“Uma luta se anuncia, e ela avança na maior desordem de enunciados erráticos, de paródias, gritos, palavras de ordem, crenças desordenadas, tudo o que constitui uma enunciação coletiva […] Porque se uma luta fala, ela não diz jamais eu”. Essa noção da luta por Serge Daney – trecho extraído do livro A Rampa em que o crítico faz uma análise contundente sobre o Cahiers
du Cinéma (1970-1982) –, vem a calhar muito bem quando estamos tratando
de manifestações culturais. Pois, há um misto de enunciados erráticos, gritos, paródias, crenças desordenadas e palavras de ordem. Quando aproximamos essa ideia sobre luta com as ondas do Pós-Mangue, percebemos que nunca um mapeamento deve procurar personagens singulares – ou como diz Daney que uma luta “não diz jamais eu” –, pois o que acontece, de fato, é a proliferação de núcleos ou seja há uma desordem de tal maneira que ela faz com que nenhuma enunciação coletiva consiga suplantar a liberdade criativa de cada artista – até porque as convenções midiáticas e de produção musical não fazem parte dos padrões de intenções desses artistas da música contemporânea do Recife.
Por isso, encontramos um ambiente sonoro em movimento frenético – o que não compremete as continuidades nem privilegia as ruptura e os desgarramentos. O Pós-Mangue não é uma fragmentação só de agora, da atualidade, do presente, ele vem se prologando e se acumulando no cenário musical pernambucano, desde o começo dos anos 2000. O que torna a conceituação cada vez mais complexa. Como colocar num mesmo saco conceitual, só pra citar alguns exemplos bem distintos: Originais do Sample,
Re:combo, Mombojó, Songo, Mellotrons, Volver, Johnny Hooker, Fiddy, D Mingus, AMP, Desalma, Team.Radio, Ex-exus, Matheus Mota, Profiterolis, Ahlev de Bossa, A Comuna, Tagore, Feiticeiro Julião, Bande Dessinée, Novanguarda, German Ra, Canivetes, Os Insights, A rua, Glauco e o Trem, Marditu Soundz, Nuda, Julia Says, Sem Perneira Pra Suco Sujo, Juvenil Silva, Graxa, Aninha Martins (Foto 13)?
Foto 13: Aninha Martins.
Fonte:
http://www.abrilprorock.com.br/wp-content/uploads/2016/03/AninhaMartins_RenataPires.jpg. Acesso em: 10 jun. 2016.
Qualquer tentativa de enquadramento será frágil perante este corpus de análise. Mas, mesmo assim, é por esse terreno escorregadio e movediço que a pesquisa crítica deve instigar sua abordagem, para colaborar com a compreensão deste momento da música alternativa do estado: o que veio depois do Manguebeat? É o que estamos tentando mapear ao longo do texto. Alguns nomes foram selecionados para a pesquisa a fim de apresentar uma parcela significativa desse enquadramento teórico-conceitual, assim como foi feito no subcapítulo anterior.
Para tal, será através da sonoridade, agora, que pretendemos discorrer a respeito neste ponto da análise. Como dar conta de um panorama tão plural? É possível sintetizar? Quando você pensa sobre o Manguebit é possível visualizar algumas linhas estilísticas, apesar de saber que houve
muitas extrapolações também. Quando você se debruça sobre o Pós- mangue na tentativa de perceber tendências de estilo, é evidente que a fragmentação está gradativamente mais aguda. Mas, não é nada que impeça esta pesquisa crítica e, também outras reflexões que surjam, de expandir ainda mais a explanação deste longo momento multifacetado.
Geralmente esses agrupamentos são baseados nos círculos de amizade. São vertentes estéticas bastante variadas e algumas pessoas acabam se conhecendo através desses círculos e isso gera uma troca interessante. Mas não vejo uma linha estética muito bem definida do “som de Recife” atualmente, talvez por estar muito inserido na lógica da cidade e não ver “de fora”, mas claro que tem essa linha crescente meio que um revival dos anos 70, mas nada que marque como decisivo o som do Recife como algo esteticamente sólido (ZECA VIANA, em entrevista ao autor, 2016).
