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Construction of probability measures

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7.4 Applications

8.1.1 Construction of probability measures

Com o avanço da tecnologia, as máquinas das diferentes linhas de produção tendem a ser todas automáticas. Consequentemente, a probabilidade de ocorrerem avarias ou falhas aumenta, o que implica uma maior atenção e cuidado na preservação destas máquinas. A ocorrência de uma falha elétrica ou tecnológica pode originar a paragem prolongada nas linhas de produção, afetando deste modo a eficácia da fábrica. Como tal, surgiu a necessidade de prever eventos futuros e diagnosticar problemas antes destes acontecerem. Para tal, existem duas soluções uma a médio prazo e outra a longo prazo, Manutenção Preditiva e Prescritiva, respetivamente. A última prática permite avançar para além da previsão de avarias, visto que permite que imediatamente após a indicação de uma futura avaria, ative automaticamente a manutenção com a mínima intervenção humana

Avaliação de prós e contras à Implementação de novas práticas

O primeiro passo para a implementação desta filosofia deve centrar-se no estudo de casos de sucesso e de insucesso de forma a aproveitar tudo aquilo que foi realizado de bom nessas

empresas, com o cuidado de adaptação para a realidade da fábrica do IKEA Industry Portugal, e evitar realizar os erros que foram cometidos pelos casos que se revelaram de insucesso. Para além disto, é importante consultar artigos de especialistas nesta área de intervenção para existir uma maior familiarização com as filosofias que se esperam implementar assim como conhecer quais as vantagens e desvantagens que pode carregar cada uma destas estratégias. Como tal, foram analisados alguns artigos relacionados com as duas políticas de Manutenção concluindo-se que as seguintes vantagens e desvantagens:

Tabela 1 - Vantagens e Desvantagens das Manutenções Preditiva e Prescritiva

Manutenção Preditiva Manutenção Prescritiva

Vantagens  Deteta falhas e avarias com antecedência;

 Evita intervenções desnecessárias;

 Reduz os custos (de paragem de máquina, processo, pessoal e reposição);

 Aumenta a vida útil do equipamento;

 Reduz número e custo de paragens não planeadas;

 Melhora a produtividade da organização.

 Permite analisar dados históricos e dados em tempo real;

 Aparelhos eletrónicos e operadores são participantes proactivos nas tarefas de manutenção;

 Transmissão de dados sobre operações, performance e condições;

 Prevê potenciais falhas e ativa automaticamente a manutenção com a mínima intervenção humana;

 Permite conhecer a causa da falha ou avaria;

 Permite reparar equipamentos de forma remota por software;

 Fornece aos técnicos todas as informações e ferramentas necessárias para intervir de forma imediata.

Desvantagens  Elevado investimento inicial em técnicas preditivas (Ultrassom, Termografia);

 Requer acompanhamento e inspeções periódicas com alto grau de rigor;

 Necessidade de profissionais especializados com instrumentos preditivos.

 Análise e gestão de uma grande quantidade de dados obtidos;

 Necessidade de profissionais especializados com instrumentos de manutenção prescritiva;

 Falta de estruturas de dados formalizadas;

 Implementação a longo prazo pois é uma estratégia que requer tempo para estar 100% operacional.

Posta a análise de todos os pontos positivos e negativos que apresentam as duas políticas de manutenção, devem ser discutidos e estudados quais as caraterísticas da empresa e do departamento de Manutenção que serão influenciadas pelo início da implementação das duas estratégias.

Numa primeira fase, é necessário avaliar os custos que a Manutenção apresenta atualmente, como se espera que estes evoluam no futuro e quais as possibilidades de investir nas técnicas de manutenção preditiva e prescritiva. Como referido no capítulo 3 da presente dissertação, os custos totais do departamento de manutenção no ano fiscal de 2017 são, na grande parte dos meses, superiores aquele definido como objetivo. No entanto, com a procura de novos fornecedores para reparação de componentes avariados e para compra de novos e com as

custos mensais sejam inferiores ao orçamento. Consequentemente será possível a médio/longo prazo, investir nas técnicas de manutenção, preditiva e prescritiva, necessárias para melhoria da produtividade na organização.

Devido às alterações de produção que acarreta a introdução destas filosofias, é importante saber quais serão as áreas e linhas de produção, onde estas técnicas se implementaram primeiro. Após uma análise de alguns indicadores foi concluído que seria benéfico para a empresa aplicar as técnicas nas linhas que apresentam maior número de paragens, mais avarias, mais tempo para reparação de um equipamento e que produzam um maior número de produtos com defeitos. Portanto, foram escolhidas as seguintes linhas: Complete Line e as linhas da EB&D da fábrica Foil e da fábrica L&P.

