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Exceptions to the Autonomy Principle

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Chapter III : Key Principles of Letter of Credit

3.2 Principle of Autonomy

3.2.2 Exceptions to the Autonomy Principle

Segundo o Thay, “a Terra pura está sempre aberta para nós. A questão que permanece é: nós estamos abertos para a Terra Pura?” (HANH, 2009a, p. 88). Parece ser possível e necessário realizar uma preparação interior para captar esta visão de espiritualidade, a fim de pôr em prática estes ensinamentos. Com grande capacidade de doação e entrega, Thich Nhat Hanh tem estado todos estes anos indicando o caminho, por sua sensibilidade, compaixão e abertura para a vida. Ademais, sua dedicação à prática contínua no caminhar com os grandes mestres, em especial, Buda, demonstra ser simples caminhar por esta via: “torne-se atento ao olhar, ao tocar, ao tocar a terra com seus pés. Nós conseguimos permanecer na Terra Pura por vinte e quatro horas por dia, desde que mantenhamos o estado de plena atenção conosco” (p. 88). É necessário, assim, estarmos atentos em tudo, sermos atenciosos (HANH, 2009a), abrir os portais da percepção em comunhão sensível e “interser” com o multiverso, em sua

despretensiosa harmonia, pois a experiência mística envolve sempre o vigor de uma conexão. À medida que o desvelamento do mistério acontece no coração da realidade, “captar o fato central da vida” (SUZUKI, 1999, p. 73 apud TEIXEIRA, 2014a, p. 107), abraçar e se envolver no mundo, em lavoura contínua aos finos sinais ordinários e cotidianos. “Entregar-se ao caminho com toda a sua energia, pois só mediante sua integridade poderá prosseguir e só ela será capaz de uma garantia de que tal caminho não se torne uma aventura absurda” (JUNG, 2002, p. 27), mas a entrega a uma vida plena de sentido.

Você é a continuação de outra onda no passado, porque deve ter havido uma onda antes que tem empurrado você muito fortemente e que é a razão para você ter nascido aqui. Então, o surgimento da onda não é realmente o surgimento da onda, é o dia continuado dela. Quando onda se dissipa, ela não morre. Nada é perdido (HANH, 2009a, p. 98).

Enxergar a unidade, com todos os fenômenos circundantes e o corpo-mente-coração no momento presente. Assim como diz Panikkar (apud VELASCO, 1999, p. 172): “como uma gota de água [...] que se une ao mar da Divindade”, entregar-se ao instante presente sem medo de se perder no infinito e dinâmico oceano existencial, neste exercício que escapa à percepção superficial (TEIXEIRA, 2014a).

No entanto, há que procurar ser sempre cuidadoso e alerta, ao mesmo tempo em que flexível, pois essa “continuação não deve ser confundida com permanência. Ainda que as ondas continuem sob outras formas, cada onda está lá apenas por um instante e vai embora em seguida” (HANH, 2009a, p. 100). Chegada e partida, morte e vida no presente, tudo surge e desaparece no mesmo instante do agora, num eterno fluir do real.

De outra forma, Michellazzo (2011, p. 167) alerta que “o despertar não é um estado permanente”. “Vemos que nada somos e que somos tudo... discernimos o que é estar no mundo, mas não nos prendemos a nada no que nele existe” (KORNFIELD apud MICHELLAZZO, 2011, p. 167). Logo, de volta ao cotidiano, mas agora preenchidos com a marca indelével da experiência da unidade com o universo.

É necessário, do mesmo modo, seriedade, sem perder a singeleza da leve melodia das manhãs, a capacidade de ver e ouvir, da parte daqueles que, de alguma maneira, dispõem-se à abertura para o sagrado (não aquele imposto pelos dogmas suntuosos das catedrais, erigidas com base nas hierarquias constituídas pelo humano, mas o sagrado manifesto no universo, constelado na riqueza das coisas simples do mundo cotidiano e existentes na natureza, dadas por graça ao bem usufruir, por um ato misericordioso do Mistério).

O caminho interior é para ser percorrido pela guia do sussurro da alma. “O silêncio é essencial. Nós precisamos do silêncio assim como precisamos de ar, da mesma maneira que as plantas precisam de luz. Se as mentes estão repletas de palavras e pensamentos, não há espaço para nós” (HANH, 2016b, p. 24). É preciso, assim, estar em silêncio para ouvir os sons da natureza, pois ela fala, ensina. “Deus é um som. O criador do cosmos é um som. Tudo começa com um som” (p. 15).

Bodhishattva é o termo budista para se referir a alguém com grande compaixão, cujo objetivo é mitigar o sofrimento dos demais [...] Avalokiteshvara significa “o que escuta profundamente os sons do mundo” [...] também é capaz de pronunciar os cinco diferentes sons capazes de curar o mundo. Se você for capaz de encontrar silencio dentro de si mesmo, será capaz de ouvir esses cinco sons (HANH, 2016b, p. 14).