É possível verificar que, nesse contexto Pós-mangue, uma forte movimentação indierock tomou força, em Recife, além dos remanecentes e dos repaginadores do Mangue - que, talvez, tenham tido na tendência Olinda Original Style111, lançada pela banda Eddie, a linha estética mais significativa -, e também do legado rocker e psicodélico deixado por Lula Cortês em Jaboatão dos Guararapes e na Zona Oeste do Recife. Há ainda os que estiveram transitando por mais de uma tendência dessas ou aqueles que, de certa forma, vêm procurando estar por fora disso tudo – por exemplo, os adeptos da música experimental que é uma nomenclatura abragente, mas não incomoda aos seus integrantes ou agregados e não gera conflitos ideológicos entre seus membros – até porque não há uma bandeira a ser
111 “A música produzida em Olinda tem um quê de regional, mas as raízes antenadas com o
mundo. Reggae, frevo, MPB, jazz, tudo aqui ganha um tempero especial. Talvez pela influência das orquestras de carnaval, Olinda é uma cidade repleta de músicos jovens, que começam a aprender a tocar um instrumento pela sensação de serem os regentes da folia. O começo pode ser assim, mas a aura boêmia que a cidade tem é motivo de inspiração para o surgimento de bandas que traduzem o espírito olindense de ser. Entre estes ícones está a Banda Eddie. Uma das bandas pioneiras do movimento mangue beat, ao lado de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S.A, a Eddie trilhou um caminho mais tortuoso. O sucesso demorou a chegar e só aconteceu pra todo o Brasil com gravação da música “Quando a Maré Encher”, por Cássia Eller. “A força que a Cássia nos deu representa uma conquista do nosso trabalho e muita sorte também. Acho que tudo no meio do mercado musical tem um monte de sorte envolvida. Tem uma frase que gosto: “quanto mais trabalho, mais sorte tenho”, atesta Fábio Trummer, vocalista da banda.” Disponível em:
https://olindaoriginalstyle.wordpress.com/2009/05/29/a-nova-cena-musical-de-olinda/. Acesso em: 05 jul. 2016.
partilhada e defendida, pois o que esses artistas querem é liberdade criativa e de produção quando assumem esse gênero musical como referência para os seus projetos.
A grosso modo, esse seria o panorama dos principais segmentos musicais da Região Metropolitana do Recife, do início dos anos 2000 até hoje. E a partir deles podemos ter vários desdobramentos, como vamos perceber ao longo do texto que segue. É preciso reconhecer que há outros gêneros da música alternativa, mas eles são mais contínuos e seguem as rotulações sem grandes problemas, como o heavy metal, o hard core e o
punk rock – são guardas-chuva amplos que abrigam várias tendências, sem
grandes batalhas conceituais que tenham a finalidade de criar um enunciado coletivo, pois eles já foram criados e as repaginações são resolvidas internamente com consensos e dissensos. Porém, o que interessa à pesquisa são aqueles artistas que são arredios às aglotinações culturais e, não esses citados enquanto agentes satisfeitos com os gêneros pois, esses buscam as tendências de enquadramentos que a música pode acionar. Todavia, faz-se necessário salientar que há mais uma procura por um estilo de vida do que o simples consumo agregado às práticas da indústria musical e das mídias.
A tendência indierock, em Recife, tem sido uma das mais representativas no cenário musical enquanto contraponto ao Manguebit. Principalmente, por conta da mídia e dos festivais gerados pelo seu principal agente: o Coquetel Molotov. Não dá para esquecer que o website Reciferock e o concurso Microfonia financiado pelas Faculdades Barros Melo-Aeso de Olinda também foram importantes atores para a promoção da estética indie. Esse perfil sempre foi marcado pela predominância das classes média e alta recifense enquanto principais agentes culturais dessa movimentação. Grupos foram formados querendo mostrar a autosuficiência e a capacidade que cada um teria em gerir sua carreira, sem precisar se misturar e, tendo as mídias alternativas da web e os processos de digitalização do som como trunfo para essa independência e fragmentação estética e política. Na verdade, essa vertente indie surgiu concomitante com o Manguebit, com bandas como Supersonics, River Raid, Amps & Lina e também com a paulistana Stela Campos – que morou na capital pernambucana, durante quase toda a
década 1990, na esfervecência do movimento Mangue -, mas essa tendência sonora só tomou força e corpo, realmente, no início do século XXI.
