Matériel et méthode
ECHO- ECHO-DOPPLER
14. EVOLUTION ET PRONOSTIC
Desde a Guerra das Malvinas, em 1982, os Estados Unidos passaram a preocupar-se com cenários de guerra envolvendo o que denominavam potências médias. Aqui há uma sincronia entre acontecimentos: em 1982, a Argentina por muito pouco não derrotou a Inglaterra, que contava com apoio logístico e de inteligência cerrado dos EEUU e da OTAN. No mesmo ano, deu-se a Batalha do Bekaa. Em meados do ano seguinte, a Batalha da Sacalina. No ano seguinte (1984), foi tomada a decisão de construir o Polyus. Era evidente que a confrontação com a URSS, cujo tom elevava-se, ocupou a primazia das atenções estadunidenses.
Entretanto, com a ascensão de Gorbatchev em 1985, as relações com a URSS distensionaram-se. As Malvinas haviam posto em evidência a extensão da americanização do mundo. Muitos países na semi-periferia alçavam-se à condição de potências militares. Foi um choque que um país da OTAN pudesse ser desafiado – e quase derrotado – por um país de Terceiro Mundo. Ao mesmo tempo, o choque dos juros de 1979 originou a crise da dívida nos países emergentes. A correlação de forças militares com o Terceiro Mundo pela primeira vez passava a ser objeto de atenção das altas finanças. Os Estados Unidos colhiam os frutos de sua política de semear Estados pinos para cercar a URSS. Por isso, em paralelo com a confrontação à URSS, foi desenvolvendo-se uma crescente atenção à possibilidade de intervenção contra aliados tradicionais dos EEUU. Discretamente surgia uma nova agenda.
A Conferência de Malta, em 1989, selou o fim da OTV e, na prática, a rendição da URSS. A invasão do Kuwait pelo Iraque em 1991 criou a possibilidade de unir as duas agendas: desmantelar um aspirante à potência regional (Iraque) e ao mesmo tempo aprofundar a pressão militar sobre a URSS. O Iraque foi derrotado em 100 horas. A URSS deixou de existir em dezembro de 1991.
O fim da Guerra Fria deixou os EEUU em situação análoga à que se encontravam após a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, a Guerra da Coréia e a Guerra Fria salvaram a indústria armamentista. Depois dos drásticos cortes de gastos militares do governo Clinton, era preciso engendrar justificativas para a manutenção dos contratos e a sobrevivência das empresas.
Então que surgiu a guerra contra o Terceiro Mundo. Ela tem diferentes nomes e justificativas: ora é a guerra contra as drogas, ou pelos valores humano-universais, ora contra a proliferação de armas de destruição em massa. Desde o 11 de setembro ela é denominada guerra contra o terror.
Por conta desta campanha contínua que se estende desde 1991 contra objetivos localizados no Terceiro Mundo, a EOD estadunidense alterou-se drasticamente. De início, sistemas concebidos para enfrentar a URSS foram ajustados aos novos teatros de operações. Depois, vieram modificações e requisições de novos armamentos e a mudança na composição de organização das unidades. Desde o 11/09, houve uma alteração na própria atividade finalística das forças armadas, cuja missão principal passou a ser o combate ao terror.
Esta seção vai tratar desta transição e de seus resultados. De início, veremos como o JSTARS, cuja estréia, como vimos, deu-se na Batalha de Sacalina. Foi empregado na campanha de 100 horas que desmantelou o Iraque. O JSTARS anunciou o ingresso irreversível do mundo na era da guerra digital, com controle remoto de batalha feito em tempo real e também cobertura midiática simultânea, o que ensejou o mito da guerra vídeo-game, em que apenas forças militares são atingidas e os civis são poupados do sofrimento. A seguir veremos na organização da Força Aérea Expedicionária (AEF) e da Força Tarefa Pesada de Aviação (AHTF), a materialização de um planejamento de guerra centrado no Terceiro Mundo anto no que diz respeito à composição de força combatente quanto na cadeia de logística. O próprio advento da digitalização da força terrestre (“Force XXI” e “Land Warrior”) teve em vista Forças Armadas com contingentes cada vez mais reduzidos e voltados mais a operações policiais do que propriamente militares. Por fim, há o JDAM, que, ao baratear os custos da guerra, passou a facultar as intervenções unilaterais estadunidenses.
Na conclusão da seção, o balanço; o que Dunnigan denomina exército resultante de “situações FedEx”180; que é forte na tática e na logística, mas fraco nas operações.
