Tal como na grande maioria dos países que compõem a OECD e a UE, também em Portugal as PME assumem uma enorme importância na estrutura económica do país.
A importância das PME repousa não só no número significativo de empresas desta categoria que compõem o tecido empresarial português, mas também na criação e manutenção da maioria dos postos de trabalho da economia portuguesa, além da flexibilização com que podem potenciar estratégias empreendedoras e fomentar a inovação.
As actividades desenvolvidas pelas empresas de pequena e média dimensão distribuem-se pelos diversos sectores da indústria, comercio e serviços e têm motivações diversas que vão desde o auto-emprego para sobrevivência dos sócios até à produção para segmentos de maior volume no mercado internacional (Pereira, 2008).
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE, 2011), em 2009, as PME em Portugal representam 99,7% das sociedades não financeiras existentes no país. As microempresas predominam representando 86% do total de PME.
Tendo as PME uma predominância tão grande no sector empresarial português, não é de estranhar que sejam elas a assegurar 72,5% dos postos de trabalho em Portugal, assim como asseguram cerca de 59% do volume de negócios e do valor acrescentado bruto português. Em termos localização as PME concentram-se sobretudo na região de Lisboa e no Norte do país, estas duas regiões albergam 66% do total (INE, 2011).
As PME estão distribuídas um pouco por todos os sectores da economia, com predominância para o sectores do comércio e serviços, onde estão concentradas cerca de 66% destas empresas, em segundo lugar surge o sector da construção com 14%, não muito distante surge o sector da indústria com 12,5%, e em quarto lugar surge, com 9%, o sector do turismo (INE, 2010).
Nas últimas décadas a internacionalização das empresas portuguesas tem ganho relevância face aos constrangimentos do mercado português, nomeadamente o crescimento incipiente, o défice comercial e a sua pequena dimensão, revelando-se vital para o crescimento e
72 sustentabilidade de muitas empresas. De acordo com Simões e Castro (2001), a internacionalização da maioria das empresas portuguesas realiza-se de forma incremental, o IDE efectua-se, normalmente, no seguimento de uma experiência de exportação. Apesar das grandes empresas nacionais já terem iniciado a sua internacionalização, só recentemente se atribui a esta temática a necessária atenção para que este processo se torne abrangente e viável para a maioria das empresas, independentemente da sua dimensão.
Nos anos mais recentes, tem sido dada particular atenção à internacionalização das PME, com criação de políticas que de apoio específicas para estas empresas como, por exemplo, o PME
INVESTE5. Em 2010 a internacionalização das PME foi considerada pelo governos português
como um prioridade estratégica nacional com o intuito de resolver o défice comercial português6.
Segundo dados do INE (2011), em 2009, cerca de 10% (33 861) PME portuguesas estavam internacionalizadas, sobretudo através da exportação, situação que se está em linha com a evidência encontrada por Simões e Castro (2001), de que a forma privilegiada pelas empresas portuguesas para a sua internacionalização é a exportação.
Do total de total de empresas portuguesas internacionalizadas as PME representam 69%, o que não é um dado muito surpreendente pois, como já vimos, compõem a quase totalidade das empresas existentes em Portugal, embora representem menos de metade do valor exportado total, apenas cerca de 45% (INE, 2011). Em termos de sectores, as PME do sector da indústria transformadora ganha relevância, assim como as do comércio, juntos perfazendo 79,1% das PME internacionalizadas.
Estes dados vão, de alguma forma, ao encontro dos dados recolhidos por Oliveira e Teixeira (2011) com o apoio da AICEP, acerca dos padrões de internacionalização das PME portuguesas. O estudo reuniu uma amostra de cerca de 1000 PME, constantes das base de dados da AICEP, distribuídas pelo país, onde predominaram as empresas da indústria transformadora (54,5%), seguidos do comércio (23.3%) e, o sector da consultadoria, actividades cientifica e tecnologia (11,1%).
5 As Linhas de Crédito PME INVESTE têm como objetivo facilitar o acesso das PME ao crédito bancário, nomeadamente através da bonificação de taxas de juro e da redução do risco das operações bancárias através do recurso aos mecanismos de garantia do Sistema Nacional de Garantia Mútua.
73 Das empresas da amostra, 84,8% responderam afirmativamente que se estavam internacionalizadas, 33% das quais afirmaram terem iniciado a sua internacionalização antes de 1998, sendo a média de experiência internacional das PME da amostra de 13 anos.
Quanto ao tipo de operação, 78,4% das empresas da amostra são activas nos mercados internacionais através da exportação, resultados que confirmam a tendência das PME portuguesas para se internacionalizarem desta forma, seguida das operações de IDE efectuadas por 15% das empresas através de investimento greenfield, 9.5% através de joint-
venture, sobretudo para mercados como o Brasil e Moçambique, mercado com os quais
Portugal têm afinidades linguísticas e culturais. Os autores chamam ainda a atenção para o facto de 7,5% das empresas da amostra escolherem entrar nos mercados internacionais de uma forma mais complexa, conjugando as exportações com o IDE.
Os autores concluíram ainda que as PME portuguesas apresentam várias fisionomias e que se encontram em diferentes etapas de internacionalização. O sector mais internacionalizado é o da indústria transformadora e o perfil tecnológico mais empenhado na internacionalização é das empresas de média baixa tecnologia que no entanto, apresentam um nível razoável de introdução de inovações. Por fim, os autores concluem ainda, que a maioria das empresas presentes no estudo e que se declaram internacionalizadas possui uma elevada experiencia tanto na sua equipa de gestão em termos de conhecimentos de negócio como de experiencia de internacionalização.