Foto 14: D Mingus.
Fonte: http://revistaogrito.ne10.uol.com.br/page/wp-
content/uploads/2013/05/dmingus_juvenil.jpg. Acesso em: 10 jun. 2016.
Sobre essa relação entre o indie pernambucano e o Pós-Mangue, D Mingus (Foto 14) em entrevista à revista Mi112 desenvolve bem sobre o contexto mencionado:
São dois termos que meio que surgiram concomitantemente, pelo menos na imprensa, quando eu via as referências ao pós-mangue era muito vezes se referindo a bandas que eram consideradas indies. Acho que o indie ficou muito associado ao Coquetel Molotov e o pós-mangue seria um termo geral, que engloba uma maior quantidade de bandas, inclui também a geração seguinte que não teriam a estética do mangue. Acho que as próprias bandas indies não fazem ou não faziam alguma contestação, fazer algo contra o mangue ou tentar insurgir contra a geração anterior. Acho que pela própria liberdade pregada na geração mangue de não existir apenas um estilo de música que representasse a cena, mas que fosse o mais diverso possível. Não vejo algo tipo, que algumas pessoas viajam, de que o que venha pós-mangue seja contrária à geração anterior, algo contra a cultura pernambucana. Na verdade, eu não gosto muito de rótulos, mas ao mesmo tempo a imprensa tem que chamar de
112 Disponível em: http://pe.mionline.com.br/off-mi-d-mingus/. Acesso em 10 de fevereiro de
alguma forma essa leva de bandas que surge após o mangue. Não conseguiria enquadrar meu trabalho como pós-mangue, até porque eu comecei a compor na mesma época que essa galera do mangue estava se articulando.
Os atravessamentos estão implícitos na fala de D Mingus. A sonoridade dos indierockers é tão ampla quanto o conceito Pós-mangue. Volver, Mellotrons, Rádio de Outono, Team.Radio, The Dead Superstars, Os Retrôvisores, Sweet Fanny Adams, Lulina, A Banda de Joseph Tourton, Cosmo Grão são algumas referências de artistas indie recifense. A maioria dos projetos citados não permanece mais em atuação, alguns dos músicos envolvidos nesses grupos ou montaram outras bandas (Bruno Souto da Volver desenvolve uma carreira solo, atualmente, Enio Damasceno do Mellotrons e Hélder Bezerra do Sweet Fanny Adams lançaram, recentemente, um duo chamado (Foto 15) Phalanx Formation113) ou pararam as carreiras, mas não será possível decretar sobre o término ou sobre uma possível volta (The Dead Superstars, Team.Radio, Os Retrôvisores, Rádio de Outono, Mellotrons, Sweet Fanny Adams) ou trabalham em outros segmentos da produção musical (os guitarristas da Banda de Joseph Tourton trabalham como técnicos de som de diversas bandas, como Mombojó e Nação Zumbi, Rafael Borges da Sweet Fanny Adams trabalha como técnico de som em estúdios e em apresentações ao vivo, dentre outros exemplos).
Foto 15: Phalanx Formation.
Fonte: http://imagens4.ne10.uol.com.br/blogsne10/social1/uploads/2016/07/eletronica- 748x410.jpg. Acesso em: 19 jul. 2016.
