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Exemple d’utilisation pour le fit d’un profil iso-B

A.3 Simulations d’une structure quelconque

A.3.4 Exemple d’utilisation pour le fit d’un profil iso-B

O mapeamento cognitivo – designação genérica para a tarefa de conferir representação gráfica ao pensamento de um indivíduo no quadro da investigação em psicologia e perceção – é um elemento chave na implementação da metodologia SODA, não podendo ser visto como um simples desenvolvimento de um diagrama envolvendo “palavras” e “setas”, mas antes como uma abordagem de modelação formalizada, com normas específicas para o seu desenvolvimento, que permite a representação do “sistema de conceitos”, sob a forma de um mapa (cognitivo), que o indivíduo utiliza para transmitir a sua perceção sobre a natureza do problema em análise e da relação

entre esses conceitos (Eden, 2004; Eden e Ackermann, 2004). No âmbito da metodologia SODA, a variante da abordagem genérica de mapeamento cognitivo utilizada foi desenvolvida tendo por base a Teoria dos Constructos Pessoais, que apresenta um quadro sobre como o ser humano perceciona e dá sentido ao “seu” mundo, procurando a sua gestão e controlo (cf. Eden e Ackermann, 2001a). Neste contexto, através do mapeamento cognitivo, procura-se evidenciar as convicções, valores e conhecimento tácito específico de cada um dos especialistas envolvidos (Eden e Ackermann, 2001a; Eden e Ackermann, 2004). Como sublinham Ferreira et al. (2015: 2695) “cognitive maps should be understood as construtivist metacognitive instruments,

conceived to provide consolidated information based on the opinions of a group of decison makers”. Segundo Eden (2004), é com base na orientação para a resolução dos

problemas e para a ação que o mapeamento cognitivo se torna apropriado para a estruturação de problemas complexos.

De uma forma simples, pode dizer-se que um mapa cognitivo é uma rede que envolve “nós”/“vértices” (no caso, correspondem aos conceitos ou ideias) e “arcos” (correspondentes às ligações entre as ideias, orientadas segundo uma noção de causalidade) (ver exemplo de mapa cognitivo na Figura 3). Trata-se, no fundo, de um grafo orientado, normalmente de complexidade elevada, dada a riqueza potencial que a própria metodologia pretende fazer emergir a partir dos contributos individuais obtidos nas entrevistas, constituindo-se como um modelo passível de análise que permite evidenciar características do problema em estudo e aprofundar o trabalho em seu torno. Tendo em conta a base informativa utilizada para a sua construção, a qualidade de um mapa cognitivo depende, também, da qualidade da intervenção do entrevistador e da sua capacidade de interpretação. Mantendo o mesmo tipo de apresentação gráfica e formalismo, um mapa desenvolvido a partir da combinação de vários mapas individuais (cognitivos) é, contudo, designado como mapa causal ou mapa estratégico, podendo ser obtido através de técnicas específicas (como a Oval Mapping Technique) ou com recurso a ferramentas informáticas de suporte (como o software Decision Explorer) (Eden, 2004; Ackermann e Eden, 2010; Ackermann, 2012).

Figura 3. Exemplo de Mapa Cognitivo

Fonte: Eden (2004).

Para que um mapa cognitivo possa, efetivamente, evidenciar as linhas de raciocínio e de argumentação de cada indivíduo, a sua construção assenta na procura contínua das explicações e consequências dos conceitos apresentados, cabendo aqui ao facilitador (i.e. entrevistador/investigador), como antes referido, um papel determinante. Designada por laddering, esta forma de desenvolvimento do mapa cognitivo visa, por um lado, aprofundar a exploração do sistema de objetivos de alto nível em direção a maior detalhe nas ações e opções que os permitem alcançar (i.e. laddering down) e, por outro lado, partindo das ações e opções expressas por cada indivíduo, elaborar sobre as suas consequências, em direção a ações e objetivos de nível superior (i.e. laddering up). A forma como o facilitador utiliza este meio de construção do mapa cognitivo depende, em muito, das características específicas de cada entrevistado (Eden e Ackermann, 2001a; Eden e Ackermann, 2004; Ackermann e Eden, 2010; Bryson et al.; 2014).