Sistema Conjunto de Radar de Observação e Ataque (JSTARS)
JSTARS181 é uma tecnologia embarcada em aeronaves para detectar alvos em movimentos sobre o solo a grandes distâncias. Trata-se de uma versão do JTIDS para rastreio e aquisição de alvos em terra. Como o JTIDS, ele não apenas identifica e localiza o alvo, mas também fornece sua aquisição (targeting) para mísseis ar-superfície (ar-terra; ar-mar). Em princípio, o JSTAR passou a operar embarcado na mesma plataforma que o JTIDS: o AWACS (E-3 Sentry). Com a difusão da digitalização para outros países e a redução de tamanho de componentes, acredita-se que hoje uma gama considerável de aeronaves opere JSTARS. Ainda assim, para efeitos conceituais, deve-se compreender estas aeronaves como mini-AWACS182.
Como se viu no caso do míssil anti-radiação, foi o advento de processadores cada vez menores e mais potentes que permitiu aos computadores serem embarcados em plataformas e sistemas cada vez mais diversos. Isto começou com o AWACS e depois chegou às aeronaves não-tripuladas, mas não sem antes passar pelos dispositivos antiaéreos autopropulsados, tanques e helicópteros. Por fim, em nossos dias, passou a integrar o sistema de armamento individual de cada soldado de infantaria. Trata-se do advento das “tropas digitais”.
A difusão desta tecnologia do nível estratégico (grupos de exércitos e armas de fusão) para o nível tático (esquadrões de infantaria e armas leves) demorou por volta de vinte anos. Todavia, foram mantidas as especificações estabelecidas desde o princípio da Arpanet. Tratou-se de integrar diversos centros de controle e comando em uma rede que congrega redes, os quais podem continuar operando (nível estratégico ou tático) de forma independente uns dos outros.
181 JSTARS – Joint Surveillance and Targeting Attack Radar System. BOWYER, Richard.
Campaign: Dictionary of Military Terms Oxford, Macmillan Education, 2004. Cf. tb BOOT, 2003, p.
38A.
182 Por exemplo, o Su-30 é tido como um caça (na realidade, é uma plataforma de armas com
capacidade de travar dogfight) dotado de sistema análogo ao JSTARS. Inspirado no MiG 31, os Su-30 triangulam uma porção de terreno com seus radares embarcados de arranjo fásico e, através do processamento distribuído efetuado pelos computadores embarcados em cada um deles, fornecem alvos para 30 ou 36 outras aeronaves. Note-se, não é só vetorar; as aeronaves podem então disparar “cegas”, isto é, sem que tenham adquirido o alvo. Isto permite a conjugação de aeronaves de alta tecnologia com aviões antigos.
A segunda Guerra do Golfo, a Guerra do Iraque de 1991, foi o marco da transição do uso da digitalização do nível estratégico para o operacional. Significa dizer que os sistemas de Comando, Controle, Computadores, Comunicações, Inteligência, Reconhecimento e Vigilância (C4ISR183), concebidos para a guerra termonuclear, passaram a ser utilizados no âmbito das operações de exército, divisão e até de brigada. Era a estréia oficial do “Sistema Conjunto de Radar de Observação e Ataque” (JSTARS184).
O JSTARS é uma derivação direta do JTIDS que, como vimos, foi um sistema de armas construído para a guerra termonuclear. Também observamos que foi o JTIDS que vertebrou o “Sistema de Controle e Alerta Antecipado Aerotransportado” (AWACS185). Todavia, ao contrário do AWACS (JTIDS), cuja função primária é o controle do espaço aéreo, o rastreio de aeronaves e de mísseis cruzadores, a função primária do JSTARS é rastrear alvos terrestres186. Serve para designar rapidamente as posições inimigas tanto para aeronaves de ataque quanto para baterias e forças terrestres187. Trata-se, em suma, de um C4ISR que coordena a batalha em tempo real.
Todavia, no Iraque em 1991, a comunicação entre os diversos escalões estadunidenses, sobretudo nos inferiores, continuava processando-se predominantemente por meio de aparelhos analógicos. Ainda assim, vários sistemas de arma de emprego tático já eram integralmente digitalizados, entretanto, dependentes de computadores embarcados e de guiagem a laser. Na percepção do senso comum isto ficou plasmado como a guerra das “armas inteligentes”, o que é só a menor faceta da inovação. Mesmo porque apenas 9%188 das armas empregadas contra Iraque eram desta natureza. Importa é a transição do JSTARS da estratégia para tática.
183 Devido a sua sigla em inglês: Command, Control, Communications, Computers, Intelligence,
Surveillance, and Reconnoissance – (C4ISR).