Apesar da disparidade de propostas em que pontos os indies recifenses se tocam sonoramente falando? A principal linha norteadora seria o desapego com qualquer enraizamento que seja da cultura local. E não é uma proposta que surgiu do nada nos 2000, bandas como The River Raid e Supersoniques já vinham trabalhando com esse amplo gênero desde os anos 1990. Mas, realmente, essa não era a principal tendência do momento Mangue como foi no início do século XXI. Num tempo em que a novidade virou uma falácia, as propostas de mistura lançadas pelo Manguebit foram confrontadas por uma sonoridade sem cacoetes regionais e com fortes desapegos territoriais.
O rock alternativo americano e britânico são as principais fontes de inspiração da turma indie, principalmente no que diz respeito ao som. A timbragem é diversa, pois passeia pelo pós-punk dos anos 1970, pelo new
wave dos anos 1980, pelo shoegaze dos anos 1990 até a repaginação rocker
proposta dos anos 2000, com projetos diversos como Queens of the Stone Age, Jack White, The Strokes, Kaiser Chiefs, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys etc. Mas, o que há, de fato, em meio a toda esse panorama amplo, é o desprendimento partilhado por um compromisso de resgatar ou mesmo de repaginar as referências culturais tradicionais/populares do estado. Não que essa internacionalização ou desterritorialização resuma a atuação sonora destes grupos, pois influências como Roberto Carlos, Mutantes e Clube da Esquina, também refletem algumas das nuances destas bandas indies. O fato é não dá para negar que essa referência ao rock alternativo internacional deu a tônica mais forte na sonoridade indie recifense, aliada ao desligamento de voltar-se aos sons regionais.
Por outro lado, o legado do Manguebit foi passado a grupos que imprimiram, aos seus modos, a resignificação desses conceitos. Mombojó, Re:combo, Originais do Sample, Orquestra Contemporânea de Olinda, Academia da Berlinda, Bonsucesso Samba Clube, Alessandra Leão, Dona Margarida Pereira & os Fulanos Silvério Pessoa, Otto, Songo, Zé Cafofinho e Suas Correntes, são alguns dos projetos que, talvez, possam carregar com mais propriedade o real sentido do termo Pós-mangue, pois, neles é mais notável a repaginação da tendência conceitual proposta pelos mangueboys.
A mistura entre os regionalismos e a música pop global, através dos preceitos lançados por Chico Science & Cia, deram e continuam a dar muito pano pra manga na música alternativa pernambucana e, não é possível mensurar até quando. A abertura é o grande trunfo deixado pelo Mangue, pois é possível retomar o fôlego a partir de sonoridades mais contemporâneas – da música eletrônica (DJ Shadow, Daft Punk etc.) ou da música alternativa mundial (Stereolab, Beck etc.) –, ou mesmo através de novas tensões com a música caribenha, com a bossa nova, com o frevo, com o jazz, com o samba-rock, com o hip-hop, etc. Enfim, há uma linha estilística que aproximam, de certa forma, estes artistas tão díspares, que é a repaginação do legado deixado pelo Manguebit.
Foto 16: Lula Côrtes.
Fonte: https://sinistersaladmusikal.files.wordpress.com/2013/08/100_7800.jpg. Acesso em: 13 jul. 2016.
Os descendentes da fase rocker e psicodélica de Lula Côrtes (Foto 16) e do Udigrudi pernambucano dos anos 1970 se espalharam geograficamente, de modo geral, por Jaboatão dos Guararapes (Johnny Hooker, Monomotores, Quarto Astral), pela Zona Oeste do Recife (Canivetes, Os Insights, Jean
Nicholas, Juvenil Silva, Graxa) e por outros espaços da cidade do Recife (Anjo Gabriel, Morcegão, Serrapilheira). Além da referência ao músico pernambucano, o The Stooges, talvez, seja uma aproximação analítica interessante para confrontar com as posturas destas bandas. Pois, é no encontro do rock com o punk, no chamado pré ou proto-punk, que as sonoridades destes grupos se encontram. Pelo excessos da tríade sexo, drogas e rock n’ roll, além das ideias lançadas pelo Please, Kill Me e pelo DIY dos punkrockers. O psicodelismo de projetos como The Who, Jimi Hendrix, Pink Floyd e Frank Zappa também dizem muito a respeito desses grupos e, é óbvio que existem muitos mais apontamentos referenciais – como: Sérgio Sampaio, Raul Seixas, Bob Dylan, David Bowie, etc. –, e muitos outros que possam surgir.