Como se referiu atrás, da análise ao mapa cognitivo podem ser obtidas pistas sobre a natureza e características da questão analisada, mesmo quando esta é de complexidade elevada. As características estruturais de um mapa cognitivo, designadamente no que diz respeito à forma como os conceitos se encontram hierarquizados e às propriedades gerais das ligações, criam oportunidades para uma análise estrutural relevante para a identificação do problema. Por exemplo, a deteção de

clusters (ou “ilhas” de temas/conceitos) – em que os “nós” de cada cluster apresentam

forte ligação entre si – bem como da relação entre clusters, permite estabelecer um quadro global das principais características do mapa. Outra análise com interesse é a

procura de “nós” ditos “potentes”, ou seja, “nós” que surgem em vários clusters e que, dessa forma, possuem ramificações num leque alargado de tópicos. Podemos, neste caso, estar na presença de conceitos com efeitos múltiplos no âmbito da questão em análise. Também a análise de “circularidade” permite detetar quer eventuais erros de codificação do mapa cognitivo, quer oportunidades de aprofundamento da rede de ligações, devendo ser, aliás, um tipo de análise a ser conduzida antes de outras, possibilitando a correção atempada do mapa (Eden, 2004; Bryson et al., 2014).

Feita esta breve exposição teórica sobre a metodologia a ser utilizada no decorrer da fase de trabalho empírico da dissertação, o capítulo seguinte procura evidenciar algumas características estratégicas da questão em estudo, suscitadas a partir da análise clássica (ainda que não numa aplicação direta e linear das ferramentas), tendo sobretudo em vista a definição inicial do quadro contextual e da organização em análise. Procura-se, assim, estabelecer um referencial para a reflexão.

SINOPSE DO CAPÍTULO 2

A metodologia Strategic Options Development and Analysis (SODA) é peça central no desenvolvimento do trabalho empírico desta dissertação, razão pela qual todo este capítulo foi dedicado à descrição desta metodologia, bem como ao mapeamento cognitivo, fundamental na aplicação da metodologia SODA. Assim, neste capítulo, foram apresentados os fundamentos teóricos da metodologia, sublinhando as quatro perspetivas em que se sustenta (i.e. o indivíduo, a natureza dos grupos e organizações, a prática do elemento facilitador e as ferramentas tecnológicas de apoio), bem como a natureza social e subjetiva que assume na estruturação dos problemas, explorando a relação entre cognição humana e gestão estratégica. Ficou também explícita a ideia de que a metodologia SODA assume a possibilidade de inexistência de soluções ótimas, visando antes soluções construídas a partir do diálogo, partilha e aprendizagem entre os participantes no processo estratégico. A metodologia SODA tem sido utilizada em casos práticos de natureza estratégica – tendo aqui sido referidos alguns exemplos – podendo desenvolver-se em duas variantes, conhecidas como SODA I e SODA II, recorrendo a primeira a entrevistas individuais, aos mapas cognitivos daí resultantes, sua agregação e posterior análise e redefinição em grupo, ao passo que a segunda variante parte diretamente da intervenção em grupo. Como se referiu neste capítulo, a determinação da variante a ser utilizada decorre de diferentes eventuais condicionantes, sendo que, no caso desta dissertação, se irá utilizar a variante SODA I. Na segunda secção foi apresentado o conceito de mapeamento cognitivo, designação genérica para a representação gráfica do pensamento de um indivíduo e que não se resume ao desenvolvimento de um simples diagrama com “palavras” e “setas”. Como se sublinhou, esta é uma técnica de modelação formalizada, com normas específicas, permitindo a representação do “sistema de conceitos” do indivíduo e que, no caso da metodologia SODA, recorre aos fundamentos da Teoria dos Constructos Pessoais. Procura, assim, evidenciar as convicções, valores e conhecimento tácito específico de cada participante. As normas de execução prática do mapeamento cognitivo foram também explicitadas, com referência ao laddering e com a apresentação de um exemplo de mapa cognitivo. Por fim, foi também dada atenção aos diferentes aspetos de análise aos mapas cognitivos, como forma de deles se extrair informação relevante para a análise do problema em apreço. Designadamente, mencionou-se a análise de clusters, a existência de nós “potentes” ou a circularidade.