184 JSTARS – Joint Surveillance and Targeting Attack Radar System. BOWYER, Richard.
Campaign: Dictionary of Military Terms Oxford, Macmillan Education, 2004. Cf. tb BOOT, 2003, p.
38A.
185 AWACS – Airborne Warning and Control System. 186 Cf. DUNNIGAN, 1993, p. 147.
187Como por exemplo o M-26. M26: Multiple Launch Rocket System (MLRS) A maior inovação,
entretanto, é o GMRLS (Guided Multiple Rocket Launcher System). http://www.fas.org/man/dod- 101/sys/land/m26.htm (15/08/2006). Com isto uma arma “burra” e barata, como o foguete, passa a ter uma precisão análoga à do míssil, sem ter o computador a bordo, guiado de computador remoto. Isto barateia o custo da operação, dispensa aliados para seu financiamento e torna os países mais propensos a ações unilaterais.
Nem sempre o papel do comando do espaço (JSTARS) ficou claro. O exagero da mídia em torno das armas inteligentes, gerou como contrapartida o ceticismo de analistas. A mídia vendia a imagem da reinvenção da guerra, o que compeliu à argumentação contrária e a subestimar-se o papel da mudança. No caso, o JSTARS, que converteu a guerra (portanto a soberania) em um problema espacial. De seu turno, os céticos diziam que o Iraque era um país cambaleante, que já havia sido vencido por seu vizinho Irã. Que a guerra que havia se prolongado por 8 anos, a segunda mais longa do século XX, daí o esgotamento do país. Além disto, sublinhava-se que os atacantes estavam com superioridade numérica de três para um (3:1)189. O resultado foi que a crítica especializada acabou pendendo para o ceticismo, ou incompreensão, acerca do significado da banalização do uso do espaço para ação militar.
Poucos anos depois, nas operações da OTAN no Kosovo, mais de 40% dos sistemas táticos empregados já tinham sua capacidade de entrega controlada por computadores, porém ainda predominantemente embarcados − o que fazia de cada alvo, em virtude do custo do míssil ou bomba utilizado para destruí-lo, uma exorbitância em termos financeiros. Além disto, o golpe contra posições intensamente defendidas dependia de aeronaves stealth como o F-117.
A derrubada de um deles pelos iugoslavos causou enorme impacto na opinião pública e na crítica especializada. Era a primeira vez que a alta tecnologia servia para o lado mais fraco (e pobre) marcar um ponto sobre a USAF. Adiante veremos, dificilmente será o último.
Na época do conflito no Kosovo, os estadunidenses seguiam dependendo, para apoio de fogo aproximado, de aeronaves que fizessem o sobrevôo do alvo − fossem estas de asa fixa ou rotativa. Foi este um dos grandes motivos pelo qual, ao fim, não foi desencadeada a campanha terrestre da OTAN no Kosovo190. Acreditava-se − e a derrubada do F-117 só robusteceu esta impressão − que as defesas de ponto iugoslavas cobrariam um tributo pesado das aeronaves de apoio aerotático e, naturalmente, que haveria baixas consideráveis entre as forças terrestres invasoras.
189 Como se viu na introdução desta tese, Clausewitz considerava que a proporção de 2:1 já era
suficiente na esfera das operações. “(...) uma superioridade considerável que, todavia, não precisa exceder o dobro, basta para garantir a vitória, por mais desfavoráveis que sejam as outras circunstâncias”. Cf. CLAUSEWITZ, Carl. Da Guerra. São Paulo, Martins Fontes, 2003, p.205.
190 Ela já estava sendo procrastinada indeterminadamente devido a isto. Foi então que o bombardeio da
embaixada chinesa na Iugoslávia precipitou as negociações. Depois, o ingresso de uma companhia de pára-quedistas russos no Kosovo (em nome da ONU e usando identificação das “K-For”), pôs um fim definitivo a qualquer intenção de levar-se a cabo uma campanha terrestre.
Além disto, os americanos ficaram muito insatisfeitos com seus aliados da OTAN e com o que lhes pareceu serem restrições excessivas às políticas de bombardeio. Em um primeiro momento, acreditaram que a derrubada do F-117 havia sido decorrência de não terem, como no Iraque, destruído a rede central de comando e controle. Estas questões iriam se refletir sobre quatro inovações em curso na preparação militar: a Força Aérea Expedicionária, o “Force XXI”, o JDAM e o JSOW (AGM-154).