Estas linhas são consideradas as linhas críticas da fábrica devido aos fatores enumerados a cima, por isso seria uma boa solução iniciar a implementação destas estratégias por estas uma vez que estas permitiriam conhecer as causas do problema, evitando a substituição de componentes em busca da causa da avaria e, por consequência, reduzindo assim o tempo de inatividade do equipamento. Para além disto, seria possível acompanhar o processo desde o início de um setup até ao final do mesmo, o que levaria a melhorias significativas quanto à eficácia de produção, qualidade do produto e condições dos materiais.

Estas estratégias de manutenção não apresentam tanta aplicabilidade em linhas onde a produção seja, em grande parte, manual. A área dos Frames encaixa-se nesta categoria uma vez que é constituída por um grupo de operadores que realiza uma grande quantidade de

frames com um índice de erros bastante baixo e apresentando melhores valores de eficácia em

algumas referências de produtos quando comparados com o equipamento Master Frame, equipamento que realiza a mesma função de forma automatizada.

Tendo em conta as linhas de produção e os parâmetros referidos no ponto 2.2.3 do presente relatório, deve ser realizado um resumo das ferramentas que serão necessárias para melhorar a produtividade da fábrica.

Tabela 2 - Técnicas de Manutenção e Vantagens associadas

Técnica/Ferramenta Justificação Vantagem

Termografia As linhas de produção trabalham 24 horas por dia, em condições de temperatura bastante elevado o que cria a necessidade de conhecer a temperatura do equipamento através de uma câmara de raios infravermelhos.

Conhecer a temperatura ao longo do equipamento e encontrar pontos quentes que indiquem dano ou desgaste. Permite atuar imediatamente consoante a informação recebida.

Análise das vibrações pela instalação de sensores ou captadores que as registam

As linhas de produção possuem na sua constituição diversos equipamentos que durante a realização da sua função vibram de forma constante, o que a longo prazo pode comprometer a continuidade da linha.

Permite detetar com antecedência a presença de falhas.

Permite acompanhar e detetar o aparecimento de novos esforços e degradação dos equipamentos.

Análise de óleos, através da técnica Ferrográfica

Necessidade de analisar óleos quanto à presença de contaminantes que podem aumentar o desgaste das máquinas, visto que nas linhas a

Redução de gastos com materiais de reposição.

Redução de trocas de óleo desnecessárias.

produção de poeiras e outros contaminantes são habituais.

componentes.

Ultrassom As funções das máquinas das linhas de produção tornam estas, locais de bastante barulho, sendo necessário a técnica Ultrassom para captar e analisar algumas frequências.

Permite detetar vazamento de ar comprimido.

Permite detetar

descontinuidades internas de uma peça.

Criação de Condições para a Implementação

Após estarem definidos todas ferramentas que serão necessárias para uma boa prática destas Manutenções e de serem analisadas todos as vantagens e desvantagens que podem trazer, é necessário analisar e estruturar todas as alterações que estas implicarão de modo a que o bom funcionamento da fábrica e das equipas não seja afetado assim como o ambiente entre os diversos técnicos de manutenção e operadores de produção.

Deste modo, com a introdução destas novas técnicas será necessário uma reestruturar a equipa de manutenção visto que serão necessárias pessoas especializadas para a utilização das novas ferramentas de manutenção. Como tal, numa primeira fase será necessário o recurso a mão- de-obra externa para realizar as tarefas relacionadas com as novas ferramentas. Todavia, esta deve ser uma solução a curto prazo, devendo ser utilizada até que sejam criadas as rotinas preditivas e prescritivas assim como até ao momento em que os técnicos de manutenção ou os operadores de produção já possuam as competências necessárias para a realização desta função.

Como tal, é necessário definir, dentro das 3 equipas de técnicos de manutenção que trabalham durante a semana, quais serão os que ficarão responsáveis pela realização e pelo acompanhamento das técnicas apresentadas no ponto anterior do presente relatório. Esta escolha deve recair sobre os técnicos que já se encontrem atribuídos às áreas em questão, tendo em conta que estas novas funções não prejudiquem o trabalho de manutenção desenvolvido até então.

Após definidos quais os técnicos responsáveis pelas novas técnicas, estes devem ser submetidos a um processo de formação e treino de forma a adquirirem todas as competências e conhecimentos necessários. As formações devem ser dadas por pessoas especializadas nas diferentes técnicas, que serão contratadas às empresas fornecedoras das mesmas.