Percebe-se, desta forma, que, ao contrário da ideia de que o silêncio está ligado à solidão, tal escuta não exige isolamento do mundo. Ao contrário, é percebendo-se parte de um todo maior e reconhecendo o valor da alteridade, da partilha e do mútuo auxílio que se desenvolve a grandeza do espírito. Isto porque, como mencionado anteriormente, aquele que tem sensibilidade de ouvir os sons que podem trazer cura para o mundo está no mundo para entregar- se.

Embora o detalhamento a respeito dos “cinco sons verdadeiros” não seja o foco desta pesquisa, vale destacá-los: o primeiro, “o Som Maravilhoso [...] é o som dos pássaros, da chuva, assim por diante”, ou seja, os sons que emanam da própria natureza; o segundo “é o Som de Quem Observa o Mundo”, ou seja, o próprio som da escuta e do silêncio; o terceiro, o “Som de Brahma, o som transcendental Om [...] a palavra criadora do mundo”; o quarto é o “Som da subida da Maré”, ou a “Voz de Buda [...] os ensinamentos de Buda que podem desfazer incompreensões, curar aflições e transformar todas as coisas” e quinto é o “Som que Transcende Todos os Outros Sons do Mundo. É o som da impermanência” (HANH, 2016b, p. 14-17).

Repara-se que nem o primeiro som nem o último são a voz de Buda. Isso suscita alguns exames, os quais parecem confirmar fortemente a ideia de que o Budismo está intimamente ligado à natureza, além de demonstrar profunda coerência aos ensinamentos, aos símbolos por eles enunciados. Pode-se dizer, em determinada perspectiva, que isso o fortalece, pois está baseado na própria vida.

Seguindo essa reflexão a respeito do som que tem a capacidade de “curar”, é interessante notar que o som da voz do Buda não se impõe como superior ou como a palavra última. É justamente o som da impermanência, que atravessa, ou, melhor dizendo, transcende os próprios

ensinamentos. Mais uma vez, vê-se coerência: se justamente é o próprio Buda quem diz que não se deve apegar nem aos seus próprios ensinamentos, não poderia ser de outro modo.

Bhikkhus, uma pessoa liberada nem se prende aos dharmas nem sente aversão a eles.

Ambos apego e aversão, são cordas que nos amarram. Uma pessoa livre transcendo a ambos a fim de viver em paz e felicidade. Uma tal felicidade não pode ser mensurada. Uma pessoa livre não se prende a visões estreitas acerca da impermanência e do não- eu. Bhikkhus, estudem e pratiquem o ensinamento inteligentemente, com um espirito não apegado (HANH, 2007b, p. 303).

Buda diz, ainda, que seus ensinamentos não fazem parte de nenhum cânone filosófico, carregado de conjecturas mentais, cujo resultado do percurso por determinada senda seria o mesmo reservado às “formigas nadando em torno da borda de uma tigela – elas nunca chegariam a lugar nenhum [...] É o resultado da experiência direta” (HANH, 2007b, p. 170). Vem de seu próprio caminhar na Terra e, para confirmá-los, basta experimentá-los através da própria vivência direta individual.

Ao que parece, não há outro caminho para quem quiser “alcançar o irromper da passagem para o verdadeiro si mesmo [...]. Deve deixar completamente todas as experiências e conhecimentos religiosos adquiridos, tornar-se seu si mesmo” (UEDA, 2013, p. 207). Envolve “a prática do destemor” (HANH, 2014b, p. 80). Abandonar-se para morrer. Mas não a morte derradeira, do corpo físico, e sim a morte para dentro e fora, para o quente e o frio. A morte das polaridades conflitivas e da não unidade com a teia da vida. “De uma vez por todas, saltar no nada puro. Esta atitude existencial do ‘despertar para o morrer ou para a vida’ é o fundamento da existência religiosa” (UEDA, 2013, p. 205).

Está ligado ao hábito de pressentir e reconhecer o mistério que se apresenta diuturnamente no dia a dia frugal, em que o nobre se esconde e se revela no cair da folha sobre o chão, no amanhecer e no entardecer, no acordar, no olhar, no silêncio e na fala. Alargando o “coração para que ele abrace a eternidade no tempo e o infinito do espaço em cada palpitação” (SUZUKI, 1999 apud TEIXEIRA, 2014a, p. 108). De forma que não há iluminação fora do mundo sensível. É mister se dedicar ao exercício da atenção ao delicado fluir da existência. Não há uma nobre atitude extraordinária fora do sagrado agora.

Quando notarmos uma folha amarelada sob nossos pés durante a meditação andando, será uma oportunidade de olharmos profundamente para a sua natureza não-ida e não vinda [...] Quando praticamos mente atenta em nossas atividades cotidianas – trabalhar, praticar jardinagem, cozinhar, lavar os pratos, saudar as pessoas- estamos em contato profundo com o mundo dos fenômenos [...] Nesse ponto, a dimensão suprema pode começar a se revelar para nós [...] Exatamente como a folha amarela e

tudo o mais que vemos ao redor de nós no mundo das aparências, também estamos participando da infinita vida de Buda (HANH, 2011a, p. 139- 140).

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