Força Aérea Expedicionária (AEF191) e Força Tarefa Pesada de Aviação
(AHTF192)
Com a extinção da URSS foram redefinidas as funções e o perfil dos três grandes comandos da USAF. Até então a USAF dividia-se em três grandes comandos: o SAC (Comando Aéreo Estratégico), o TAC (Comando Aerotático) e o MAC (Comando Militar de Suporte Aéreo). Em seu lugar foram criadas, igualmente, três organizações: o USSTRATCOM (Comando Aéreo Estratégico dos Estados Unidos), o ACC (Comando Aéreo de Combate) e o AMC (Comando Aéreo de Mobilidade). O essencial na redefinição foi a divisão da força de bombardeios estratégicos antes pertencentes exclusivamente ao SAC entre seus dois sucessores, o USSTRATCOM e o ACC − o que denotava a disposição para o uso tático do bombardeio estratégico193. A outra modificação relevante foi que o USSTRATCOM ficou com o comando de todas as armas nucleares estratégicas, inclusive aquelas pertencentes antes à jurisdição da Marinha.
191AEF - Air Expeditionary Force. 192 AHFT − Aviation Heavy Task Force.
193 Por definição, bombardeio estratégico é aquele lançado além do campo de batalha, sobre a
retaguarda do inimigo, sobre seus embasamentos industriais, logísticos e econômicos. Eventualmente sobre as cidades, então é chamado de “saturação”, realizado para “baixar a moral” das populações dos países inimigos. Trata-se de eufemismos para designar a política de extermínio deliberado e massacre em massa de civis. De todo o modo, o bombardeio tático é aquele que tem um papel na definição do resultado da batalha, portanto se dá sobre o próprio campo. A doutrina estadunidense só ocasionalmente fez uso tático do bombardeiro estratégico. Trata-se de uma mudança significativa na doutrina que está estritamente relacionada com o advento do JSTARS e com o uso do JDAM. Isso porque o JSTARS permite a guiagem de mísseis ar-superfície a longas distâncias (stand-off), o que faculta os grandes bombardeiros, devido a sua grande capacidade de carga, possam ter papel na definição da batalha, disparando contra alvos densamente cobertos por defesa antiaérea. Justamente devido ao advento do JSTARS e de sistemas como o JSOW e o JASSM, houve uma modificação no conceito de rede para defesa antiaérea, que passou da rede única e interligada (IADS) para o de rede única distribuída HIMADS (High and Medium-range Air Defence Systems). Os mísseis antiaéreos passaram a ter um alcance maior e as defesas de ponto aumentaram sua precisão e cadência de disparos (projéteis de canhão e mísseis de curto alcance).
O ACC trouxe um novo perfil para a batalha (aero-terrestre-naval), pois supunha inicialmente o uso em larga escala de armas guiadas, que podiam ser utilizadas em batalha contra centros de comando, blindados, veículos lançadores de mísseis, concentrações de artilharia e, igualmente, navios. Isto dotou o já avantajado poderio convencional estadunidense de uma capacidade adicional extraordinária. A missão primária do ACC foi definida nestes termos: “prover de poder adicional de combate aéreo os diversos comandos aéreos de combate (aviação de ataque); servir como suporte global para a implementação da estratégia de segurança nacional através de operações de combate, bombardeio, reconhecimento, gestão de batalha e guerra eletrônica; adicionalmente, prover de sistemas de comando, controle, comunicações e inteligência à conduta global de operações de informação194”.
Importa é perceber o sentido de missão. Trata-se de um comando aéreo de combate que, desde sua origem, é pensado conjugado com operações de inteligência, o que inclui a sabotagem e as “operações psicológicas”. Recentemente os B-2, bombardeiro estratégico de baixa assinatura no radar (stealth), receberam adaptações para o lançamento noturno de minas em portos e baías densamente povoadas e bem defendidas195. Aqui o elemento técnico serve
de suporte ao instrumento legal (a definição da missão) e à análise: trata-se não apenas do envolvimento do bombardeiro estratégico em batalha, mas em operações de “guerra subterrânea”. Para dar conseqüência ao escopo do ACC faltava apenas a previsão da presença de uma tropa de choque para operações em terra.
Conforme nos informa o Dr. Ronald Fuchs, um seminário realizado em 1997 pela SAB196, com assistência da DARPA197 e do comando aéreo de ataque da Inglaterra (UK), debruçou-se sobre esta lacuna. O perfil dos convidados (UK e DARPA) parece ter-se feito sentir nas duas principais recomendações contidas nos três volumes do relatório198: a Força Aérea Expedicionária (AEF) e a Força Aeroespacial Expedicionária. A primeira lembra o estilo britânico de fazer a guerra usando as facilidades do meio de transporte do mar. Aqui, trata-se do mesmo, mas com o ar.