As formações devem consistir em explicar todos os procedimentos de como se devem utilizar as diferentes ferramentas, quais os valores registados que devem ser considerados como importantes para o inicio da reparação ou substituição dos componentes e quais os cuidados que são necessários ter com as ferramentas.

Como em todas as outras políticas de manutenção postas em prática na empresa, devem ser elaboradas instruções de trabalho de como devem ser realizas as tarefas de manutenção preditiva e prescritiva. Como tal, os colaboradores responsáveis por esta tarefa, também devem estar presentes nas diversas formações de modo a adquirirem os conhecimentos necessários para a correta elaboração das instruções. Terminadas e aprovadas todas as instruções estas devem, também, ser colocadas em pastas partilhadas na rede assim como no

software de Manutenção MaintMaster e na plataforma de gestão de documentos, RISI, para

que possam ser consultadas sempre que necessárias.

Com a introdução destas novas técnicas, serão recolhidos uma grande quantidade de dados em tempo real, referido anteriormente no ponto 2.2.4 do presente relatório, que deverão ser analisados de forma às intervenções de manutenção serem sempre realizadas imediatamente

responsável pela análise e acompanhamento diário de todos os dados obtidos. A análise dos dados obtidos deve ser realizada de forma crítica e cuidada de forma a evitar intervenções e substituição de componentes desnecessários, reduzindo assim os custos de manutenção.

Implementação das novas filosofias

A última fase do Plano de Manutenção de Equipamentos Indiretos consiste na implementação das técnicas de Manutenção Preditiva e na preparação para, posteriormente, introduzir uma filosofia de manutenção mais baseada nas novas tecnologias, a Manutenção Prescritiva. As instruções de trabalho, desenvolvidas na fase anterior, devem ser apresentadas às 4 equipas de técnicos de manutenção, incluindo o respetivo supervisor, de modo a dar a conhecer a todos os técnicos quais serão as novas técnicas. São também descritos quais os equipamentos que serão sujeitos ao novo tipo de manutenção, quais as vantagens que irá trazer para a empresa no futuro e onde estarão todas as informações para quando seja necessário consultar. O último passo antes do inicio dos trabalhos associados às novas técnicas introduzidas deve ser a escolha da data em que estes se irão iniciar. Sendo uma técnica nova, com a utilização de novos matérias e com mudanças nas estruturas das equipas de manutenção, a data de início deve ser escolhida com cuidado para não afetar o desempenho da fábrica. A data sugerida para começo dos trabalhos é o início de um ano fiscal, visto que na mudança entre anos fiscais existem paragem de produção, existindo duas semanas em que apenas o Departamento de Manutenção trabalha, período conhecido como “Trabalhos de Verão”. Neste período, para além das tarefas que foram definidas ao longo do ano para esta época, será possível preparar- se todas as ferramentas e condições para no início do mês de Setembro se iniciar as novas políticas de Manutenção.

Após estar implementada a nova política de manutenção devem ser realizadas inspeções periódicas de forma a monitorizar frequentemente os equipamentos. Deve também ser realizada mensalmente uma análise e avaliação dos resultados obtidos de forma a perceber se a nova política está a ser realizada de forma correta e se os resultados estão de acordo com os objetivos. Os indicadores que devem ser analisados no final de cada mês são: o tempo de resposta a uma possível avaria prevista pelas novas ferramentas, os custos com os materiais de substituição e com aqueles que foram para reparar, a quantidade de spare parts, os tempos de inatividade das diferentes áreas e a respetiva eficiência de produção.

Apesar de na fase “Avaliação de prós e contras à Implementação de novas práticas” já terem sido referidas algumas vantagens e desvantagens da estratégia de Manutenção Prescritiva foi pensado que seria benéfico para a empresa se esta técnica apenas fosse considerada como um trabalho futuro uma vez que necessita de uma avaliação e análise mais profundas, já que é uma filosofia que ainda se encontra em desenvolvimento.

No entanto, é necessário ter em consideração que com o rápido avanço das tecnologias, dos computadores e da digitalização das indústrias, a estratégia de Manutenção Prescritiva será necessária de implementar de forma a manter a organização com níveis de performance bastante elevados. Esta permitirá às máquinas se tornarem self-learning, reduzindo assim a necessidade de reparações. Por esta razão, deve-se iniciar um processo de investigação de modo a concluir quais serão as técnicas que mais tarde serão importantes para a empresa e quando se irão realizar as atividades de implementação dos mesmos.

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