Não há uma necessidade em reprocessar a música tradicional do estado com outras vertentes da música pop ou alternativa internacional, mas, ao mesmo tempo, não é expresso diretamente o desapego com os preceitos do Manguebit. E isso também não significa que eles estejam num meio termo ou em cima do muro entre essas duas tendências. É possível perceber, de fato, posturas às margens da música alternativa do estado – no sentido de terem pontos semelhantes com os dois primeiros grupos estéticos do Pós- Mangue, mas eles não se posicionam nem contra nem a favor, mesmo tendo um conjunto conceitual comum que tocam as bandas desta terceira vertente de uma forma peculiar. É isso que as lançam num entrelugar – tocando nesses dois eixos pelas bordas e propondo, dessa maneira, outras sonoridades. E os artistas citados como referências sonoras reforçam a tomada de postura estética destes músicos pernambucanos, que optaram – pegando o gancho do nome do principal festival desta terceira categoria do Pós-mangue –, por um certo “Desbunde Elétrico”.
Há ainda uma quarta movimentação neste panorama diversificado, que seriam os que estão fora e ao mesmo tempo circulando, muitas vezes, em mais de um segmento destes apresentados. Nuda, Ex-exus, D Mingus, Matheus Mota, A rua, Muta, Aninha Martins, Isadora Melo, Zé Manoel, Feiticeiro Julião, Bande Dessinée, Marsa, Paes, não são diretamente associados a uma das três tendências. Também não é uma novidade no cenário musical recifense, pois projetos como Paulo Francis Vai Pro Céu,
Textículos de Mary e o projeto sonoro Pajé Limpeza do Moluscos Lama, por exemplo, já acionavam esses tipos de estranhamentos entre os agrupamentos musicais.
Como o caráter é mais híbrido e, às vezes, obscuro, esses projetos radicalizam ainda mais, de certa forma, com a fragmentação do cenário musical pernambucana. O que dificulta a tarefa de análise em sintetizar algumas tendências deste grupo, em especial, pois ele consegue ser mais plural do que os três segmentos anteriores. Da tropicalismo ao vanguardismo paulista, do psicodelismo à música francesa, da música eletrônica ao krautrock, da MPB a novas bandas experimentais do pop e do rock, como Animal Collective e TV on the Radio, e por aí vão as referências sem amarrar qualquer conceito.
É na liquidez que esse grupo tem sentido. Não existem blocos conceituais comuns, cada grupo, praticamente, ou se envolve em uma movimentação própria, singular e autônoma ou se mistura por dentro e por fora destas outras categorias, de forma peculiar. E extrapolando ainda mais essas tendências, ainda existem os metaleiros (Desalma, Cangaço), os stone
rockers (Casillero, Mondo Bizarro), os experimentais (Monstro Amor,
Mabombe, os projetos de Thelmo Critovam, Marcelo Campello, Lucas Allencar e Henrique Vaz) e os rappers (Sem Peneira Pra Suco Sujo, Herbert & Mazili Beats).
O que veio depois do Manguebit, a partir dos anos 2000, foi uma fragmentação devastadora, e as sonoridades das bandas de música alternativa do estado - apesar de grosseiramente enquadradas, por mim, em algumas categorias – refletem também essa pluralidade estética e política, de forma decisiva. Essa análise não quer incitar rixas ou facções, mas sim estimular o debate de um contexto, que já tem mais de 10 anos, e que vem sendo pouco agregado e discutido. A dificuldade da leitura vem talvez pela proximidade com o presente/contemporâneo ou pela volatilidade dessas ondas musicais, mas isso não impede nossa relfexão a respeito do Pós- Manguebit. E que venham as futuras reflexões e os distintos apontamentos para enriquecer ainda mais a compreensão e o mapeamento sobre o momento Pós-mangue e suas sonoridades tão diversas.