Como informa o relatório do serviço de pesquisa do Congresso dos EEUU, a AEF “inclui aproximadamente 175 aeronaves, 20.000 fuzileiros e 6.000 toneladas em equipamento
194ACC − Air Combat Command. (Na página, ver tópico: “Missão”).http://www.acc.af.mil/ (18/08/2006) 195 Sobre o uso do bombardeiro estratégico em missões atípicas, ver: KOPP, 2006.
196 SAB − Scientific Advisory Bord (Birô de consultoria científica da Força Aérea do EEUU). 197 Sobre a paternidade da ARPANET pertencer à DARPA, em 1959, ver: SPAFFORD 2006.
198 FUCHS, 1997. O Dr. Ronald P Fuchs é Diretor de estudos da Air Force Scientific Advisory Board
militar. Seu objetivo é deslocar-se para qualquer lugar do Mundo em 48 horas e multiplicar este volume cinco vezes em quinze dias199” – o que é impressionante se tratando de um país
fraco, de uma operação de estabelecimento, ou de manutenção de paz. Mas pífio em escala de operações.
A outra recomendação, de estabelecer uma jurisdição da Força Aérea sobre os sistemas de comunicação (civis e militares) e os satélites, traz a marca da DARPA, agência do DoD que criou a ARPANET, hoje Internet. Trata-se de um arranjo que, como salienta o relatório, procura assegurar as condições administrativas para operação da força expedicionária na guerra digital.
Este debate estava em curso nos EEUU quando se deu a guerra do Kosovo. A despeito dos EEUU terem obtido naquela guerra todas as finalidades políticas que perseguiam, os militares americanos parecem ter uma percepção de que foram derrotados. Este espírito está plasmado claramente no texto de NOWAK (1999),200 que considera a força aérea
expedicionária como único meio seguro para os EEUU dirigirem sua política militar em meio ao que lhe parece ser um mar de incertezas (subentende que na política doméstica201 e internacional). Mas, àquela altura, o dispositivo logístico da força aérea expedicionária parecia pesado e lerdo demais, faltava-lhe capacidade de assalto. Afinal, como fazer uma operação desta envergadura sem, antes, “remover” as defesas de terra que haviam abatido até um F-117 − o que dizer, então, de aeronaves C-5 Galaxy e C-17 Globemaster? Foram nestas circunstâncias que MASON (2001202) passou a advogar a idéia da Força Tarefa Pesada de
Aviação (AHTF), o que, finalmente, parece ter dado conta do escopo original do ACC e da Força Aérea Expedicionária.
199 “Each AEF includes approximately 175 aircraft, 20,000 people, and 6,000 tons of deployable
equipment. The goal is to deploy one AEF anywhere in the world in 48 hours and up to five AEFs in 15 days.” BOLKCOM, 2005, p. CRS-5. Christopher Bolkcom é Analista de Relações Internacionais & Defesa Nacional e pertence à Divisão de Comércio.
200 Cf. NOWAK, 1999. Michael J Nowak é Tenente Coronel da USAF.
201 Travava-se então a queda de braço entre os Clinton e o promotor especial que os investigava com o
fito de levá-los ao impedimento.
Trata-se de uma força de assalto com efetivo acima de três batalhões, composta majoritariamente por helicópteros Apache AH-64 (72 aparelhos), equipes de fuzileiros transportadas em helicópteros Black Hawk UH-60, e equipes de apoio que transportariam uma bateria de artilharia e o suporte logístico adequado para de dez a quinze dias de combate. Mason203 considera que esta estrutura mais leve serviria como ponta-de-lança ao corpo principal da AEF e obteria êxito onde esta fracassou. A despeito de ser um texto não oficial, a preparação militar convalida a interpretação de Mason. Antes mesmo da campanha de combate ao terror e aos “Rogue States” (o eixo do mal), entrava em serviço o Osprey V-22, que intensifica e flexibiliza a capacidade de transporte de tropas estadunidenses.
Desenvolvido em nome da “guerra contra as drogas”, o Osprey é um bi-motor que voa como um avião, mas paira no ar, decola e desce como helicóptero, podendo ser usado a bordo de porta-aviões. Transporta uma equipe de 24 fuzileiros completamente equipados. Além disto, ele é completamente dobrável, cabendo tanto dentro do compartimento de navios como de aeronaves como o C-5 Galaxy e leva apenas seis minutos para ser desdobrado e ficar operacional204.