funcionários letrados reais – que atesourava um conhecimento privilegiado que permitia interpretar os carac- teres pictográficos e lhes dar autêntico sentido conforme os dogmas cristãos católicos estabelecidos por Roma. A imagem cristã emanada da Contrarreforma veio quebrar, de certa forma, essa ordem elitista interpretativa em um processo de homogeneização. As imagens acompanhadas e integradas inextricavelmente aos textos oratórios ou escritos na forma genérica do sermão permitiram e facilitaram uma considerável apreensão e interpretação tanto em nível individual quanto, sobretudo, no plano da coletividade novo-hispana.

A palavra divide a grei nas suas virtualmente infinitas interpretações, como acontece na passagem paradigmática da Torre de Babel. Para os promotores do Concílio de Trento (1545-1563), considerando o exemplo dessa narrativa bíblica, também a interpretação livre da Bíblia provoca a desagregação da Igreja numa miríade de congregações cristãs ou protestantes independentes. Quebrada a unidade cristã em torno da letra da versão Vulgata latina da Bíblia, será sob a nova era dos

seguidores de Lutero que as traduções em línguas modernas, revisões, adaptações e inúmeras interpretações da Palavra consolidam o(s) Cisma(s) da Igreja, numa sorte de sangria heré- tica que o Concílio de Trento e a Contrarreforma pretendiam parar. Essa extraordinária divulgação das Escrituras Sagradas, numa expansão editorial sem precedentes, numa variedade crescente de línguas, seria favorecida tanto pela tecnologia da imprensa quanto por um sistema de trabalho que permitiria um incremento da produção do livro antes nunca vista. Em um mercado unificado, que o próprio Império alentava, produz-se a consolidação editorial e normativa das línguas modernas ao tempo que nascia o primeiro e maior “best-seller” de todos os tempos, a Bíblia, e um escritor de considerável sucesso, não apenas em relação à influência das suas teses mas também no que diz respeito ao volume de vendas e expansão da sua obra.

Não bastará para a Igreja de Roma a criação ou a recriação do Index, o índice de livros com passagens ou caracteres heréticos proibidos, nem a destruição das inúmeras versões não autorizadas dos Textos Sagrados e a perseguição dos seus autores, uma vez que apenas se permitirá uma única versão canônica: a Bíblia Vulgata. O pujante mercado editorial interna- cional presente em várias cidades e produzido em várias línguas será, de certa forma, imune a esse movimento de censura inquisitorial, considerando a incipiente mundialização do Renascimento. Havia de se introduzir medidas de contra-ataque dotadas de maior eficácia, diante da inutilidade dos tradicionais métodos, incapazes já de coibir a fenomenal expansão da venda e leitura de livros, profanos e sagrados na nova era Guttemberg. Como remédio a esse avassalador movimento policên- trico, a Igreja Católica e, seu braço temporal, o Sacro Império Romano Germânico optaram pelo poder expansivo do reino

semiótico dos ícones, instaurado no concílio tridentino, com seu executor: a Congregação dos Jesuítas. A imagem possui a virtualidade do poder unificador singular, alinhada ao espírito e à intenção universais, que são anunciados, proclamados e instaurados no próprio adjetivo definidor “católico”, configu- rador inegociável de identidade da Igreja Romana.

A prova de fogo e a batalha decisiva de tal desafio serão realizadas no campo da evangelização americana. A difusão do culto mariano é representativa da cristianização do imaginário indígena, ou, nos termos de Gruzinski (1991), da “colonização do imaginário” das populações autóctones. O episódio da aparição da Virgem constitui um dos marcos da evangelização mexicana. Nesse cenário, o santuário de Guadalupe não é um caso isolado, visto pertencer a uma rede de imagens, devoções e milagres difundida em Nova Espanha. No entanto, consiste no fenômeno de caráter mais emblemático. A partir de 1580, o culto às imagens atingirá seu auge, recobrindo completamente a colônia com essas figuras que contribuíram decididamente para a construção do imaginário mexicano.

Discurso barroco e consagração